Quarta-feira, 16.12.09

Desenho de Siron Franco

Desenho inédito

 

 

 

 

Siron Franco - Sem título - Desenho (Aparecida de Goiânia GO Brasil), 2009

publicado por ardotempo às 18:20 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Terça-feira, 15.12.09

Pampa

A indicação precisa

 

 

 

 

Leonid Streliaev - Pampa - Fotografia (Fronteira Sul / Rio Grande do Sul Brasil)

publicado por ardotempo às 22:40 | Comentar | Adicionar

Uma biblioteca para Timor Leste

Mensagem de Luiz Ruffato:

 

Meus amigos, minhas amigas,
 
 
Em 2005, ao voltar de uma viagem à Galiza, escrevi para muitos de vocês conclamando a enviarem livros para formarmos uma biblioteca de literatura contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Santiago de Compostela, onde há uma cadeira de Literatura Brasileira. Pois bem, o resultado é que cada vez mais alunos têm se interessado em estudar o nosso trabalho e este ano houve mesmo o primeiro colóquio, patrocinado pelo governo autônomo da Galiza, sobre o aprofundamento futuro das relações Galiza-Brasil.
 
Agora, novamente conclamo-os a enviarem livros para o Timor Leste, de onde acabo de chegar, um país pobre e saído de uma guerra terrível. Lá existe uma cadeira de Literatura Brasileira, na Universidade Nacional do Timor Leste, dado por uma professora portuguesa e bancada pelo governo português... Aliás, o Brasil nem sabia (não sabe) da existência dessa cadeira... A idéia é formarmos uma pequena biblioteca de literatura brasileira e atingirmos os alunos, ávidos por conhecer o Brasil...
 
Assim, se acharem que é de seu interesse, enviem livros, seus ou clássicos, ou o que quiserem, para
 
 
ELISIA MARGARIDA DOS SANTOS FERREIRA RIBEIRO
Leitora do Instituto Camões
Centro de Língua Portuguesa em Díli
Embaixada de Portugal em Díli
Edifício ACAIT
Avenida Presidente Nicolau Lobato
Díli
TIMOR LESTE
EAST TIMOR
 
 
Abraço grande do
 
Luiz Ruffato

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publicado por ardotempo às 11:18 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 14.12.09

O silêncio

O silêncio é a memória traída

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Silêncio - Desenho a caneta esferográfica, 2009 

publicado por ardotempo às 18:57 | Comentar | Adicionar

O passe de mágica

O  prestidigitador

 

 

Gilberto Perin - Passe de mágica - Noite Branca (Pelotas RS Brasil), 2009

publicado por ardotempo às 18:42 | Comentar | Adicionar

Caligrafia

Desenho 

 

 

Caligrafia - Desenho a caneta esferográfica, 2009

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O escultor do ambiente

GONZAGA

 

 

 

Seminal - Gonzaga - Escultura em bronze policromado (Porto Alegre RS Brasil), 2001

publicado por ardotempo às 17:57 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Domingo, 13.12.09

O sonho

Tigre

 

 

 

 

"Éste es un sueño, una pura diversión de mi voluntad, y ya que tengo un ilimitado poder, voy a causar un tigre.


!Oh, incompetencia! Nunca mis sueños sabem engendrar la apetecida fiera. Aparece el tigre, eso sí, pero disecado, o endeble, o con impuras variaciones de forma, o de un tamaño inadmisible, o harto fugaz, o tirando a perro o a pájaro."

 

Jorge Luis Borges - Dreamtigers - El Hacedor

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publicado por ardotempo às 21:27 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar

O detonador

Quase um precursor
 
Ferreira Gullar
 
O incêndio que destruiu parte das obras de Hélio Oiticica trouxe à baila o problema da conservação dos acervos artísticos que, no Brasil, na maioria dos casos, ficam com os herdeiros. Afora as dificuldades que estes, muitas vezes, criam à exibição e difusão das obras herdadas, resta o problema da conservação delas. No caso em que não ficassem com a família do artista, deveriam ser entregues aos cuidados de algum museu, mas nem sempre estes dispõem de espaço e recursos para guardar, conservar e difundir satisfatoriamente novos acervos.
 
Por outro lado, os herdeiros resistem a abrir mão do controle que exercem sobre as obras herdadas; as quais, algumas vezes, valem verdadeiras fortunas. Um exemplo louvável de desprendimento material e respeito às obras do autor falecido foi dado por Maria Camargo, viúva de Iberê Camargo: propôs à Gerdau criar uma fundação para preservar e difundir as obras do marido, sendo que a empresa arcaria com os custos enquanto ela doaria todo o acervo à instituição. Deu certo. Um exemplo a ser seguido.
 
