Domingo, 15.08.10

Decisão a reconsiderar

A exclusão dos excluídos


Gilberto Yoshinaga


O alarido teve início na quinta-feira passada, quando uma entrevista do jornal O Estado de São Paulo com o presidente da Fundação Padre Anchieta, o economista João Sayad, tornou pública sua decisão de extinguir da grade da TV Cultura o programa “Manos e Minas”, único da TV aberta brasileira dedicado à cultura hip-hop. Deflagrada a bomba, a reação dos admiradores do programa foi imediata. Durante toda a tarde, no Twitter, a expressão “#salveomanoseminas” figurou no trending topics brasileiro.


O repúdio ao fim do programa televisivo semanal, que neste sábado vai ao ar pela última vez após pouco mais de dois anos no ar, se espalhou com velocidade para além do microblog. Mais do que uma massa de internautas indignados, a mobilização ganhou a adesão de diversos artistas, simpatizantes da cultura de rua e jornalistas, como Pedro Alexandre Sanches (colaborador da CartaCapital) e Gilberto Dimenstein. Numa iniciativa inédita, os principais sites voltados para o hip-hop, como Central Hip-Hop, Per Raps, Coletivo e Noiz, se uniram para organizar uma reivindicação conjunta. Protestos verbais ecoaram e abaixo-assinados tomaram corpo em shows, eventos e saraus do gênero, realizados por todo o Brasil.


Cinco dias depois do fim do “Manos e Minas” ser anunciado, na terça-feira o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) usou a tribuna do Senado para manifestar seu apoio à continuidade do programa. Num discurso em que comparou a importância da poesia de Mano Brown, dos Racionais MCs, à de Patativa do Assaré, “para compreendermos hoje as aspirações dos jovens das periferias das grandes cidades”, Suplicy fez um apelo para que Sayad repense sua decisão e mantenha o programa de hip-hop na grade da TV Cultura. “Parece-me que essa é uma decisão que merece ser reconsiderada”, emendou o senador, que também leu no Senado uma carta de protesto encaminhada por representantes do hip-hop brasileiro.


Um dia antes, Suplicy havia solicitado uma reunião com o presidente da Fundação Padre Anchieta para debater a situação da emissora, que também anunciou a retirada, de sua programação, dos programas “Login” e “Vitrine” (este, sob a alegação de que haverá uma “reformulação”). Também há rumores de uma possível demissão em massa. Fala-se em um corte de até 80% dos cerca de 1,8 mil funcionários, o que, até o momento, é negado por Sayad – que já afirmou ter a intenção de enxugar a folha de pagamento, argumentando que é preciso reduzir os gastos da emissora. O pedido da reunião, feito por Suplicy, foi respondido com um e-mail seco e curto, em que Sayad diz nada ter contra o hip-hop mas não responde se receberá o senador.
A discussão, no entanto, já preocupa o Ministério da Cultura, principalmente pela maneira como a decisão unilateral chegou a público, sem qualquer diálogo com as partes envolvidas. Funcionários ligados ao programa souberam de seu fim através da imprensa.


A decisão repentina de retirá-lo do ar sugere que não houve planejamento, já que o convite para alguns artistas que tinham apresentações agendadas no programa teve de ser desfeito, constrangendo a equipe de produção e frustrando músicos. Na próxima semana, representantes do hip-hop deverão se reunir com o secretário-executivo Alfredo Manevy, o secretário do audiovisual Newton Guimarães Cannito e o secretário da identidade e da diversidade cultural Américo José Córdula Teixeira, a fim de analisar o caso e buscar uma alternativa para que o hip-hop continue com um programa em TV aberta.
Sempre encarei o ‘Manos e Minas’ como um trabalho e uma missão: mostrar a periferia que o Datena não mostra”, lamenta o escritor e cineasta Alessandro Buzo, que desde a estreia do programa apresentou o quadro “Buzão Circular Periférico”, tendo feito reportagens que mostraram peculiaridades culturais de quase 50 bairros de periferia. “Não vou chorar e muito menos cuspir no prato em que comi. Só acho uma grande injustiça. Primeiro, porque o programa dá bastante repercussão e rende mais Ibope que muitos da casa. Segundo, porque era o único a retratar a periferia de forma inteligente na TV aberta ou fechada, o único programa que abria espaço para o hip-hop.


A TV Cultura informou que renovará sua grade de programação, razão pela qual esta e outras produções serão interrompidas. “Outros programas serão desenvolvidos para atender, com a qualidade desejada, ao variado público da emissora. Cumpre acrescentar que a equipe envolvida na citada produção deverá ser realocada para as novas produções”, assegura a emissora. Não foi explicado o critério utilizado para a escolha dos programas que deixam a grade.


