Andorinhas de Portugal serão as mesmas do Brasil?

"O Tejo passeia cinzento, o mar redescobre-se na esquina da barra em tons pardos e contam-me amigos do ribatejo, entre gado bravo e a espera das andorinhas que, por estes dias hão-de arribar das praias do norte de África, de uma lezíria encafuada em três palmos de água lodosa.
As andorinhas virão certamente e com elas o tempo ameno da primavera. Mas aguardam, todavia pela última travessia: a do estreito de Gibraltar, com mar alteroso e pouco convidativo.
Todos os anos é assim entre 12...19 de março. Chegam compactas, em bandos enormes. Entram invariavelmente pelo Algarve, por sobre a Ria Formosa onde descansam exaustas antes de se fazerem aos telhados e beirais das cidades.
Voltam sempre e, ao mesmo local onde nasceram. Vêm de longe, para lá da linha do equador onde passam o inverno, atravessam todo o deserto do Saara e agora aguardam...nas praias marroquinas que o mar mediterraneo lhes permita colorir Lisboa de branco e negro...andorinhas que se tornam fado e, primavera..."

Filipa Jardim


ANDORINHA-DO-CAMPO

Andorinha
Andarilha
Dos ares
Vem pro sul
Na primavera
Povoa de encanto
Nossa terra
Nosso campo
Itinerante
Parte o instante
De espanto
É outono
Outra vez!


                                      Poema de Cleonice Bourscheid



Texto de Filipa Jardim / © AVE PÁSSARO - Editora Nova Prova - Porto Alegre RS
Poema de Cleonice Bourscheid e aquarela de Isolde Bosak, 2007
publicado por ardotempo às 12:47 | Adicionar