Domingo, 11.09.11

Feiras, gastronomia e incêndio

Literatura vai de menos 1 a 40 graus

 

Ignácio de Loyola Brandão

 

Bem interessante. Enquanto a Flip foi dominada pelo escritor português walter hugo mãe, conquistando homens e mulheres, a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, que continua sendo o maior evento do Brasil e da América Latina, girou em torno do talento e do carisma de outro português, Gonçalo Tavares.

 

Tranquilo, simples, ele foi "comendo" todo mundo pelas beiradas, como se diz por aqui. Na mesa sobre identidade, literatura e cultura na globalização, foi o único a fazer um depoimento atual, consciente, lúcido, ao contrário do celebrado (e decepcionante) Luiz Costa Lima, que se julga em altíssima conta e desprezou a Jornada e os participantes dormindo no palco, diante de 6 mil pessoas, e dando um depoimento pífio. Ao acordar, atrapalhou-se com suas anotações, disse que as tinha esquecido no hotel. Não tinha nada a dizer. Ensaísta à antiga que fala em linguagem hermética, vazia.

 

Plateia monumental, professoras e estudantes, 18 mil crianças na Jornadinha, ouvindo e conversando com autores infantis. Ninguém bate Passo Fundo. Mauricio de Sousa dominou a cena, crianças de todo o Brasil o conhecem, adoram. Neste momento há pelo Brasil dezenas de feiras (acaba uma, começa outra) e bienais e encontros. Saí de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, onde a prefeita Maria Helena Borges Vannuchi, obstinada e interessada em cultura, insiste em manter uma feira de livros com gente de primeira linha, e parti para Passo Fundo (-1°C na abertura da festa e vento minuano varrendo), norte do Rio Grande do Sul.

 

Segui para o Piauí, para o terceiro Salipa, Salão Literário de Parnaíba (40°C à sombra), na boca do maravilhoso delta que separa aquele Estado do Maranhão. Hoje estou na 2.ª Filmar, Feira Literária de Marechal Deodoro, ao lado de Maceió. O sol come. Livros e literatura por toda a parte.

 

Segunda-feira desço ao interior do Paraná para falar nos Sescs de Cascavel, Pato Branco, Fernando Beltrão e Foz do Iguaçu. Em São Joaquim da Barra, a pamonha deliciosa e delicada, vendida num duas portas em frente da Feira, me provoca água na boca. Duas equivalem a um jantar. No Piauí, doce Estado, há o arroz Maria Isabel, o Capote, o queijo de coalho, a caranguejada.

 

Em Passo Fundo, há a gastronomia dos Biazis, Alcir e Lisete, secundados pelo Serafim Lutz, com saladas inventivas, pernis, massas, filés e picanhas, costelas, matambres, num estilo sulino afetuoso. Alimentar com qualidade mil pessoas é tarefa de competentes. Sentar-se à mesa servida pelo garçom Otavio é privilégio. Com seus cabelos brancos e sabendo tudo, faz você parecer o mais VIP dos clientes, seja VIP ou não. E o que é VIP, afinal? As refeições no Clube Comercial eram no fim de noite, com conversas, papos cabeça, fofocas, informações, vinhos, todos juntos.

 

Esse é o diferencial da Jornada, aglutina pessoas, momentos em que todos se juntam. Os irmãos Caruso, Chico e Paulo, cartunistas e músicos, estão na mesa com Gonçalo Tavares e Affonso Romano de Sant"Anna. Edney Silvestre, um dos mais procurados pelos leitores, juntava-se a Tatiana Salem Levy e à professora Maria Esther Maciel. Marcia Tiburi, filósofa, conversava com Peter Hunt, enquanto Eliane Brum juntava-se a Rinaldo Gama, que foi o único que se preparou convenientemente com uma bela fala para a mesa da comunicação do impresso ao digital. O comer é o momento em que todos se juntam, em lugar de se espalharem em busca de restaurantes espalhados pela noite afora.

