99 anos de vida

Ernesto Sábato

 

O escritor argentino Ernesto Sábato morreu esta madrugada na sua casa na cidade de Santos Lugares, Argentina. Um dos últimos grandes autores da língua castelhana, que conquistou o prémio Cervantes em 1984, morreu aos 99 anos depois de dias com problemas de saúde.

 

A morte foi anunciada pela sua companheira Elvira González Fraga. “Há quinze dias que teve uma bronquite”, disse citada pelo diário espanhol “El País”. O escritor nasceu em 1911, em Rojas, Buenos Aires. A 24 de Junho ia completar o centenário. O escritor estava há muito tempo recluso em casa devido à visão cada vez mais comprometida, mas iria amanhã ser homenageado na Feira do Livro, pelo Instituto Cultural da província de Buenos Aires.

 

Sábato não iniciou a sua vida profissional na literatura. Tirou o doutoramento em física, e trabalhou posteriormente no Laboratório Curie, em Paris. É aqui, durante as décadas de 1930 e 1940, a sua vida muda. Abandona o comunismo depois de ter conhecimento, em 1935, das perseguições estalinistas aos dissidentes do regime soviético. Mais tarde, conhece os surrealistas da capital francesa e, influenciado por eles, larga o trabalho da ciência para em 1945, já na Argentina e no final da segunda guerra mundial, passar a dedicar-se exclusivamente à literatura.

 

O existencialismo está patente no seu trabalho, através da exploração da crise do homem no nosso tempo. Há também nas suas obras uma reflexão sobre a própria literatura. Publica em 1948 o romance “O Túnel”, traduzido para português, que terá continuidade na trilogia, “Sobre héroes y tumbas”, de 1961, que lhe deu o reconhecimento internacional e em 1974, o terceiro volume, “Abaddón el exterminador”, que o consagrou. Em 1984 ganha o prémio Cervantes. Recebe ainda os prémios Gabriela Mistral em 1983, e Menéndez Pelayo, em 1997. Em 2007, a Sociedade de Autores e Editores de Espanha propõe-no como candidato ao Prémio Nobel da Literatura, que não acontece.

 

Em 1985, presidiu à Comissão Nacional que publicou o relatório “Nunca Más” sobre a repressão dos governos militares na Argentina de 1976 a 1983. O último romance de Sábato, editado em 2004, chama-se “España en los diários de mi vejez”. Foi escrito depois das viagens que fez a Espanha em 2002, enquanto a Argentina estava presa a mais forte crise económica da sua História.

 

Publicado em Ciberescritas

publicado por ardotempo às 16:46 | Adicionar