Quinta-feira, 04.11.10

O Bibliotecário de Babel na Vila Madalena SP

Lançamento na Livraria da Vila - Fradique - São Paulo

 


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Em São Paulo - segredos do nascimento de Carlos Gardel no Uruguai

Lançamento do livro de contos/ romance Os limites do impossível, de Aldyr Garcia Schlee

 


publicado por ardotempo às 11:30 | Comentar | Adicionar

DON FRUTOS na Livraria da Vila

Lançamento do romance DON FRUTOS, de Aldyr Garcia Schlee

 


publicado por ardotempo às 11:25 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 02.11.10

Efeito Borboleta - 56ª Feira do Livro de Porto Alegre

 

CONVITE:


publicado por ardotempo às 18:06 | Comentar | Adicionar

Conto de José Mário Silva


IC-19

 


Há muitas coisas no mundo que não compreendo. Mas o que me atormenta mesmo, palavra de honra, é não entender por que carga de água existem engarrafamentos. É um mistério inexplicável, um enigma. As filas de automóveis formam-se, crescem, esticam-se por quilómetros e quilómetros, mas quando uma pessoa chega ao sítio onde era suposto haver um estrangulamento, um desastre, qualquer coisa de grave, verifica com espanto que não há nada de anormal e que o trânsito até flui com facilidade.

 

Confesso que este fenómeno não só me deixa perplexo como profundamente irritado. Já que um homem esperou não sei quanto tempo fechado num carro, com os nervos em franja e a paciência a ferver, ao menos que fosse por uma razão forte, um acidente com vários automóveis amachucados, com pessoas feridas na berma e muitas ambulâncias e bombeiros e macas, uma coisa em grande, digna de ser mostrada no telejornal das oito. Mas quase nunca há razão forte nenhuma. Na melhor das hipóteses, estão dois homens de gravata a discutir por causa de um farolim partido. Ou então é uma senhora que deixou o carro ir abaixo e não consegue pô-lo a funcionar por causa dos nervos e das buzinadelas. São sempre coisas destas, coisas menores. Nunca nada que justifique tantas horas com o pé na embraiagem, tantas horas num pára-arranca que nos mói o juízo.

 

No outro dia, lá no emprego, o Antunes tentou explicar-me o mistério. O Antunes é um tipo assim para o esquisito. Tem perto de dois metros de altura, quase outro tanto de lado e raramente toma banho. Há quem lhe chame o urso, mais pelo cheiro do que pela envergadura. Além disso, é gago, passa a vida nos corredores a meter conversa e tem a mania de que é muito inteligente. A meio da manhã, quando saí para beber café, estava ele a falar com o Fernandes sobre o El Niño e a dinâmica imprevisível dos furacões. Quando voltei, a vítima era a Micaela, encostada à parede a ouvir histórias sobre um tal Mandelbrot, matemático ou coisa parecida, um tipo de certeza ainda mais esquisito do que o Antunes. Ele a dar-lhe com o Mandelbrot e a Micaela, coitada, a perguntar: "Mandelquê?"

 

"Man-Man-Mandelbrot", exclamou o Antunes. Com a minha aproximação, a Micaela pôs-se a milhas, enquanto o urso me pregava uma violenta palmada nas costas e dizia "nem de pro-pro-propósito". Era mesmo comigo que queria falar, garantiu-me, porque já descobrira a solução para a minha dúvida existencial. Referia-se, é claro, à história dos engarrafamentos, que eu mencionara uns dias antes, nem sei bem porquê. Segundo ele, o tal Mandelbrot tinha a ver com uma coisa chamada fractais e com uma outra coisa chamada teoria do caos.

 

"Num sistema, pequenas alterações nas condições iniciais podem provocar grandes alterações nas condições finais", disse o Antunes, orgulhoso da sua sabedoria. E eu a esbugalhar os olhos, a dizer "troca lá isso por miúdos". E ele a especificar que "basta um carro abrandar o ritmo, uma coisa de nada, para que esse abrandamento se propague e amplie na sucessão de carros que vêm atrás, provocando um abrandamento generalizado que vai ao ponto de criar uma paragem do fluxo automóvel; ou seja, o engarrafamento".

 

O Antunes é um sabichão mas não me consola. Porque a verdade é que estou parado no IC-19, com milhares de automóveis à minha frente e meia-hora para chegar ao emprego. Saber se a culpa foi de um acidente ou de um abrandamento generalizado é igual ao litro. O que interessa são os factos e os factos dizem-me que estou preso dentro do meu próprio carro, com o motor em ponto morto e a pequena árvore desodorizante a baloiçar, a baloiçar, a baloiçar, pendurada no espelho retrovisor. Estou preso eu e estão presos milhares de outros como eu, que também picam o ponto às nove, que também ganham uma miséria, que também vivem em apartamentos no Cacém e em Queluz, apartamentos T1 com manchas de humidade nas paredes e vista para outros prédios, outros como eu que também pegam no carro todos os dias a pensar "isto não é vida", outros como eu que também desconheciam a origem misteriosa dos engarrafamentos e talvez ainda desconheçam, porque apesar de tudo gajos como o Antunes contam-se pelos dedos.Olho para o relógio digital do meu Opel Corsa e percebo que vou chegar atrasado, mais uma vez. O relógio pisca 08:40, 08:40, 08:40, como antes o despertador piscou 07:30, 07:30, 07:30.

 

É uma violência, acordar com o som estridente do buzzer e aqueles algarismos vermelhos a dizerem-me que não posso fechar outra vez os olhos, que tenho de saltar da cama, atravessar a cozinha descalço, acender o esquentador, enfrentar um rosto em ruínas no espelho da casa de banho, espalhar o creme da barba, fazer um slalom gigante com a lâmina de barbear, ter cuidado para não deixar pêlos no lavatório (caso contrário a Irene aproveitará logo para vir com os seus remoques), entrar para o duche rápido, sair do duche, vestir roupa lavada, acordar a Irene, engolir à pressa um prato de corn flakes, pentear o cabelo com um nadinha de gel, ajeitar o nó da gravata no espelho do hall de entrada, descer no elevador com a vizinha do sexto direito que trabalha num escritório das Amoreiras, beber um café na pastelaria da esquina e chegar ao carro convicto de que hoje vai ser diferente, de que hoje não haverá trânsito nenhum, embora saiba que no IC-19 já está a ser montado o inferno do costume.

 

O inferno, sim senhor, o inferno. Sem labaredas e sem demónios, mas inferno. Aliás, o castigo que nos reserva o outro mundo, a nós pecadores, deve ser isto: um engarrafamento infinito, eterno. O relógio agora pisca 08:50, 08:50, 08:50 e ainda estamos a uns quilómetros de Lisboa. O inferno, sim senhor. E por falar nisso espreito os outros condenados, os meus companheiros de infortúnio. No automóvel em frente, um homem de meia-idade, careca, estendeu o jornal desportivo sobre o volante e lê as últimas sobre o seu clube. No carro ao lado, um casal de trombas. Estiveram de certeza a discutir quem teve mais culpa no atraso, agora estão calados, ele a sintonizar o rádio e a esfregar os olhos, ela a fazer crochet, talvez uma camisolinha para o neto que há-de nascer daqui a uns meses. Atrás de mim, um yuppie de óculos espelhados a gritar, furioso, para um telemóvel.Passam dez minutos. Na fila ao lado, o casal de trombas avança. O carro que vem logo atrás apita. É o Antunes. Apita, gesticula, baixa o vidro. Eu também baixo o vidro e olho para o relógio: 09:04, 09:04, 09:05.