 

 

 

A mesa final de Passo Fundo, formação do leitor contemporâneo, provocou incêndio. Alberto Manguel irritou-se com a inglesa Kate Wilson, amável mulher, que levou um projeto de livros em computador, em tablets, ainda em fase de implantação e discussão. Manguel se acha o dono da verdade do livro em forma de livro. Tablets, e-books, iPads são dignos da excomunhão. Arrogante, destratou aos gritos o americano Nick Montfort: "Não tenho e-mail, não uso computador". Para ele significam a deformação do leitor, não uma das formas para se conseguir sua formação. Crente de que é uma grande pessoa, guardião do livro em papel, Manguel partiu com patadas para cima da inglesa que, todavia, sabe espanhol, e respondeu à altura.

 

Manguel, que vem escrevendo e reescrevendo os mesmos livros, tem de encontrar, urgentemente, as portas do século 21, desembarcar neste milênio, e ser mais gentil, admitir que a informática veio para ficar. Uma anedota circulou pela Jornada. Dizem que Manguel foi leitor de Borges. Ao fim de cada leitura, Borges acentuava: "Leu, pode ir embora, não me dê nenhuma opinião".

 

Ao menos, a argentina Beatriz Sarlo, figura exponencial, estava na mesa, deu o tom de grandeza, ao lado de Affonso Romano. O que importa é que literatura, misturada a música, informática e teatro, está sendo discutida em todo o País. Nunca, como hoje, houve tantas feiras e eventos em torno do livro, leitura, formação de leitores. Discussões, debates e buscas de caminhos. A Jornada de Passo Fundo chegou aos 30 anos, milhares de professores passaram por ela, milhares de crianças.

 

A Jornada é a única que não se esgota assim que termina. Aí é que ela começa, com a multiplicação de ideias, conversas, aprendizados, vindos das oficinas, seminários, cursos, aulas paralelas, infinitas, atualizadoras. Recomeça quando acaba. Para culminar, premiou-se João Almino, grande autor com o seu Cidade Livre. O Bourbon Zaffari é o maior prêmio literário privado da América latina. Diplomata de carreira, autor por paixão, Almino levou um susto com o tamanho da Jornada e voltou à Espanha apaixonado.

 

Ignácio de Loyola Brandão

publicado por ardotempo às 15:29 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 30.05.11

Sobre bons livros e a Jornada

 

(A importância da Jornada Literária de Passo Fundo)

 

 

 

O antídoto contra a violência e o caos

 

O Brasil, infelizmente, está colocado entre os países de comportamento mais violento e corrompido no mundo civilizado. Isso pode ser facilmente constatado nas estatísticas do trânsito urbano e rodoviário, no cenário policial desproporcional dos assaltos nas cidades, na impressionante violência doméstica contra mulheres e crianças, na aspereza dos relacionamentos no cotidiano das pessoas.

 

Pode-se responsabilizar os disparates da iníqua distribuição de renda e os apelos ao consumo feérico, estimulado pelas campanhas publicitárias e ao comportamento sugerido pela mídia em geral. Existe um mundo imantado de vaidades, hedonismos, de consumo e de riqueza instantânea a atrair e fascinar milhares de pessoas.

 

Como alcançar ou compreender e aceitar o inalcançável?

 

Ler e escrever pode ajudar a integrar mais pessoas. Mas não a leitura superficial de qualquer coisa escrita, legendas, textos precários, preconceituosos, superstições e frivolidades. Praticar e estimular esportes em geral pode até ajudar a reduzir as tensões e abrir portas a reconhecimentos aqui e ali. Mas não é o suficiente porque o pão ainda é escasso e o circo mostra-se cada vez mais como estopim ardente para a violência estrepitosa, em comportamento incontrolável de barbárie por massas enfurecidas.

 

Uma saída efetiva vem sendo oferecida há anos pela Jornada Literária de Passo Fundo. Estimular o aprendizado metódico do conhecimento, pela leitura crítica e consciente da boa literatura e dos bons livros, de bons autores. Alcançando resultados concretos e mensuráveis.

 

Esta é uma saída construtiva que recupera um caminho já trilhado por grandes civilizações. A recuperação do espírito e da ética, a reconstrução dos reconhecimentos dos espaços antagônicos do bem e do mal, a avaliação dos espaços tangíveis dos direitos individuais e o respeito ao outro e à dignidade de todos, como princípios.

 

Essa tem sido a contribuição cultural efetiva das Jornadas Literárias de Passo Fundo. O antídoto contra a violência e o caos.