Ironicamente, diz o site da Fundação Padre Anchieta: “Nossa produção estará sempre comprometida com a veracidade, trabalhando no sentido de universalizar o direito à informação e à comunicação (…), buscando novas linguagens e formatos, em favor da solidariedade, da democracia e da paz, para assim expressar a diversidade brasileira, socializando a produção do conhecimento e fortalecendo a causa da televisão pública”.

 



Gilberto Yoshinaga
Image: Torre, de Mario Castello

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Domingo, 25.04.10

Bola de cristal, em HD e 3D no seu computador

O que vai passar na TV amanhã?

                                                           

Roger Lerina

                                                          

Como será a televisão do futuro?

 

Previsão não é meu forte – não consigo antever sequer minhas próximas férias. Mas, mesmo que eu fosse um Nostradamus, palpites sobre o que está por vir em assuntos tecnológicos costumam ter um prazo de validade muito curto – e qualquer prognóstico que eu faça aqui pode caducar antes mesmo da publicação do livro OS TELEVISIONÁRIOS. No entanto, é possível especular a respeito da televisão de amanhã sem necessariamente posar de profeta.

 

Um dos caminhos, por exemplo, é imaginar como você gostaria que a TV fosse daqui a, digamos, 15 anos. Dando uma boa polida na sua bola de cristal, dá pra arriscar alguma antevisão – e com certa tranqüilidade, se você tiver o bom senso de se deixar guiar pelas tendências anunciadas hoje.

 

Então vamos lá: em 2025, boa parte dos 8 bilhões de habitantes do planeta vai estar conectada em bandas de alta velocidade. E, ao que tudo indica, o telefone celular será também o televisor, o computador e o aparelho de som das pessoas. Isso quer dizer que, se quiser, você poderá ver tevê a qualquer hora em praticamente qualquer lugar.

 

Mais: ninguém vai precisar esperar um determinado horário pra ver o programa desejado – toda a grade de atrações das emissoras poderá ser acessada a qualquer momento. Em casa também toda essa informação (TV, internet, som, vídeo) vai estar conectada no mesmo sistema – o que, além de trazer facilidades, provavelmente vai também amplificar um problema doméstico já clássico: cada membro da família deverá ter seu próprio aparelho, sob pena de alguém que fique de fora dessa “inclusão digital” achar-se no direito de armar uma revolução em casa contra os próprios irmãos ou pais na pela posse do controle do equipamento...

 

Acho que podemos dar como certo ainda, nos próximos anos, uma interatividade do telespectador mais participativa do que apenas escolher a programação a qualquer hora, ou ver seus próprios vídeos exibidos em atrações da TV como programas de auditório e noticiários. Com as rapidíssimas conexões via fibra ótica e satélite que não param de aumentar em número e velocidade – a Alemanha, por exemplo, já cobriu 98% do seu território com banda larga de ao menos 1 MB –, qualquer cidadão poderá entrar ao vivo em um canal de TV de onde estiver, mostrando imagens de casa, acidentes, eventos esportivos e artísticos, desastres, entrevistas e o que mais as emissoras tiverem interesse. Aliás, o próprio conceito de “emissora televisiva” deve mudar bastante: como ocorre hoje na internet com a coexistência de grandes portais com blogs, fotologs, páginas pessoais e redes sociais, os canais de TV como nós conhecemos, mantidos por empresas de comunicação, dividirão (ciber)espaço e audiência com canais cuja programação pode ser totalmente produzida por gente comum com suas câmeras e celulares – algo como o YouTube e assemelhados, mas com um perfil mais parecido com o dos canais comunitários. Ainda em termos tecnológicos, a televisão em 3D será outro atrativo a ser popularizado em breve.

 

Da mesma forma que a indústria do cinema anda investindo pesado na terceira dimensão a fim de recuperar seu público, a TV vai na mesma direção – a ambição parece ser levar para a sala dos lares a sensação de realidade quase tátil de filmes como “Avatar”, projetada por monitores cada vez mais finos e maiores, lembrando as telas de cinema.

 

O futuro da TV como eu imagino, portanto, será excitante: na parede de casa em telões imensos ou na palma da mão em telinha de pequenos celulares em qualquer lugar, exibindo superproduções hollywoodianas em 3D ou uma pegadinha registrada no casamento da cunhada, transmitida por fibra ótica ou satélite, a televisão continuará sempre nos fascinando com suas imagens virtuais tão reais.

                                                                                                                                

Roger Lerina – Especial sobre OS TELEVISIONÁRIOS (inédito) para o blog ARdoTEmpo

Imagem: Fotografia de Gilberto Perin, especial para ilustrar parte da capa de Os TeleVisionários, de Walmor Bergesch

 

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Sexta-feira, 26.03.10

"A televisão é o futuro"

O visionário da tevê 

 

Entrevista com Walmor Bergesch - por Tatiana Tavares (Zero Hora)

 

Zero Hora – No livro Os Televisionários, o senhor mesclou o passado com o futuro e ainda enriqueceu esse conteúdo com textos de escritores como Luis Fernando Verissimo e Luís Augusto Fischer, que introduzem os capítulos. Como surgiu essa ideia?


