Don Frutos na Praça dos Livros

Os últimos meses de Rivera em Jaguarão

 

 



Para apreender a vida do personagem principal de seu novo livro, o escritor Aldyr Garcia Schlee contou com tempo de praticamente uma vida inteira.


Don Frutos, romance que Schlee discute com Cláudio Moreno às 17h30min de hoje no Santander Cultural e que autografa às 20h30min na Praça de Autógrafos, é mais do que uma reinvenção dos últimos meses de vida do caudilho uruguaio Fructuoso Rivera. É o ponto final de um interesse de 45 anos.


Quando tive a ideia de fazer esse livro pela primeira vez, meu filho que hoje já fez 50 anos tinha apenas cinco – rememora o escritor.


A gênese do romance remonta à época em que Schlee, então um jovem professor de Relações Internacionais na Universidade Federal de Pelotas, começou a fazer uma pesquisa sobre as intervenções do imperialismo ibérico nas guerras de fronteira sul-americanas. No decorrer desse levantamento foi que Schlee topou com documentos comprovando uma história que já ouvira contada de boca a boca em sua cidade natal, Jaguarão: fora lá que o caudilho e político uruguaio José Fructuoso Rivera (1784 – 1854), primeiro presidente institucional do Uruguai, havia morrido. (NE: Na realidade, Rivera morreu no Uruguai, nas proximidades de Melo, a caminho de Montevidéu, depois de permancer praticamente um ano em Jaguarão, por razões de saúde e de estratégia política, conforme está narrado no livro Don Frutos).


Foi apenas no início dos anos 2000, com a ajuda de um pesquisador uruguaio, Amilcar Brum, que Schlee conseguiu se dedicar à pesquisa necessária para criar o romance – a obra está pronta desde 2007, mas suas mais de 500 páginas assustaram mais de uma editora à qual o livro foi submetido.


Uma das editoras me enviou um parecer dizendo que o livro era muito bom, mas que o custo-benefício não aconselhava a publicação – diz Schlee.

 

 

 

Carlos André Moreira - Publicado em Zero Hora

publicado por ardotempo às 08:53 | Adicionar