Segunda-feira, 06.07.09

O blog da Palavraria

 

A Palavraria Livros & Cafés é a simpática livraria do Bom Fim, em Porto Alegre RS, na Vasco da Gama ao lado da locadora.

 

Palco de lançamentos memoráveis de livros, de oficinas literárias de grandes autores e professores de literatura, de palestras de autoras e autores, com leituras, saraus e conversas.

 

No sábado que vem, dia 11 de julho, apresenta Aldyr Garcia Schlee com Nós y Nosostros.

 

Agora a Palavraria tem um Blog que os seus livreiros chamam de sítio.

 

 

O sítio (ou o blog) da Palavraria está disponível no endereço
 
 
Já existe o convite  de Luiz Heron, Carlos e Carla, a todos os interessados em literatura, poesia, autores, textos e livros em geral para que façam uma visita e realizem um passeio pelos artigos postados  e pelos links. O trabalho recém começou e ele prometem estar atentos à sugestões e realizar todo o esforço possível para apresentar um sítio (ou blog)  dinâmico e satisfatório. Aguardam-se os comentários e as sugestões.
 
Palavraria - Livraria-Café
Rua Vasco da Gama, 165 - Bom Fim
90420-111 - Porto Alegre 
Telefone 051 32684260
 
palavraria@palavraria.com.br

 

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publicado por ardotempo às 13:24 | Comentar | Adicionar
Domingo, 05.07.09

Atenção às aparências

Aparências
 
José Saramago
 
Suponho que no princípio dos princípios, antes de havermos inventado a fala, que é, como sabemos, a suprema criadora de incertezas, não nos atormentaria nenhuma dúvida séria sobre quem éramos e sobre a nossa relação pessoal e colectiva com o lugar em que nos encontrávamos. O mundo, obviamente, só podia ser o que os nossos olhos viam em cada momento, e também, como informação complementar não menos importante, aquilo que os restantes sentidos – o ouvido, o tacto, o olfacto, o gosto – conseguissem perceber dele. Nessa hora inicial, o mundo foi pura aparência e pura superfície. A matéria era simplesmente áspera ou lisa, amarga ou doce, azeda ou insípida, sonora ou silenciosa, com cheiro ou sem cheiro.
 
Todas as coisas eram o que pareciam ser pelo único motivo de que não havia qualquer razão para que parecessem e fossem outra coisa. Naquelas antiquíssimas eras não nos passava pela cabeça que a matéria fosse “porosa”. Hoje, porém, embora sabedores de que desde o último dos vírus até ao universo, não somos mais do que organizações de átomos e que no interior deles, além da massa que lhes é própria, ainda sobra espaço para o vácuo (o compacto absoluto não existe, tudo é penetrável), continuamos, tal como o haviam feito os nossos antepassados das cavernas, a apreender, identificar e reconhecer o mundo segundo a aparência com que se nos apresenta. Imagino que o espírito filosófico e o espírito científico, coincidentes na sua origem, deverão ter-se manifestado no dia em que alguém teve a intuição de que essa aparência, ao mesmo tempo que imagem exterior capturável pela consciência e por ela utilizada, podia ser, também, uma ilusão dos sentidos. Se bem que habitualmente mais referida ao mundo moral que ao mundo físico, é conhecida a expressão popular em que aquela intuição veio a plasmar-se: “As aparências iludem.” Ou enganam, que vem a dar no mesmo.
 
© José Saramago - Publicado em O Caderno de Saramago
publicado por ardotempo às 14:11 | Comentar | Adicionar

De luxo é com água

Fotografia: Série Conexões Infinitas

 

 

 

 

 

Gilberto Perin - Fotografia - " Toilettes no deserto" - Série Conexões Infinitas (Deserto da Tunísia), 2009

publicado por ardotempo às 13:59 | Comentar | Adicionar

O Brasil embaraçado

Um modo novo de encher a barriga
 
Ferreira Gullar
 
Carisma e capacidade de conquistar a confiança e o voto do eleitor é uma coisa; capacidade de governar, administrar, é outra. Esse é um dos percalços do regime democrático: a possibilidade de eleger-se um candidato carismático, que ganha a simpatia do eleitor, mas que não é um administrador competente ou não é honesto ou não tem gosto pela tarefa administrativa. Dependendo de alguns fatores conjunturais ou da habilidade desse personagem, pode ele se manter no poder por anos a fio, fazendo da preservação de sua imagem e da confiança do eleitor, sua tarefa precípua. Caso as circunstâncias o favoreçam, essa capacidade inescrupulosa de manipular a boa fé do povão pode gerar consequências altamente negativas para a sociedade, que terá sérias dificuldades para evitá-lo.
 