 

Ele grita: "Nunca mais lá chega-ga-gamos". Pois não, digo eu. "É uma cha-cha-chatice", torna ele. Pois é, respondo. E lá vamos nós, lado a lado, sorrindo um para o outro de vez em quando, encolhendo os ombros e abanando a cabeça, resignados aos abrandamentos generalizados que nos paralisam a vida, enquanto o tal Mandelbrot deve estar neste momento a fazer contas num quadro de ardósia, algures num instituto que fica, aposto, a cinco minutos a pé de sua casa.

 

 

 

 


© José Mário Silva - Efeito Borboleta e outras histórias - Edições ARdoTEmpo, 2010

publicado por ardotempo às 17:52 | Comentar | Adicionar

DON FRUTOS - 56ª Feira do Livro de Porto Alegre

 

CONVITE:

 


publicado por ardotempo às 17:37 | Comentar | Adicionar

DON FRUTOS - Trecho inédito do romance

 

Trecho de Don Frutos, de Aldyr Garcia Schlee (O casamento de Anita)


 

QUE FAZER, diante de um pedaço de papel como este?


–  Comandante Rivera, responda por Don Juan Antonio Lavalleja, do qual tem plenos poderes: deseja casar com esta mulher?

 

–  Sim.

 

Doña Ana Monterroso: deseja casar com este homem?

 

Sim.

 

Sendo estas as expressões de suas vontades de se terem por esposos por mútuo consentimento, e não havendo algo que possa impedir este matrimônio, em nome de Deus e da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, eu vos declaro marido e mulher.


Rasgar o papel? Olvidar? Recordar?


Pois o padre Oubiña ou era meio atolondrado ou estava confundido ou tinha bebido por demais... O cura, depois de ouvir o que lhe havia dito em nome de Lavalleja – que sim, que queria casar com Ana; depois, ainda perguntou a ela, simplesmente: deseja casar com este homem ? E ela: sim. E quem era este homem, o homem ali, ao lado dela? Era o homem com quem ela havia dito que desejava casar; era o homem que, afinal, pelo menos pela vontade manifesta dela mesma, o padre Oubiña declarava casado com Ana de Monterroso!


A gente toda está sempre tão habituada às arengas e prédicas, às palavras de sempre dos padres nas igrejas, que nem ouve nem se preocupa em saber o que  ficam dizendo e repetindo eles, seja num casamento, seja num batizado ou numa missa de defuntos...

 

De modo que ninguém se deu conta de com quem mesmo Ana de Monterroso disse que desejava casar...Bastou olhar para Felipe Duarte e Ramón Mansilla para entender que, como testigos, não haviam maliciado nada: estavam ausentes dali, apesar de por demais compenetrados e o mais ajaezados possível. Bastou ver uma luz meio que piscando, como que um lampejo de dúvida e de perplexidade, um brilho de nada nos olhos de Anita (quando ela disse sim), para notar como ela bem havia entendido tudo – mesmo que ninguém pudesse testificar aquilo; e como ela parecia bonita, que lindaça estava!...

 

Ana havia dito sim; e, no ato, havia entendido perfeitamente tudo. Se chegou a ter um instante de titubeio, foi, foi porque soube bem com quem, com que homem havia dito que desejava casar.


Numa solenidade de casamento há que agir com compostura e recato: as mãos cruzadas por diante, os olhos baixos, a cara séria e os pensamentos distantes. Mas ali, ali era demais: ia casando por outro, estava casando, e ao repente terminava como que casado com Ana; e ela se dava conta disso e era preciso fazer-lhe saber que, afinal, depois do sim, quedavam os dois mesmo que casados.

 

Tinha, afinal, cumprido com a representação delegada por Lavalleja. Permanecia ali, diante da noiva acompanhada apenas pela irmã – a mãe delas em total estado de demência, o pai já falecido; e sem a presença dos parentes do noivo, opostos ao enlace (na capela vazia, ninguém mais que o padre, o major, o capitão e dois negros saídos sabe lá de onde). O noivo Juan Antonio andaria pelas cercanias do arroio de la Calera, no cumprimento de ordens e de seus deveres de capitão de milícia, a reaproximar os artiguistas e a combater os portugueses.A noiva estava passada quase dez anos da idade de casar, bem como a irmã, Juana. Mas era uma mulher de presença forte, de porte altivo, a fisionomia aberta e a tez louçana. Ainda assim, quem a imaginaria, um dia, mandando em Lavalleja (“dá-te corte, Juan Antonio! não te quedes atrás!”)?

 

Quem imaginaria o que ela ia fazer, depois, daquele petiço cambota sem garbo e sem ânimo? Animo, ela sempre teria; como valor, valentia e intrepidez suficientes para incendiá-lo; e para defendê-lo: para lutar por ele, para se expor por ele, para sacrificarse por ele.Naquele instante, mirava Anita como a buscar adivinhar o que lhe passava pela cabeça; e, ao mesmo tempo, para tomar coragem suficiente e encontrar as palavras próprias para fazê-la ver o que então havia se passado. Ela estava com um vestido muito rodado – azul-claro, parece – de mangas compridas com fofos nos ombros; e dava para ver-lhe o que jamais esqueceria: a ponta dos sapatos, de camurça branca, lisos, com uns tufos de seda por cima.


Foi preciso esperar um pouco, porque, encerrada a cerimônia, Juana abraçou-se à irmã, chorando; e, havendo se sumido os negros, Anita esteve, ainda, a receber os cumprimentos do próprio cura e dos dois oficiais. Só aí foi possível chegar até ela, quedar-se de banda para saudá-la, e dizer-lhe:

 

Cumprimentos... Receba meus cumprimentos.

 

Gracias, senhor comandante.

 

Bueno... Mire, Anita...

 

Sim?

 

– Sabes de uma cousa?

 

Que cousa?

 

Que estou mui feliz de ver-te casada.

 

Ah! Gracias, muchas gracias por seu sentimento.

 

E mais, se me permite...

 

Mais quê?

 

O que já lhe digo...

 

Diga nomás...

 

Usté me desafia a dizer-lhe, porque é inteligente e vivida o suficiente para sabê-lo.

 

Saber quê, senhor comandante?

 

Disse-lhe, então, sorrindo:

 

Saber que o cura se atrapalhou; e à vez de perguntar-lhe se queria casar-se com Juan Antonio, perguntou se usté queria casar-se comigo.

 

Pobre padre Oubiña, estava tão nervoso...

 

É que usté respondeu que sim, que queria casar comigo...

 

Que cousa, comandante...