Preservar a obra de arte é uma necessidade que nasceu quando o homem criou o conceito de arte, mas os museus mesmos só surgiram na Europa já em começos do século 19. Antes, bem antes, já havia os colecionadores, surgidos graças à invenção da pintura a óleo e o quadro de cavalete, já que não seria possível colecionar afrescos e murais.
 
E a verdade mesmo é que a pintura e a escultura não nasceram como arte e, sim, como magia: quando o homem das cavernas percebeu, num pedaço de sílex, uma figura semelhante à cabeça de um bisão, certamente imaginou que aquele era um outro modo de existência do animal. Essa mesma fascinante semelhança entre a imagem pintada e os seres reais terá dado origem às pinturas parietais do Paleolítico, realizadas em cavernas escuras, com a ajuda de tochas acesas. Por que pintá-los em lugares quase inacessíveis e sem luz? Só a crença em suas possibilidades mágicas explica isso. Sem dúvida, não foram feitas visando à visitação pública, como ocorreria 18 mil anos depois.
 
Foi o homem moderno que os transformou em arte, objeto de contemplação e criou museus para conservar e exibir as obras que merecem essa qualificação. Com o tempo a função de guardar obras de arte emprestou aos museus uma espécie de função consagratória, segundo a qual o que ali está é arte, do contrário não estaria. Não obstante, pode haver ali obras que bem poderiam ser consideradas como "drogas de arte". É, portanto, compreensível que todo artista queira ter obras suas no acervo de museus, já que isso implica em reconhecimento tácito de seu valor.
 
Mas o museu também mudou, uma vez que o conceito de obra de arte sofreu grande transformação, a partir do começo do século 20. Se ainda no final do século 19 Cézanne desejava que sua pintura tivesse "a solidez das obras dos museus", essa já não parecia ser a preocupação dos cubistas e muitos menos de um dadaísta como Marcel Duchamp. Em razão disso, surgiram os museus de arte moderna, enquanto o Louvre e o Prado, por exemplo, são basicamente museus de arte do passado.
 
Os movimentos de vanguarda vieram por em questão o caráter permanente dos valores estéticos. Duchamp chegou a negar o valor artístico das obras dos museus, o que, aliás, já estava implícito no seu célebre urinol, adquirido numa loja de objetos sanitários. Não obstante, tanto essa sua "obra", quanto muitas outras, terminaram em museus.
 
 
Tenho observado essa contraditória relação entre as artes de vanguarda, anti-institucionais, por definição, e o museu, institucional, por natureza. E mais que isso: são os museus que atribuem valor artístico a essas obras. Por exemplo, o urinol de Duchamp, na loja de artigos sanitários, era apenas um urinol mas, no acervo do Pompidou, tornou-se obra de arte.
Ao contrário do escritor, cuja obra se garante escrita em algumas folhas de papel, o artista plástico, por se expressar através de objetos, tem que conseguir espaço onde guardá-los. Vivi esse drama, quando poeta neoconcreto, ao criar poemas-objeto.
 
Imaginando quantos deles faria ao longo da vida, tomei-me de angústia já que meu pequeno apartamento não os iria caber. Bolei, como solução, espalhá-los de madrugada pela cidade, numa espécie de ação terrorista. Depois evoluí para uma exposição que começaria às 17 horas e terminaria às 18, quando, ao acionar um detonador, as obras todas iriam pelos ares. Propus isso ao Oiticica, que não topou. Foi uma pena, pois, se a tivesse realizado, me teria tornado o precursor dos "happenings".
 
Ferreira Gullar
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publicado por ardotempo às 14:43 | Comentar | Adicionar

P.O.E.M.A-X

 
 
X

Como um felix ronronando oxítonas
num amplexo levou-me à Luxor!
Expectorei perplexa...
Nem precisa explicar!

Depois, como antrax, me devorou!
Fiquei extática, com tal exótico de Rolex,
que excêntrico!

Meu córtex é um pouco católico...
mas...e o êxtase?

Perplexa ante o paradoxo
exerci a lex,
- sed lex, sed durex-
muiiiiito durex!

Com Tetrex e Tilex,
pedidos à Medex,
examimei as oxidações,
marinei bife em pirex,
apliquei sobre as extravagâncias...

Só Kleenex me consolou!
E botox!

Extraí látex do coração,
lágrimas extraditadas
me auxiliaram a não ser Chatotonix!