Esse tipo de líder surge, com maior frequência, em países onde a desigualdade social é mais acentuada, o que propicia o uso de medidas assistencialistas e demagógicas, que lhe garantem a popularidade e os votos. Certamente, atender a necessidades vitais da população carente tem seu lado positivo, desde que seja feito em caráter emergencial, seguido de medidas visando inserir o cidadão no mercado de trabalho, em vez de mantê-lo como um indigente que vive às custas do governo.
 
Como essa reconquista da autonomia do desempregado não interessa ao líder populista, a tendência é ampliar e manter os programas assistencialistas como investimento a fundo perdido, em prejuízo do crescimento econômico, da ampliação do mercado de trabalho e do progresso social.
 
O programa assistencialista, como toda intervenção no processo social, pode ter aspectos positivos e negativos. Os positivos, sabemos quais são; os negativos, às vezes, nos surpreendem, ainda que, se nos detemos a refletir, veremos que são quase inevitáveis.
 
Tomemos como exemplo o programa Bolsa Família, que nasceu para servir politicamente ao presidente Lula. Isso ficou evidente, desde o início, quando ele mandou fundir os programas Bolsa Alimentação e Bolsa Escola, para fazer de conta que um programa novo estava sendo criado pelo seu governo.
 
Pouco lhe importou o fato de que a fusão dos dois programas, com objetivos essencialmente diferentes, prejudicaria a execução de ambos e dificultaria sua fiscalização. O resultado previsível não se fez esperar: parentes de prefeitos, de vereadores e deputados passaram a receber os benefícios a que não tinham direito nem deles necessitavam. Mas a coisa não parou aí: a engenhosidade popular pôs-se logo a serviço dos oportunistas. Hoje, à exceção talvez do governo, todo mundo sabe o que ocorre com o Bolsa Família, que abrange nada menos de 40 milhões de pessoas.
 
Inventaram-se os mais diversos modos de burlar as normas que o regem, chegando-se ao ponto de, quando o beneficiado pelo programa consegue um emprego, pede ao patrão que não lhe assine a carteira de trabalho, para que possa, assim, fazer de conta que continua desempregado. Vejam vocês a que leva esse tipo de ajuda demagógica, quando sabemos que ter a sua carteira de trabalho assinada pelo patrão sempre foi uma aspiração de todo trabalhador. A carteira assinada é imprescindível para comprovar o tempo de serviço e garantir a aposentadoria.
 
Aqueles, porém, que abrem mão disso, estão certos de que o Bolsa Família os sustentará pelo resto da vida, sendo, portanto, desnecessário aposentar-se. É como se já estivessem aposentados, uma vez que ganham sem trabalhar.
 
Um conhecido meu, que cria algumas cabeças de gado, contou-me que o vaqueiro de sua fazenda separou-se aparentemente da mulher (com quem tinha três filhos) para que ela pudesse receber a ajuda do Bolsa Família, como mãe solteira e sem emprego.
 
Ao mesmo tempo, embora já tivesse decidido não ter mais filhos, além dos que já tinham, mudaram de ideia e passaram a ter um filho por ano, de modo que a filharada, de três já passou para sete, sem contar o novo que já está na barriga.
 
Esse procedimento se generaliza. Um médico que atende num hospital público aqui do Rio, declarou na televisão que uma jovem senhora, depois de sucessivos partos, teve que amarrar as trompas. Com medo de morrer, aceitou a sugestão do médico, mas lamentou: "É pena, porque vou perder os R$ 150 do Bolsa Família". Pois é, ter filhos se tornou, no Brasil do Lula, um modo fácil de aumentar a renda familiar.
 
Em breve, o número de carentes duplicará e o dispêndio com o programa, também.
O Brasil precisa urgentemente de um estadista.
 
 
© Ferreira Gullar
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publicado por ardotempo às 13:56 | Comentar | Adicionar

O futebol dos escritores

Para ser bom escritor, é preciso ver Garrincha jogando, diz Lobo Antunes na Flip
 
O jornalista e escritor norte-americano Gay Talese, 76, e o escritor português António Lobo Antunes, 67, encerraram as mesas de literatura deste sábado na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que termina neste domingo. Ambos fizeram suas apresentações em formato de conversa, e não de debate.
 
O português Lobo Antunes, autor de 21 romances e que não visitava o Brasil havia 26 anos, falou com o público da Flip, que lotou a sala da Tenda dos Autores para vê-lo, como se estivesse batendo um papo com amigos.
 
