Quarta-feira, 13.04.11

Don Aldyr Garcia Schlee

Contos Gardelianos

 

Geraldo Hasse

 

 

 

 

Os ditos “contos gardelianos” de Aldyr Garcia Schlee (Os limites do impossível, edições ardotempo, 2009) são na realidade um romance construído a partir da circularidade de uma dezena de narrativas sobre mulheres que participaram direta ou indiretamente de um acontecimento real – o nascimento em 1884 em Tacuarembó, no Uruguai, de Carlos Gardel, o ídolo do tango argentino falecido em acidente aéreo em Medellín em 1935.

 

É uma história alinhada com o que a literatura sulamericana tem de melhor. Não admira que tenha sido escrita por um nativo de Jaguarão, lugar onde se aprende portunhol no berço. Mesclando uma narrativa histórica com lances do mais criativo realismo literário, Schlee constrói uma carreata fabulosa. A leitura é tão saborosa que não temos a menor dificuldade em colocá-lo ao lado de mestres latino-americanos como Alejo Carpentier, Gabriel Garcia Márquez e Juan Rulfo. Ele também fica de pé fácil se colocado na estante ao lado de Domingos Pellegrini, Lourenço Cazarré e Miguel Sanches Neto, para citar apenas contistas do Sul do Brasil.

 

O livro tem uma personagem central, D. Carlos Escayola, “mandamais” de San Fructuoso, nome ficcional de Rivera, a cidade gêmea de Santana do Livramento. Além de ser o cacique local, D. Carlos é acidentalmente cunhado do general farrapo Antonio de Souza Netto e tem o dom extraordinário de seduzir todas – todas – as mulheres do enredo.

 

Garanhão inveterado, ele começa desposando uma moça que o despreza, casa com a cunhada após enviuvar e emprenha a sogra enlouquecida de amor por ele. Perto do auge da história, o herói-canalha estupra e engravida a própria filha, uma vingencita de 13 anos, que vai ter o bebê numa fazenda no interior de Tacuarembó, assistida por uma parteira que eventualmente trabalha também como despenadeira, isto é, a pessoa que ajuda os moribundos a desencarnar – segundo o autor, esse tipo de pessoa foi comum na época das guerras e revoluções do Cone Sul.

 

Levada para Buenos Aires por uma ex-corista francesa paga para “desaparecer” com a encomenda, a criança vinga espetacularmente na Argentina, dando sentido a uma antiga e misteriosa declaração de Carlos Gardel: “Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade...” No entanto, no seu passaporte resgatado em Medellín das cinzas do avião acidentado em 1935 estava escrito: “Nascido em Tacuarembó”.

 

Desfez-se assim também a lenda de que o ás do tango teria nascido no interior da França. Se não é verdadeira, a história é muito bem montada com todos os ardis possíveis da literatura. Artista plástico, jornalista e professor de literatura, Schlee construiu uma obra que segue magistralmente pela trilha do realismo fantástico. Há indícios de pesquisa histórica por trás de tantos contos encadeados, mas a criação literária parece ser ainda maior.

 

Daí o clima de contido exagero que permeia a narrativa, pontilhada de palavras e expressões corriqueiras na fronteira do espanhol e do português. Fora a genial remexida na história pessoal do ídolo mercosulino (há muito Gardel não é somente argentino), a invencionice da linguagem é a maior qualidade desta história editada em 2009 por uma editora de Porto Alegre e premiada no final de 2010 com o Açorianos pela Prefeitura de Porto Alegre.

 

Em quase todas as páginas do livro se encontram ditos saborosos que fazem parte da linguagem oral do pampa mas que até agora não haviam sido incorporados à literatura. No correr da história, sem qualquer esforço ou rebuscamento, o jornalista jaguarense nos regala com um palavreado inolvidável. Nesse aspecto, promove um resgate semelhante ao de Simões Lopes Neto quando este jornalista pelotense fixou há 100 anos nos seus contos gauchescos e lenda do Sul o modo de falar do gaúcho da campanha. É muito bom para a Metade Sul que esse livro brilhante seja fructo de um trabalhador intelectual que vive em Capão do Leão, a menor cidade entre Jaguarão e Pelotas, polos de origem e afirmação de Don Aldyr Garcia Schlee.