 

 

 

 

 

Imagem: ©Gilberto Perin - Edições ARdoTEmpo (Don Frutos, Aldyr Garcia Schlee - 2010)

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Quarta-feira, 27.10.10

A televisão revelada em palavras

OS TELEVISIONÁRIOS - de Walmor Bergesch

 

 



O grande livro da televisão no sul do Brasil. Contado com graça e leveza por um de seus principais protagonistas, Walmor Bergesch. O autor esteve presente desde o início das atividades da primeira emissora e e mantém-se atuante no universo do meio eletrônico desde então, tendo passado por praticamente todas as principais emissoras do Rio Grande do Sul e algumas das grandes redes no País, com talento, brilho e reconhecimento. Viveu lances de decisões históricas importantes como foi o caso da implantação da TV em cores no País, a difusão das televisões por assinatura e cabo, além de ser o criador da TV Com e do Canal Rural. O livro traz o depoimento e a valiosa colaboração de diversos outros e outras protagonistas nesta grande saga em contínua evolução. No livro o autor relata como a televisão foi, como ela é atualmente e como será. Ilustrado com 300 imagens em cores. Contos e crônicas nas aberturas dos capítulos escritos por alguns do mais significativos autores brasileiros (Luis Fernando Verissimo, Ignácio de Loyola Brandão, Aldyr Garcia Schlee, Cláudia Tajes, Charles Kiefer, Fabricio Carpinejar, Sergius Gonzaga, Monique Revillion, entre outros). Capa de Gilberto Perin. Um livro essencial para os estudantes e professores de comunicação e jornalismo.


Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre - Dia 11 de novembro de 2010

Autógrafos - Palestra e conversa com o autor e convidados televisionários muito especiais.

 


Os Televisionários

400 páginas, ilustrado com 300 imagens em cores

História

ISBN nº 978-85-62984-01-3

Valor: R$ 50,00

PRONAC nº 08 6413

Edições ARdoTEmpo, 2010

 

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Terça-feira, 26.10.10

Prato de resistência

O JANTAR - de Naira Scavone

 

 

 


O Jantar é um refinado ensaio acadêmico de análise comportamental sobre o surgimento da alta gastronomia no Brasil.

Ensaio leve, delicioso, provocativo e instigante sobre os costumes, a aceitação e o desenvolvimento

da alta gastronomia entre os brasileiros, ensaio que aborda de forma brilhante aspectos bastantes originais; por exemplo, a questão do gênero (qual será a razão de exsitirem mais chefs masculinos do que femininos?) e os da vanguarda e da experimentação na cozinha de caráter "nacional": a maneira geograficamente litorânea, a gastronomia do interior do País, os ingredientes peculiares, os nativos e os indígenas.

Apresentação de Patrícia Gomensoro e prefácio de Guacira Lopes Louro

Fotografias de Mauro Holanda

 

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre - 09 de novembro de 2010

Com a presença e autógrafos da autora - Palestra e conversa de Naira Scavone com Aires Scavone (chef de alta gastronomia) e Mauro Holanda (fotógrafo especializado em gastronomia).


 

O Jantar

Ensaio

!68 páginas 4 x 4 cores

Valor: 30,00

ISBN 978-85-62984-03-7

PRONAC nº 08 9391

Edições ARdoTEmpo, 2010

 

 

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Domingo, 24.10.10

O grande romance

DON FRUTOS - de Aldyr Garcia Schlee

 

 


 

O romance DON FRUTOS de Aldyr Garcia Schlee é um dos livros mais aguardados do ano.

 

Brilhante, denso, barroco, belamente escrito em finissima imaginação e linguajar fronteiriço. Aborda os derradeiros meses de vida do caudilho uruguaio Don Fructuoso Rivera, estacionado por meses em solo brasileiro, em Jaguarão, em regresso à sua pátria depois de prisioneiro em duro exílio no Brasil, para assumir pela terceira vez o mandato de Presidente da República. São as memórias imaginadas pelo autor Aldyr Garcia Schlee, para o ancião ainda poderoso, já abalado pelas enfermidades da velhice, memórias em flash-back nas quais reconta a sua vida de herói pampeano, conquistador de territórios e corações femininos, um dos fundadores de uma república independente de seus colonizadores espanhóis e refratária à dominação de seus poderosos vizinhos territoriais. Um livro é fartamente documentado por cartas, recortes de impressos, panfletos e decretos governamentais, coletados em exaustivas pesquisas pelo próprio autor.

 

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre - 03 de novembro de 2010

Com a presença e autógrafos do autor - Palestra e conversa com Cláudio Moreno.

 

Aldyr Garcia Schlee é finalista indicado ao Prêmio Fato Literário 2010

 

Don Frutos

Romance.

Capa de Gilberto Perin.

Ilustrações de época.

Edições ARdoTEmpo.

512 páginas.

ISBN nº 978-85-62984-06-8

Valor: R$ 60,00 -

Edições ARdoTEmpo, 2010

 

publicado por ardotempo às 19:03 | Comentar | Adicionar

Os contos de José Mário Silva

EFEITO BORBOLETA e outras histórias - de José Mário Silva

 

 



O livro de contos Efeito Borboleta nos traz um fascinante conjunto de histórias laboriosamente lapidadas pelo autor português José Mário Silva e compõem um interessante painel da literatura contemporânea em língua portuguesa. São contos de uma imaginação surpreendente, que nos premiam com uma linguagem concisa e atentamente precisa, oferecendo uma estranha atmosfera de realidade febril que nos sugere e revela a vida como ela é, ligeiramente deslocada e algo desfocada do ambicionado imaginário da perfeição comportamental, estática e conservadora. Nem todos os personagens são bondosos, nem todos serão apolíneos ou heróicos, nem sempre as atitudes se harmonizam com um mundo planejado e ordenado dentro de regras apaziguadoras. Neles, nesses contos de imaginação e construção borgesiana, concorre uma ação de estranhamento em que algo sempre aparenta estar ligeiramente fora da sintonia. A vida como ela é.

 

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre - Dia 04 de novembro de 2010

com a presença e autógrafos de José Mário Silva, palestra e conversa com Luís Augusto Fischer

 

Efeito Borboleta e outra histórias.

Contos.

Apresentação de Mariana Ianelli

Capa de Mário Castello.

Edições ARdoTEmpo, a partir da edição original portuguesa da Editora Oficina do Livro.

128 páginas.

ISBN nº 978-85-62984-04-4

Valor: R$ 30,00 -

Edições ARdoTEmpo, 2010

 

 

 

publicado por ardotempo às 18:48 | Comentar | Adicionar
Sábado, 23.10.10

O romance de Elvis Presley

Função Elvis - Romance de Laure Limongi

 

 

 

 

 

O livro Função Elvis é um romance de Laure Limongi sobre a temática da criação e formação de um mito mediático.

 

Um romance que conta numa linguagem clara, dinâmica, hipnótica, pop, em frases curtas, em capítulos de apenas uma página, de precisão cirúrgica e contemporânea, a trajetória de construção minuciosa da imagem do ídolo universalizado pelo poder de difusão dos meios de comunicação. A criatura imaginária e idealizada, permanente, fora do indivíduo. Uma função. A ascenção e a não queda do mito. Elvis vive. Em milhares de clones multiplicados pelo mundo, em imagens recorrentes, em filmes, em fotografias, em impressões reproduzidas, em canções de rock e baladas, em souvenirs, em imãs de geladeira...Um livro empolgante e magnético, como esses mesmos imãs triviais, como o próprio ídolo, permanente em copyrights, que lhe motiva o tema. Mesmo que sejam peças “únicas” fabricadas na China em quantidades monumentais.

Imagens fotográficas de Gilberto Perin.


 

Função Elvis

Autora: Laure Limongi

Tradução de Jean-Michel Lartigue.

Capa e imagens fotográficas de Gilberto Perin.

