Segunda-feira, 19.07.10

Serge Poliakoff

Beleza infinita

 

 

 

 

 

Serge Poliakoff - Sem Título - Pintura - Óleo sobre tela (Paris França)

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publicado por ardotempo às 03:23 | Comentar | Adicionar
Domingo, 18.07.10

O gato Shive L'Argent

O gato, o frio e a janela

 

 


 

 


publicado por ardotempo às 21:20 | Comentar | Adicionar

O Verbo torna-se Carne que por sua vez torna a ser Verbo

Romances negros, noites claras

 

António Lobo Antunes

 

 

Em acabando este livro apetece-me escrever um romance policial, ou antes um romance negro. Trago esta ideia há anos e chegou a altura de o fazer. Lembro-me de falar nisso ao meu irmão de alma José Cardoso Pires

 

- Sabes do que tenho vontade, tu?


esperei que o silêncio retornasse suficientemente côncavo para as minhas palavras caberem lá dentro e esvaziei o púcaro

 

- Fazer um romance negro.


Recebi de resposta


- Ando a pensar nisso desde que comecei.


Demorámo-nos às voltas com o plano de fazer o tal romance negro a meias, em capítulos alternados, depois o Zé teve aqueles problemas que acabaram numa morte horrível e, mesmo sem ele, não abandonei a cisma. Se for capaz de o pôr em marcha dedico-lho, claro, nós que não dedicámos livros um ao outro:


- Porque é que a gente nunca dedicou um livro ao outro?


- Achas que é preciso?


e ficámos assim. Mas levas com o teu nome no romance negro que te lixas. E meto lá os teus bairros. E meto-te lá a ti, de personagem principal. Não todo, claro, certas coisas de ti. Fazes-me tanta falta, meu cabrão, há tanto para contarmos um ao outro. O fim de um amigo é um martírio, não páras de te agitar cá dentro, raios te partam. Tu e o Ernesto Melo Antunes: duas feridas abertas que não saram. Mas nunca tive uma intimidade assim com outro homem.

 

Bom, adiante. O romance negro é uma promessa que te fiz e acabou-se.

 

Continuo a não beber, continuo a gostar de comida de avião


- Como posso ser amigo de um sacana que gosta de comida de avião?


papava o meu tabuleiro, papava o teu, falávamos de bailes nos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, boxe, bilhar às três tabelas, chocos com tinta


(eu detesto)


não falávamos de literatura nem do que cada um estava a lavrar. Mostrava-se acabado o trabalho, num tonzinho distraído


-Queres ler isto?


e, sem mais palavras, suspendiamo-nos num pingo à espera da opinião do outro, que se resumia sempre a uma frase vaga.

 

Percebia-se o julgamento pelo clima à volta da frase, não pela frase em si. E era tudo.


À medida que o tempo avança vai-se ficando despovoado. Os eucaliptos dos anos destroem tudo em torno de nós. Sobram cinzas, raízes, sombras, restos de pedras calcinadas, vozes ao rés da erva à procura da boca onde nasceram, a pedirem que as escutemos. O que se ganha em troca?

 

Uma cor diferente no silêncio, aquilo a que chamamos sabedoria e não é mais que uma tristeza resignada. Outras pessoas habitarão aqui e a gente primeiro retratos nas cómodas, depois retratos nas gavetas, depois retratos na cave, depois nada.


Cartas numa caligrafia antiga que um vento defunto inclina. E a morte final com o esquecimento do nosso próprio nome. Ficam os livros


(ficarão os livros?)


ficam os livros. Em certo sentido é terrível que a criação dure mais que o criador: Flaubert enfurecia-se que a Bovary continuasse viva e ele não. É curioso: agora é ela, a quem Flaubert deu vida, que lhe dá vida a ele. É essa a grandeza da Arte: o Verbo torna-se Carne que por sua vez torna a ser Verbo. Pode desejar-se actividade mais nobre? E agora, não sei porque obscuro nexo, veio-me à ideia o Manuel da Fonseca a dar autógrafos na Feira do Livro, o sorriso dele. Esperava que eu acabasse, jantávamos juntos e deixava-o no cais para a outra banda, de madrugada. Cada autógrafo demorava dez minutos no caso de um homem, quinze ou vinte no caso de uma mulher. Dedicatórias intermináveis. Entre o fim do jantar e o cais uma rebaldaria feliz. Tinha assistido à chegada do General ou Marechal Gomes da Costa a Lisboa, depois do vinte e oito


