Poema (Mariana Ianelli / Inédito)

Vibrações
 
  
O prazer que te dão as chuvas
Porque derrubam sem chance de luta
As árvores centenárias, os muros, 
Um templo com sua esfarrapada figura,
Um pouco é sonho, um pouco insulto
Da tua resistência ao rés do absurdo
Viver quarenta noites no dilúvio
Atado a uma cama, o corpo no escuro
Ao abrigo de uma mente lúcida.
 
O que ainda vibra nesse homem
Se ele nada mais quer, nada pode,
- Demasiada realidade exposta -
Como aceitar que no sono suporte
O lodo se intrometendo pelas bordas,
Perguntam por dentro os que estão à tua volta
E não veem a enguia se movendo,
Se esquivando, ludibriando o tempo, 

Quinze côvados abaixo das tuas pálpebras.

 

 

 

 

 

 

© Mariana Ianelli - Iluminuras, 2009

Imagem: Páteo dos Leões - Alhambra, Granada  (Espanha)

publicado por ardotempo às 13:14 | Comentar | Adicionar