Esperança é uma palavra que voa

Um discurso ao vento forte
 
Ney Gastal
 
Discurso é discurso, nada mais que discurso.
Palavras o vento leva e o tempo esquece.
Nem sempre - melhor dizer "quase nunca" - há coerência entre o dito e o feito.
Palavras são prostitutas baratas, disponíveis a qualquer um que saiba mexer com elas.
Poucos sabem.
Mais frágil que o conteúdo das palavras é uma coisa chamada esperança.
Nem vento é preciso para que desapareça.
O cidadão Barack Obama mexeu muito com as duas coisas.
Palavras e esperança.
Acariciou-as, ajeitou-as, utilizou-as.
Convenceu muita gente, dentro e fora dos Estados Unidos.
Agora é o presidente daquele que, para o bem ou para o mal, é o país mais poderoso do mundo.
Será Barack coerente com o que disse e prometeu, ou não passou de um usuário comum de ambas?
Ainda é difícil saber.
Para o mundo, é melhor acreditar que ele seja sincero.
Seu discurso de posse foi o melhor de muitos anos, o que também não quer dizer muita coisa, além do fato sabido de que tem os melhores escritores.
Seus problemas são os maiores que um presidente enfrentou em muitos anos, e isso sim vai dizer muito em termos práticos.
Até agora ele foi uma promessa.
Na posse, comportou-se como um estadista.
Resta saber se na prática vai ser um grande presidente ou uma grande decepção.
A ele não haverá a opção pelo meio termo.
E todos nós pagaremos pelo que ele for.
 
© Ney Gastal - jornalista
publicado por ardotempo às 12:15 | Comentar | Adicionar