Um museu para o Pampa

Jaguarão é nossa

 

Andrey Rosenthal Schlee - Arquiteto e paisagista

 

O conjunto histórico e paisagístico de Jaguarão e a Ponte Internacional Mauá foram considerados patrimônio do povo brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em reunião realizada hoje, dia 3 de maio de 2011, em Brasília.

 

O parecer favorável ao tombamento foi elaborado e lido pelo conselheiro Luís Phelipe Andres e, ao longo de suas vinte páginas, lembrou daqueles que, ao longo de muitos anos, lutaram pela preservação da cidade (desde o velho “Projeto Jaguar", da década de 80). Mas o momento mais emocionante da reunião foi a homenagem ao jaguarense Aldyr Garcia Schlee e a finalização do parecer com a seguinte citação:

 

"...O Cerro está aqui, alçado sobre suas entranhas de pedras pretas, que uma vez lhe foram arrancadas para calçar a cidade e outra vez foram tiradas das ruas para evitar que o barulho das rodas dos carros perturbassem a pacata vida de ilustres moradores. Sobre o Cerro, além da pedreira velha, está a velha Enfermaria, construída entre 1880 e 1883, e que esteve destinada a atender militares enfermos até transformar-se numa espantosa ruína a se impor na paisagem, desafiando nos seus inquietantes vazios e nos seus imponderáveis desabados nossa memória e nossa imaginação.

 

 

 

A Enfermaria, com os desolados restos de uma fachada de dez janelões e de uma imponente portada central, cercada pelo mistério e pela magia que sua imagem e sua história impõem, como sentinela avançada do pampa – que nunca deixou de ser – depois de injustificáveis anos e anos de abandono, descaso e incúria, está destinada agora a recolher e a difundir nossa memória e nossa imaginação, sendo delas depositária, ao transformar-se num Museu – um novo e renovado, um vivo e revivido, um atual e atualizado, um ativo e atuante museu: o Museu do Pampa. Esse Museu transformará as ruínas da Enfermaria num apropriado lugar de reflexão sobre o pampa – esse mítico espaço onde povos de pastores campeiros desenvolveram sua centenária cultura comum, ligada originalmente à captura e depois à criação extensiva de gado, e que foi traduzida e amalgamada na figura supranacional do gaúcho." .

 

Publicado no blog Bipolar Flexível

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publicado por ardotempo às 23:52 | Adicionar