Por telex o expulsei,
vivo feliz com Obelix!
Extraordinariamente!
Apesar da fixação em X-Man

Madame X 

 

 

© Isolde Bosak, Lisboa, 2009

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A felicidade

"Dinheiro compra até amor verdadeiro" - Millôr Fernandes

 

 

 

 

Gilberto Perin - Natal - Fotografia (Lisboa Portugal), 2009

publicado por ardotempo às 12:31 | Comentar | Adicionar
Quarta-feira, 09.12.09

Bothanica

 MOMIX dança

 

 

 

 

 

 

Grupo MOMIX - Bothanica, 2009

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As jóias de Mana Bernardes

Jóias Cotidianas

 

 

 

 


Mana Bernardes - Jóias de design, confeccionadas com materiais reciclados, 2009

publicado por ardotempo às 01:38 | Comentar | Adicionar

O Clube dos Recusados

Ay, mi estimado señor
 
Enrique Vila-Matas
 
¿Es usted escritor o ha intentado serlo? Tanto si lo es como si ha querido serlo, usted ha tenido que conocer en algún momento de su vida el rechazo. Es posible que alguien desde alguna editorial le haya escrito alguna vez una carta donde muy educadamente le han dicho: “Estimado señor, nos ha causado una agradable impresión su manuscrito, pero...
 
El rechazo es una amarga realidad de la profesión de escritor. A mí, en cierta ocasión, me devolvieron uno de mis primeros manuscritos con las mejores metáforas de mi novela tachadas con un rotulador y devueltas meticulosamente cambiadas, convertidas en las metáforas que proponía el anónimo responsable del informe de lectura. Un rechazo así no se olvida. Cada día hay cientos de personas deprimidas porque les han devuelto un manuscrito. Y eso que hay mil tácticas para intentar remontar el efecto rechazo. Una de ellas consiste en repasar las más famosas injusticias en esta materia. El famoso rechazo de André Gide al manuscrito de En busca del tiempo perdido de Marcel Proust, por ejemplo. O bien recordando que Dublineses de Joyce fue rechazado por veintidós editoriales. O pensando en la breve carta de rechazo que recibió Oscar Wilde por El abanico de Lady Windermere: “Mi estimado señor, he leído su manuscrito. Ay, mi estimado señor”.
 
El rechazo editorial ha creado la carta estándar de negativa, todo un género nuevo. No todas esas cartas estándar que circulan por ahí son educadas. Tengo noticia de algunas cartas de rechazo absolutamente maliciosas. Cuenta el joven escritor canadiense Kevin Chong (experto él mismo en recibir cartas de rechazo) que a veces puede lograrse una negativa malvada sin una sola palabra, y cita el caso de una amiga suya que envió un poema a la revista The New Yorker y éste le fue devuelto roto en pedazos, hecho trizas. En un reciente viaje al país de sus antepasados, el propio Chong encontró a un amigo desolado por la carta de rechazo que le habían enviado de una revista china de economía: “Hemos leído con indescriptible entusiasmo su manuscrito. Si lo publicamos, será imposible para nosotros publicar cualquier trabajo de menor nivel. Y como es impensable que en los próximos mil años veamos algo que supere al suyo, nos vemos obligados, para nuestra desgracia, a devolverle su divina composición, y a rogarle mil veces que pase por alto nuestra miopía y timidez”.
 
Muchos escritores rechazados creen que los que publican libros viven felices lejos del rechazo. Y, sin embargo, no es así, pues no hay un solo escritor reconocido que no sea cosido a rechazos a lo largo de su carrera. Son rechazos distintos a los de la carta educada o malvada, pero son también rechazos duros. Y es que por lo general un escritor serio no se cierra nunca puertas, aspira a gustar a todo el mundo, al mundo entero. Por lo tanto, cualquiera de sus éxitos parciales lo vive como algo muy relativo. Pero, en cambio, cualquier mínimo rechazo a su obra lo ve como una gran afrenta, un rechazo a la totalidad. Sólo así se explica entonces la desesperación y el llanto desconsolado, por ejemplo, de Pier Paolo Pasolini por una crítica negativa en la hoja parroquial de un pueblo italiano de mala muerte. Y es que una crítica en contra (aunque el crítico sea un famoso idiota), ese premio insignificante pero que sin embargo no le han dado, ese suplemento cultural en el que no le nombran y encima dedican tres páginas a un mamarracho, todo eso para el escritor reconocido son rechazos que le impiden vivir en paz. 
 
Así que el rechazo persigue a escritores publicados y a escritores inéditos. Se sabe o debería saberse que unos y otros conviven en la eternidad en una especie de Club de los Rechazados en cuya secreta sede social se oyen por las noches voces espectrales que arrastran cadenas y dicen: “Ay, mi estimado señor.” Ahí, por ejemplo, puede verse en las noches de luna llena a Gide y Proust, todavía discutiendo sobre la valía real de un manuscrito rechazado. 
 