Walmor Bergesch – Queríamos iniciar cada capítulo com o ponto de vista do lado de fora, do telespectador. Assim, convidamos contistas e cronistas para escrever uma história ficcional ou não, que tivesse correlação com o que seria falado a seguir. E conseguimos reunir este belo time (Sergius Gonzaga, Luis Fernando Verissimo, Aldyr Garcia Schlee, Claudia Tajes, Fabrício Carpinejar, Luís Augusto Fischer, Monique Revillion, Ignácio de Loyola Brandão, Gilberto Perin e Charles Kiefer).


ZH – Em 1961, o videoteipe foi responsável por transformar o modo como se fazia televisão naquela época. É possível fazer uma comparação entre a revolução protagonizada pelo videoteipe e a que deve ser desencadeada pela TV de alta definição?


WB – A primeira grande revolução foi realmente o videoteipe. Depois, a grande novidade foi a cor, a maior de todas para mim até agora. Em seguida, foi o desenvolvimento das microondas, para se estabelecer redes terrestres de televisão. Inicialmente, entre Rio e São Paulo. Em 1969, as redes começaram a se consagrar com o Jornal Nacional. Foi uma coisa maravilhosa, era o carro-chefe da formação de uma rede. Estabeleceram-se as afiliações das emissoras de forma mais forte. O grande marco que surgiu depois foi a TV de alta definição. A primeira vez que eu vi essa tecnologia foi na exposição da NAB em 1983, em Las Vegas. Depois, a tecnologia digital viabilizou a TV de alta definição.


ZHE qual é a revolução que a TV digital desencadeia?

 
WB – A revolução que ela vai provocar não é aquilo que estamos vendo hoje – que é maravilhoso para quem assiste a um bom filme ou boa novela bem produzida em casa ou qualquer tipo de conteúdo bem produzido em todas as etapas –, mas a evolução da tecnologia da televisão, do vídeo. Por exemplo, 3D já é uma evolução graças à tecnologia digital, porque antes ela não era viável para a televisão.


ZHPodemos fazer alguma previsão do que o futuro da televisão irá nos oferecer?

 
WB – Não temos como imaginar o que acontecerá nos próximos 15 anos. Mas já existem estudos adiantados em holografia. Centros de desenvolvimento eletrônico já estão com essa tecnologia em alguns protótipos. Algumas coisas já foram feitas experimentalmente, mas não funcionam na prática. Imagine, então, os recursos que teremos ao reunir a TV digital, o 3D e a holografia.


ZH A holografia vai permitir que, quando assistirmos uma novela, possamos visualizar a atriz ao nosso lado. Correto?


WB – Exatamente. É algo extraordinário, e acho que poderemos ver isso nos próximos 10 anos. É uma revolução extraordinária que vem aí.

 

 

 

 

Fotografia do autor: Tânia Meinertz (Divulgação/ ARdoTEmpo)

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A próxima atração

Livro recorda os 50 anos de televisão no Rio Grande do Sul – OS TELEVISIONÁRIOS

 

Denis Gerson Simões


Em um evento digno de show internacional, com cerca de 1.000 convidados presentes, foi lançado, nesta quarta-feira, 24/05, o livro Os teleVisionários, trabalho do jornalista Walmor Bergesch, profissional que foi um dos visionários da televisão no sul do Brasil. A recepção aos convidados ocorreu no Teatro do Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre, contando com a presença de autoridades e muitos dos personagens que construíram a história do veículo de comunicação mais popular do Rio Grande do Sul.

 

A publicação, que conta com 400 páginas de textos e 300 fotografias, faz um apanhado do transcurso da TV no passar de cinco décadas no sul do país, pincelando, também, fatos nacionais que repercutiram em âmbito regional. Mesmo não se tratando de um trabalho acadêmico, o conteúdo tem a seriedade e comprometimento de quem esteve presente nos principais acontecimentos que deram forma a este veículo em terras sulinas.

 

O prefácio é de Alexandre Garcia e conta também com participações de Luiz Fernando Veríssimo, Fabrício Carpinejar, Luís Augusto Fischer, Aldyr Garcia Schlee, Ignácio de Loyola Brandão, Claudia Tajes, Sergius Gonzaga, Gilberto Perin, entre outras personalidades.

 


Homenageando os primeiros visionários dessa epopéia, o autor, em solenidade, doou ao Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa uma placa comemorativa ao cinqüentenário da televisão no estado, tendo citados nela todos os profissionais que trabalharam na TV Piratini quando do lançamento do veículo, em 1959. Segundo Bergesch, aqueles foram os pioneiros do primeiro canal de televisão da região sul, o canal 5.