 

 

 

 


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Sexta-feira, 14.01.11

Lançamento da Jornada Literária de Passo Fundo

 

Convite


 

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Quarta-feira, 10.06.09

Inscrições para o Prêmio da Jornada de Passo Fundo

 
Está chegando o dia. Se você quer participar, é momento de se apressar porque se encerram nesta sexta-feira as inscrições para o 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Podem participar romances escritos em língua portuguesa que tenham sido publicados entre junho de 2007 e maio de 2009. O vencedor receberá R$ 100 mil, e será conhecido na abertura da 13ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, no dia 24 de agosto.
 
Na última edição do prêmio, realizada em 2007, participaram escritores de 17 Estados brasileiros, além de autores de países como Inglaterra, Moçambique, Portugal e Tailândia. O vencedor foi o moçambicano Mia Couto, com a obra O Outro Pé da Sereia. A ficha de inscrição está disponível para download no site da Jornada.
publicado por ardotempo às 18:55 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 13.04.09

A Jornada de Passo Fundo e seu prêmio de Literatura

6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura
 
Na sessão solene de abertura da 13ª Jornada Nacional de Literatura, a ser realizada em 24 de agosto, às 19h30min, no Circo da Cultura, em Passo Fundo/RS, será anunciado o vencedor do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. 
 
A premiação firma-se como uma parceria bem-sucedida entre o poder público e a iniciativa privada no âmbito da promoção da cultura. Instituído pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo por meio da lei nº 3.366, de 28 de agosto de 1998, o prêmio tem entre seus objetivos homenagear os melhores romancistas contemporâneos de língua portuguesa, além de estimular a leitura de suas obras e o debate crítico sobre as mesmas.
 
Com dotação de R$ 100 mil, o 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura recompensa o autor do melhor romance escrito em língua portuguesa que tenha sido publicado entre junho de 2007 e maio de 2009. A premiação é um desdobramento das Jornadas Literárias, sendo um dos maiores do país entre os prêmios da última geração. A 5ª edição do prêmio teve a participação de escritores de 17 estados, além de países como Inglaterra, Moçambique, Portugal e Tailândia. O vencedor da edição de 2007 foi o moçambicano Mia Couto, com a obra O outro pé da sereia.
 
A inscrição poderá ser feita pelo próprio autor ou por sua editora e se efetivará mediante a entrega de seis exemplares da obra nos endereços abaixo, até o dia 12 de junho de 2009. É necessária a entrega também de um breve currículo do autor e da ficha de inscrição devidamente preenchida.
 
Outros vencedores:
 
4ª edição - 2005- Chico Buarque de Hollanda, com o romance Budapeste
3ª edição - 2003 - Plínio Cabral, com o livro O riso da agonia
2ª edição - 2001 - prêmio dividido entre os escritores Antônio Torres (Meu querido canibal) e Salim Miguel (Nur na escuridão)
1ª edição - 1999 - Sinval Medina, com a obra Tratado da altura das estrelas
 
Locais de inscrição:
 
Bourbon Shopping de Passo Fundo
Central de Atendimento: Av. Brasil Leste, 200 -
CEP 99050-000 - Passo Fundo/RS. Telefone: 54/3311-5411
 
Universidade de Passo Fundo 
Central da Jornada de Literatura - Campus I
BR 285 - km 171 - Bairro São José -
CEP 99001-970 - Passo Fundo/RS. Telefone / Fax: 54/3316-8368.
E-mail: jornada@upf.br
tags:
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Domingo, 05.04.09

Para saber como será: 13ª Jornada de Passo Fundo

Convite - Dia 07 de abril em Porto Alegre - Terça-feira, 18 horas

 

13ª Jornada Nacional de Literatura - de Passo Fundo

De 24 a 28 de agosto de 2009

 

 

publicado por ardotempo às 18:54 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 10.02.09

António Lobo Antunes vem ao Brasil

António Lobo Antunes
 
Escritor português cotado para o Nobel deve participar da Flip, em Paraty, e da Jornada de Passo Fundo
 
 
 
Embora seu site não deixe claro se visitará o Brasil duas vezes em pouco mais de dois meses, o escritor António Lobo Antunes é aguardado para a 7ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 1 e 5 de julho, no litoral fluminense, e para a 13ª Jornada Nacional de Literatura, agendada de 24 a 28 de agosto, no Campus da UPF, em Passo Fundo.
 
