Domingo, 30.10.11

Desenho da exposição J.O.A.N.A

 

Desenho aquarelado - mostra J.O.A.N.A

 

 


publicado por ardotempo às 02:33 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar

Livro, poema, arte, exposição e palestra

 

CONVITE

 

publicado por ardotempo às 02:10 | Comentar | Adicionar

A boa literatura é uma erva daninha

 

 

A literatura e a banca do lado

(Pequena homenagem ao escritor Aldyr Garcia Schlee)

 

Paulo José Miranda

 

Há no Brasil, ao nível das artes em geral e da literatura e poesia em particular, um desfasamento enorme, quanto à chegada das mesmas ao público, entre aquilo que é produzido em São Paulo e aquilo que é produzido no resto dos estados do país. Isso deve-se em grande medida à dimensão continental do Brasil e a uma provinciana atitude, muito comum no humano, de viver num centro. Imaginemos a Europa, por um instante.

 

Se pensarmos no continente europeu em moldes antigos, em moldes pré-queda do muro de Berlim, podemos traçar um mapa de Portugal até à Alemanha, integrando ainda os países não continentais, o caso dos países escandinavos, como sejam a Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, e Islândia, e ainda os anglo-saxónicos do Reino Unido e Irlanda.

 

Por conseguinte, para além dos países citados, temos ainda a Espanha, a França, a Bélgica, a Holanda, a Áustria, a Itália e a Grécia. Este território é bem menor que o território do Brasil. Imagine-se agora que todo ele era um só país? Imaginemos também que um imaginário centro seria, por razões de geografia, Paris. A ser assim, como não seria difícil que as literaturas de países mais afastados do centro se tornassem conhecidas? Como não julgá-las, erradamente, como literaturas regionais?

 

Ora, é precisamente isto que acontece no Brasil. Erradamente se julga de literatura regional o que não é produzido em São Paulo. Por outro lado, São Paulo em relação ao mundo todo, não é ela mesma uma região e, assim, a sua literatura, uma literatura regional?

 

Do mesmo modo que respondemos não à última pergunta, teremos de dizer que a literatura feita no Rio Grande do Sul ou em Mato Grosso é uma literatura universal e não regional, se ela realmente for. O que define a universalidade de um texto é a escrita do mesmo e não o local de sua produção. Dublin, no início do século XX, era tão provinciana quanto a maioria das capitais de estado do Brasil hoje. E foi dai que surgiu James Joyce. E da provinciana Lisboa saiu Fernando Pessoa. E da provinciana Praga, do início do século XX, surgiu Kafka.

 

A boa literatura é uma erva daninha, cresce em qualquer lugar, onde menos espera e a despeito de todos os esforços para que isso não aconteça.

 

Julgo, humildemente, que a grande saída para uma melhoria na literatura brasileira seja a descentralização da mesma, isto é, a descentralização das editoras e revistas da especialidade. Nenhuma grande literatura se faz com grandes editoras. As grandes editoras não semeiam escritores, colhem aqueles que já existem. E fazer existir um escritor é uma tarefa árdua, difícil, demorada. Como não se faz um bom vinho de uma hora para outra. Num primeiro momento, demora ao autor o acto de ler, ler, ler e escrever; e depois demora ao editor o acto de editar, divulgar, divulgar, divulgar. A literatura não é novela. Uma editora não é a rede Globo. As mais prestigiadas editoras em Portugal, por exemplo, são pequenas, e são nelas que os grandes escritores se fizeram e ainda se fazem. Publicaram e ainda publicam.

 

O romance EXCELSO de Aldyr Garcia Schlee, Don Frutos, foi rejeitado por duas grandes editoras nacionais. Mas o mais importante que aqui temos a reflectir, neste caso, é a demora. A demora que levou a se decidirem a não publicar, que foram anos. Porquê? Porque as grandes editoras têm no seu corpo de decisão pessoas que não têm poder de decisão. Precisam do aval do departamento económico ou financeiro, para saber se podem ou não podem editar determinado livro. Depois, para além disso, muitas das vezes as pessoas responsáveis pela decisão literária, se o livro é bom ou não, deixam muito a desejar em termos de referências, em termos de leituras feitas da história da literatura universal e nacional. E, deste modo, deixam muito a desejar quanto ao seu gosto e aos seus juízos acerca do bom e do mau.

