Terça-feira, 30.08.11

O que não deseja "fazer literatura"

 

Escrevendo sobre gostos

 

Alberto Manguel

 

  

Los enamoramientos de los otros suelen asombrarnos. Ante el apasionado elogio que alguien pueda hacer de un autor que a nosotros nos parece abominable, tratamos de entender esa emoción con los argumentos que el lector pueda ofrecernos. Casi siempre fallamos. Es que pedir que alguien nos diga por qué lo conmueve una cierta página que a nosotros no nos gusta es como pedir a Don Quijote que nos demuestre que Dulcinea no es, como la vemos, Aldonza Lorenzo.

 

Sin embargo, los lectores persistimos en querer explicarnos, infructuosamente: siglos de crítica literaria han nacido de este incauto impulso. Yo sé que la obra de Michel Houellebecq ha sido alabada por lectores que juzgo inteligentes, y he intentado muchas veces reconocer el supuesto encanto, inteligencia y humor que aducen sus defensores. No lo he logrado. He pedido, a quienes juzgan a Houellebecq "el más importante escritor francés de nuestro tiempo" (Fernando Arrabal, entre otros), que me muestren algún párrafo, alguna línea sin la cual "el mundo sería más pobre". Nunca lo han hecho. Han aducido en cambio razones políticas, sociales, psicológicas; han hablado de provocación, de avasalladora crítica del mundo occidental, de embestida contra la hipocresía de nuestro tiempo, de épater le bourgeois.

 

Dudo, sin embargo, que decir, como lo hace uno de sus protagonistas, que los hombres sólo quieren "una dulce esposa que les lleve la casa y cuide a los niños", o una prostituta ocasional, épaté a nadie en la época de Berlusconi o DSK.

 

Curiosamente, al defender a Houellebecq, pocos hablan de literatura. Quiero decir: pocos hablan de eso que diferencia la invectiva, o la confesión, o el catequismo, o cualquier otro artefacto verbal, de la creación literaria. Digo no saber por qué exactamente un texto me importa, pero sé que cuando leo busco en la escritura algo que me atrape y me conmueva, no a través de argumentos, sí a través de una tensión creada por las palabras mismas. Eso no me ha ocurrido nunca leyendo a Houellebecq. Doy un ejemplo al azar, tomado de la página 315 de la novela Plataforma, muy bien traducida por Encarna Castejón: "Del amor me cuesta hablar. Ahora estoy seguro de que Valérie fue una radiante excepción. Se contaba entre esos seres capaces de dedicar su vida a la felicidad de otra persona, de convertir esa felicidad en su objetivo. Es un fenómeno misterioso. Entraña la dicha, la sencillez y la alegría; pero sigo sin saber por qué o cómo se produce. Y si no he entendido el amor, ¿de qué me serviría entender todo lo demás?". El estilo es chato, monótono, perfectamente adecuado a la banalidad de la idea que propone: "No sé qué cosa es el amor".

 

Alan Pauls, en lo que imagino es un esfuerzo por elogiar a Houellebecq, ha descrito su tono como el de "un burócrata vitalicio atrapado en la peor de las situaciones: no poder evitar ocuparse de un mundo que ya no lo desea". Exactamente, y no sé por qué un lector sensato elegiría leer página tras página de "burocracia vitalicia". Se dirá que es el narrador quien habla, no Houellebecq. De acuerdo, pero algo más buscamos en un texto literario que la repetición de la banalidad cotidiana, el eco fiel de la tontería sentimental. Houellebecq ha dicho que se rehúsa "hacer literatura". Quizás sea esa la razón por la cual él y yo no nos entendemos.

 

Alberto Manguel

publicado por ardotempo às 02:44 | Comentar | Adicionar

Walmor Bergesch

Walmor Bergesch é sepultado

no Cemitério Evangélico Luterano,

em Porto Alegre 

 

Jornalista, escritor, radialista e empresário morreu vítima de um câncer raro nos rins.

 

 O jornalista, escritor, radialista e empresário Walmor Bergesch, que morreu aos 73 anos no início da madrugada desta segunda-feira, foi sepultado no final da tarde no Cemitério Evangélico Luterano de Porto Alegre RS Brasil. Familiares, amigos e ex-colegas acompanharam a cerimônia, que terminou por volta das 17h.

 

Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS:

 

"O Walmor foi um dos pioneiros da comunicação no nosso Estado. Participou, direta ou indiretamente, de todos os grandes momentos da comunicação no Rio Grande do Sul, desde a implantação da televisão a cores no país até a televisão a cabo, os canais segmentados. O Walmor trabalhou diretamente conosco na implementação do sistema de televisão paga no país, na implantação do Canal Rural e da TVCOM. São projetos que têm um pouco do nosso Walmor Bergesch. Nós estamos muito tristes, muito emocionados e muito agradecidos à grande contribuição do Walmor Bergesch à comunicação do nosso Estado."