Enrique Vila-Matas
publicado por ardotempo às 01:23 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 08.12.09

O desenho-poema

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia - Desenho-poema de Mana Bernardes (Caligrafia a caneta de tinta china sobre papel artesanal kozo), 2009

publicado por ardotempo às 12:05 | Comentar | Adicionar

Exposição de design, jóias e desenhos-poemas

Convite  

 

 

 

Exposição de jóias em design 

Desenhos-poemas / caligrafia sobre papel artesanal kozo

Projeções de vídeos com performances e projetos de design

Mostra da designer e artista Mana Bernardes

Recital de poemas e de música instrumental com Michel Dorfman,

Eduardo Bittencourt e Leonardo Bittencourt

 

Habitart

Av. Nilo Peçanha, 2.424

Três Figueiras - Porto Alegre RS - Brasil

Dia 10 de dezembro - quinta-feira - 20h30

publicado por ardotempo às 01:05 | Comentar | Adicionar

A noite branca de Pelotas - Apenas Pintura

Interpretação do fotógrafo

 

 

 

 

Noite Branca / Apenas Pintura - Fotografia de Gilberto Perin (Pelotas RS Brasil), 2009

publicado por ardotempo às 00:17 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 07.12.09

preto.e.branco

( Noite Branca)

 

 

 

Gilberto Perin - Fotografia - Preto e Branco - (Noite Branca / Pelotas RS Brasil), 2009

publicado por ardotempo às 20:39 | Comentar | Adicionar

O livro lido

Aldyr Schlee e o impossível

 
Pablo Rodrigues
 
Transito com cautela por estas linhas. E já começo o texto tendo que resistir a mim mesmo, tendo que resistir à vontade de largar tudo para reler Os limites do impossível - Contos gardelianos, sétimo livro de contos do escritor jaguarense Aldyr Garcia Schlee. Na verdade, este comentário que inicio é, no fundo, um atrevimento. Sim, porque diante de uma obra como a que acabo de ler o não dito sempre falará mais. E melhor. Atiro-me, portanto, ao não-sei-onde.
 
Em 12 contos narrados a partir da história de 12 mulheres, o leitor caminha sutilmente pelo que há de mais belo e também de mais terrível no espírito humano: amores, traições, melancolias, desejos, violações e muitos disparates. No primeiro conto, intitulado Clara e por Clara narrado, a tristeza da menina feia apaixonada pelo filho do tambeiro e obrigada a casar com outro angustia o leitor. Angustia sobretudo pela forma como Clara se mantinha presa àquele mísero momento de quase-alegria, e sempre repetia para si mesma, como se estivesse condenada eternamente a andar em círculos: “... eu corria todos os dias de manhã cedo a receber-te na porta e tu me dizias ola e eu te respondia ola.” 
 
Em Felicia, segundo texto do livro, a história da mucama - contada por um narrador onisciente - começa a revelar a interdependência dos contos. A partir de Felicia, o leitor entrevê - um tanto abismado e a se perguntar: “Como ele faz isso?” - a grandeza do escritor. Ao longo de Os limites do impossível, o encanto se descortina gradualmente. De pequenos contos com histórias próprias e isoladamente repletas de sentido, o autor tece uma supra-história - e cria um romance. Talvez neste ponto resida o verdadeiro encanto estrutural da obra. Algo sem igual na literatura brasileira. 
 
“E Vidas secas?”, alguém dirá. Pois respondo: as diferenças são enormes. O livro de Graciliano Ramos é linear. E por vezes óbvio. O livro de Schlee, ao contrário, se desenvolve em narrativas labirínticas - ao melhor estilo borgiano - e misturadas, como a vida. Arrisco-me a dizer e me sujeito às pedras: Os limites do impossível (com toda a enorme carga de imaginação e invenção nele contido) soa mais real que Vidas secas (com todo o realismo que nele se pretendeu imprimir).  
 
“E onde entra Carlos Gardel nesta história?”, outro perguntará. Em tudo. E em muito pouco. Neste ponto reside mais um encanto do livro: Gardel não é citado. Fica como uma espécie de promessa. De porvir. Até nasce, na história de Manuela (“... um machito de quase dois palmos e cara mui redonda”), rebento do estupro e do incesto. A obra, porém, se ocupa em tratar profundamente do antes de Gardel. De como as coisas rumaram até ele. A figura central no livro é Carlos Escayola, pai do futuro tangueiro e de tantas outras crianças. Homem sedutor e mulherengo, capaz das maiores crueldades. Não entrarei em detalhes sobre ele, para não tirar do leitor o gosto - algumas vezes doce, mas em maioria amargo - da descoberta. 
 