O autor realiza no livro um verdadeiro passeio pelo tempo, de modo descontraído, ao lembrar os personagens e as diversas emissoras que deram corpo a esta história.


Não ignorando a atualidade, o evento de lançamento trouxe uma projeção do futuro da televisão: as imagens em 3D. Em um telão, foram exibidos trechos de eventos captados com tecnologia de terceira dimensão, como o Planeta Atlântida 2010 e o Desfile das Escolas de Samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Os convidados receberam óculos especiais para ter a recepção diferenciada, mas o autor de Os TeleVisionários ressaltou: "logo não será necessário o uso desses óculos". A ação não deixou de destacar o potencial midiático e tecnológico da Rede Brasil Sul (Grupo RBS) e da Rede Globo de Televisão.


O livro contou com patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Grupo CEEE e do Governo Federal, através da Lei do Mecenato do Ministério da Cultura.  Este financiamento mostra que é possível, através dos dispositivos de incentivo à cultura, buscar alternativas aos custos de lançamento de publicações pertinentes à sociedade, seja como audiovisual, seja como impresso. Bergesch acabou por marcar um acontecimento histórico que a própria mídia televisiva, figura central do cinqüentenário, acabou por ignorar. Trata-se de uma voz do mercado que passa a ser uma referência do tema, mesmo para o ambiente acadêmico, já que a questão da televisão no RS carece de maiores publicações dentro das próprias universidades gaúchas.


Denis Gerson SimõesMestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), membro do Grupo de Pesquisa CEPOS (apoiado pela Ford Foundation) e licenciando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

E-mail: <denis@portal25.com>.
Fontes: http://projeto.unisinos.br/cepos/ e http://projeto.unisinos.br/oddd

Imagem: Fotografia de Rafael Jacques (Na imagem, Alexandre Garcia, Chico Anysio e Walmor Bergesch)

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Segunda-feira, 20.04.09

O mercado da imagem

Exibicionismos
 
José Saramago
 
Palavras como discrição, reserva, recato, pudor ou modéstia ainda se encontram em qualquer dicionário. Temo, porém, que algumas delas venham a ter, mais cedo ou mais tarde, o triste destino da palavra esgártulo, por exemplo, varrida, como outras, do dicionário da Academia por uma manifesta e pertinaz falta de uso que havia feito dela um peso morto nas eruditas colunas. Eu próprio não me lembro de a ter dito alguma vez e muito menos tê-la escrito. Já a palavra reserva, embora vá a caminho de perder a acepção que me levou a incluí-la na lista acima, tem garantida uma vida longa por aquilo da reserva de bilhete ou de lugar sem os quais serviços fundamentais como os transportes aéreos simplesmente não funcionariam. E isto sem esquecer outra reserva, a mental, inventada pelos jesuítas como explicação última de terem dito primeiro uma coisa e feito depois a contrária, operação, aliás, que vingou e prosperou ao ponto de acabar por se difundir na sociedade humana como condição mesma de sobrevivência.
 
Não é minha intenção moralizar, além de que se o fizesse perderia o meu tempo e suspeito que alguns leitores. Bem sabemos que a carne é fraca e que ainda o é mais o espírito por muito que se costume gabar das suas supostas fortalezas, que o ser humano é o território por excelência de todas as tentações amáveis possíveis, tanto as naturais como as que veio inventando em séculos e milénios de práticas reiteradas. Bom proveito lhe faça. Que atire a primeira pedra quem nunca se deixou tentar. A coisa começou por desapertar-se a roupa, por usá-la mais leve e reduzida, também mais transparente, pondo à mostra um número cada vez maior de centímetros quadrados de pele até se chegar ao nudismo integral cultivado com franqueza absoluta em certas assinaladas praias. Nada de grave, porém. No fundo, há em tudo isto, como já escrevi noutro contexto, uma certa inocência. Adão e Eva também andavam nus e, contra o que a Bíblia diz, sabiam-no perfeitamente.
 
Ao pôr em funcionamento o vigente espectáculo universal que concentra e ao mesmo tempo dispersa as atenções do mundo, não parece que hájamos previsto que iríamos dar nascimento a uma sociedade de exibicionistas. A divisão entre actores e espectadores acabou, o espectador vai para ver e ouvir, mas também para ser visto e ouvido. O poder da televisão, por exemplo, alimenta-se em grande parte desta simbiose malsã, mormente nos chamados reality shows, onde o convidado, para isso pago e às vezes regiamente, vai pôr a descoberto as misérias da sua vida, as traições e as vilezas, as canalhices próprias e alheias, e, se necessário fôr ao espectáculo, as da família e dos seus próximos. Sem discrição nem reserva, sem recato nem pudor, sem modéstia. Não faltará quem diga que ainda bem que é assim, que devemos abandonar aquele ferro-velho vocabular, portas abertas ainda que a casa cheire mal, alguns, não duvidemos, irão mesmo ao extremo de afirmar que se trata de um benéfica efeito da democracia. Dizer tudo, com a condição de que o essencial fique escondido. Sem vergonha.
 
