Um artista no Padul, Espanha – Desenhos Inéditos

GERI GARCIA

Um artista hispano-brasileiro de primeira grandeza, realizou durante um ano inteiro. entre 1953 e 1954 – o período em que permaneceu no Padul, então um pequeno vilarejo de camponeses nas cercanias de Granada, na Espanha - uma série extraordinária de desenhos e pinturas, que permanece ainda inédita.

                                                                  






















Geri Garcia, com seus blocos de papéis e de esboços, recém-chegado da École de Beaux-Arts de Paris, permaneceu por ali, na aldeia que também era a idêntica paisagem e a temática de um outro parente seu, antigo morador daquele mesmo lugar, andaluz, um outro Garcia, um Frederico, Lorca. Ficou ali, desenhando a sua Sierra Nevada, as cabras e as pessoas. Desenhando a memória e os vestígios de algo terrível que acontecera alguns anos antes. Com seu traço severo e preciso de artista espanhol, o de melhor chama e síntese goyesca, Geri palmilhou a aldeia e desenhou tudo o que testemunhou.

                                                             
Viu por ali as mulheres sofridas que trabalhavam arduamente, as crianças zombeteiras e alguns poucos homems que quebravam pedras na montanha e cuidavam dos rebanhos. Figuras remanescentes e tristes, que contavam as histórias aterradoras dos estampidos e gritos nas madrugadas geladas, dos fuzilamentos sumários, dos homens que emigraram para longe na luta pela própria sobrevivência, na fuga do facismo, da política negra de perseguição da ditadura franquista, na tentativa de superar a própria pobreza em terras de outros continentes.

Desenhou e pintou o que ouviu. Documentou uma melancolia espectral de dores presentes, feridas ainda não cicatrizadas na época, um conjunto de obras em desenho (e pintura), impressionante e comovedor.






















Desenhos de Geri Garcia, 1953/ 1954
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publicado por ardotempo às 18:42 | Adicionar