 

Jayme Sirotsky, presidente emérito do Grupo RBS:

 

"Minha relação com o Walmor foi de uma vida inteira. Desde cedo, ele foi um jovem brilhante e empreendedor, que marcou fortemente a sua passagem pelos meios de comunicação aqui no Sul, especialmente a televisão. Foi, com brilho, nosso companheiro aqui na RBS por muitos anos, onde ocupou posições muito importantes até se aposentar. A ele se devem muitas ideias criativas que marcaram e qualificaram a TV Gaúcha, hoje RBS TV, e que são parte do legado de Walmor aos meios de comunicação do Rio Grande do Sul. Sempre tive com ele uma relação pessoal de muito afeto, e por isso me sinto hoje pesaroso. É uma daquelas amizades que muito se lamenta quando se perde."

 

Celso Kaufman, empresário, foi colega de trabalho de Walmor em emissoras de TV:

 

"Desde que começou a carreira, ainda no rádio, era um homem que enxergava à frente. Tinha uma visão que ia além de todos os seus pares. Foi um pioneiro, um líder e um formador de equipes."

 

Alfredo Aquino, editor do livro Os Televisionários (editora adotempo), de Walmor Bergesch: 

 

"Trabalhamos durante três anos no livro. Era um homem de uma grandeza incrível."

 

Personalidade e liderança:

 

Segundo Nestor Bergesch, o irmão, que atuou na instalação e na inauguração das primeiras emissoras de TV de Porto Alegre, era um especialista neste meio de comunicação: — Ele era um entusiasmado, um especialista em televisão. Fazia cursos, comprava livros. O Walmor foi se destacando até em função da personalidade de liderança que ele tinha — relembrou Nestor.

 

Aos 73 anos, Walmor estava internado no Hospital Moinhos de Vento desde o dia 7 de julho lutando contra um câncer raro nos rins. Ele foi um dos profissionais que atuou na instalação e na inauguração das primeiras emissoras de TV de Porto Alegre.

 

Trajetória:

 

Walmor Bergesch nasceu na cidade de Estrela, em 10 de abril de 1938. Em 1955, se transferiu para Porto Alegre e começou a trabalhar na Rádio Farroupilha. O jornalista foi um dos 16 profissionais selecionados a pedido de Assis Chateaubriand, diretor dos Diários e Emissoras Associados, para ir ao Rio de Janeiro realizar um curso sobre televisão. Passou cerca de seis meses na TV Tupi aprendendo sobre a nova mídia, que já operava desde 1950 e 1951 em São Paulo e no Rio. De volta ao Estado, integrou a equipe que instalou e inaugurou a TV Piratini em dezembro de 1959.

 

Uma de suas façanhas foi conseguir trazer, para um programa de Bibi Ferreira, atores americanos famosos nos anos 1960, como Anthony Perkins e Karl Malden, que tinham ficado retidos no aeroporto Salgado Filho, a caminho de Buenos Aires. Em 1962, a convite de Maurício Sirotsky, foi chamado para atuar na inauguração da TV Gaúcha como chefe de programação. Aposentou-se na RBS em 1998, mas continuou exercendo o cargo de vice-presidente da área de TV por assinatura até o ano 2000.

 

Walmor, junto com Salimen Júnior, foi quem introduziu a cor na televisão brasileira, em 1972, quando dirigia a TV Difusora de Porto Alegre, atual TV Bandeirantes. Ele foi também o criador do Canal Rural, da TVCOM e implantou redes regionais de TV em vários estados brasileiros.

 


 

Publicado no jornal Zero Hora

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publicado por ardotempo às 01:56 | Comentar | Adicionar

A perda

 

 

Ausência do amigo, do autor, do visionário - Walmor Bergesch

 

 

 

Hoje, dia 29 de agosto de 2011, dia tempestuoso, frio e úmido em Porto Alegre RS Brasil, foi o dia da perda do grande amigo, do escritor e do criativo visionário que transformou a televisão contemporânea brasileira. 

 

O visionário que participou ativamente das equipes pioneiras que criaram três grandes emissoras de televisão, que revolucionou suas tecnologias, que introduziu as imagens em cores no Brasil, que imaginou e criou condições objetivas para a implantação de uma rede regional de televisão, que criou canais segmentados e comunitários de tevê, que estruturou a primeira grande rede nacional de televisão a cabo e escreveu o livro OS TELEVISIONÁRIOS contando a saga dos criativos profissionais (nomeando  e identificando a todos eles) e conjugando dessa maneira o seu livro sempre na primeira pessoa do plural.

Saudações e saudades, generoso e leal amigo.

 

Imagem do autor: Tania Meinerz 

publicado por ardotempo às 01:15 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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