Direto do Museu de Bagdá

"DEVOLVAM O QUE NOS ROUBARAM!"

A rara beleza do que ainda resta faz-me imaginar o que foi roubado.
Mais de quinze mil peças de arte e outros tesouros desapareceram depois da entrada das tropas americanas, em 2003. O caos abriu as portas aos ladrões e as fronteiras sem controlo permitiram que uma parte da História do Iraque se perdesse. É a memória da Civilização Assíria que está em risco. A Directora confessa ter chorado quando dias depois da queda do regime voltou ao Museu. “Não queria acreditar que nos tinham roubado parte da nossa História!”, diz-me Mona Abas. Agora, a UNESCO e a Interpol estão a cooperar com o governo iraquiano na tentativa de recuperar parte do património perdido.



















Loma, guia-me pelo meio de estátuas e outras peças embrulhadas em plásticos até uma sala deslumbrante. Peço-lhe que me explique o que significam todos aqueles painéis esculpidos em pedra. “Este é um touro com asas, do período Assírio. Data do ano setecentos e cinquenta antes de Cristo e estava no palácio do rei Sargon, da capital Khorsabad”. Este outro é do mesmo período e mostra uma caçada do rei Sargon II.” A beleza e simpatia de Loma completam o meu espanto. Meu Deus, quantas pessoas dariam fortunas para poderem estar aqui, neste momento. Sou um privilegiado.
 
O que ficou no Museu de Bagdade, só não foi roubado porque era pesado demais. Mesmo assim, algumas peças já foram recuperadas e outras estão referenciadas como tendo ido para os Estados Unidos, para a Europa e para os países vizinhos. As autoridades internacionais tentam impedir a sua entrada no mercado negro e o ministro iraquiano da Cultura aproveita a nossa presença para me pedir que transmita ao Mundo uma mensagem: “É a nossa História. Devolvam o que nos roubaram!

Do blog Cheiro a Polvóra, de Luis Castro, direto de Bagdá - 30.03.2008
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publicado por ardotempo às 00:53 | Adicionar