Edições ARdoTEmpo, a partir da edição original francesa de Éditions Léo Scheer.

88 páginas.

ISBN nº 978-85-62984-07-5

Edições ARdoTempo, 2010

publicado por ardotempo às 18:39 | Comentar | Adicionar
Sexta-feira, 24.09.10

Música, livro, poemas, arte e autógrafos

Convite

 

A Edições ARdoTEmpo, o SESC-RS, as autoras Cleonice Bourscheid (poeta) e Anelise Scherer (artista) convidam para o belo Recital e para lançamento do livro AVE, FLOR em São Leopoldo RS, Brasil, durante a V Aldeia Capilé, com a presença e autógrafos das autoras.

 

 

 

 

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Quarta-feira, 22.09.10

José Mário Silva - Efeito Borboleta

Efeito Borboleta e outras histórias - Contos

 

Autor: José Mário Silva

 

ISBN nº 978-85-62984-04-4

 

124 páginas

 

Capa: Mario Castello

 

Valor: R$ 30,00

 

 

 

 

 

Apresentação de Mariana Ianelli, sobre o livro Efeito Borboleta, contos de José Mário Silva:

 

Penso nos contos de José Mário Silva e logo me vem à memória o espelho mágico de M. C. Escher.

 

Há sempre uma dimensão inaudita em suas histórias, uma realidade da ordem do inefável, na qual diferentes mundos se visitam, regidos pela lógica do sonho. Seus personagens são incógnitas dentro de um grande esquema, um grande tabuleiro cosmológico, por assim dizer, em que todo e qualquer movimento “precipita a desistência ou o desastre”.


Um simples bater de asas na Amazônia pode provocar um tornado no Texas. Perplexo diante das infinitas variantes dessa hipótese, um homem teme executar um só gesto. Nesse conto que dá título ao livro, a perplexidade que se anuncia ainda é outra. Este homem pode ser ele mesmo a borboleta enredada na malha do conto, a letra de uma palavra fatal que se vai formando secretamente, enquanto o personagem, no epicentro da narrativa, ignora sua inexistência. Aqui o leitor reconhecerá, sem dúvida, os labirintos borgeanos, os intermináveis elos de uma cadeia, o sonho dentro do sonho, a concentração dos tempos em um único instante, o ponto do espaço que contém todos os espaços. Mas antes interessa lembrar, de Borges, aquela máxima que serve de postulado para todas as artes, a de que “não sabemos se o universo pertence ao gênero realista ou ao gênero fantástico”.

 

A partir daí, ascendemos da literatura, e de suas inevitáveis intersecções temáticas, a um imenso e extraordinário “sonho apócrifo” nos contos de José Mário.


Astros, números e letras se dispersam, se reordenam e assim gira o caleidoscópio a que chamamos, por espanto e maravilha, gênero fantástico. Nessa cópula de mundos, a lente de um microscópio oferece à vista do poeta a imagemdas galáxias. De fato, José Mário é um poeta, um sonhador de insondáveis matemáticas, um encantador do pensamentoque desperta, no espaço da narrativa, este terceiro olho capaz de entrever nas linhas de uma impressão digital uma “topografia do ser”.


A forma breve que aparentemente delimita as histórias de Efeito Borboleta é mais um expediente de prestidigitador, o espetáculo em ato da fração de um minuto em que um homem revê sua vida e pressagia o exorbitante. Há sombras, muitas sombras no livro, há uma “escuridão ardendo atrás de cada porta”, a iminência do caos atrás da ordem dos planos, inclusive o literário. Nada escapa ao colapso da banalidade. O absurdo, quando prorrompe no elemento mais sutil, põe o leitor diante de um acontecimento que lhe é tão sinistro quanto familiar, como um tsunami, um atentado terrorista, ou mais uma estrela emergindo no mundo das celebridades: o surreal de uma época, nossa época, típico de um quadro de Bosch.


Nas 38 Miniaturas, imagens de alta concentração poética que fecham o volume, está a síntese da criação mágicade José Mário. Tal como o “caçador noturno” de um dos textos, dali regressamos admirados, com “meia dúzia de estrelas à cintura”. Uma aventura e uma vertigem, Efeito Borboleta contém o índice de um livro infinito. Para cada história somos transportados, ou melhor, tragados, por aquela força de atração para além da física que sabemos ser o mais simples - e o mais desejável - prazer da boa leitura.


Mariana Ianelli - Escritora, poeta e jornalista

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Quinta-feira, 16.09.10

A alta gastronomia brasileira existe?

O JANTAR - de Naira Scavone

 

O leque de interesses da pesquisadora Naira Scavone não é trivial. Sua trajetória profissional perpassa a psicologia, a educação, os estudos femininos e a gastronomia; e agora desemboca neste livro (cuja “mise en place” se iniciou em seu  mestrado em Educação na UFRGS e se estendeu por anos a frente de uma escola de gastronomia, em Porto Alegre), capaz de combinar harmoniosamente todos esses ingredientes.

 

 

O que Naira oferece é uma refeição completa, da entrada ao café, passando por dois pratos principais substanciais e pela sobremesa. Mas que não se engane o gourmet desatento: neste livro não se encontram receitas ou técnicas culinárias; a matéria-prima com que o jantar é preparado aqui é o campo da alta gastronomia no Brasil de hoje, analisado a partir de um sólido referencial teórico conceitual, tanto quanto de uma longa vivência pessoal em meio a chefs e entusiastas do bem-comer.

 

 

 

Assim, o que está em pauta são as relações de poder e de gênero dentro da cozinha profissional, o imaginário da alta gastronomia disseminado pelas revistas especializadas e a construção de uma idéia de nação por via de uma certa “gastronomia brasileira”, dentre outros temas.

 

Já não bastasse a originalidade temática e de abordagem – afora artigos acadêmicos esparsos, são ainda raras no Brasil as publicações com foco na análise sociológica de nossa própria alimentação -, o que torna este livro algo especial é a ousadia e a argúcia com que sua autora enfrentou a empreitada.  Ainda que feito só de palavras, o jantar servido aqui tem a combinação bem calibrada (e rara) de temperos capaz de atrair a toda a gama de interessados em gastronomia.

 

Patrícia Gomensoro

 

 

Fotografias: Mauro Holanda

© Naira Scavone - O Jantar - Edições ARdoTEmpo, 2010

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Domingo, 12.09.10

Este JANTAR está excelente, bom para pensar

O JANTAR

 

 

 

Um jantar lida com apetites, aguça sentidos, mexe com corpos.

 

À mesa de refeições, comida e bebida são dispostas, muitas vezes, não apenas para saciar fome e sede, mas como razão ou pretexto de encontros. Ali podem acontecer reuniões memoráveis, saborosas, divertidas, plenas conversas e debates, carregadas de afetos e de disputas.  O jantar mistura muitos ingredientes, alimentos, sensações, idéias, emoções. Em torno da mesa se fazem jogos de sedução e de poder, há afinidades e competições. Um espaço ‘bom para pensar’ a sociedade e a cultura.

 

Num tempo em que comida e gastronomia viraram moda, multiplicam-se ‘chefs’  e celebridades, ‘experts’ e especialistas que, na televisão, nas livrarias e até no cinema, com propósitos por vezes quase antagônicos, falam de mesas e de dietas, de prazeres e de restrições, enquanto se propõem a ensinar a escolher, preparar, combinar e harmonizar alimentos e bebidas. Este livro não fica alheio a este mundo, no entanto, se propõe a olhá-lo por outra perspectiva.

