Sexta-feira, 04.07.08

Contornando o assunto

Desconversa

 

Crônica - Luis Fernando Verissimo

 

 

Duas pessoas que não se conhecem, obrigadas a passar algum tempo juntas (motorista de táxi e passageiro, viajantes sentados lado a lado em avião, ônibus ou trem, dois numa fila), sobre o que conversam? Em 77% dos casos, sobre o tempo.

 

‹– Quente, né?

 

‹– Acho que vai chover.

 

‹– É, tá com cara...

 

O tempo é um assunto seguro. De todas as coisas que as duas pessoas têm presumivelmente em comum (falam a mesma língua, estão ali com um destino ou um objetivo igual ou parecidos, são contemporâneas e são seres humanos) o fato de experimentarem as mesmas condições climáticas é a mais indiscutível de todas.

 

‹– Ontem deu uma refrescadinha.

 

‹– É verdade. Pelo fim da tarde.

 

‹– Isso.

 

Nenhum desacordo é possível, quando se começa conferindo o sentimento de cada um a respeito da temperatura vigente, sua memória do tempo que fez e seu palpite sobre o tempo que fará. Falar sobre futebol é arriscado. As probabilidades de torcerem pelo mesmo time não são boas. E se torcerem por times diferentes, por mais que tentem minimizar essa diferença, ela estará sempre lá, como lava incandescente sob a conversa, ameaçando irromper por

uma brecha. Política, nem pensar. E não caberia comentarem apenas suas afinidades básicas como espécie. Respirar fundo e dizer:

 

‹– Coisa boa, oxigênio, né?

 

‹– Nem me fala. Felizmente, ele compõe boa parte da vida terrestre.

 

Se não fosse isso...

 

‹– Não quero nem pensar.

 

Ou:

 

‹– Não pude deixar de observar que a senhora é uma bípede mamífera de sangue quente, como eu.

 

‹– Que coincidência!

 

Melhor falar sobre o tempo. É o assunto mais à mão, e o único com cem por cento de garantia de interessar a todos e fazer parte de uma experiência universal.

 

Se chover, talvez refresque de novo.

 

‹– Geralmente é assim.

 

A partir daí, a conversa pode derivar para outros tópicos de interesse geral, como a atividade de cada um, ou de universalidade garantida, como comida e novela das oito.

 

Existe outro assunto comum a toda a espécie, talvez o assunto prioritário da espécie, que só não inaugura todas as conversas porque também é o seu principal terror. A morte. Falamos do tempo para não falarmos da nossa outra afinidade óbvia, além da experiência do mesmo clima: a mortalidade. Imagine como seria.

 

Você sabe que nós vamos morrer, não sabe?

 

Sei. Todos sabem. É inescapável.

 

‹– O jeito é viver como se não soubéssemos. Você concorda?

 

‹– Sim. Seria impossível levar uma vida normal se não conseguíssemos conviver com nossa mortalidade, e acomodá-la, como uma hérnia inoperável.

 

Temos é que negociar com a morte o tempo todo, como se negocia um armistício. Reconhecendo a sua vitória e o seu domínio, mas exigindo tratamento digno, como é o direito de todo prisioneiro.

 

Mas não se pode racionalizar com a morte. A morte está além de qualquer racionalização. Ela não tem nenhum acordo para oferecer, nenhuma saída, nenhum meio-termo. Não tem nem uma explicação para nos dar. A única maneira de tratar a morte é nos seus próprios termos: ignorá-la, e tentar viver como se ela não existisse. Ou matá-la. O que você pensa do suicídio?

 

Sei não. É o nosso corpo que nos mata. Matá-lo primeiro, francamente, me parece uma forma de colaboracionismo).‹ Mas negociar com a morte significa reduzir toda a nossa vida a um pedido de clemência, a uma lamúria interminável. Não é só a vida que fica inviável, é a conversa. Pois, tudo que não é com ou sobre a morte, é desconversa.

 

Por sinal, você acompanha a novela?

 

Mas há quem diga que toda conversa, no fundo, é sobre sexo, outro assunto universal da espécie. O tempo é apenas um disfarce. Ou um código.

 

Quente, né? (Topas?) 

 

 

Luis Fernando Verissimo 

publicado por ardotempo às 20:11 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Quinta-feira, 03.07.08

Memorial de Nova York

Arquitetura

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Memorial de 11 de setembro - Projeto de Santiago Calatrava, em construção em Nova York no local que era ocupado anteriormente pelas Torres Gêmeas (World Trade Center), WTC 2008 

publicado por ardotempo às 22:28 | Comentar | Adicionar

Personagem e pássaro

 Joan Miró

 

 

Personagem e pássaro -  Joan Miró - Objeto escultórico em bronze, 1974

publicado por ardotempo às 22:12 | Comentar | Adicionar

"Sinto-me como regressasse da pré-história..."

