O vendedor de pipocas

Deu no New York Times

 

Sabe quem aparece nesta semana em sexto lugar na lista do The New York Times dos livros mais vendidos nos EUA? O Alquimista, de Paulo Coelho, lançado há exatamente vinte anos aqui no Brasil. O livro está há mais de um ano consecutivo no levantamento feito em milhares (sic) de livrarias do país, segundo o jornal. A Bruxa de Portobello, o último romance de Coelho lançado no exterior, também está na lista do NYT, mas em 34º lugar. Nos EUA, O Alquimista já vendeu 6,5 milhões de exemplares. No mundo, 35 milhões, ou cerca de 35% de tudo o que Paulo Coelho já publicou na vida.

É estranho e algo decepcionante constatar isso mas também parece natural e coerente com nossos tempos de consumo irrefreado, superficialidades, inconsciência, fuga da realidade e necessidades crescentes de auto-ajuda.

Não lemos, na realidade, esses livros de Paulo Coelho mas sabemos que vendem aos milhares dentro do conceito de best-seller pipoca. Sobre que tipo de pessoa os compra não se sabe bem ao certo. Melhor para ele, o autor e bom para suas editoras no mundo todo, mas esses textos que se apresentam tão frágeis, nem devem ser chamados de literatura, conceito que confere o mesmo espaço para os livros de Machado de Assis, de Jorge Luis Borges, de Fernando Pessoa, de Miguel Torga, de Ignácio de Loyola Brandão, de Rubem Fonseca, de José Saramago , Mia Couto, Aldyr Garcia Schlee e António Lobo Antunes. 

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publicado por ardotempo às 18:46 | Comentar | Adicionar