 
 
 
José Saramago - Publicado no blog O Caderno de Saramago
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Quinta-feira, 16.04.09

O livro de Salimen

Lançamento no dia 27 de abril - Porto Alegre RS
 
Um dos nomes mais conhecidos da comunicação no Rio Grande do Sul, José Salimen Jr. agora tem sua extensa e bem-sucedida trajetória profissional contada em livro, escrito pela jornalista Carla Santos.
 
Na obra, fatos relevantes protagonizados pelo jornalista, radialista, publicitário e empresário são relembrados e acabam fazendo um resgate histórico do desenvolvimento dos meios de comunicação gaúchos. A narrativa se passa em um único dia e o que a conduz são os pensamentos e as lembranças de José Salimen Jr.
 
Do início da carreira, como ator (e galã) de radionovelas, até o brilhantismo como marqueteiro e empresário, Salimen Jr., como é mais conhecido, esteve à frente do processo de implantação da transmissão em cores na televisão brasileira e na América do Sul, quando dirigia a TV Difusora - atual Band.
 
No segmento televisivo, também teve experiências fora do Rio Grande do Sul, ao comandar a TV Rio, do Rio de Janeiro e Brasília, e foi um dos fundadores da Rede de Emissoras Independentes (REI), além de buscar conhecimentos através de estágios em redes norte-americanas e europeias.
 
Não faltam histórias pitorescas no livro de Salimen. Uma iniciativa ousada foi trazer para Porto Alegre o primeiro show da Jovem Guarda, então no auge do seu sucesso, com Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderléia e Renato e seus Blue Caps.  Ele também deu um susto nos fãs de todo o Rio Grande do Sul ao tomar acidentalmente um potente choque elétrico ao vivo, durante seu programa de auditório na TV Piratini.
 
Um livro excelente e original sobre a história do jornalismo e da televisão em meio século de existência no Rio Grande do Sul - Brasil.
 

 

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Domingo, 21.12.08

Walmor Bergesch - Visionário da TV

Um protagonista do telejornalismo

Entrevista concedida à Coletiva.net

O jornalista, radialista e empresário Walmor Bergesch é uma personagem que faz parte da história da televisão no Estado RS e no Brasil, desde o seu início. Muito jovem, recém-chegado do Interior, foi um dos profissionais que atuou na instalação e na inauguração das três primeiras emissoras de TV de Porto Alegre, além de ter participado da primeira transmissão a cores do Brasil. “Este impacto foi imensurável”, avalia, sobre o surgimento da nova mídia, na época.

 

Autodidata, sempre estudou muito sobre TV: assinava exatamente 40 revistas, americanas e européias. “Eu sempre busquei o conhecimento, onde ele estivesse”, destaca.

 

Nasceu na cidade de Estrela, em 10 de abril de 1938, e 16 anos depois estava atuando na emissora local, a Rádio Alto Taquari. O adolescente, que todos os domingos freqüentava o programa de auditório, foi convidado para se apresentar e demonstrar sua habilidade musical: tocar gaita de boca. Logo, surgiu a oportunidade de fazer um teste para locutor e redator de notícias. Assim, começava a traçar sua trajetória profissional.

Era início de 1955 quando Walmor veio para Porto Alegre, morar em pensão, e foi até a emissora para falar com o diretor geral da Rádio, Dinarte Armando. O jovem fez teste para locutor com José Salimen Junior, que já trabalhava lá, e foi aprovado. “Daí começou uma amizade que vai até hoje”, relembra.

Depois disso, o diretor musical ainda descobriu que o jornalista sabia tocar gaita (harmônica) de boca. Acabou ganhando outro contrato na Farroupilha, o de solista. E conforme Walmor foi aprimorando seu desempenho na locução, foi crescendo e ganhando mais espaço. Passou a atuar, também, na redação de notícias e a fazer reportagens. Na emissora ele ficou até surgir a televisão, em 1959. Neste ano, foi um dos 16 selecionados, entre os profissionais do Diário de Notícias, Farroupilha e Difusora, a pedido de Chateaubriand, diretor dos Diários e Emissoras Associados, para ir ao Rio de Janeiro fazer um curso sobre televisão. 

