Entrevista: MARCOS MAGALDI





Marcos Magaldi – Fotógrafo                             

ARdoTEmpo: Marcos Magaldi, você que é um erudito, um pensador e um fotógrafo sofisticado, de uma época pré-digitalização, com grande experiência de laboratório
e agora um fotógrafo já adaptado às novas tecnologias,

como vê o seu trabalho atual, algo se modificou ou é a mesma coisa?

Marcos Magaldi:  Com a mudança do padrão no registro da luz, a fotografia, que antes dependia de uma certa expertise para ser bem executada, passou por um
processo de democratização bastante amplo, com o deslocamento do fotógrafo profissional para nichos muito reduzidos de mercado. A automação, aliada à digitalização dos processos fotográficos, incorporou à profissão mão de
obra com reduzida capacitação técnica e intelectual, causando com isto um relativo abastardamento da atividade profissional.

AT: Nesse cenário, em que aparentemente toda a atenção mediática está
voltada para a imagem – os jornais e revistas valorizam a imagem, a TV
e o cinema são imagem, a internet também se apoia intensamente na
imagem, o fotógrafo (que produz as imagens) está vivendo o seu
paraíso, o seu momento de glória?

MM: Infelizmente isto não é verdade. Como parte considerável da produção
fotográfica é feita sob encomenda, as relações de mercado entre as grandes corporações, tanto jornalísticas quanto publicitárias, com o profissional de fotografia se dão normalmente sob a égide da exploração pura e simples, com preços muitas vezes aviltados e contratos leoninos impostos pelos prepostos destas organizações.

AT: No campo da Arte Contemporânea, o curador de um dos mais importantes museus de São Paulo escreveu que a pintura, a  gravura e a escultura são expressões artísticas vinculadas ao século passado, que este é o momento da fotografia, na abertura do terceiro milênio… o que você acha dessa afirmativa?

MM: Uma bobagem sem fim....
Quem é bom e tem alguma coisa para dizer será notado, não importando o
suporte que use para a sua comunicação.

AT: Como você vê o papel do fotógrafo nos dias atuais e qual será o seu futuro?

MM:  Como disse no catálogo da minha última exposição, devemos a alguns fotógrafos uma enorme ampliação do nosso universo cognitivo, já que não temos o dom de podermos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O que seria da nossa vida sem as imagens que nos informam o que acontece no mundo??? O fotógrafo é, portanto, uma espécie de "olho" da sociedade. Um responsável pelo registro de acontecimentos e da memória de um grupo de pessoas.

AT: Você é um usuário da biblioteca borgeana, um leitor de livros, um colecionador de livros de fotografia, um artista premiado da fotografia de autor, como vê este triângulo no cenário contemporâneo: os livros, a fotografia e a internet?

MM: O livro, a fotografia e a internet são algumas das formas que encontramos para ampliarmos de maneira considerável nosso conhecimento do mundo. São ferramentas que tornam nosso cotidiano muito mais rico e variado, já que nossas vivências imediatas são naturalmente limitadas pelo nosso espaço físico e pelo tempo de vida de cada um.

Entrevista concedida por Marcos Magaldi a ArdoTEmpo – março 2008
publicado por ardotempo às 19:33 | Adicionar