De personagens reais (quase todos, ao menos), as histórias imaginadas ganham contornos que a realidade muito bem poderia ter dado. O cenário principal, onde se desenrola grande parte dos fatos, é a vila uruguaia de San Fructuoso, fundada em 1832 e que viria a se chamar Tacuarembó (sim, essa terra mítica onde, sim, também no livro nasceu Gardel). Em muitos trechos de Os limites do impossível  tem-se a nítida impressão de que o texto, pela construção das frases, foi pensado em espanhol. Nada mais coerente. 
  
Por enquanto, falta-me tempo à segunda leitura. Falta-me tempo para pensar melhor sobre pontos que ficaram insinuados e mereceriam mais atenção, como a estratificação social bem delineada dos personagens e a profunda oralidade presente nos diferentes estilos de narrar utilizados com maestria por Schlee; os não-dizeres de La Niña, por exemplo.
 
De certo, tenho que - pelo número de pormenores e peculiaridades narrativas - estamos diante de uma obra incomparável. De certo, tenho que cada linha, cada quebra de parágrafo e cada palavra valem o esforço do leitor. O livro vale ainda pelo muito que nele não coube, mas ficou indicado: inúmeras outras possibilidades. 
 
Schlee é homem da fronteira. E talvez isso diga tudo.

Pablo Rodrigues - Publicado no Diário Popular (Pelotas)
publicado por ardotempo às 01:41 | Comentar | Adicionar
Sexta-feira, 04.12.09

Feito do mesmo barro

A humanidade segundo José Saramago
 
Mariana Ianelli
 
Há muito tempo não se via um lançamento despertar tanta polêmica, sobretudo de ordem extraliterária. É assim que Saramago assiste à repercussão do seu novo livro, Caim, cuja controvérsia lembra os efeitos provocados por seu Evangelho segundo Jesus Cristo, dezoito anos atrás. Na época, a resposta do governo português foi a interdição da candidatura do escritor ao Prêmio Literário Europeu. Agora, com o surgimento de Caim, as reações novamente se inflamam, chegando ao disparate de um eurodeputado exortar Saramago à renúncia de sua cidadania. Às declarações políticas, somam-se as admoestações religiosas, que são muitas e talvez mais interessantes. 
 
Se antes o autor se detivera no Novo Testamento para escrever seu Evangelho, agora sua atenção se volta ao princípio dos tempos, em uma jornada do pensamento e, por que não dizer do espírito, por algumas das mais célebres passagens do Antigo Testamento. É a figura estigmatizada de Caim que protagoniza essa história, na qual Saramago mescla episódios de diferentes tempos bíblicos sob a perspectiva de diferentes presentes no tempo da narrativa. Em cada um desses “presentes”, visitados pelo personagem em seu destino errante, uma “vítima de deus” se apresenta, seja no sacrifício de Isaac, no sofrimento de Jó ou na destruição de Sodoma.
 
Saramago se propõe a ler a Bíblia à letra, daí a censura que os católicos lhe fazem: desconsiderar uma leitura simbólica. Quantas sejam as interpretações possíveis, para o autor de Caim interessa que o texto bíblico, tal como está escrito, não seja suprimido ou mascarado. Em conversa com o teólogo José Tolentino Mendonça, em outubro deste ano, na ilha de Lanzarote, o escritor chegou a afirmar que, ao menos no seu “estado de espírito presente”, considera este recente trabalho o seu melhor livro. Tolentino, porém, acredita que a narrativa não possui a complexidade de seus outros romances. Entre um extremo e outro, vale ressaltar a prodigiosa fluidez e o humor que há nas páginas de Caim.
 
Grafado em letras minúsculas, como todos os personagens do romance, deus aparece na narrativa feito do mesmo barro da sua criatura, à imagem e semelhança dos homens. Vaidoso, irônico, temperamental, faz que governa o mundo mas quase sempre está ausente, é um deus que se equivoca, que promete e não cumpre, que promove acordos tácitos e, quando se trata da disputa de poder, não hesita em pôr seus filhos à prova. Por meio deste personagem muitas vezes jocoso, absurdo, repleto de vícios mundanos, Saramago, valendo-se da mordacidade que lhe é peculiar, coloca em ação seu testemunho da violência, do terrorismo fundamentalista, da hipocrisia humana. Quanto aos mistérios da fé e aos desígnios do coração, neles o escritor não toca, nem é para isto que se lhe dá a palavra: “o inefável, como sabemos, é precisamente o que está para lá de qualquer possibilidade de expressão”.
 
