Os Limites do Impossível - Um livro notável

Contos Gardelianos - A fabulosa e triste história do nascimento de Carlos Gardel em Tacuarembó, Uruguai

 

Um livro singular e magnífico. Resultado de profunda pesquisa, documentação em viagens e criatividade literária.

 

Li o livro Os limites do impossível e em seguida reli-o todo com muita atenção.
Fiquei assombrado com a qualidade da letra e com o andaime do livro.
Sou um leitor compulsivo e um leitor de contos. Li todo Machado de Assis, muitos livros de contos, Simões Lopes, os franceses, Garcia Marquez, Italo Calvino, Bioy Casares, Hemingway, todos os livros e os contos de Jorge Luis Borges, muitas vezes.
 
Considero que este livro é do mesmo nível ou, quem sabe, superior a Doze Contos Peregrinos, de Garcia Marquez e a Amores Difíceis, de Italo Calvino. Dois livros que li várias vezes e dos quais gosto muitissimo - de ambos. E ouso afirmar que é superior por uma razão bem pontual...porque tem uma estrutura e uma ambição que o diferencia dos outros. É um livro de contos - de fato ali estão em seu sumário enfileirados doze contos - mas é algo mais também.
 
É texto de fatura exemplar, comparável ao melhor Borges. O que é sempre motivo de júbilo a todos nós, leitores do que consideramos literatura boa e leitores de Borges.
 
Porque afirmo isso? E sem fazer quaisquer comparações por que gosto muito de todos os citei e eles fazem parte do meu universo de leituras preferenciais e selecionadas. Será certamente porque não se trata de um certame literário e tampouco um campeonato de vaidades, que nada interessam aqui, o que interessa apenas é o prazer da leitura e a surpresa de encontrar-se frente a algo profundamente singular e perturbador...
 
Porque este livro de Aldyr Garcia Schlee, Os Limites do Impossível - Contos Gardelianos, tem uma estrutura notável e original. Não é um livro de simples contos estanques, que por conceito seriam o suficiente a um bom livro de contos, algumas histórias bem imaginadas e melhor escritas, como se espera de um bom autor - é um livro que se faz bem mais do que isso. É um livro de contos que vai se refazendo num fabuloso romance imaginário, na concepção livre do leitor. É genial porque o leitor vai transformando-o pouco a pouco numa história única, densa e bem justificada. É o leitor que a completa e lhe dá a interpretação, a sua versão de escolhas, a verossimilhança, a convicção que ele imagina invulgar, surpreendente ou impossível (ou possível) mas que se torna, linha a linha, bastante sólida e razoável - e o autor vai narrando os depoimentos das mulheres apenas e ali estão somente as fustigações do coronel, do caudilho, do amante de óperas...
 
E o leitor afirma para si a outra história, a intuída, a do bêbe Carlos, o que não foi Jorge...a história que não está escrita no livro, que ali está presente no formato brumoso de um romance não escrito...
 
António Lobo Antunes disse recentemente que "escrevia com palavras que não estavam escritas mas que ali estavam...". Eu achei bonito, achei poético, mas não entendi... quando li o livro de Aldyr Garcia Schlee, eu finalmente entendi o que ele dissera... e compreendi bem mais, compreendi que estava frente a um livro especial e único, compreendi que jamais lera, de fato algo assim, de estrutura tão laboriosa em degraus, de objetivos de fantasia tão sagaz e potente na sua escadaria literária, tão assombrosa era a idéia da tessitura ordenada pelo leitor para uma história não escrita palavra após palavra, antes sentida por emoções e comoções que o leitor contém, estimuladas pelas sugestões dos depoimentos e pelas arapucas armadas pelo autor no caminho espiritual do leitor, este avisado desde o princípio... 
 
Esperamos tê-lo logo em disponibilidade a todos, impresso em significativas tiragens, em espanhol e em português.
 
Saudações, Aldyr Garcia Schlee, por este belo e surpreendente livro. Que o sucesso e a fortuna premiem este livro e o escritor. 
 
Alfredo Aquino
 

tags:
publicado por ardotempo às 12:34 | Comentar | Adicionar