 

Naira trata de comidas e bebidas, de ervas, especiarias, vinhos e licores, mas não traz receitas nem regras, não ensina modos de preparo ou etiquetas. Ela analisa a mesa de jantar, ou melhor, a gastronomia, como um artefato da cultura. E, uma vez que ‘existe gastronomia quando há possibilidade de escolhas’, tal como lembra, se dispõe a examinar algumas destas escolhas. A preferência por produtos, por formas de preparo ou de apresentação; a decisão sobre quem prepara, quem tem a primazia de sentar à mesa; a eleição das horas e das regras das refeições; a distinção das mesas dos nobres e das mesas populares, dos alimentos finos ou vulgares; a valorização do que é local ou do que é raro, da cozinha dos antepassados ou dos estrangeiros –  as múltiplas e complexas escolhas que indicam e marcam posições de sujeitos, lugares sociais, gêneros, identidades. Nenhuma destas escolhas é, absolutamente, ‘inocente’, antes disso, elas são todas, de algum modo, cúmplices de sutis e, por vezes, arraigadas relações de poder.

 

Este livro se inscreve numa perspectiva dos Estudos Culturais, com um olhar particularmente voltado para as trocas de gênero e nacionalidades que se fazem e se reiteram no âmbito da gastronomia. Naira trata do disciplinamento e das transformações dos gostos, analisa autoridades e restrições de homens e mulheres na cozinha e na mesa, observa tradições e modas, regionalismos e importações, misturas e tendências. Mostra como a comida participou (e participa) da construção da identidade brasileira, questiona mitos, discute a dinâmica dos gêneros em torno do fogão e das mesas. Ao olhar acadêmico agrega sua experiência como docente de uma escola de gastronomia e, assim, constrói um texto ‘leve’ e provocante que, simultaneamente, instiga a pensar e faz sorrir. Como num jantar bem realizado, aqui o tempero é sutil e os sentidos são despertados. Vale a pena provar deste texto.

 

© Guacira Lopes Louro - Apresentação de O JANTAR, de Naira Scavone - Edições ARdoTEmpo

Imagens de Mauro Holanda

 

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O JANTAR

 

 

O Jantar


Naira Scavone


Um ensaio acadêmico de análise comportamental sobre o surgimento da alta gastronomia no Brasil.

Ensaio leve, delicioso, provocativo e instigante sobre os costumes, a aceitação e o desenvolvimento da alta gastronomia entre os brasileiros.

 

Fotografias de Mauro Holanda

!68 páginas 4 x 4 cores

Preço: 30,00

ISBN 78-85-62984-03-7

PRONAC nº 08 9391

Edições ARdoTEmpo

 

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Sexta-feira, 10.09.10

Convite para O JANTAR

Lançamento de livro O JANTAR, de Naira Scavone

 

 

O Jantar

Naira Scavone

Um ensaio acadêmico de análise comportamental sobre o surgimento da alta gastronomia no Brasil.

Ensaio leve, delicioso, provocativo e instigante sobre os costumes, a aceitação e o desenvolvimento

da alta gastronomia entre os brasileiros.

Fotografias de Mauro Holanda

!68 páginas 4 x 4 cores

Preço: 30,00

ISBN 78-85-62984-03-7

PRONAC nº 08 9391

Edições ARdoTEmpo

 

ardotempo@gmail.com

 

Dia 17 de setembro de 2010

Studio Clio

Rua José do Patrocínio, 698

Cidade Baixa - Porto Alegre RS Brasil

CEP 90050-002

Fone: (51) 32 54 72 00

 

www.studioclio.com.br

 

 

 

 

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Sexta-feira, 06.08.10

Elvis não morreu

Álbum de Elvis Presley em quadrinhos

 

Com roupas extravagantes, jaquetas coloridas, mantos cravejados de brilhantes, cinturões decorados, topete esculpido com gel e passos de dança de coreografias inusitadas, Elvis Presley influenciou toda uma geração, conquistando fãs por onde passava.

 

Para homenagear o Rei do Rock, desenhistas de quadrinhos alemães lançaram a biografia do cantor em formato HQ, denominada Elvis.

 

Nas 128 páginas do livro, os fãs saberão mais detalhes sobre a polêmica trajetória de um dos maiores ícones da música internacional, incluindo fatos sobre o início de sua carreira, a passagem por Hollywood, os casos amorosos até a sua decadência física aos 40 anos, que culminou na sua morte precoce.

 

 

 

 

 

A biografia foi organizada e roteirizada por Titus Ackermann e Reinhard Kleist, e está dividida em dez capítulos ilustrados por grandes nomes dos quadrinhos germânicos, como Nic Klein, Uli Oesterle, Isabel Kreitz e Thomas von Kummant.

 

Publicado na Alemanha em 2007, o HQ foi lançado na França no mesmo ano e chegou a Holanda somente no início desse semestre. Para os fãs brasileiros que estão ansiosos para ver a versão de seu ídolo em quadrinhos, o lançamento está previsto para a primeira semana de agosto, chegando às livrarias antes mesmo da versão norte-americana.

publicado por ardotempo às 02:21 | Comentar | Adicionar
Domingo, 13.06.10

Lançamento de Treva Alvorada - Livraria da Vila (São Paulo)

Poesia

 

 

Uma festa bonita com presença de muito público. Foi um notável sucesso o lançamento do sexto livro de poesias de Mariana Ianelii - Treva Alvorada, na Livraria da Vila (Alameda Lorena) em São Paulo, na noite de quinta-feira, dia 10 de junho.

Fotografia de Petronio Cinque

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Quarta-feira, 09.06.10

A poesia ganha

TREVA ALVORADA

 

 

© Mariana Ianelli - Treva Alvorada - Editora Iluminuras, 2010

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Quinta-feira, 03.06.10

TREVA ALVORADA - Lançamento nacional dia 10 de junho

Novo livro de poesia de Mariana Ianelli

 

 



NA TEMPESTADE

 

Não é teu pesadelo

Fracassar no fim do caminho.

 

O passo torto

Sempre te fortaleceu

E um murmúrio

Dois palmos acima do silêncio

Na noite velha te dizia: 

 

Irás naufragar, 

Mas não tenhas medo.

 

Essa voz não era a de um anjo

Nem o teu horror

Emprestado da bíblia.

 

Sagrado para ti era o mar

Da cor do zinco, e sentir

As âncoras desprendidas,

Uma proa bordejando

E o teu corpo demasiado honesto

Para ser levado a juízo.

 

Tinha o nome do orgulho

O animal que te movia,

A que os outros chamavam injúria,

Extravagância de criatura, 

Desatino.

 

Agora que o teu navio

Vai ao fundo do fundo

Uma praia selvagem 

Ladeia o dia seguinte.