É, pois, com este deus de tantos caprichos e impulsos que Caim divide a culpa pela morte de seu irmão Abel. Culpado Caim por ter escolhido matar, culpado deus por ter preferido um filho a outro. Começa aí a odisseia do protagonista, vítima do menosprezo divino, condenado a vagar indefinidamente pela terra, ao longo da história do passado e do futuro, em meio a “batalhas de uma guerra infinita” em que o sangue de Abel se perde no sangue de centenas de milhares de vítimas. Caim serve ao exército de Josué, trabalha nas propriedades de Jó, acompanha Abraão e os anjos do senhor até Sodoma, e em cada um desses episódios bíblicos vê multiplicarem-se as mortes, as súplicas, o saldo da humilhação e da injustiça.
 
Saramago transplanta o filho fratricida de Adão e Eva para gerações pós-diluvianas, e a humanidade que se devia supor renovada, limpa da crueldade da descendência de Caim, ao contrário, revela-se igualmente sanguinária. Por tudo o que vê nessas incursões pelo “presente-futuro”, o protagonista vai nutrindo seu pessimismo e sua revolta: “Alegria, perguntou a si mesmo, para caim nunca haverá alegria, caim é o que matou o irmão, caim é o que nasceu para ver o inenarrável, caim é o que odeia deus”.
 
Entre idas e vindas no tempo, já cansado das “costumadas destruições e dos costumadíssimos incêndios”, Caim retorna à terra de Enoch e tem-se aí o capítulo mais belo do livro. Permutando os mitos pela Bíblia, o autor encena, no reencontro dos amantes Lilith e Caim, o reencontro de Penélope e Ulisses. Os movimentos sucedem-se como num jogo de espelhos. Vale a pena citá-los aqui, lado a lado: “(...) depois que Ulisses e Penélope satisfizeram o seu desejo/ de amor, deleitaram-se com palavras, contando tudo um ao outro. / (...) / Ele começou por contar como primeiro venceu os Cícones / e chegou depois à terra fértil dos Lotófagos. / Também tudo o que fez o Ciclope (...)” (Odisseia, Canto XXIII). Em Caim: “Tranquilizados os espíritos, compensados da longa separação dos corpos com juros altíssimos, chegou o momento de pôr o passado em ordem. (...) Então caim contou a lilith o caso de um homem chamado abraão a quem o senhor ordenara que lhe sacrificasse o próprio filho, depois o de uma grande torre com a qual os homens queriam chegar ao céu (...)”.  
 
O ar de gravidade que uma releitura do Antigo Testamento poderia implicar, Saramago subverte-o pelo humor, ou ainda, com um sarcasmo que rompe toda espécie de servilismo diante dos limites do sofrimento humano. Na voz da mulher de Jó, o escritor ataca: “o mais certo é que satã não seja mais que um instrumento do senhor, o encarregado de levar a cabo os trabalhos sujos que deus não pode assinar com seu nome”. Também beiram a caricatura as aparições do senhor na terra, com cetro em punho “como um cacete”, ou “em fato de trabalho”, manifestando-se “em meio de um trovão ensurdecedor e dos correspondentes relâmpagos pirotécnicos”. Impossível evitar o riso no episódio da construção da Arca de Noé, quando Caim aponta um erro nos cálculos de deus usando o princípio de Arquimedes.
 
Fim da viagem pela história dos tempos, no dilúvio se dá a grande revanche de Caim. Não podendo matar a deus, o filho desprezado, como antes assassinou Abel por despeito, agora boicota o projeto de uma nova humanidade. Aquele que havia sido o senhor das guerras, o causador de tantas vítimas, é ele mesmo vitimado, condenado ao abandono, um criador sem criatura que lhe obedeça ou o glorifique, em outras palavras, um deus destituído da violência que os homens costumam imputar à sua vontade.
 
Ninguém percebe que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino?”, questionava Saramago, três anos atrás, em entrevista ao jornalista Edney Silvestre. Esta mesma pergunta continua soando, irrequieta, nas páginas de Caim. Ateu convicto e, no entanto, constantemente aferrado à ideia de Deus, Saramago admite ter como uma de suas grandes influências o padre Antonio Vieira, cujo Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma bem poderia ter lhe servido de centelha para o Ensaio sobre a cegueira. Sob esse aspecto, o cenário cataclísmico desse romance mostra do que é capaz a espécie humana finalmente livre do imperativo do Decálogo. O próprio escritor, que se diz “empapado de valores cristãos”, assegura que “para fazer um ateu como ele, é necessário um alto grau de religiosidade”. Mas, à parte as vinculações e desavenças do escritor com a religião, que acendem aqui e ali a fogueira dos debates, por vezes ofuscando a própria literatura, cabe pensar no homem, e no entorno que ele modifica à sua passagem, a partir da obra de Saramago. 
 