Descontraído e bem humorado, Lobo Antunes contou histórias de sua família e fez a plateia rir inúmeras vezes. Uma delas foi quando disse ter problemas com equipamentos como microfones, referindo-se ao formato fálico. Ele contou que quando era jovem e já escrevia alguma coisa, seu avô -- que era muito rígido e conservador -- o chamou para uma conversa e disse: "Soube que você escreve versos. Você é viado?", e olhou para o microfone dizendo que imaginava o que o avô diria se visse aquela cena [ele com a boca próxima do microfone].
 
Em seu relato familiar, falou do pai, que, em sua opinião, era um homem que não queria ter filhos,mas sim lutadores de caratê. Disse que era um homem muito rígido e que ele e os irmãos tinham de ser bons em tudo, nas notas, nos esportes, nas brigas. Mas que apesar disso ele acabou virando escritor.
 
Sobre a arte de escrever, Lobo Antunes disse que, com o tempo, foi ficando cada vez mais exigente, e "limpando" e relendo e editando cada vez mais seus próprios textos. Disse ainda que se uma pessoa quer ser um bom escritor, que deveria ver Garrincha jogando bola. "Porque ele não faz aquilo com o corpo, ele faz com a alma." Esse prazer pela escrita foi o tema da conversa de Lobo Antunes. O português falou que quando um autor escreve, é como se um "anjo ditasse o livro". "A mão do escritor tem de ter alegria para escrever", disse, e citou para ilustrar sua fala o trecho "Emissário de um rei desconhecido, eu cumpro informes instruções de além...", do poema "Emissário de Um Rei Desconhecido", de Fernando Pessoa --de quem disse não ser admirador.
 
Quando questionado a respeito do anúncio sobre parar de escrever, o português disse que era um "capricho de cocota" e que ler é infinitamente mais prazeroso que escrever.
 
 
 
Anaísa Catucci / Teresa Chaves - Publicado na Folha de São Paulo / UOL
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publicado por ardotempo às 13:48 | Comentar | Adicionar
Sábado, 04.07.09

No espelho, a realidade incorpórea

Da literatura sem qualidades
 
João Ventura
 
 
A literatura como "uma tentativa de tornar real a vida", escreveu Pessoa. Ignorava o poeta que algumas décadas mais tarde Enrique Vila-Matas haveria de fazer da possibilidade de introduzir o real na ficção uma marca do seu estilo pessoal através da qual a aparência de verdade levada até ao extremo converte aquilo que no início é apenas verosímil numa nova forma de realidade que não necessita de nenhuma outra explicação a não ser a da evidência da ficção; e de uma ficção que questiona o nosso limitado conceito de verosimilhança e nos transforma em exploradores mentais de mapas obscuros em cuja cartografia abismal nos adentramos para nos aproximarmos mais da verdade.
 
Trata-se, então, de um conceito de verosimilhança que remete não tanto para aquilo que verdadeiramente entendemos por realidade, isto é, aquilo que acontece, mas mais para aquilo que poderia ter acontecido, que poderá acontecer, introduzindo, assim, na ficção "um sentido de possibilidade" musiliano que transforma as personagens "correntes e vulgares", como, por exemplo, as que atravessam a cartografia vilamatiana de Exploradores de abismos, em expedicionários de mundos paralelos, protagonistas de vivências nunca experimentadas que sobrepõem ao tédio quotidiano com a insolência de quem possui a fórmula mágica que o há-de esconjurar.
 
Lembram estes exploradores vilamatianos, "esses homens [musilianos] do possível [que] vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de névoa, fantasia, sonhos e conjuntivos" que constituem simulacros de sentido num mundo que Musil sabe sem sentido, mas que insiste em narrar em O homem sem qualidades (Dom Quixote) apesar de "tudo ter deixado de ser narrável e não seguir já nenhum fio" (p. 827). Por isso, terá inventado "um novo modo de narrar que se constitui em permanente ensaio da vida" e que "abriu, sem fechar, o mais amplo horizonte que se oferece ao romance moderno", respondendo (tal como Hermann Broch) àquilo a que Kundera classificou como o apelo do pensamento, "não para transformar o romance em filosofia, mas para mobilizar, com base narrativa, todos os meios, racionais e irracionais, narrativos e meditativos, susceptíveis de esclarecer o ser do homem; de fazer do romance a suprema síntese intelectual".
 
Um convite, então, não para um passeio romanesco ao passado, mas para uma longa expedição através dos mapas obscuros do "apocalipse alegre" (expressão que sintetiza, segundo Broch, a forma como os austríacos viveram nihilismo de fin de siècle), cujos abismos cacanianos me disponho agora a explorar num programa de leitura para afrontar o vazio deste "mundo de qualidades sem homem" em que vou vivendo sem nele me despenhar. Isto é, escolhendo a qualidade de leitor sem qualidades, logo, aberto a toda contingência, a toda a possibilidade de leitura que pode surgir numa qualquer dobra das duas mil páginas da monumental edição da Dom Quixote, numa autorizada tradução de João Barrento.
 
