O exemplo está em Portugal

O exemplo estratégico e a ação efetiva que está acontecendo em Portugal, representam um passo necessário e fundamental para se pensar um Brasil mais justo e equânime no futuro. Por enquanto aqui impera uma desigualdade imensa e crescente, turbinada pelo poder econômico, cujo resultado inevitável é a frustração, a impotência, a falta de perspectivas reais e no final de tudo, a violência.

 

Magalhães

 

Cerca de três mil computadores portáteis Magalhães, máquinas que são produzidas em Portugal, vão ser esta terça-feira (23 de setembro) distribuídos a alunos do primeiro ciclo de dezesseis escolas de norte a sul do país.

 

Até ao final do ano, o governo pretende entregar meio milhão destes computadores. O projecto é ambicioso e o objectivo é atingir os níveis dos países mais desenvolvidos da União Europeia.

“Em 2005 tínhamos um indicador de 16 alunos por computador. Este ano atingimos cinco alunos por computador, queremos em 2010 estar em dois alunos por computador, com um dos indicadores melhores ao nível da União Europeia e de qualquer país mais evoluído. É um projecto ambicioso”, adianta.

Com esta iniciativa, só os alunos dos quinto e sexto anos não dispõem ainda de condições especiais para adquirir um computador em Portugal, mas esse passo vai acontecer em breve.

Este programa lançado pelo Governo será totalmente financiado pela iniciativa privada, assegura a ministra da Educação, em declarações à agência Lusa.

“Este programa não é suportado por dinheiros públicos, mas pelos operadores de telecomunicações, através de um fundo que está previsto desde que foram autorizadas as licenças para os telemóveis de terceira geração”.

De acordo com a ministra, os impressos que os encarregados de educação de alunos do primeiro ciclo devem preencher para ter direito a um computador estarão disponíveis nas escolas ainda esta semana.

No total, serão entregues este ano lectivo 500 mil exemplares do Magalhães, que terão um custo máximo de 50 euros, sendo gratuitos para os alunos que beneficiam do primeiro escalão da Acção Social Escolar.

 

 

 

De Eduardo Pitta:

 

Vinda de onde vem — políticos com sensibilidade às novas tecnologias, jornalistas, bloggers da direita, etc.; e nem todos são tontos — a campanha contra o computador Magalhães roça o irracional.

 

O governo faz propaganda? É evidente que sim. Que outro governo não faria? A introdução do Magalhães na rede de ensino é uma medida de indiscutível alcance? É evidente que sim.

 

O busílis está em que Sócrates se lembrou, e eles não. Tão simples como isto. Saber se o computador é 100% português (e já agora gostava que me indicassem um computador 100% americano, japonês, inglês, coreano, alemão, indiano ou chinês) ou resultado de parcerias, não lhe retira eficácia. O tour dos ministros era dispensável? Eu acho que sim, mas eu não faço política. O PSD teria feito exactamente o mesmo se, sendo governo, os seus ideólogos tivessem força (não teriam) para impor a distribuição de computadores nos termos actuais.

 

O clamor da oposição é directamente proporcional à mudança de paradigma. Portugal não se resume aos meninos da alta classe média cujos papás podem pagar tecnologia de ponta. Porque os da média-média têm sérias dificuldades. E os outros simplesmente não podem (nunca puderam).

 

O que é espantoso é que a democratização da informática, hoje, provoque sobressalto idêntico ao que teria provocado, há cem anos, uma campanha de alfabetização em massa. O resto é cantiga.

 

Publicado no blog Da Literatura

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publicado por ardotempo às 15:40 | Comentar | Adicionar