(ou vinte e seis?)


de maio


(vinte e oito)


e o Manel, com a avó, a assistir ao desfile das tropas na Avenida da Liberdade, em que a avó lhe disse


- Olha, filho, devia haver um decreto que proibisse as revoluções.


Copinhos no balcão de cada bar, discotecas manhosas, nem uma palavra sobre literatura, claro. O Manel recrutava umas pequenas e, pelo retrovisor, assistia-lhe às manobras no banco de trás: quem começa o Cerromaior assim


Antigamente o largo era o centro do mundo


merece tudo. E um punhado de poemas de alta qualidade, ai as coisas incríveis que eu te contava assim misturadas com luas e estrelas e a voz vagarosa como o andar da noite. Mesmo posto corrido é do camandro. E a voz do Manel vagarosa como o andar da noite. Nunca tinha pressa, nunca o vi triste. Adorava andar à pancada. O Zé dizia que ele se fingia cobarde para os outros aumentarem e a seguir era um arraial de porrada que dava gosto. Para o Zé se exprimir assim, ele que sob esse aspecto não devia a ninguém, era de certeza. Manel. Só tenho pena que o Zé não se reconciliasse contigo por uma asneira velha, muito feia, que nunca te perdoou. Eu também não perdoei


(não perdoo)


mas esqueço sempre.


- O Zé não vem conosco?


perguntava o Manel, ansioso, e eu por dó  Não pode a ver-lhe a aflição na cara. Deixa lá: antigamente o largo era o centro do mundo. E a quem foi capaz de dizer isto aceita-se tudo. Eu, pelo menos, aceito. E o Zé há-de aceitar, vais ver, é uma questão de tempo.

 

António Lobo Antunes

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publicado por ardotempo às 20:09 | Comentar | Adicionar

Permanente e fugaz

Do fazer ao exibir-se


Ferreira Gullar


Por que o radicalismo de vanguarda, que surgiu com o movimento "dada", por volta de 1915, atravessou o século 20 e até hoje se mantém como tendência predominante nas artes plásticas?Formulei essa pergunta há alguns anos sem conseguir respondê-la satisfatoriamente.

 

Como se sabe, o movimento "dada", que teve como figuras principais Marcel Duchamp e Tristan Tzara -sem falar em Kurt Schwitters, Hans Arp e muitos outros -, caracterizou-se por um radicalismo que se voltava contra toda e qualquer busca de coerência ou princípios no processo de criação artística.Se é verdade que o cubismo pôs fim à linguagem pictórica que nascera no Renascimento, o dadaísmo, ao contrário dos movimentos derivados daquele, tinha por lema a liberdade sem limites e a negação de tudo o que se considerasse arte.

 

Era a antiarte, cujo ícone maior foi o urinol que Duchamp expôs em 1917. Se, paralelamente, surgiram outros movimentos artísticos, alguns, aliás, de caráter construtivo, foi o dadaísmo, em sua expressão mais irreverente, que se impôs no curso do século 20.

 

Minha pergunta implicava outra questão: se os movimentos de vanguarda se manifestaram não apenas nas artes plásticas, mas também na poesia, no romance, na música, no teatro, por que só naquelas se manteve dominante até hoje, enquanto as outras artes, depois de absorverem inovações vanguardistas, retornaram, enriquecidas, a seu leito natural?

 

Por exemplo, a poesia dadaísta chegou, após a "Ursonate", de Schwitters, a poemas que, em lugar de palavras, usavam traços, sinais abstratos. O caso extremo do experimentalismo na literatura foi o "Finnegans Wake", de James Joyce. Felizmente, a literatura de ficção não o tomou como exemplo a seguir, como as artes plásticas o fizeram com o urinol de Marcel Duchamp.