 

Assim, e como não podia deixar de ser, Don Frutos, livro de seiscentas páginas (600), denso, profundo, sem qualquer receita para o que devemos ou não fazer quando um celular toca durante um jantar, ou o que fazer quando o marido não elogia a mulher, é um livro condenado a não ser entendido pela lógica de uma multinacional ou, muito simplesmente, multiestadual. A literatura não é um negócio, ponto final. E enquanto não se entender isto e não se mostrar claramente isto aos leitores e potenciais leitores, não vamos passar da cepa torta, escritores e leitores. O que é um negócio é a venda de livros. Mas um livro pode ser uma coisa muito feia, desastrosa, entediante... em suma, um livro pode ser uma merda. E esta merda, sim, é um negócio. As centenas de títulos de livros de auto-ajuda que pululam o mercado, e outras coisas da mesma laia, não são literatura e não deveriam sequer ser vendidos no mesmo espaço que se vende literatura.

 

Nós não gostaríamos de ir no açougue (talho) e encontrar ao lado, na banca do lado, quantidades de estrume à venda, pois não? O estrume tem utilidade, claro, mais do que os livros de auto-ajuda, mas não vamos pôr o estrume ao lado da carne. Esta falta de coragem de clarificação, de distinguir o trigo do joio, de distinguir a literatura da merda, está a dar cabo da literatura, dos escritores e dos leitores.

 

O modo mais eficaz e rápido de repor a literatura nos seus eixos é, precisamente, conferir autoridade às pequenas editoras e aos diversos estados do país. Ou então assumam que não querem literatura, mas roteiros de novelas e de séries televisivas e livros de trocadilhos escritos por empregados de empresas de publicidade.

 

Felizmente tem ainda quem lute contra isto! A edições ardotempo pôde editar e fazer chegar até mim o livro Don Frutos, de um dos maiores escritores que li em minha vida: Aldyr Garcia Schlee. Bem haja!

 

Paulo José Miranda

publicado por ardotempo às 01:55 | Comentar | Adicionar
Domingo, 23.10.11

Uma escritora em Paris

De Pelotas à Paris

 

Existem cidades que nos conduzem com leveza e simplicidade.

 De uma forma tão natural como se ali tivemos nascido.

São receptivas, são gentis, são mágicas e nos permitem sonhar.

 

Quando cheguei à Pelotas foi exatamente assim.

A cidade me acolheu e me deu asas Conduziu-me com desenvoltura por suas belezas.

Dia após dia a descubro com prazer e encantamento.


Chegar à Paris foi da mesma forma, um estar repleto de brilhanturas poéticas.

Permitindo assim estabelecer relações e afinidades.

Nos próximos meses, vou desvendar Paris e fazer conexões com a Pelotas que habita em meu imaginário.


Nesta primeira semana já constatei de que será perfeitamente possível.  

Estar na cidade onde Walter Benjamin escreveu suas primeiras narrativas após caminhar, observar e sentir Paris,

permite entender que o flâneur está entre o lugar e não-lugar, entre o tempo e não-tempo.

Em um espaço onde a distância rapidamente se desfaz.

Onde as pontes são erguidas para sociabilizar.

 


 

Paris começará a estar tão próxima de Pelotas.

Como o jornal está em suas mãos.

Como as letras estão impressas sobre o papel.

Como um flâneur do mundo está percorrendo o imaginário pelotense ao desvendar entrelinhas e narrar suas histórias.

Sua atividade preferida é passear, praticamente sem rumo.

Em Paris, o outono com seus dias de um sol magnífico têm permitido caminhar.

Simplesmente caminhar...

Para um flanar contemplativo. Um perder-se e encontrar-se, constantemente.  

Aqui se caminha muito, um pouco mais que em Pelotas.

 

No primeiro momento vivi o Boulevard Saint-Germain.

Um lugar para travar duelos entre os grandes intelectuais da Europa, a moda e a cultura.

