Poema de Mariana Ianelli

 
 
Canto do Estrangeiro 
 
 
Mariana Ianelli
 
 
Viria como um rei
Se fosse por vontade tua.
 
Tão remoto no tempo
Da tua vida
Que nem te tocasse.
 
Viria com a alvorada,
Quase miragem debuxada
De uma ave 
Sobrevoando a tua história.
 
Sem te possuir
Nem te pertencer, 
Para o teu prazer um aceno
O mais natural 
Seria o meu sinal no longe,
Isento de paixões
E cheio de glória:
 
Nada semelhante
À paz que sucede as guerras
No regresso de um Ulisses 
Vagabundo,
Exausto de triunfo, como eu
Que penetro o teu mundo
Envolto em sombra
E para sempre me despeço
Ao desfiar a púrpura
Que a espera pôs 
Nas tuas pálpebras.
 
 
 
 
© Mariana Ianelli - Treva Alvorada - Iluminuras, 2010
publicado por ardotempo às 02:11 | Comentar | Adicionar