 

Se isso houvesse ocorrido, não teríamos hoje as obras de Borges, Faulkner, Clarice Lispector etc. Sem exagero, a literatura ter-se-ia tornado indecifrável e ilegível.

 

Diante disso, questionei o fundamento desse vanguardismo que só se manteve nas artes plásticas. Qual fator o fez manter-se apenas neste campo, e não nos outros? Deduzi eu que, se fosse uma necessidade da época, teria se mantido em todas as outras artes. Esse me parecia um argumento lógico, mas não me satisfazia, mesmo porque a vanguarda, em qualquer campo que se manifestou, nascera de fatores históricos identificáveis.

 

A pergunta permaneceu, portanto, sem resposta, até que, quase por acaso, julgo tê-la encontrado.Não pensava nesse problema, quando observei que, no passado, não havia exposições de arte, mesmo porque ainda não se inventara o quadro de cavalete: o artista pintava afrescos nos muros dos mosteiros e igrejas e, depois, nas paredes dos palácios dos nobres e das mansões dos burgueses. Como o número de paredes era limitado, foi preciso surgir o quadro de cavalete para nascer o colecionador de arte, que passou a ir ao ateliê do artista e ali comprava a tela que lhe agradasse. O artista não expunha suas obras. Só no século 19 criaram-se os salões de arte, onde passou a expor. Distribuíam-se prêmios que, por consequência, determinavam o valor das obras no incipiente mercado de arte. E aí surgiram as galerias e os marchands.

 

Expor obras é um fenômeno relativamente recente na história da arte. Da Vinci, Rafael, Ticiano não expunham suas obras e isso influía no resultado do que criavam. No século 20, surgiram as grandes mostras internacionais, como a Bienal de Veneza, a de São Paulo e outros certames que se tornaram o espaço onde a arte acontece: um depende do outro. Essas exposições internacionais é que garantiram a sobrevida da vanguarda, estimulando o artista a produzir obras que "aconteceriam" ali.

 

Ele trabalha para grandes mostras e necessita impactar o espectador, ao contrário do pintor do passado, preocupado em criar obras permanentes, que dele exigiam dedicação e apuro técnico.Creio ser essa uma das razões por que a chamada arte contemporânea não elabora uma linguagem, não requer domínio técnico, já que o artista não busca a permanência e, sim, antes de tudo, expor e expor-se. Daí o improviso: as instalações, os "happenings", as performances.


Ferreira Gullar - Publicado na Folha de São Paulo / UOL

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Sábado, 17.07.10

Carne vermelha, muita carne: esses animais não têm alma?

Cultura da carne

 

Leonardo Brant

 

Não pertenço a nenhuma tribo ou religião. Comecei a eliminar a carne do meu cardápio por questões de bem-estar pessoal. Simplesmente me sentia melhor sem carne. Mais leve, com maior vitalidade, sem o peso da digestão.

 

Isso não faz de mim um ativista, mas não me impede de refletir sobre os efeitos pessoais e sociais de uma vida sem (ou com menos) carne.

 

Apesar de ter passado um período mais radical, vivendo sem álcool, café, glúten e lácteos, a dieta mais adequada para mim é a do equilíbrio e do bom senso. Quando exagero, faço jejum, volto a essa dieta higienista e retomo o bom funcionamento do organismo. Assim como a cultura do automóvel, a cultura da carne é algo central em nosso sistema socioeconômico, símbolo de um processo civilizatório baseado na propriedade e na crença da superioridade humana sobre todas as outras formas de vida. E da nossa supremacia cultural sobre nós mesmos, justificando guerras, violências, descasos, abandonos.

 

Isso faz com a população de gado no Brasil, por exemplo, seja maior que a de humanos, e sirva única e exclusivamente para provê-lo de couro, derivados de leite, carne, além de outros alimentos e produtos, das vísceras ao mocotó. O mesmo se aplica aos frangos, patos, porcos, carneiros e ovelhas, que devem sua existência tão somente como fonte de alimento ao ser humano.