Uma passarela, como o calçadão da Quinze e as galerias pelotenses.  

Que começam a desabrochar para a vida cultural da primavera.

Pela Quinze de Novembro se encontra uma tessitura de beleza, de elegância e de conhecimento.

É a rua da Bibliotheca Pública, com um entrelaçamento de cultura, informação e harmonia.

Da Praça Coronel Pedro Osório onde logo, logo ocorrerá mais uma edição da Feira do Livro.

Uma rua de pequenos museus, história e ensinamentos.

De cafés, encontros e diálogos.

De ondas sonoras compondo dias musicais.

De epígrafes centenárias do Diário Popular.

Entretons que transcendem Saint-Germain.

Deslocamentos que alcançam a Quinze.  

De Pelotas à Paris...

De Paris à Pelotas...

 

Taciane Corrêa - (Paris, 2011)

Publicado no Diário Popular

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publicado por ardotempo às 12:34 | Comentar | Ler Comentários (3) | Adicionar
Quinta-feira, 20.10.11

Recital AVE, FLOR em Santa Cruz do Sul RS Brasil

 

O Recital AVE, FLOR de música erudita e canto lírico, no circuito cultural do SESC RS, em Santa Cruz do Sul RS Brasil, acontecerá no sábado dia 22 de outubro - às 19h - com o lançamento do livro AVE, FLOR  - edições ardotempo

publicado por ardotempo às 18:09 | Comentar | Adicionar

Um presente da poeta

Um poema inédito de Mariana Ianelli

 

 

 

 

 

ARCA DA LEMBRANÇA

 

 

 

 

Um sol de opala se uma tarde é pasto da memória,

Uma luz de chá dourando o canto cego de uma sala

E sobre a mesa, o espelho d'água

 

A ocasião do ato secreto

 

De repovoar veredas, antros, mirantes do passado,

Saudade que vai juncando de ramos, conchas e corais

Todo o imenso dorso de um barco naufragado.

 

 

 

 

© Mariana Ianelli - Iluminuras, 2011

 

 

publicado por ardotempo às 15:04 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar

Um desenho da Exposição J.O.A.N.A

 

 

 

Arredada de sua tessitura,

 

resta-lhe de sobra,

 

incendiar a vastidão

 

corporal do mundo.

 

 

© Maria Carpi - A chama azul - Editora AGE, 2011

publicado por ardotempo às 14:41 | Comentar | Adicionar

HOJE - Exposição de desenhos e livro

J.O.A.N.A

 

Exposição de desenhos aquarelados, sobre papel de gravura 100% algodão

30 desenhos de uma releitura estética do poema A Chama Azul, de Maria Carpi, editado pela Editora AGE. 2011

 


 

 

 

publicado por ardotempo às 14:28 | Comentar | Adicionar
Sábado, 08.10.11

Um poema

(Um poema de Paulo José Miranda)

 

Porque o mundo não acaba
 Estender-se-á pelos dias longos e difíceis
 Transformar-se-á em areias invisíveis
 Realmente invisíveis
 Longínquas aos sentidos e entendimento
 Como sentimentos antigos que os humanos tiveram
 Porque a vida não acaba nunca
 Arrastar-se-á até que não se possa nada
 Não se possa nada senão ver e chorar
 Porque os sonhos que nos visitam nas noites do mundo não acabam
 Só o sono o sono só o sono
 Se acaba ao acordar
 
 
publicado por ardotempo às 14:11 | Comentar | Adicionar
Quinta-feira, 06.10.11

Apenas Pintura no Circuito SESC

 

Apenas Pintura - SESC RS / Lajeado

 

 

 

De 5 de outubro a 28 de outubro de 2011 - 16 pinturas (100 cm x 130 cm) em óleo sobre tela, de Alfredo Aquino - Mostra itinerante no Circuito SESC RS

 

publicado por ardotempo às 13:09 | Comentar | Adicionar

Novo Dicionário

 

 

Lançamento da Banda Oriental

 

 

publicado por ardotempo às 12:37 | Comentar | Adicionar

Obrigado, Steve Jobs

A liberdade de expressão em seu sentido pleno

 


publicado por ardotempo às 04:59 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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