No dia em que o galho quebrou
No dia feriado, a efervescência dos acontecimentos
O galho estalou pela força dos ventos,
de cima para baixo
(provocado pelos helicópteros?)
O gigantesco galho da tipuana quebrou.
As imagens das flores no jardim estavam
alertadas pelo canto dos pássaros.
A voz sublime superou o ruído dos jatos,
dos helicópteros e o coral das aves.
Cento e vinte e cinco convidados,
das pessoas mais queridas.
O galho estalou.
O canto singular e perfeito
quebrou a rotina trivial,
conjurou as ausências,
perpetuou o tempo do som infinito,
inexplicou os gestos e as lacunas
nos sentimentos.
O caminhão de bombeiros chegou,
arruinou o ar com a fumaça
e a atmosfera com o ruído da barbárie,
da urgência e do pragmatismo.
O galho caiu.