Outra questão que mereceria um olhar mais aprofundado, tanto da crítica, como do público leitor, consiste não apenas na vasta incidência de temas bíblicos na literatura moderna e contemporânea, mas, em especial, na reincidência da figura de Caim, agora com o relançamento de O Deus de Caim, de Guilherme Dicke, pela editora Letra Selvagem, e As vozes do sótão (ed. Cosac&Naify), de Paulo Rodrigues, que também traz à tona as memórias de um personagem enjeitado, oprimido, moralmente devastado pela falta de amor. Que esse fenômeno propicie uma reflexão sobre o contexto em que tais livros aparecem, hoje, à cena literária, para se avaliar mais suas “significações terrestres” do que suas implicações teológicas. Assim, é provável que a discussão suscitada por Caim, de Saramago, inverta a contento o pressuposto da “provocação pela provocação” e comece a ser considerada sob aquela outra perspectiva que o escritor já assinalava em A viagem do elefante, seu romance anterior: “Quem diria que a moral nem sempre é o que parece e que pode ser moral tanto mais efetiva quanto mais contrária a si mesma se manifeste”.  
 
Mariana Ianelli 
publicado por ardotempo às 00:43 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Quinta-feira, 03.12.09

As histórias na televisão

Sem Sinal recebeu nove troféus no Prêmio Histórias Curtas 2009

 
 
 
 
Numa parceria do Grupo RBS, Banrisul e Governo do Estado, nessa quarta-feira (2 de dezembro), foram revelados os melhores do ano do Prêmio HISTÓRIAS CURTAS, no Theatro São Pedro de Porto Alegre, além dos destaques do MINIMETRAGEM.
 
“Sem Sinal”, episódio de ficção com direção de Vicente Moreno foi o grande vencedor da noite, recebendo nove troféus: Júri Oficial, Direção, Atriz (Kalisy Cabeda), Ator (Nelson Diniz), Atriz Coadjuvante (Áurea Baptista), Arte (William Valduga), Fotografia (Pablo Escajedo) e Produção (Glauco Urbim). O Júri Popular premiou “À Moda Antiga”, de Bruno Carvalho. A lista completa dos premiados está abaixo.
 
Os homenageados da noite foram cinco pioneiros da TV Piratini, que há 50 anos foram para o Rio de Janeiro para aprender fazer televisão na TV Tupi. Nelson Vaccari, Walmor Bergesch, Sérgio Reis, Enio Rockembach e Salimem Júnior receberam homenagens e troféus por serem os visionários da televisão no Rio Grande do Sul.
 
 
Os 10 anos do Núcleo de Especiais também foram lembrados pelo Vice-Presidente de Produto e Operações do Grupo RBS, Geraldo Correa que apresentou uma placa  para lembrar o trabalho de realização de documentários e programas de ficção.
 
Roger Lerina apresentou o evento, que teve direção artística de Marcelo Bacchin, roteiro de Gilberto Perin, cenografia de Vicente Saldanha, direção de palco de André Birck e direção de produção de Simone Buttelli. Estiveram no palco do Theatro São Pedro, profissionais da RBS TV e TVCOM, além do Vice-Presidente de Produto e Operações do Grupo RBS, Geraldo Correa; o Diretor de Operações de Rádio e TV, Claudio Toigo; a Gerente de Produção da RBS TV, Alice Urbim; o diretor do Núcleo de Especiais da RBS TV, Gilberto Perin; e os apresentadores Alexandre Fetter, Ico Thomas, Rosane Marchetti, Maysa Bonissoni, Rodaika, Paula Valdez, Kátia Suman e Tânia Carvalho. O Superintendente da Assessoria de Marketing do Banrisul, Walney Fehlberg subiu ao palco para entregar o Troféu Banrisul - Júri Popular.
 
Atores também participaram da apresentação: Zé Adão Barbosa, Leonardo Machado, o ator mirim Arthur Quadros, Rafhael Moura, Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos, que recebeu homenagem por seus 50 anos de carreira. A música teve destaque na apresentação com a presença de Nico Nicolaiewski, Felipe Catto, Ricardo Fa, Fabiano “Elvis” Feltrin e a banda Pata de Elefante
 
 
O Prêmio HISTÓRIAS CURTAS é a etapa final de um concurso que seleciona oito projetos de curtas de ficção, documentário e animação. No final do evento, foi anunciado que a partir do dia 2 de janeiro, o regulamento do HISTÓRIAS CURTAS 2010 vai estar no site www.rbstv.com.br/historiascurtas com uma novidade: os projetos terão uma temática especial: “a passagem da infância para adolescência, os sonhos e as decepções de quem está se tornando adulto”.
 