 

© Mariana Ianelli - Treva Alvorada, Editora Iluminuras, 2010

 

Treva Alvorada

Mariana Ianelli

Poesia - 128 páginas

Capa: Arcangelo Ianelli (Pintura)

ISBN nº 978-85-7321-3241-9

Editora Iluminuras, 2010

Valor: R$ 35,00

 

Você já pode encontrar na Livraria Cultura, ou encomendar por internet:

 

 


 

publicado por ardotempo às 18:26 | Comentar | Adicionar
Domingo, 23.05.10

"Aqui não se morre mais"

Treva Alvorada

 
Jair Ferreira dos Santos

 

Mariana Ianelli escreve, basicamente, uma poesia do primordial: a solidão primeira, o jardim sem outono, aquele tempo intransitivo fora do mercado mas perene em todos nós.  Nos livros anteriores, como neste admirável Treva Alvorada, os versos parecem nascer em algum ponto da imaginação literária onde o lirismo se entrelaça ao mito, à religião, à filosofia para aludir a experiências originárias com significados há muito abolidos ou empalidecidos pela vida moderna.

 

Já no título defrontamos a mais primitiva das oposições míticas – noite/dia, com   expansão metafórica para morte/renascimento, alienação/consciência – e essa ambigüidade atravessa o texto sob figuras diversas. É assim que reencontramos, em épocas e geografias indefinidas, Narciso, Abel, cenários antigos e passagens bíblicas, cada um deles envolvido com dilemas ou esperanças cujo drama, em roupagem inédita, revivemos.

 

A deserção, por exemplo, do filho pródigo, com sua “pele macia/ sem rastro de batalha”, vem precisamente de que “não sabia errar”. Pelo equívoco, ele ascende à humildade, para enfim retornar à casa paterna. A errância humana entre sombra e luz, aliás, é o tema da coletânea. Estamos entregues à inquietude, ao desconhecimento, tendo a morte por horizonte. Esse aparente pessimismo, no entanto, é para Mariana um domínio de luta com sentimentos e gestos  justamente primordiais como a compaixão, o silêncio, as alegrias do corpo ou a aliança com o absolutamente Outro, também conhecida por fé.

 

Na vitória ou na derrota, palmilhamos a “revanche da galhardia”, pela qual “é inútil desafiar o pó/ E, contudo, desafia-se”.  Ou então, quando alcançamos a “paz dos contrários”, reina a “Treva alvorada”, onde “Fecundado, flutuas,/ É a lei da graça.


Narrativos, portanto mais ágeis, os poemas provocam por algum mistério uma impressão de leveza e profundidade. O cuidado com as palavras é severo mas não exclui, antes reforça, a espontaneidade. Os tons variam do lamento ao cântico, conforme a emoção em jogo. E à potência de reflexão lírica da autora, que percebe coisas assim: “Era um frescor de água profunda/ A tentação do esquecimento”, vêm se associar imagens reveladoras de um universo em contínua radiância, como no verso “A maçã resplandecente no esterco”. Tudo somado, temos a síntese de uma originalidade feita pensamento poético em sua mais forte expressão. 

 

Escrito em 2009 durante os meses de enfermidade e passagem do avô da poeta, o pintor Arcangelo Ianelli, Treva Alvorada contém meditações ora pungentes, ora libertárias sobre a morte. São lições de finitude que pertencem à sua decisão, ultracorajosa face à estética contemporânea, de dialogar poeticamente com o sagrado, que vai deixando este mundo seduzido pela própria desintegração.

 

Curiosamente, contra toda a aprendizagem, o último poema termina com a boutade: “Aqui não se morre mais.” Legítima ironia, mas ainda primordial, é no homem o desejo de imortalidade.

 
Jair Ferreira dos Santos

 


Treva Alvorada

Mariana Ianelli

Poesia - 128 páginas

Capa: Arcangelo Ianelli (Pintura)

ISBN nº 978-85-7321-3241-9

Editora Iluminuras, 2010

Valor: R$ 35,00

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Sábado, 22.05.10

Treva Alvorada

Novo livro de Mariana Ianelli

 

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Quarta-feira, 19.05.10

O editor fala do livro

Lançamento

 

O editor Samuel Leon da Iluminuras fala de seus livros, de sua atuação como editor, de escolhas, da contribuição e da resistência cultural (desde sua trincheira). Será no dia 26 de maio na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo.

 

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Segunda-feira, 10.05.10

Televisão: Uma Vida

Sempre Pioneiros 

 

José de Almeida Castro

 


Em fins de 1958, duas importantes etapas do nosso trabalho estavam sendo vencidas.  

 

Em Belo Horizonte, eu ajudara a consolidar a TV Itacolomy, primeira emissora de televisão fora do eixo Rio-São Paulo e no Rio de  Janeiro, a TV Tupi já operava integralmente em suas novas instalações no antigo edifício do Cassino da Urca. João Calmon determinou-me que, cumulativamente com a direção geral do Canal 6 carioca, assumisse o comando do programa de expansão das emissoras associadas de televisão.

 
Assis Chateaubriand, então Embaixador do Brasil em Londres,  decidira que, começando por  Porto Alegre, as emissoras associadas de TV seriam pioneiras em todo o Brasil.  Um plano elaborado, sob nossa orientação, pelas equipes da Tupi do Rio foi  considerado audacioso e de difícil implantação, mas finalmente aprovado e respeitado na sua execução.


O plano possuía três linhas mestras:

 
A) padronização obrigatória dos equipamentos de estúdios e transmissores; 

B) realização de cursos em tempo integral, por conta dos Associados, para  formação  das equipes de  novos profissionais selecionados em cada um dos estados que sediariam as novas emissoras de TV; 

C) meta de celebrar os dez anos das pioneiras TVs Tupi (Rio/São Paulo) inaugurando emissoras associadas de televisão do Extremo Norte ao Rio Grande do Sul. 

 

Na execução, respeitados os conceitos básicos, houve uma pequena alteração no modus operandi. São Paulo, isoladamente, ficou encarregado do Paraná e, sob nossa supervisão, Vitor Purri, que comandara a instalação da TV Itacolomy, cuidou, com Edilson Varela na Superintendência  da TV Brasília. Igor Olimpiew dirigiu toda a parte técnica, com o apoio, no Rio de Janeiro, de Orazio Pagliari e de Herbert Guzman. 


A TV Tupi do Rio se re-equipara na Urca, com grande êxito, com equipamentos RCA, os equipamentos escolhidos para a cumprir o plano de padronização, inclusive com a compra de 10 máquinas de gravação de imagens em fita magnética, os TV Tapes. (A Ampex era a detentora da denominação video-tape - os futuros videoteipes).  

 

O fundamental ponto B se tornou efetivo em meados de 1959, quando o diretor geral dos Associados, João Calmon, numa sala da TV Tupi na Urca, falou aos 40 alunos do 1º Curso de Preparação de Profissionais de Televisão do Brasil, vindos de Porto Alegre, de Salvador e do Recife, na presença dos Superintendentes Regionais  Nelson Dimas de Oliveira (Rio Grande do Sul); Odorico Tavares (Bahia); Edilson Varela (Brasília) e  dois convidados  especiais – Carlos Lage, da J .Walter Thompson  e Emil Farhat,  da McCann Erickson.