 

 

Geraldo Hasse

Imagem: Mario Castello - Fotografia de porta colonial espanhola (detalhe). Cartagena de Indias. Colômbia


publicado por ardotempo às 20:05 | Comentar | Adicionar
Domingo, 24.10.10

O grande romance

DON FRUTOS - de Aldyr Garcia Schlee

 

 


 

O romance DON FRUTOS de Aldyr Garcia Schlee é um dos livros mais aguardados do ano.

 

Brilhante, denso, barroco, belamente escrito em finissima imaginação e linguajar fronteiriço. Aborda os derradeiros meses de vida do caudilho uruguaio Don Fructuoso Rivera, estacionado por meses em solo brasileiro, em Jaguarão, em regresso à sua pátria depois de prisioneiro em duro exílio no Brasil, para assumir pela terceira vez o mandato de Presidente da República. São as memórias imaginadas pelo autor Aldyr Garcia Schlee, para o ancião ainda poderoso, já abalado pelas enfermidades da velhice, memórias em flash-back nas quais reconta a sua vida de herói pampeano, conquistador de territórios e corações femininos, um dos fundadores de uma república independente de seus colonizadores espanhóis e refratária à dominação de seus poderosos vizinhos territoriais. Um livro é fartamente documentado por cartas, recortes de impressos, panfletos e decretos governamentais, coletados em exaustivas pesquisas pelo próprio autor.

 

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre - 03 de novembro de 2010

Com a presença e autógrafos do autor - Palestra e conversa com Cláudio Moreno.

 

Aldyr Garcia Schlee é finalista indicado ao Prêmio Fato Literário 2010

 

Don Frutos

Romance.

Capa de Gilberto Perin.

Ilustrações de época.

Edições ARdoTEmpo.

512 páginas.

ISBN nº 978-85-62984-06-8

Valor: R$ 60,00 -

Edições ARdoTEmpo, 2010

 

publicado por ardotempo às 19:03 | Comentar | Adicionar
Sábado, 23.10.10

O romance de Elvis Presley

Função Elvis - Romance de Laure Limongi

 

 

 

 

 

O livro Função Elvis é um romance de Laure Limongi sobre a temática da criação e formação de um mito mediático.

 

Um romance que conta numa linguagem clara, dinâmica, hipnótica, pop, em frases curtas, em capítulos de apenas uma página, de precisão cirúrgica e contemporânea, a trajetória de construção minuciosa da imagem do ídolo universalizado pelo poder de difusão dos meios de comunicação. A criatura imaginária e idealizada, permanente, fora do indivíduo. Uma função. A ascenção e a não queda do mito. Elvis vive. Em milhares de clones multiplicados pelo mundo, em imagens recorrentes, em filmes, em fotografias, em impressões reproduzidas, em canções de rock e baladas, em souvenirs, em imãs de geladeira...Um livro empolgante e magnético, como esses mesmos imãs triviais, como o próprio ídolo, permanente em copyrights, que lhe motiva o tema. Mesmo que sejam peças “únicas” fabricadas na China em quantidades monumentais.

Imagens fotográficas de Gilberto Perin.


 

Função Elvis

Autora: Laure Limongi

Tradução de Jean-Michel Lartigue.

Capa e imagens fotográficas de Gilberto Perin.

Edições ARdoTEmpo, a partir da edição original francesa de Éditions Léo Scheer.

88 páginas.

ISBN nº 978-85-62984-07-5

Edições ARdoTempo, 2010

publicado por ardotempo às 18:39 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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