Grande nome da literatura contemporânea em língua portuguesa, o autor nascido em Lisboa em 1942 tem uma bibliografia constituída por mais de duas dezenas de publicações, das quais podem ser citadas Memória de Elefante (1979), Os Cus de Judas (1979), Conhecimento do Inferno (1981), Fado Alexandrino (1983), Auto dos Danados (1985), A Ordem Natural das Coisas (1992), O Esplendor de Portugal (1997), Eu Hei-de Amar Uma Pedra (2004) e Ontem Não Te Vi Em Babilónia (2006). Os livros de Lobo Antunes têm sido lançados no País pela Alfaguara, que deu guarida, há dois meses, a Ontem Não Te Vi Em Babilónia.
 
Arredio à vida social e polêmico pelas declarações que dá, o romancista e memorialista havia sido confirmado para a Flip do ano passado, mas teria desistido de participar do encontro por conta da formatura de sua filha. O diretor de programação da festa, Flávio Moura, disse que pretende deixá-lo sozinho em uma das mesas, que deveria ter o formato de entrevista. “Ele é provavelmente o maior estilista da língua portuguesa e um homem de opiniões fortes”, afirmou Moura. Lobo Antunes - que passou temporadas no Norte, no Pará, ele que é neto de brasileiro e teve membros da família residentes lá - não vem ao Brasil desde 1983. Em entrevista à Folha de S. Paulo, alfinetou seu desafeto José Saramago, de quem não consegue terminar nenhum livro, segundo contou, por considerá-los “chatos”. Com seu humor peculiar, ele já disse que “sou um homem generoso. Resolvi deixar o Brasil para Saramago, coitado, e ficar com o resto do mundo. Mas acho que vou começar a querer o Brasil para mim”.
 
Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, quando a aposta mais certa era que Lobo Antunes ganharia a honraria, dado o número de traduções que tinha e o quanto era apreciado em países como a Alemanha e a Suécia. Vencedor do Prêmio Camões em 2007, o ficcionista é formado em Medicina, com especialização em Psiquiatria, e foi destacado para Angola entre 1970 e 1973, durante a fase final da guerra colonial portuguesa - experiência que utilizou em vários de seus livros. Inquieto, para Lobo Antunes a perfeição está longe de ser alcançada, daí sua escrita estar sob constante evolução, notadamente subversiva e de radical originalidade. O fim da guerra colonial, a derrocada de um mundo burguês marcado por valores conservadores e retrógrados e a instabilidade política vivida em Portugal são temas que aparecem em seus romances. Uma curiosidade para o público brasileiro é que o autor tem intimidade com os clássicos nacionais, como José de Alencar, Aluísio Azevedo, Machado de Assis e Monteiro Lobato, que leu desde pequeno, em Belém.
 
Criador denso, Lobo Antunes pede algum esforço de leitura, em razão das mudanças de narrador que opera ao longo da narrativa. Dedicado à literatura desde que abandonou o exercício da psiquiatria, transformou-se em um dos autores mais lidos e debatidos das últimas décadas, em Portugal e internacionalmente, a partir de meados dos anos 1980. Mesmo sem ter levado o Nobel, o número de outros galardões que conquistou ao redor do globo ajudam a dimensionar a importância que tem - duas vezes o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, o Prêmio Europeu de Literatura (Áustria), o Prêmio Ovídio (Romênia), o Prêmio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prêmio Rosalía de Castro (Galiza), o Prêmio Jerusalém de Literatura, o Prêmio Iberoamericano das Letras José Donoso e o Camões. Sobre o sempre lembrado Nobel, já revelou que “não torna os livros melhores ou piores. Claro que me dava prazer. Dá prazer a qualquer pessoa. Mas depois posso defender-me pensando: Tolstói nunca o ganhou.

 

Publicado no Jornal do Comércio - Porto Alegre RS Brasil

 

Agradecimentos a Salimen Jr., Pedro Maciel, Maria Wagner e Eduardo Lanius.