Como responsável pelo Curso coube-me apresentar os mestres – Alinor de Azevedo, Alcino Diniz, Herbert Guzman, Maurício Dantas, Péricles Leal. (Pericles depois foi o grande mestre de cearenses e paraenses).  Após quatro meses de aulas diárias e provas praticas, aqueles entusiastas profissionais realizaram programas, com a participação de artistas veteranos como exames finais,  programação transmitida nas madrugadas da TV Tupi do Rio. Os gaúchos logo retornaram a Porto Alegre para os trabalhos preparatórios da inauguração da sua TV. E convidaram todos  do Curso para a prova de fogo


Em  20 de dezembro de 1959, num fim de tarde com sol de 40 graus, lá do alto do morro de Santa Teresa, surgiram as imagens da TV Piratini

 


Seguiu-se o planejado. Há 50 anos, em 1960, no décimo aniversário da pioneira paulista, inauguravam-se tevês pioneiras em Brasília, em Curitiba, em Salvador, em Fortaleza, no  Recife  e  em Belém do Pará.

 
Em Brasília, João Batista do Amaral  com a sua repetidora da TV Rio, marcava sua presença em seguida, E no Recife um destaque: inaugurado 15 dias depois do Canal  6 Associado, o Canal 2 foi também um legitimo pioneiro. E como Assis Chateaubriand é impossível esquecer outro notável nordestino, o grande líder e realizador, Dr. Francisco Pessoa de Queiroz e sua primorosa realização: a TV Jornal do Comércio, do Recife.

 
Nota ComplementarVida Alves concedeu-me  a honra de solicitar uma palavra sobre a história acima descrita. Sou muito grato. E extrapolando o solicitado, volto a Porto Alegre: Walmor Bergesch, um pioneiro aluno do curso preparatório de televisão em  1959  entregou ao público, no dia 24 de março de 2010, em grandiosa festa gaucha, o seu livro Os Televisionários . Convidado, não pude comparecer. Tive, porém, a alegria de receber mensagens de vários participantes presentes. Destaco parte da que veio de Sérgio Reis. Revigora-me ver, 50 anos depois, a lição transmitida àqueles jovens.

 

Diz ele com muito carinho:


“Castro, mais do que nos ensinar televisão, você nos fez ver a importância e o poder do veículo que operaríamos e a responsabilidade que estávamos assumindo. O meu encantamento pela televisão começou com você e não parou até hoje (ancoro o programa Tribuna Independente pela Rede Vida de Televisão todas às quintas feiras, ás 22h15)  Como você ensinou, é ao vivo!). Mais do que uma profissão, você me deu uma carreira que preencheu uma vida com intensidade. Receba meu abraço de agradecimento.” – Sérgio Reis

José de Almeida Castro - Sobre o livro OS TELEVISIONÁRIOS, de Walmor Bergesch

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Domingo, 09.05.10

"Filho de Estrela, só pode ser astro"

Feira do Livro de Estrela - RS

 

Lançamento do livro OS TELEVISIONÁRIOS - Dia 11 de maio / Estrela

Palestra de Walmor Bergesch

 

 

 

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Sexta-feira, 07.05.10

Nova cidade, novo povo, novo país

A chegada da televisão em Taquara do Mundo Novo

 

Sergius Gonzaga

 

Acho que foi em 1960 porque naquele ano o leão fugido do Circo Águias Humanas, que há muito tempo vagava ameaçador por ruas e propriedades rurais, amanheceu morto no Rio da Ilha, interior do município, e, embora ninguém na cidade tivesse visto o cadáver da fera, já estávamos tão cansados do nosso próprio medo, tão fartos de dormir com as portas e as janelas fechadas, mesmo nas mais inclementes noites de verão, que resolvemos acreditar coletivamente no desaparecimento daquele animal aterrorizante. Foi como se então redescobríssemos a alegria de viver.

 

Antes disso, no fim do ano anterior, seu Trombini magnetizara Taquara, comprando o primeiro aparelho televisor da região para acompanhar a programação da recém-inaugurada tevê Piratini. E, sendo homem por demais generoso, a partir de janeiro do ano seguinte, escancarara as grandes janelas de sua casa em frente à Praça da Prefeitura, das segundas às quintas-feira, entre às 20h00 e às 21h30, permitindo que nos acotovelássemos na calçada, em meio a empurrões, tapas, gritos, risos e um sincero espanto diante daquelas imagens que procediam da tela luminosa e mágica.

 

 

Começava ali uma outra realidade, ainda subterrânea, ainda indecifrável, mas que mudaria para sempre as nossas vidas. Era uma multidão todas as noites. Algumas senhoras até levavam cadeirinhas de palha na tentativa de assistir sentadas à programação, contudo a ânsia pela visão deslumbrante que brotava na sala de seu Trombini fazia com que ninguém respeitasse o direito daquelas mulheres ao conforto de suas varizes e de seus reumatismos imemoriais.

 

Atordoado pela novidade, o público emitia comentários diversos. Havia os que celebravam a chegada do futuro.Havia também os que desconfiavam do poder maléfico daquela geringonça.

 

Dona Olga, mãe de Arnaldo Cambota, após assistir um episódio da série Lanceiros de Bengala, sintetizou a perplexidade dos taquarenses mais idosos:

 

Xô égua! Essas invenções do diabo não vão terminar bem!

 

Certa noite, em que havia pelo menos umas trinta pessoas diante das janelas da casa de seu Trombini, o Percival, escondido na praça, pôs-se a berrar:

 

Cuidado com o leão! Cuidado com o leão!

 

Em pânico, todos correram em busca de abrigo. Como um lorde infenso aos medos da plebe, Percival emergiu das sombras, caminhou até uma das janelas e ali ficou acompanhando as emoções de um páreo do Pradinho Sinimbu, em que cavalinhos mecânicos com nome de marcas de cigarro disputavam a vitória, premiando os telespectadores que houvessem enviado maços vazios dos produtos da Companhia de Fumos Sinimbu. Percebida a fraude do leão, vários taquarenses de escol tentaram espancar o Percival que fugiu dali aos gritos:

 

Meu pai também vai comprar uma tevê! Meu pai também vai comprar uma tevê!

 

Todos riram do Percival.

 

Olha aí o rato de esgoto querendo se passar por fino.

 

Sabíamos que apenas os muito ricos poderiam dar-se ao luxo de possuir um daqueles maravilhosos aparelhos eletrônicos. A nós – integrantes da remediada classe média de então – restaria somente a esperança de ser convidado para uma visita noturna à casa de algum dos poucos abonados da cidade, pois estes certamente, nos meses seguintes, também adquiririam um televisor.

 

Vários de meus amigos (e eu mesmo) chegamos a sonhar, naqueles dias, que nas salas de nossas residências, pulsava uma luz branca e fria, trazendo consigo filmes e séries emocionantes. Mas quando acordávamos, descobríamos a impossibilidade concreta desses sonhos.

 

Acho que tudo isso ocorreu efetivamente em 1960, porque naquele ano os candidatos a Presidente da República passaram por Taquara, sendo que um deles – Jânio Quadros – tinha caspa nos ombros e, antes de discursar, mordeu um sanduíche de mortadela para mostrar que era um homem simples, vulgar e confiável, como qualquer um de nós.

 

Nesse mesmo ano, surpreenderam meu colega Jacques em obscenas intimidades com uma jovem donzela nos matos do morro do Colégio Santa Terezinha; ele teve de fugir da cidade e os pais da moça a internam num convento. 1960 foi também o ano em que, ao contrário de todos os taquarense, eu chorei (secretamente) pela morte do leão fugido do circo, pois de alguma forma compreendia a solidão da fera, dividida entre o horror da jaula e a hostilidade brutal das gentes que o caçavam sem pena.

