O ócio de nada para ver

Bienal do Vazio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Talvez até exista alguma obra de arte por lá. Não sei. Mas está mais contundente o imenso vazio a tomar conta de tudo. É a ausência abusiva. Filosoficamente é até motivo válido para reflexão, para os discursos e tomadas de posição. Mas é péssimo para os artistas e para a Arte contemporânea, uma capitulação dessa magnitude, a ausência absurda de obras num espaço tão valioso e tão visível, num conjunto significativo como a Bienal de São Paulo. Uma tristeza. Ali resta o ócio da preguiça de não existir nada para se ver. É um insulto silencioso às centenas de verdadeiros artistas que continuam fazendo seu árduo trabalho diário, intelectualmente honesto e de manufatura consistente, pintores, escultores, gravadores, fotógrafos, cineastas, video-makers, que carecem de espaços expositivos concretos para chegar a um público, que se torna mais refratário e cético frente às possibilidades de interação com a Arte.

 

Arte não é diversão nem entretenimento. Não é negócio nem decoração.

tags:
publicado por ardotempo às 20:43 | Comentar | Adicionar