Na volta, com o conhecimento adquirido, integrou a equipe que instalou e inaugurou a TV Piratini em dezembro de 1959. Walmor produzia três programas e apresentava dois deles. “A TV Piratini foi a grande formadora de profissionais de televisão na década de 60, quando surgiram os três primeiros canais no Estado”, lembra, referindo-se à TV Gaúcha e TV Difusora, que surgiriam na seqüência. 

No final de 1961, produziu e gravou, juntamente com Paulo Ruschel, o primeiro VT do Rio Grande do Sul. A TV Piratini já havia recebido o equipamento, mas só usaria em janeiro do próximo ano. Walmor se prontificou a estrear a tecnologia. O jornalista reuniu todos os amigos em casa para o tão esperado momento, mas ninguém conseguiu assistir. Descobriu que graças às configurações feitas pelo inexperiente técnico no estúdio, a exibição foi um fracasso.  “Depois a gente ria... mas o pioneirismo tem disso”, avalia o jornalista. Antes disso, tudo era feito ao vivo.

Em 1962, a TV Gaúcha estava se preparando pra entrar no ar. A convite de Maurício Sirotsky, o fundador do Grupo RBS, o profissional foi chamado para atuar na inauguração da emissora como chefe de programação. “Foram momentos de grandes inovações. Nós recrutamos os melhores profissionais. Foi uma experiência muito boa”, considera. Em 1967, viajou para os Estados Unidos para conhecer emissoras e aprender tudo o que faltava sobre televisão.

Em 1969 aceitou proposta para trabalhar na inauguração do terceiro canal de Porto Alegre: a TV Difusora. “Era irrecusável”, explica. Assumiu como superintendente geral da emissora, tratando das áreas de operação, produção e programação, ao lado de Salimen, que era responsável pela parte de mercado, administrativo e financeiro. “Mais uma vez, montamos uma equipe espetacular”, conta. Em 1972, participou da primeira transmissão a cores do Brasil, durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul. 

Após 1975 fez estágios em várias emissoras de TV nos Estados Unidos.

Nesta mesma época, em que era crescente a produção de vídeos independentes nos EUA, fez um projeto para instalação, em São Paulo, da primeira produtora independente de vídeos no Brasil. Mais uma vez em parceria com Salimen, passou a buscar recursos e apresentar a idéia a investidores.

Até que Nelson e Maurício Sirotsky tomaram conhecimento do projeto e, neste meio tempo, enquanto não se consolidavam os apoios, Walmor foi convidado a retornar ao Grupo RBS. 

Treze anos depois, o bom filho à casa torna”, considera o jornalista.

De volta à empresa, criou a diretoria de Marketing, que teve como primeiro grande projeto mudar a marca Rede Brasil Sul de Comunicação para RBS. Depois, à medida em que foram desenvolvendo a marca, foi a vez das emissoras de televisão terem suas nomenclaturas simplificadas. 

Em 1987, com uma grande reestruturação, passou a ser diretor da RBS TV para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, logo em seguida, superintendente de Mídia Eletrônica – Rádio e TV. Em 1990, criou a área de Novos Negócios que, a partir de projeto de televisão por assinatura, em parceria com a Globo, deu origem à Net. Assim, em 1995, através dele, surgiu a idéia da TVCom e, no ano seguinte, do Canal Rural. Em 2000 e 2001, Walmor ainda participou do projeto, com sede em São Paulo, de implantação e operacionalização da TV a cabo, com fundos americanos e sócios brasileiros, no Nordeste.

 

Na RBS ficou até 2000 exercendo o cargo de vice-presidente da área de TV por assinatura. Hoje, acompanha de perto seu mais recente projeto, a obra “Os Televisionários Gaúchos – 50 Anos de TV no Sul”. O livro, que vai trazer o depoimento de mais de 100 protagonistas da televisão no Estado, discorrerá sobre o passado, o presente e o futuro da área, além de trazer muitas fotos de todas as épocas. A intenção do autor é lançá-lo no segundo semestre de 2009.

Atualmente, também está à frente de outro projeto, desta vez ligado à inclusão digital através de uma rede nacional de outernet. São quiosques multiuso com telefonia e Internet de fácil acesso. Sem poder falar muito, adianta que o pré-lançamento será no primeiro trimestre de 2009, numa cidade do Interior de São Paulo. Durante seis meses, a idéia será testada em 250 terminais.

É casado há 10 anos com Marilene Bittencourt, 43 anos, empresária de design de móveis. Do primeiro casamento, Walmor tem três filhos: Mylene, de 46 anos, César, 45, e Fernando, 40. Todos são empresários e moram em Santa Catarina.Tem cinco netos, com idades entre 21 e dois anos. Em casa, duas vezes ao ano, realiza saraus musicais beneficentes. Cada convidado leva alguns quilos de alimentos não perecíveis, destinado a instituição beneficiente específica.

