Os velhos

Ernesto Sábato

 

"É tão pouco o tempo que dedicamos aos velhos! Agora que eu também sou um deles, quantas vezes na solidão das horas que inevitavelmente acompanham a velhice, lembro compungido aquele seu último gesto (o de minha mãe) e observo com tristeza o desamparo que os anos trazem, o abandono a que os homens de nosso tempo relegam os idosos, os pais, os avós, essas pessoas às quais devemos a vida.  

 

Nossa "avançada" sociedade deixa de lado quem não produz. Meu Deus, abandonados à sua solidão e às suas ruminações! Quanto de respeito e de gratidão perdemos! Que imensa devastação os tempos causaram à vida, que tremendos abismos se abriram com os anos, quantas ilusões foram assoladas pelo frio e pelas tormentas, pelo desengano e pela morte de tantos projetos e seres que amávamos!"

 

(Ernesto Sábato - A resistência / Companhia das Letras, 2008)

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publicado por ardotempo às 11:38 | Comentar | Adicionar