PREMIADOS HISTÓRIAS CURTAS 2009:
 
Júri Oficial: “Sem Sinal”
Troféu Banrisul – Júri Popular: “À Moda Antiga”
Diretor: Vicente Moreno (“Sem Sinal”)
Ator: Rafael Tombini (“Um Breve Assalto”)
Atriz: Kalisy Cabeda (“Sem Sinal”)
Ator Coadjuvante: Nelson Diniz (“Sem Sinal”)
Atriz Coadjuvante: Áurea Baptista (“Sem Sinal”)
Roteiro: André Costantin e Nivaldo Pereira (“A Jaqueta do Elvis”)
Fotografia: Pablo Escajedo (“Sem Sinal”)
Arte: William Valduga (“Sem Sinal”)
Montagem: Denise Marchi (“Sem Sinal”)
Música Original: Raul Ellwanger (“Luz e Sombra no Paralelo 30”)
Desenho de Som: Fabrício Licks (“O Retorno de Saturno”)
Direção de Produção: Glauco Urbim (“Sem Sinal”)
 
VENCEDORES MINIMETRAGEM 2009
 
Júri Oficial: “Amor à Camisa”, de Pablo Chassereaux.
Júri Popular: “O Monstro”, de Fernando Busch.
 
TVCOM: MARATONA e PREMIAÇÃO
 
Neste domingo (6 de dezembro), às 16h, a TVCOM reapresenta a noite de premiação no Theatro São Pedro. No sábado (12 de dezembro), a partir das 16 horas, acontece a maratona com apresentação de todos os episódios de HISTÓRIAS CURTAS 2009.
 
Imagens: Fotografias de Danny Bittencourt
publicado por ardotempo às 22:35 | Comentar | Adicionar

A catedral do design

 Habitart

 

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publicado por ardotempo às 22:29 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 01.12.09

O mundo é o mar


E vejo-me fazendo a viagem de volta,
colocando ponteiro em bússola,
acordando para trás relógios e rotas,
tomando imagens de Nossa Senhora,
 
- Protegei os navegantes,
eles não sabem o que fazem -
das Indias, das especiarias, das tormentas.
 
O oceano calmo, o oceano ânimo,
e eu a respirar debaixo d'água,
e eu a voltar para a terra de onde nunca saí.
 
Que porto me acolherá?
Será noite, será norte?
Será a terra que divisava outra terra dividida,
metade tua, metade alheia?
 
E eu a soprar velas e eu a abanar lágrimas.
E a terra a se afastar e o mar a se apartar,
e o porto e o destino.
 
O mundo é o mar, e eu querendo voltar,
e eu querendo...
 
 
 
 
 
 
 
© Isolde Bosak, 2009
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publicado por ardotempo às 18:14 | Comentar | Adicionar

A noite branca de Pelotas

 

 

 

 

 

05 de dezembro 2009 - Programação da Noite Branca
 
18h - Abertura da mostra Conexões Infinitas
Fotografias de Gilberto Perin.
• Mezzanino do Hotel Jacques Georges Tower
Rua Almirante Barroso, 2069
Exposição de 05 de dezembro a 27 de dezembro de 2009
 
19h - Abertura das mostras Apenas Pintura
Pinturas de Alfredo Aquino;
Seminal - Esculturas de Gonzaga;
Aula de Gravura
Gravuras de Angela Pohlmann,
Emanoel Araújo, Francis Bacon, 
Isolde Bosak, Maria Inês Rodrigues,
Miriam Tolpolar, Pierre Alechinsky e Karel Appel.
MALG - Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo - 
Rua Gal. Osório, 725
Exposições de 05 de dezembro a 27 de dezembro de 2009
 
20h - Abertura da mostra Fronteira Sul
Fotografias de Leopoldo Plentz.
Instituto João Simões Lopes Neto - Rua Dom Pedro II, 810
Exposição de 05 de dezembro a 27 de dezembro de 2009
 
21h- Apresentação e lançamento do livro Os limites do impossível
de Aldyr Garcia Schlee -
Coquetel e apresentação de tangos, pelo 
Prof. José Luis Marasco Cavalheiro Leite
Noite de autógrafos pelo autor.
Instituto João Simões Lopes Neto - Rua Dom Pedro II, 810
Evento especial no dia 05 de dezembro de 2009
 
23h - Apresentação de cinema em DVDs - 
Gaúchos Canarinhos, direção de Renê Goya Filho
(Produção Estação Elétrica) - Realização RBS TV ;
e A Ferro e Fogo - Tempo de Solidão
direção de Gilberto Perin, da obra de Josué Guimarães - 
Realização RBS TV 
Instituto João Simões Lopes Neto - Rua Dom Pedro II, 810
Evento especial no dia 05 de dezembro de 2009
 
Imagem: Noite Branca - Fotografia de Gilberto Perin (Pelotas RS Brasil), 2009
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Editor: ardotempo / AA

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