 

Cada vez mais o processamento da carne se dá modo industrializado, o que resulta em desequilíbrio ecológico, a ponto de se configurar como uma das principais causas do buraco na camada de ozônio e do aquecimento global. Mais água, mais pasto, mais produção de ração, mais desmatamento, mais gases metano.

 

Assim como a indústria do automóvel, a da carne tem uma relação de causa e efeito com o invetitável abismo entre pobres e ricos no mundo: se todos comerem carne e utilizarem automóvel diariamente, o planeta explode.

 

Recentemente o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne. Isso diz muito sobre o modelo de desenvolvimento que estamos construindo. E a nossa atitude diante disso diz mais ainda sobre o lugar que ocupamos no planeta.

 

Sustentabilidade não é algo para delegarmos às empresas e cobrarmos dos governos. É, antes de qualquer coisa, uma questão de cultura e cidadania. Como consumir, como votar e participar da construção das políticas públicas é a questão vital para a vida em sociedade e para a construção da democracia.

 

Leonardo Brant - Publicado em Cultura e Mercado

 

 

 

 

Experimente ler: A VIDA DOS ANIMAIS , de J. M. Coetzee - Companhia das Letras

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publicado por ardotempo às 03:18 | Comentar | Adicionar

Mariana Ianelli e Treva Alvorada

Mariana Ianelli lança o livro de poemas 'Treva Alvorada'

 

Filipe Couto -  Jornal do Brasil

 

“Vazio de quanto amávamos,/ mais vasto é o céu. Povoações/ surgem do vácuo./ Habito alguma?”. Com estes versos de Carlos Drummond de Andrade, Mariana Ianelli abre o seu Treva Alvorada. Feliz referência que dá ao leitor atento uma das chaves necessárias para adentrar o universo – filosófico e lírico – dessa que é uma das mais belas vozes da poesia contemporânea.


Para aproveitar plenamente a leitura dos textos de Mariana, não basta conhecer os referentes míticos (explícitos e implícitos) que permeiam os 45 poemas do seu livro. Não basta, também, deter-se nas metáforas, tão sutis quanto impactantes, que surgem naturalmente no seu texto. É preciso perceber o cuidado com que ela tece cada verso, cuidando discretamente da cadência rítmica, mesmo adotando o verso livre. É preciso perceber o aproveitamento dos elementos mais prosaicos, que criam uma ponte entre o concreto e o inefável. É preciso, sobretudo, perceber que a poesia de Mariana Ianelli nasce do conflito, do contraste.


É no tal vácuo, anunciado por Drummond na epígrafe do livro, que se encontra a motivação lírica da autora (“Deixa-me te ouvir/ No pulso do silêncio/ E que eu não perca/ Em desavença/ O indício do teu passo”). É no desejo de refletir sobre o espaço entre o ser e o não-mais-ser que nasce a sua poesia. Uma poesia que, curiosamente, observa de perto a morte para, finalmente, encontrar a vida.


É por isso que, ao lermos cada página da coletânea Treva Alvorada, vivenciamos o paradoxo de tudo e nada saber: a irresistível vontade de buscar as entrelinhas, de buscar um sentido, um norte que, verdadeiramente, não há (“Eu, a quem faltava uma seta/ E sobravam direções”). Nesse processo de “escavação do ar”, estruturalmente reforçado por uma sintaxe fragmentada, realiza-se a fusão entre a perenidade e perecimento, o que possibilita múltiplas leituras e expande as possibilidades simbólicas da produção, incentivando releituras (“Procura as mãos/ Que te cavaram para fora,/ Inaugurando o teu passado,/ Imiscuindo-te entre a fome e o frio”).


Só quando chegamos à última das nove sequências (ou “povoações”) que compõem o livro, entendemos que o percurso produzido pelo eu-lírico não é linear, mas cíclico. Não se parte de um início para se chegar a um fim. Não se propõe uma reflexão que solucione as indagações filosóficas sugeridas ao longo de toda a obra. Pelo contrário, parece haver uma negação do aprendizado recolhido, o que incita o leitor a voltar à primeira página e repetir o caminho em busca de detalhes (“Como se de novo pairasse/ No mundo/ A solidão do primeiro homem”). É a morte que traz a vida; é a vida que traz a morte. Curiosa construção que revela, ainda mais, a capacidade da autora de sondar o íntimo do ser humano.


