Carlos Drummond de Andrade

 

 

A bunda, que engraçada

 

 

A bunda, que engraçada.

Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.

A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora – murmura a bunda – esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio.

Anda por si na cadência mimosa,

no milagre de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte por conta própria.

E ama. Na cama agita-se.

Montanhas avolumam-se, descem.

Ondas batendo numa praia infinita.

 

Lá vai sorrindo a bunda.

Vai feliz na carícia de ser e balançar.

Esferas harmoniosas sobre o caos.

 

A bunda é a bunda,

redunda.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Dia Mundial da Poesia 21 de março

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publicado por ardotempo às 19:02 | Adicionar