O DNA do Design



Existe entre os jovens aspirantes a designers, em certo momento, uma convicção pela solução da “terra arrasada” como o cenário sublime para a criação pura. Bastaria esquecer tudo o que foi feito para se redesenhar um universo de objetos singulares, descolados da história e da tradição, para se alcançar o pódio da originalidade. Ou fazer uma colagem de várias coisas ou de materiais reciclados de uma finalidade anterior e direcionados agora a uma função diversa, sob o sagrado manto da “apropriação”, para então se conquistar o Graal da criatividade superior…



Ora, as tentações mostram-se verdadeiramente sedutoras mas quase sempre os resultados dessa cegueira histórica costumam ser derrisórios e até mesmo pífios.  Costuma-se fazer pior e com esforço vão o que outros já tinham feito, até bastante bem, antes.



Não é preciso tal postura radical e “purificadora”. Não é necessária a perda da memória para se alcançar a condição da originalidade.


 
Tina, Lui
e Philipe Starck, por exemplo, descobriram há tempos que existe uma fonte torrencial de criatividade a pesquisar e a desenvolver a partir do pensamento de criativos desenhistas anônimos do passado, para se injetar doses maciças de inventividade em produções contemporâneas de altíssimo nível e reconhecido bom-gosto.



É nesta espécie de DNA do conhecimento depositado anteriormente pelo senso comum, pelo pragmatismo, pelo bom-humor e pela alegria de viver, que se pode encontrar uma infinidade de possibilidades estimulantes. Caminhos novos e luxuosos para a invenção, que podem ser percebidos agora pelos designers contemporâneos, na observação atenta àquelas descobertas anteriormente concebidas, na série de acertos (e alguns erros) daquelas experimentações concretas, funcionais e exaustivamente testadas, que revelam em sua existência longeva, a operacionalidade e até as cicatrizes deixadas pela intensidade das ações realizadas.



Uma exposição desses objetos do passado, apócrifos, lado a lado a objetos do presente, assinados, ajuda na elaboração dessa forma de pensamento esclarecedor.

O DESENHO ANÔNIMO - Coleção Azevedo Moura, conjunto de objetos de uma extensa mostra do design do passado, de autoria desconhecida, uma coleção selecionada de objetos do século 19 e início do século 20, procedentes da confecção manufaturada por variadas imigrações ao Brasil, permitem uma extraordinária reflexão didática sob essa perspectiva da confrontação do passado x futuro, com a qual se pode aprender a exercitar a reflexão criativa por reais alternativas para um Design Contemporâneo autônomo, surpreendente e de frescor revitalizado.

© Desenho Anônimo – Coleção Azevedo Moura, 2008
tags: ,
publicado por ardotempo às 00:07 | Adicionar