Poeta Maria – 2

O herói desvalido

Maria Carpi

Não se puxam cordéis ao texto
desvalido. É inviável tecer
as cores sobre o bordado d’água.
Toda a escrita foi-lhe um cântaro

uterino que a morte romperia.
O livro desvalido é um fruto
além da maturação, incomestível.
Talvez ainda guarde a película,

a tez do herói. E os olhos minerais
sejam expostos à penumbra,
dessacralizados, mas os sucos

derramaram-se pondo nódoas
na toalha da cortesia. Deixar de laçar
um só ponto, desfiou-lhe a figura.






O herói desvalido © Maria Carpi, Editora Bertrand Brasil, 2006

Fotografia de Mario Castello
publicado por ardotempo às 22:03 | Comentar | Adicionar