 

Mas, acima de tudo, 1960 foi o ano em que a televisão chegou à Taquara, com suas antenas escama de peixe, seus teleteatros improvisados, suas séries ingênuas, seus simplórios programas humorísticos, seus noticiosos sem imagens, seus equipamentos canhestros, suas falhas, sua modernidade imperfeita.

 

A partir daí, o velho mundo em que vivíamos, um mundo lírico e preconceituoso, educado e autoritário, frugal e arcaico, começou a desabar. O que parecia de ferro, era de areia. Séculos de tradição dissolveram-se sob nossos pés. Foi tudo muito rápido. As mensagens que vinham dos televisores em preto e branco traduziam a nascente ordem econômica industrial e solapavam valores, mentalidades e costumes, anunciando uma outra era, mais aberta, mais libertária, mais hedonista. E assim, simultaneamente, surgiam uma nova cidade, um novo povo e um novo país.

 

(Quase meio século depois, costumo visitar minha irmã, que ainda mora na antiga casa de nossos pais em Taquara do Mundo Novo. Nessas ocasiões, faço questão de sentar numa antiga poltrona marrom, e fechar os olhos e me fixar naqueles tempos de há muito perdidos. Então, como um médium em transe, ouço vozes do passado, meus irmãos correndo e gritando no pátio, o rugido do leão do circo Águias Humanas, e vejo cenas fulgurantes, uma manhã de sol na Rua Grande, um peixe que salta preso ao anzol no rio dos Sinos, e – ó velho nostálgico! – consigo ver, em meio à neblina que um dia dissolverá toda a memória, consigo ver as babosices sedutoras de Papai sabe tudo, o cinismo inocente de Bat Masterson, as carícias mornas entre John Herbert e Eva Vilma e vejo, acima de tudo, as inefáveis coxas bronzeadas de Lélia Parizotto, garota-propaganda de nosso delírio juvenil, infinita promessa de liberdade amorosa, tudo isso na telinha da tevê Piratini, Porto Alegre, canal cinco.)

 

© Sergius GonzagaEscritor, Professor de Literatura e Secretário Municipal da Cultura, Porto Alegre - OS TELEVISIONÁRIOS - Edições ARdoTEmpo

Imagem: © Gilberto Perin / Televisão Predicta Preto&Branco (Os Televisionários, 2010)

 


publicado por ardotempo às 00:19 | Comentar | Adicionar
Domingo, 25.04.10

Bola de cristal, em HD e 3D no seu computador

O que vai passar na TV amanhã?

                                                           

Roger Lerina

                                                          

Como será a televisão do futuro?

 

Previsão não é meu forte – não consigo antever sequer minhas próximas férias. Mas, mesmo que eu fosse um Nostradamus, palpites sobre o que está por vir em assuntos tecnológicos costumam ter um prazo de validade muito curto – e qualquer prognóstico que eu faça aqui pode caducar antes mesmo da publicação do livro OS TELEVISIONÁRIOS. No entanto, é possível especular a respeito da televisão de amanhã sem necessariamente posar de profeta.

 

Um dos caminhos, por exemplo, é imaginar como você gostaria que a TV fosse daqui a, digamos, 15 anos. Dando uma boa polida na sua bola de cristal, dá pra arriscar alguma antevisão – e com certa tranqüilidade, se você tiver o bom senso de se deixar guiar pelas tendências anunciadas hoje.

 

Então vamos lá: em 2025, boa parte dos 8 bilhões de habitantes do planeta vai estar conectada em bandas de alta velocidade. E, ao que tudo indica, o telefone celular será também o televisor, o computador e o aparelho de som das pessoas. Isso quer dizer que, se quiser, você poderá ver tevê a qualquer hora em praticamente qualquer lugar.

 

Mais: ninguém vai precisar esperar um determinado horário pra ver o programa desejado – toda a grade de atrações das emissoras poderá ser acessada a qualquer momento. Em casa também toda essa informação (TV, internet, som, vídeo) vai estar conectada no mesmo sistema – o que, além de trazer facilidades, provavelmente vai também amplificar um problema doméstico já clássico: cada membro da família deverá ter seu próprio aparelho, sob pena de alguém que fique de fora dessa “inclusão digital” achar-se no direito de armar uma revolução em casa contra os próprios irmãos ou pais na pela posse do controle do equipamento...

 

Acho que podemos dar como certo ainda, nos próximos anos, uma interatividade do telespectador mais participativa do que apenas escolher a programação a qualquer hora, ou ver seus próprios vídeos exibidos em atrações da TV como programas de auditório e noticiários. Com as rapidíssimas conexões via fibra ótica e satélite que não param de aumentar em número e velocidade – a Alemanha, por exemplo, já cobriu 98% do seu território com banda larga de ao menos 1 MB –, qualquer cidadão poderá entrar ao vivo em um canal de TV de onde estiver, mostrando imagens de casa, acidentes, eventos esportivos e artísticos, desastres, entrevistas e o que mais as emissoras tiverem interesse. Aliás, o próprio conceito de “emissora televisiva” deve mudar bastante: como ocorre hoje na internet com a coexistência de grandes portais com blogs, fotologs, páginas pessoais e redes sociais, os canais de TV como nós conhecemos, mantidos por empresas de comunicação, dividirão (ciber)espaço e audiência com canais cuja programação pode ser totalmente produzida por gente comum com suas câmeras e celulares – algo como o YouTube e assemelhados, mas com um perfil mais parecido com o dos canais comunitários. Ainda em termos tecnológicos, a televisão em 3D será outro atrativo a ser popularizado em breve.

 

Da mesma forma que a indústria do cinema anda investindo pesado na terceira dimensão a fim de recuperar seu público, a TV vai na mesma direção – a ambição parece ser levar para a sala dos lares a sensação de realidade quase tátil de filmes como “Avatar”, projetada por monitores cada vez mais finos e maiores, lembrando as telas de cinema.

 

O futuro da TV como eu imagino, portanto, será excitante: na parede de casa em telões imensos ou na palma da mão em telinha de pequenos celulares em qualquer lugar, exibindo superproduções hollywoodianas em 3D ou uma pegadinha registrada no casamento da cunhada, transmitida por fibra ótica ou satélite, a televisão continuará sempre nos fascinando com suas imagens virtuais tão reais.

                                                                                                                                

Roger Lerina – Especial sobre OS TELEVISIONÁRIOS (inédito) para o blog ARdoTEmpo

Imagem: Fotografia de Gilberto Perin, especial para ilustrar parte da capa de Os TeleVisionários, de Walmor Bergesch

 

publicado por ardotempo às 23:08 | Comentar | Adicionar

Um poema

 

Josafá

 

 

Um trem some na noite,

Já não sabes 

O que nesta viagem 

Te aconteceu.

 

O olho cego de Deus

Ilumina os campos nevados,

A brancura de nada saber

Te faz bem.

 

Moves-te 

Num ventre de áspide,

Move-te a vontade de outrem.

Tua complacência viaja.

 

Tua complacência,

Uma fúria

Que o vagar das sombras

Enterneceu. 

 

Não há tua história,

Tua estrela no peito, teus bens.

Há um rosto fixo e mudo.

Teu nome é ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

© Mariana Ianelli (Inédito) - Treva Alvorada - Iluminuras, 2010

 

publicado por ardotempo às 13:56 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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