Não cozinha, mas aprecia degustar um bom vinho. Tem preferência pelos franceses e italianos, chilenos e argentinos. “Fora estes, somente o excelente Vila Bari, da Vinícola Barichello, do meu amigo Luiz Alberto Barichello”, brinca. 

Obviamente, gosta de ler. “Eu leio muito, eu leio muito mesmo. Sobre TV, comunicação, mídia e até psicologia”, detalha. Seu projeto para o futuro é cursar Filosofia. Também pretende viajar muito mais, para conhecer lugares como a China e a Índia. Ainda quer conhecer melhor seu país de origem, a Alemanha. Portugal é um país que gostaria de, quem sabe, morar. Os lugares que conheceu, mais gostou e sempre acaba voltando são Los Angeles, Nova Iorque, Londres e Itália. “Não vou a lugares que não tenho certeza que eu vá gostar.”

Pelo menos quatro vezes por semana, Walmor pratica exercícios físicos. Para isso, tem uma academia completa em casa. Também faz corrida três vezes por semana. Gosta muito de viajar e passear com a esposa na Serra e no litoral catarinense, para visitar os filhos.

Já há alguns anos, Walmor faz meditação, acupuntura e lê muito sobre Buda. E esta é a sua filosofia de vida. “Não que eu seja budista, mas sigo muito os conceitos de tranqüilidade... viver o agora, o hoje, estar bem com a família e amigos, sempre em busca da qualidade de vida”, explica. E acrescenta que, para ele, o segredo do sucesso está em sonhar e planejar com persistência e disciplina, além de muita comunicação.

“Eu quero fazer muito mais coisas. Não me sinto realizado, mas sou muito feliz. Tenho amigos, uma família e um trabalho maravilhosos! Só faço aquilo que me desperta paixão”, afirma. “Quando fiz 60 anos, renovei meu contrato com o 'velhinho' por mais 60... ele que se vire”, conta brincando, ao mesmo tempo em que demonstra a alegria de viver e a satisfação em fazer o que gosta. 

 

Publicado no Coletiva.net

Fotografia atual do autor por Tânia Meinerz

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Quarta-feira, 24.09.08

Entrevista: Rolando Boldrin

Rolando Boldrin - Ator, apresentador, escritor e músico-compositor

 


 

 

 

Rolando Boldrin é o Sr. Brasil, criador, apresentador e animador cultural do mais importante programa de cultura popular em TV no Brasil.

TV Cultura – Prêmio ABCA Melhor Programa de TV

 

O Plantador de Mangueira

 

 

ARdoTempo: Rolando Boldrin, você é a própria imagem da brasilidade na TV, Fale um pouco desse Brasil de raiz que você criou, ou revelou a todos…

 

Rolando Boldrin: Bom,… eu nem costumo usar a palavra raiz porque se usar a palavra raiz, tudo é raiz – quando eu vejo um programa de televisão que enfoca a música sertaneja… ali eles falam em raiz, eu percebo que eles sempre dizem isso – não é o meu caso,– eu trabalho com o Brasil… não a raiz – eu trabalho o Brasil, o Brasil moderno, o Brasil de hoje, o Brasil de ontem, o Brasil de anteontem, eu misturo tudo…

 

Os meus programas não usam datas – eu não costumo me apegar a datas, não faço um especial para alguma data comemorativa, não faço programa de Natal, nem de Dia das Mães…

 

E não faço porque? Porque o programa é atemporal…

 

A mesma coisa é a idéia – Brasil é muita coisa, a música, a literatura, eu não vou ficar só pensando no Guimarães Rosa, eu vou pensar no cara que escreve hoje, que faz um livro, que conta histórias… a palavra raiz eu não falo; e eu gosto da palavra mas eu gosto de usar a palavra como raiz de planta… como raiz de pé no chão…

 

ARdoTEmpo: O seu programa, que muitos assistem no Brasil todo, não se limita a artistas já consagrados, eles estão lá, mas há outros, o programa busca e revela novos valores de todo canto do País, como você faz essa pesquisa ou eles chegam espontaneamente ao programa?

 

Rolando Boldrin: Há muito tempo atrás, quando eu iniciei o processo desse programa na (Rede) Globo – que se chamava Som Brasil; o programa começou a ser feito pelo meu conhecimento dos artistas que eu achava que representavam essa cultura que eu queria mostrar.

 

O tempo, é claro, foi fortalecendo essa idéia, o programa foi tomando corpo em material de divulgação e aí começou a virar uma bola de neve…

 

Os artistas, eles mesmo, começam a aparecer, outros mostram seus trabalhos, outros artistas indicam talentos que eles conhecem, e aí virou uma bola de neve… A coisa cresceu…

 

Hoje eu tenho um material que daria para fazer, sem sombra de dúvida, uns cinco programas, segmentados, mas semelhantes ao meu… o Brasil é muito rico, culturalmente, basta olhar em volta…

 

 

ARdoTEmpo: Falando em Brasil, você carrega o título de SR. BRASIL – quanto custa isso para você?... pode parecer que é só benefício, mas não pode conter também uma certa carga de preconceito?

