Polêmica à vista

Os adversários entrarão no ringue, pela primeira vez, no dia 15 de julho.

Acontece a partir do dia 15 de julho, em São Paulo, a maior exposição da obra do artista francês naturalizado americano Marcel Duchamp já realizada na cidade
 (e no Brasil), e que marca os 60 anos do MAM Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

 

MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo

Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3 - Ibirapuera -

São Paulo SP - Brasil 

De 15 de julho a 21 de setembro.

De terça a domingo e feriados, das 10h às 18h

 

A exposição, que tem o título Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra "de arte", está focada na produção do artista de 1913 até sua morte, em 1968, período em que, segundo a curadora da mostra Elena Filipovic, se concentra a produção mais radicalmente questionadora do artista.


"Ele pode ter feito muitos trabalhos antes, muitas pinturas, na verdade, mas é nesse momento que ele se torna o Marcel Duchamp em que pensamos hoje", explica Filipovic, que é especializada no artista e conclui este ano um doutorado na Universidade de Princeton (EUA) sobre ele.

Por "Marcel Duchamp em que pensamos hoje", entenda-se o artista que expôs como arte, por exemplo, um urinol assinado e uma roda de bicicleta, ou que desenhou um cavanhaque na "Monalisa", atitudes provocadoras que redefiniram para sempre o conceito de obra de arte.

Para Filipovic, Duchamp (1887-1968) seria o primeiro 'artista-pensador', para quem a própria idéia é a obra de arte. Depois dele, ela prossegue, "o mais importante não é a técnica do artista, mas a idéia contida pela obra", noção que influenciou gerações de artistas posteriores com trabalhos tão diversos como o americano Andy Warhol ou o brasileiro Cildo Meireles.

A última exposição sobre Duchamp em São Paulo, de tamanho mais modesto, aconteceu há mais de 20 anos. Em 1987, a cidade recebeu, numa sala especial da 19ª Bienal Internacional de Arte, uma mostra com 75 obras do artista, com curadoria do colecionador italiano Arturo Schwarz.

A exposição que chega agora traz trabalhos inéditos no país, fundamentais para o pensamento duchampiano, como a réplica do "Grande Vidro", assinada pelo próprio Duchamp nos anos sessenta.

"Duchamp estava sempre pensando no espaço expositivo, e em como criar uma nova obra de arte com a maneira como o trabalho era exibido", conta a curadora, "e o fato de que Duchamp estivesse pensando na conceituação de seu trabalho e do espaço expositivo nessas circunstâncias, ficou meio que à margem da história, pois esses espaços são efêmeros".

A consciência do entorno da obra e sua maneira de exibição são preocupações do artista que a exposição explorou na seleção de trabalhos e na arquitetura da montagem. "A forma de exibição nem sempre é uma preocupação do artista. Ele, às vezes, simplesmente cria 'algo' que é o que é, mas que não considera seu entorno e sua exibição".

"Partimos do princípio de que o próprio Duchamp era um exímio pensador dos espaços de exposição, e era importante que a exposição fosse inovadora em sua maneira de pensar o espaço", avalia Filipovic.

Publicado na Folha de São Paulo - UOL - 29 junho 2008

publicado por ardotempo às 14:46 | Adicionar