Mar, areia, pedra


Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen

 
 

 

Em todos os jardins hei-de florir,

Em todos beberei a lua cheia,

Quando enfim no meu fim eu possuir

Todas as praias onde o mar ondeia.

 

Um dia serei eu o mar e a areia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,

E o meu sangue arrasta em cada veia

Esse abraço que um dia se há-de abrir.

 

Então receberei no meu desejo

Todo o fogo que habita na floresta

Conhecido por mim como num beijo.

 

Então serei o ritmo das paisagens,

A secreta abundância dessa festa

Que eu via prometida nas imagens.

 

 

 

© Sophia de Mello Breyner Andresen


Enviado por Mariana Ianelli

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publicado por ardotempo às 20:51 | Adicionar