Quarta-feira, 27.02.08

À memória de um amigo brilhante




Decio Bar
foi um criativo brilhante, poeta, escritor e jornalista. Confrontou a ditadura militar e a aspereza do pragmatismo que ela gerou, com a sua arte, seus textos, seu comportamento, sua ironia e sua sensibilidade. Foi, prematuramente, também uma de suas vítimas. Seus poemas estão sendo lançados agora, postumamente, por iniciativa de sua filha, Joy Bar, reunidos no livro Escritos.

Livro: ESCRITOS
Poesia / 120 páginas
Autor: Decio Bar
Editora: Scortecci Editora São Paulo SP Brasil
Ano: 2008
ISBN: 978-85-366-1088-7

Grandes nomes são homenageados perpetuamente em locais públicos. Decio Bar merecia ter seu nome sempre lembrado numa rua ensolarada em frente ao mar tropical ou numa avenida margeada de plátanos monumentais, nunca num viaduto que é mera passagem, jamais num túnel que é apenas um buraco úmido.
publicado por ardotempo às 22:17 | Comentar | Adicionar

Cartas



“Apanhar a carta e penetrar na mensagem enviada por uma pessoa muito amada é sublime. Os mais velhos se lembram da música que Isaura Garcia, a única paulista coroada Rainha do Rádio brasileiro, imortalizou:

“Quando o carteiro chegou,
o meu nome gritou com uma carta na mão.
Ante surpresa tão rude,
não sei como pude chegar ao portão”.

Cartas. Podem também ser desenhadas, pintadas, como estas aqui. E a sua missão, agora que entrou na exposição do Aquino é conseguir ler o que ele escreveu em cada desenho, em cada pintura. Escreveu para você, para mim? Para quem? E como sabia que você viria, eu viria?”

Ignácio de Loyola Brandão – Cartas, São Paulo 2004/2006

Carta – Pintura de Alfredo Aquino / Óleo sobre tela, 2004
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publicado por ardotempo às 12:39 | Comentar | Adicionar

Função ELVIS



Livro: FONCTION ELVIS
Romance de literatura contemporânea francesa
Autora: Laure Limongi
Editora: LL Laureli / Leo Scheer – Paris, França
Ano: 2007
ISBN: 2-756100-35-8

Pode-se rever dez vezes por dia o mesmo episódio da mesma série, zapeando nos canais internacionais. Os tempos se sobrepõem. Os rostos. Os pêndulos paralisam-se. Em Las Vegas cruza-se com Elvis Presley todos os dias. A América é o mundo de todas as possibilidades. É preciso ver o seu sonho, cálido e açucarado, de tempos em tempos. Verificar se ele acontece. Elvis Presley morreu em 16 de agosto de 1977, na sua residência de Graceland, em Memphis, Tennesse. Elvis morreu e ele vive. Não aconteceu um desfecho. Cruza-se com ele todos os dias, várias vezes ao dia, em Las Vegas. Em roupa branca completa com franjas, em couro negro, em jaqueta bordada, com capa de super-herói, berloques, pedrarias, cinturões largos… a pé, escoltado por guarda-costas, atrás de vidros fumés ou em Cadillacs imponentes. Há centenas de Elvis. Elvis com 20 anos, Elvis com 30 anos, Elvis com 40 anos. Existem Elvis negros, Elvis anões, Elvis mulheres, Elvis platinados, noruegueses. Eles povoam as ruas de Las Vegas, que é o mundo. E o mundo é Graceland.

página 77  (Fonction Elvis – © Laure Limongi – Éditions Laureli / Leo Scheer)
publicado por ardotempo às 00:05 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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