João Ventura - publicado no blog O leitor sem qualidades
Fotografia de Mário Castello - A escultura (MON Museu Oscar Niemeyer / Curitiba PR Brasil), 2009
publicado por ardotempo às 12:49 | Comentar | Adicionar

(Falso) Brilhante

Michael Jackson, leitor (?)
 
E se a estrela pop esquisitinha, que mudou a cor da pele e o nariz, que usava máscaras contra os germes e se fechava numa mansão tipo Disneylandia, também fosse – esquisitice das esquisitices – um devorador de livros? Pelos vistos, além dos fãs, há vários livreiros de Los Angeles que lamentam o desaparecimento de um bom cliente, que adorava a secção de poesia e era capaz de discutir as obras de Freud e Jung. Surpresa das surpresas, além da parafernália kitsch, o rancho Neverland também tinha uma biblioteca, e não das pequenas (segundo o LA Weekly, «Jackson’s collection totaled 10,000 books»).
 
Publicado no blog Bibliotecário de Babel
publicado por ardotempo às 12:30 | Comentar | Adicionar

Mário Castello - Preto e branco

Fotografia

 

 

 

 

 

Mário Castello - Fotografias - Série Luz  (São Paulo SP Brasil), 2009 

publicado por ardotempo às 12:21 | Comentar | Adicionar
Sexta-feira, 03.07.09

Aranhas

 

E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundos dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

 

Faço arte.

 

Arte?

 

E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera a memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos – chamados de obras de arte – tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem em que bichos. Aranhas, ao que parece.

 

 

© Mia Couto - A infinita fiadeira - Do livro de contos O fio das missangas, Companhia das Letras, 2009

publicado por ardotempo às 11:45 | Comentar | Adicionar
Quinta-feira, 02.07.09

Formigas

 Aquarela

 

 

 

 

 

 

 

Isolde Bosak - Formigas - Aquarela (Porto Alegre RS Brasil), 2009

publicado por ardotempo às 03:20 | Comentar | Adicionar

Sombra

Fotografia

 

 

 

 

Gilberto Perin - Sombra - Fotografia (Santiago do Chile / Chile), 2008 

publicado por ardotempo às 03:15 | Comentar | Adicionar

Palavras de Saramago

Palavras
 
“Não pode haver conferência de imprensa sem palavras, em geral muitas, algumas vezes demasiadas. Pilar insiste em recomendar-me que dê respostas breves, fórmulas sintéticas capazes de concentrar longos discursos que ali estariam fora de lugar. Tem razão, mas a minha natureza é outra. Penso que cada palavra necessita sempre pelo menos outra que a ajude a explicar-se. A coisa chegou a um ponto tal que, de há tempos a esta parte, passei a antecipar-me às perguntas que supostamente me farão, procedimento facilitado pelo conhecimento prévio que venho acumulando sobre o tipo de assuntos que aos jornalistas mais costumam interessar. O divertido do caso está na liberdade que assumo ao iniciar uma exposição dessas. Sem ter de preocupar-me com os enquadramentos temáticos que cada pergunta específica necessariamente estabeleceria, embora não fosse essa a sua intenção declarada, lanço a primeira palavra, e a segunda, e a terceira, como pássaros a que foi aberta a porta da gaiola, sem saber muito bem, ou não o sabendo de todo, aonde eles me levarão.
 
Falar torna-se então numa aventura, comunicar converte-se na busca metódica de um caminho que leve a quem estiver escutando, tendo sempre presente que nenhuma comunicação é definitiva e instantânea, que muitas vezes é preciso voltar atrás para aclarar o que só sumariamente foi enunciado. Mas o mais interessante em tudo isto é descobrir que o discurso, em lugar de se limitar a iluminar e dar visibilidade ao que eu próprio julgava saber acerca do meu trabalho, acaba invariavelmente por revelar o oculto, o apenas intuído ou pressentido, e que de repente se torna numa evidência insofismável em que sou o primeiro a surpreender-me, como alguém que estava no escuro e acabou de abrir os olhos para uma súbita luz. Enfim, vou aprendendo com as palavras que digo. Eis uma boa conclusão, talvez a melhor, para este discurso. Finalmente breve.”
 
José Saramago
 
(in O Caderno, de José Saramago, Caminho, 2009)
 
Publicado no blog Bibliotecário de Babel
publicado por ardotempo às 02:50 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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