 

Rolando Boldrin: Eu não sinto peso nenhum. Não sinto carga nenhuma porque o meu País é tão rico… e tão puro, tão maravilhoso, possui tanta diversidade, que ninguém vai me cobrar nada…

 

O que eu falo, o que eu canto é o que existe, então não tenho qualquer problema desse tipo, de ser discriminado…

 

É duro falar sobre isso? Eu vou sozinho falar sobre isso? Não, eu não estou sozinho, eu tenho uma legião junto comigo.

 

É claro que existe a mídia, mas a gente não conta com a mídia, esse tipo de trabalho que eu desenvolvo no meu projeto, ele não conta com a mídia… a mídia maior, eu quero dizer. A única diferença é essa.

 

Se você gravar um disco pelo meu jeito de lançar no mercado, ele não vai vender um milhão de cópias mas ele vai vender, por exemplo, cem mil cópias a quem realmente interessa essas cem mil cópias…

 

 

 

ARdoTEmpo: Percebe-se ao assistir o programa uma grande sinergia – a música, a poesia, a literatura, o artesanato popular – o filtro é o SR. BRASIL?

 

Rolando Boldrin: É… ali só tem SR. BRASIL. O grande achado para esse projeto que encabeço é a emoção. Eu trabalho com a emoção, eu estou falando aqui com você e logo fico emocionado.

 

Eu falo do meu país com emoção, eu falo com carinho. Quando me proponho no programa a mostrar, a cantar a minha terra, sempre faço com amor, com muita emoção. E essa emoção passa para os artistas no desenrolar do programa. Já aconteceu com muitos artistas que nem imaginavam que suas apresentações no SR. BRASIL fossem acontecer de maneira tão emocional, que tivessem tanta energia…

 

Eu costumo dizer no inicio da gravação de cada programa, eu falo isso em off, quando a gravação ainda não está acontecendo… eu converso um pouquinho com o público e falo que ali há uma energia que vem dos grandes artistas que já “embarcaram fora do combinado”, que “viajaram fora do combinado” e que fizeram a história dessa cultura popular, seja num disco, seja num livro…

 

A cenógrafa do programa SR. BRASIL que é a Patrícia Maia, fez um conjunto de retratos desses artistas e colocou-os ao lado da platéia, nas paredes laterais da platéia, deve ter ali uns setenta artistas representados – ali estão desde escritores como Guimarães Rosa até o sambista Noel Rosa. É esse tipo de energia que a gente capta.

 

Eu digo ao público que o que será feito no palco foi esse pessoal que plantou, a tal raiz está aí – é o Brasil inteiro e essa emoção passa isso.

 

ARdoTEmpo: Você é muito percebido pela música, a gente vê isso pela história da Gaveta (conjunto de 8 CDs de música brasileira colocados numa caixa-gaveta), pelos CDs de música gravados, mas você é… um artista, um músico, um cantor, um escritor, um apresentador ou um pesquisador cultural? Quem é você, Rolando Boldrin?

 

Rolando Boldrin: Eu não sou nada disso que você falou…

Eu sou um ator, que canta um pouco, mas não sou um cantor, eu digo que sou um cantador, eu sou um ator que compõe (mas também não sou nenhum Chico Buarque); sou um ator que faz cinema (não sou nenhum Grande Otelo), mas já com vários filmes realizados e muitos prêmios como ator; já fui um ator de telenovelas da grande mídia de telenovelas; então eu faço um pouquinho de cada coisa; escrevi quatro livros…

 

Eu costumo dizer que tenho uma filha, três netos, dois bisnetos e já plantei uma árvore, uma mangueira, no caroço…

 

Um dia eu chupei uma manga, sequei o caroço, plantei numa latinha com adubo, ela germinou, eu a tirei da latinha e plantei na terra, num pequeno sítio que eu tinha, ela cresceu, eu vendi esse sítio e lá deixei tudo, menos essa mangueira que eu tinha plantado… eu a levei para uma nova casa, replantei no quintal e ela deu os primeiros frutos…

 

Eu chupei de novo a mesma manga que eu plantara, na sombra da mangueira, aos prantos…

 

Eu plantei tudo isso… Eu faço um pouquinho de cada coisa. Eu sou apenas um plantador de mangueira.

 

 

Entrevista concedida por Rolando Boldrin ao blog ARdoTEmpo 

Fotos de Pierre Yves Refalo / © Sr. Brasil

publicado por ardotempo às 22:36 | Comentar | Ler Comentários (2) | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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