No dia em que o galho quebrou

No dia feriado, a efervescência dos acontecimentos

 

O galho estalou pela força dos ventos,

de cima para baixo

(provocado pelos helicópteros?)

O gigantesco galho da tipuana quebrou.

 

As imagens das flores no jardim estavam

alertadas pelo canto dos pássaros.

A voz sublime superou o ruído dos jatos,

dos helicópteros e o coral das aves.

Cento e vinte e cinco convidados,

das pessoas mais queridas.

O galho estalou.

 

O canto singular e perfeito

quebrou a rotina trivial,

conjurou as ausências,

perpetuou o tempo do som infinito,

inexplicou os gestos e as lacunas

nos sentimentos.

 

O caminhão de bombeiros chegou,

arruinou o ar com a fumaça

e a atmosfera com o ruído da barbárie,

da urgência e do pragmatismo.

O galho caiu.

publicado por ardotempo às 12:44 | Comentar | Adicionar