Liberdade

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escute o depoimento de Ingrid Betancourt sobre sua libertação. Aqui 

publicado por ardotempo às 14:40 | Comentar | Adicionar

F.U.T.E.B.O.L.

 Uma final eletrizante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Final de Futebol - Monty Python. Assista o video

publicado por ardotempo às 02:55 | Comentar | Ler Comentários (2) | Adicionar
Quarta-feira, 02.07.08

O beijo

 Fotografia

 

 

O Beijo - Fotografia de Olivero Toscani, 1992

publicado por ardotempo às 14:11 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar

Luzes de Peter Greenaway

 

 

 

Nesta semana, numa apresentação única para 500 convidados, Peter Greenaway realizou uma intervenção com luz e efeitos de imagens sobre o afresco original restaurado de Leonardo da Vinci – "A Última Ceia" – no refeitório do Convento Dominicano de Santa Maria de Grazie, em Milão.

 

Algo extremamente elitista, direcionado a um público de convidados, bastante seleto e restrito, com a presença de especialistas em arte, prêmios Nobel, autoridades políticas e eclesiásticas.

 

Foi necessário fazê-lo sobre a obra original para garantir a credibilidade do evento e os altos valores investidos no projeto. Para simbolicamente atribuir-lhe a "autenticidade" da intervenção sobre a obra-prima concreta. A seqüência do projeto prevê, a partir do dia seguinte e pelos próximos meses, a repetição das intervenções luminosas sobre uma reprodução fotográfica da pintura num painel ampliado recente, num auditório em sala ao lado, aberto ao grande público (que pagará o alto valor do ingresso).

 

O "fake" sobre o "fake". E dessa forma a instalação de luz e imagem poderá viajar a vários outros locais nos próximos meses, mantendo o seu interesse, a mídia e o valor dos ingressos, após esse batismo sagrado de autenticidade original.

 

Peter Greenaway, exultante com o resultado alcançado e sugerindo que, atualmente, Leonardo da Vinci seria um cineasta como ele, declarou: "Leonardo era um homem voltado às tecnologias, tenho a certeza que hoje em dia não pintaria mais e sim estaria pesquisando com a tecnologia mais elaborada", ao auditório colocado em frente ao grande afresco do mestre renascentista.

 

Continuou o cineasta o seu discurso, profetizando: "Chegamos ao fim da época da supremacia do texto, estamos entrando na era da imagem".

publicado por ardotempo às 13:55 | Comentar | Adicionar

ArtenaRua-11

 Sono

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sesta do workaholic - Intervenção urbana com pinturas e objetos recortados, fixados na parede, em Melbourne, Austrália, 2005

Autor: Psalm 

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publicado por ardotempo às 02:45 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 01.07.08

Cuba - o bloqueio interno contra o blog continua

Yoani Sánchez continua bloqueada 

 

Obstáculos - por Yoani Sánchez

 

"O que começou como um impulso individual, está se tornando uma praça de de encontro para a discussão e para o debate.


Generación Y conseguiu engajar um grande número de pessoas em todas as partes do mundo que me auxiliam com a atualização, com as traduções e na difusão dos textos. A colaboração principal tem sido a de colocar os posts, uma vez que desde a última semana de março não consegui mais acessar ao blog nos cybercafés públicos (em Cuba) nem nos hotéis.


De maneira que envio os meus textos por e-mail, alguns amigos os publicam e me enviam - também por correio eletrônico - os comentários que os leitores remetem. Sou uma blogueira às cegas, uma cybernauta com uma balsa que faz água por todos os lados e que consegue flutuar graças ao apoio de uma espontânea rede cidadã.


Todo o portal  http://www.desdecuba.com  continua bloqueado nos servidores dos locais públicos (em Cuba). Estou fazendo cópias das mensagens de erro que se apresentam nos navegadores de internet quando tento acessar o portal e lhes deixarei uma mostra. Sei também que o apagão não é total. Amigos que têm internet em seus centros de trabalho conseguem entrar no blog, mas isso pouco me serve, pois nesses locais sou eu que não posso entrar.


Não obstante, mantenho os mesmos desejos de escrever neste espaço, exatamente do mesmo modo de quando comecei a fazê-lo. Agora com ainda mais teimosia, pois não há nada que me pareça mais atraente do que aquilo que me impedem de realizar. Para vencer as dificuldades de conexão e conseguir chegar a outros leitores dentro de Cuba, outros amigos estão gravando CDs com o conteúdo atualizado do Blog e os distribuem gratuitamente. Quero agradecer a todos o apoio, os remos e o vento, que me permitem manter o rumo."

 

Yoani Sánchez -  Generación Y 

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publicado por ardotempo às 23:07 | Comentar | Ler Comentários (2) | Adicionar

Pintura - Arnulf Rainer

 Pintura em grande formato 

 

 

Arnulf Rainer - Blaubaum - Pintura / óleo sobre tela, em formato triangular, irregular / simétrico, 1990 

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publicado por ardotempo às 02:50 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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