Isso é particularmente interessante porque a poesia contemporânea realmente carece de um teor mais humanístico. Preocupada em ser diferente, em escrever o que ainda não havia sido escrito, ela questionou a si mesma, abraçou conteúdos críticos e sociais, experimentou novas linguagens e, pelo que se vê, deixou de lado temas clássicos, fundamentais para que o homem entenda a si mesmo e, a partir disso, ao mundo que o cerca. O amor e a morte, Eros e Tânatos, tornaram-se referentes secundários, elementos adjuntos de uma poética distante de seus princípios básicos.


Treva alvorada faz parte de um conjunto de livros que, publicados por diferentes autores nos últimos anos, tentam resgatar, de forma consciente ou inconsciente, esses fundamentos líricos. Num mundo cada vez mais acelerado, maquínico e mercadológico, Mariana Ianelli nos oferece a contramão, a “Absurda leveza que te faz afundar/ e não é a morte”, para que nos tornemos todos “Náufragos do tempo” (versos do poema que dá título à coletânea). É a reflexão que ela quer e que seu livro nos exige.

 


Felipe Couto - Professor de literatura brasileira e portuguesa. Autor de Breves cantares de nós dois. Publicado no Jornal do Brasil RJ Brasil

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publicado por ardotempo às 02:31 | Comentar | Adicionar
Quarta-feira, 14.07.10

Homenagem a Laure Limongi

Um escritora à beira do mar

 


 

 

 

Laure Limongi, escritora e editora de Editions Léo Scheer (Paris), autora de FUNÇÃO ELVIS.

publicado por ardotempo às 21:43 | Comentar | Adicionar

Paris - 14 juillet

Um bom local para se estar

 

 

 

 

Marcos Magaldi - Paris - Fotografia (Paris França), 2010

publicado por ardotempo às 20:09 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 13.07.10

Nomes de minuanos

 

Inverno

 

Quando eu me for, no meio da chuva fina,

Planta-me uma folha em si menor,

Num sol maior dissonante

De bergamotas descascadas na soleira

Do inverno da minha infância.

 


Devagar como quem aprende a soletrar

Murmuro os nomes de minuanos,

Ventos navegantes que me alçaram ao sul,

Primeiro desterro,

Circulando ao redor do mistério.

 


Nada será lembrado que não for verdadeiro,

Todas as pequenas mentiras e todos os enganos

Serão somados ao receituário de vacinas.

Quero cantigas antigas e rocks caseiros.

Palavras como pão com manteiga, café com leite.

 


Mas toda vez que vier a chuva fina, como hoje,

Te levo também, inverno ensaiando

O caminhozinho lilás, aquarela

De cais e nuvens desfiadas,

Te embarco junto com o mais sagrado.

 


E quando eu for, memória de cascas,

Linha circular, pó de umbigo, rirei,

À toa, vadia como as rotas que me levaram,

Encharcada de sal, náufrago avistando a terra

De uma primavera.

 


Isolde Bosak, 2010

 

 

 

 


Imagem: Gilberto Perin, Paris 2009

publicado por ardotempo às 17:29 | Comentar | Adicionar

Uma torre

"Uma torre define um conceito e constrói um objetivo imagético"

 

 

 

 

Gilberto Perin - Uma torre - Fotografia (Paris França)

publicado por ardotempo às 12:05 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 12.07.10

O primeiro passo

Por onde sempre começa...

 

 

 

"Aux Charpentiers", Rue Mabillon Paris - Pierre Yves Refalo - Fotografia (Paris França), 2010

publicado por ardotempo às 20:03 | Comentar | Adicionar
Domingo, 11.07.10

Pedras infames num país de absurdos

Cultura e política se unem para salvar Sakineh


Cerca de 45.000 personas han firmado ya en la iniciativa freesakineh.org en favor de la condenada iraní.

