Apoio à Jornada Literária de Passo Fundo

 

Apoio oficial à Jornada de Passo Fundo

 

A Secretaria de Cultura do Estado vai se mudar para Passo Fundo de 22 a 26 de agosto deste ano.

 

O anúncio foi feito pelo escritor e secretário da Cultura Luiz Antonio de Assis Brasil na noite de quinta-feira, no lançamento da programação oficial do evento, um dos mais bem-sucedidos projetos de incentivo à leitura do país. De acordo com Assis Brasil, a transferência da secretaria e de suas principais diretorias para Passo Fundo é um gesto simbólico de apoio à Jornada, que também deve contar com apoio do Estado via renúncia fiscal pela LIC.


– Temos de fazer as pessoas voltarem a acreditar na LIC – disse Assis Brasil, numa referência ao esvaziamento do sistema depois dos escândalos registrados nos últimos anos.


A solenidade, realizada no salão do Teatro Bourbon Country, não foi apenas para lançar a programação deste ano, mas comemorar os 30 anos do evento, que começou modesto em 1981. Tânia Rösing, a coordenadora das jornadas, agradeceu aos escritores que ajudaram a consolidar o projeto lembrando dos participantes daquela primeira edição, que contou com o apoio fundamental do escritor Josué Guimarães, autor de A Ferro e Fogo.


– Que bom que o Josué concordou em participar da Jornada, e que bou que ele chamou o Sérgio Caparelli, o Mario Quintana, o Armindo Trevisan, o Moacyr Scliar, a quem homenageamos e por quem estamos na torcida neste momento, e que todos eles foram para Passo Fundo para uma jornada que foi realizada sem tom acadêmico mas em um clima de muita disposição. – comentou ela em seu discurso.


Três participantes frequentes da Jornada, os escritores Luís Augusto Fischer, Ignácio de Loyola Brandão e Alcione Araújo, deram seus depoimentos sober a importância da jornada e sobre suas participações anteriores. Fischer, que estava lançando um livro com textos de escritores que já participaram a Jornada falando sobre a experiência da leitura (crônicas, ficções, poemas), elogiou o trabalho firme da coordenação da Jornada mesmo quando ele não aparece.


–  A Jornada faz, metaforicamente, um pouco aquilo que nos acostumamos a reclamar que os políticos não fazem: enterrar canos, obras de infraestrutura que não aparecem. A Jornada faz um trabalho de base que não é visível e que é difícil de mensurar, mas que tem seus resultados nos índices de leitura da cidade.


Ignácio de Loyola Brandão contou um causo de sua primeira jornada, a 2ª, quando, em companhia da escritora Nélida Piñon, desembarcou em uma Passo Fundo fria e debaixo de chuva para falar para uma plateia incerta.


– Não havia viva alma na rua, chovia, fazia frio, e eu e a Nélida nos olhamos e pensamos: quem vai assistir uma palestra nossa numa noite como essa. Nos levaram até um ginásio inacabado, entramos por uma passagem de concreto nos fundos, um clima  “Fantasma da Ópera”, mas quando chegamos ao palco o ginásio estava lotado. Tinha gente na arquibancada, na pista, até no teto. A Nélida olhou pra mim e falou: nos trouxeram para o lugar errado, vai ter um show de rock aqui.


Alcione Araújo, que, junto com Loyola é um dos apresentadores frequentes da Jornada, elogiou a singularidade da Jornada por seu processo de preparação dos leitores – o que a diferencia de outras festas literárias.


– O que torna a Jornada especial e diferente de todas as outras festas literárias, feiras e bienais de livros é que ela tem um foco, foi criada pensando nos leitores, na formação e no estímulo do hábito da leitura, em uma instituição voltada para a educação (uma Universidade) que não perde isso de seu horizonte.

 

 

 

 

Publicado no jornal Zero Hora

publicado por ardotempo às 12:00 | Comentar | Adicionar