A defesa da natureza

“A comunhão com a natureza, realizada por Gonzaga, é tão significativa e ele a trasmite por meio de suas obras e textos, comovendo-me profundamente, porque eu a sinto de maneira semelhante. Poderia atribuir-lhe os mesmos termos de meu manifesto do Naturalismo Integral, que escrevi na Amazônia, na bacia do Alto Rio Negro, numa quinta-feira, 03 de agosto de 1978. O Naturalismo Integral de Gonzaga é alérgico a toda forma alienante de poder ou da metáfora do poder. O único poder que ele reconhece não será este, destruidor e abusivo, o da sociedade, mas aquele outro, purificador e catártico, o da imaginação a serviço da sensibilidade. O naturalismo assim concebido diferencia-se radicalmente do realismo, que é sempre a metáfora do poder. Isso implica não somente numa maior organização da percepção, mas também , num maior desenvolvimento humano.

O naturalismo integral de Gonzaga se faz da paixão e da iniciação. Numa carta que o artista escreveu-me em 12 de agosto de 2001, ele declara:
Quero embriagar-me com tanta beleza, com a beleza da natureza. Não se trata de alienação. A alienação é o fato de, contra ela, NATUREZA, se cometer tanta violência.

O percurso poético integral de Gonzaga repousa sobre a recusa radical a esse tipo de alienação. Sua cultura identifica-se plenamente com o conceito da vitalidade global da natureza. É na potência cósmica da fecundação que a natureza detém o mistério da vida. É  a partir dessa magia fundamental que o artista procura exprimir-se com suas esculturas, numa linguagem formal que não é nem descritiva nem metafórica, mas emblemática e simbólica sobre os elementos da Natureza profunda.” – Pierre Restany, Paris 2002

Considerado pelo crítico de arte francês como um dos mais importantes escultores brasileiros contemporâneos, GONZAGA, com a sua defesa incondicional da Natureza se faz uma voz autorizada e presente, nesse momento assombrosamente caótico e de generalizada omissão cínica, em que o meio ambiente e a própria Humanidade encontram-se em risco grave pelos desmandos da cupidez continuada. A ARTE de Gonzaga se faz presente da mesma maneira severa, corajosa e solitária como o foi o grito desferido por Picasso no meio da sombria noite do século, na qual todos se mediam resignados e impotentes.

A SEIVA DA TERRA Escultura monumental de Gonzaga (2002)
publicado por ardotempo às 23:54 | Adicionar