 

La condena a morir lapidada de Sakineh Mohammadi Ashtiani ha conmovido al mundo. Pese a que las autoridades iraníes han dado a entender que van a conmutar su pena -el jefe de la autoridad judicial ha dicho que "por el momento" se suspende el veredicto "por razones humanitarias" aunque es "definitivo y aplicable"-, continúa la movilización de sus hijos, Farideh y Sajjad, y de las organizaciones de defensa de los derechos humanos. La campaña en la web para salvar su vida (http://freesakineh.org/) ha recogido más de 45.000 firmas, entre ellas la premio Nobel Shirin Ebadi, el ex presidente brasileño Fernando Henrique Cardoso, el escritor Salman Rushdie o el consejo delegado de Prisa, Juan Luis Cebrián, pero también artistas como Caetano Veloso, Sting, Catherine Zeta Jones y Michael Douglas.


Ashtiani, condenada en 2006 por una "relación ilícita" (que es como el Código Penal iraní califica cualquier relación fuera del matrimonio), ya recibió 99 latigazos y se encontraba en prisión. Sin embargo, durante el juicio contra el presunto asesino de su marido, el tribunal decidió que la relación se había producido en vida del finado y por lo tanto constituía adulterio, un delito castigado con la lapidación. Así que reabrió el caso y volvió a condenarla por segunda vez por el mismo motivo, con el único fundamento de su confesión. La mujer, de 43 años, declaró después que había sido coaccionada para autoinculparse.


Tanto sus hijos como su abogado defienden su inocencia. Además, las organizaciones de derechos humanos, que llevan años denunciando la falta de garantías del sistema judicial iraní, cuestionan tanto el proceso como el anuncio de las autoridades de que va a conmutarse la pena. Hay precedentes de lapidaciones que se han anunciado como ahorcamientos. Por eso están recogiendo firmas para que se libere a Ashtiani.


http://freesakineh.org/

 

 


 

publicado por ardotempo às 23:43 | Comentar | Adicionar

Pássaros do Pampa e do Brasil

Eloir de Mostardas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                           
                                                                                                                                                                                                                                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artesão da cidade de Mostardas, Eloir é observador dos pássaros da região e das aves migratórias que ali estacionam, realizando seu refinado trabalho em madeira esculpida e pintada à mão, peças em tamanho similar aos da natureza, colocadas harmonicamente integradas a fragmentos de madeira colhidos às águas da grande Lagoa dos Patos. 

 

"Tudo o que temos devemos às aves"

publicado por ardotempo às 19:48 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar

O Brasil é grande

A janela de Mario Castello

 

 

 

Mario Castello - Manhã de sol na serra da Mantiqueira - Fotografia panorâmica (Serra da Mantiqueira, Minas Gerais MG Brasil), 2010 

publicado por ardotempo às 19:39 | Comentar | Adicionar

Luzes no Museu

Instalação e luzes 

 

 

 

Fundação Iberê Camargo - Instalação escultórica no looby do Museu, Iole de Freitas (Porto Alegre RS Brasil)

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publicado por ardotempo às 19:33 | Comentar | Adicionar
Quarta-feira, 07.07.10

Figuras em aço

Esculturas pelas paredes

 

 

 

 

 

 

Antony Gormley - Esculturas - Figuras em aço oxidado, em tamanho similar ao natural

publicado por ardotempo às 18:53 | Comentar | Adicionar
Domingo, 04.07.10

Céu sob a terra

Gramado

 

 

 

Gilberto Perin - Gramado - Fotografia (Gramado - Serra Gaúcha RS Brasil), 2010

publicado por ardotempo às 23:58 | Comentar | Adicionar

Geraes

Minas Geraes

 

 

 

Mario Castello - Geraes - Fotografia (Gonçalves MG Brasil), 2010

publicado por ardotempo às 23:33 | Comentar | Adicionar

Escultura e relevos de Gonzaga

Esculturas

 

 

 

Gonzaga - Escultura e relevos de parede (Porto Alegre RS Brasil), 2010

publicado por ardotempo às 22:20 | Comentar | Adicionar

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