"O romance está morto", avisa Tom Wolfe


O inventor do Neo-Jornalismo, um estilo surgido a partir de um bloco de anotações de repórter publicado exatamente como fora escrito, segundo conta a lenda, reconheceu que seus livros de não-ficção são mais importantes do que os seus romances. Com sua estampa de dândi, o agora rico e famoso escritor, falou o pior contra Norman Mailer,
seu arquinimigo e disse que este “não sabia escutar”.
O autor de A Fogueira das Vaidades diz que somente os livros que misturam ficção e realidade têm futuro.


Entrevista concedida a Andrés Hax
(El Clarin  - Buenos Aires, março 2008)


Mailer está morto!  John Updike não escreveu nada que valha a pena ler desde que Ronald Reagan foi presidente dos Estados Unidos! Roth? Bem, sim, é prolífico como sempre… mas já não estará algo cansado de Zuckerman, seu alterego pusilânime, e confortado por sua vida cômoda que chega ao final? Salinger? Está mais escondido que Bin Laden. Pynchon? OK, este sim. Segue atuando na linha de frente mas seria mais fácil conseguir uma entrevista com Elvis (Presley) do que com o autor paranóico de Arco íris da Gravidade.” – diz Tom Wolfe.
Dos grandes escritores norte-americanos vivos que traçam sua linhagem desde Melville e Twain, desde London e Dos Passos, desde Hemingway e Faulkner, e até Truman Capote e Hunter S. Thompson, quem ainda está presente no centro do ringue, lutando bravamente na busca do Grande Prêmio – mais elusivo do que Moby Dick, a Grande Baleia Branca que arrastou para o abismo a Ahab e toda a sua tripulação -: O Grande Romace Norte Americano? Quem, perguntará você? Há uma resposta: Tom Wolfe.

Leia a íntegra da  entrevista de Tom Wolfe a Andrés Hax, de El Clarín. Em espanhol.

É divertida, provocativa, hedonista, exagerada e traz a curiosa finalidade de promover o novo romance de Tom Wolfe, com a dramática afirmativa pelo autor de que “o romance está morto”. Já mataram o romance antes, noutra  ocasião e em outro lugar, aparentemente ele ressuscitou sem ruídos e sem avisar a ninguém, pelas idéias e palavras de muitos que continuam a escrever com qualidade… O mesmo obituário, proferido de maneira definitiva, ocorre com freqüência para a Arte, para a Pintura, a Escultura, a Poesia,  o Cinema, o Teatro… mas os autores e artistas, que não morreram e não prestaram a devida continência a esses alertas, continuam produzindo e conseguindo a atenção de uns tantos outros, milhares de leitores e interessados em arte, igualmente distraídos que não se deram conta desse cemitério movediço, abrangente, dinâmico e em expansão. 
publicado por ardotempo às 13:03 | Comentar | Adicionar