Fotografia: Paulo Amorim AE/ Jornal do Comércio

publicado por ardotempo às 19:58 | Comentar | Adicionar
Sexta-feira, 23.01.09

Concurso de Contos Josué Guimarães

11º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães 

 

Regulamento

 

Instalado em 1988, o Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães homenageia o jornalista e escritor sul-rio-grandense que estimulou a criação e a expansão das Jornadas Literárias de Passo Fundo, que se realizam sem interrupção, desde 1981. Em 2009 o Concurso Nacional de Contos Josué Guiimarães chega a sua décima primeira edição.

 

Inscrições

 

O concurso se destina a contistas, com obras publicadas ou não, que apresentem textos inéditos. Cada participante deverá apresentar 03 (três) contos. As inscrições serão realizadas de 30 de janeiro de 2009 a 01 de junho de 2009.

 

As inscrições podem ser feitas através da entrega de originais ao local de inscrição ou pelo correio. Não serão aceitas inscrições por e-mail.

 

Local de inscrição

 

Universidade de Passo Fundo

13ª Jornada Nacional de Literatura

11º Concurso de Contos Josué Guimarães

Centro Administrativo, Campus 1 BR 285 Km 171

Bairro São José CEP 99001-970  Passo Fundo RS Brasil

Fone/Fax: (54) 3316-8368

 

http://www.jornadadeliteratura.upf.br

 

Apresentação dos trabalhos

 

Os originais deverão ser apresentados em 04 (quatro) vias, em formato A4, digitados numa só face, espaço 1, fonte Times Roman, tamanho 12 e identificado apenas com o pseudônimo do autor. As 04 (quatro vias) deverão ser reunidas em um único envelope, com o título do concurso e o pseudônimo do autor. Nesse mesmo envelope, deverá ser colocado um outro envelope fechado, contendo em seu interior a identificação do autor, seu endereço completo, um breve currículo e a indicação dos títulos dos contos.

 

Julgamento

 

Os trabalhos serão julgados por uma comissão indicada pelas instituições promotoras, devendo ser divulgado o nome dos vencedores na abertura da 13ª Jornada Nacional de Literatura, no dia 24 de agosto de 2009, no Circo da Cultura, em Passo Fundo, RS.

Não caberá recurso às decisões da Comissão Julgadora.

 

Premiação

 

Os dois melhores contistas receberão prêmios no valor de:

 

1º Lugar - R$ 5.000,00 (cinco mil reais);

Troféu Vasco Prado

 

2º Lugar - R$ 3.000,00 (três mil reais)

Troféu Vasco Prado

 

Alguns trabalhos poderão ser destacados com Menção Honrosa a critério da Comissão Julgadora.

Os contos premiados poderão ser editados em antologia organizada pelo Instituto Estadual do Livro, a ser publicada em co-edição com a Fundação Universidade de Passo fundo e com a Prefeitura Municipal de Passo Fundo.

 

Outras Disposições

 

Os casos não previstos por este regulamento serão resolvidos pela Comissão Julgadora.

A inscrição implicará, por parte do concorrente, a aceitação dos termos do presente regulamento, bem com a cessão, sem ônus, dos direitos dos trabalhos inscritos, para eventual publicação, até 05 (cinco) anos após o encerramento do concurso.

 

 

 

 

publicado por ardotempo às 15:17 | Comentar | Adicionar
Quarta-feira, 10.12.08

Entrevista: Tânia Rösing

"Para questões de cultura, nunca houve tempo de fartura."
 
 
 
 
 
 
Tânia Rösing - Professora, Doutora em Teoria Literária, idealizadora e organizadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo RS - Brasil
 
ARdoTEmpo: Tânia, você é a idealizadora e a Coordenadora do mais significativo e importante Encontro de Literatura em Língua Portuguesa, que ocorre no Brasil - como será agora em 2009? O que sua equipe está programando?
 
Tânia Rösing:  Todos nós, os integrantes da equipe organizadora, estamos trabalhando em função da seleção do tema geral, programando os subtemas dos palcos de debates e das conferências. É a fase dos contatos com as editoras e da seleção dos nomes dos autores, tanto da Jornada quanto da Jornadinha em função do tema que abrigará os debates.
 
Estamos formatando o 8º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural, o 3º Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras, o 2º Encontro Estadual de Escritores e o Seminário Internacional de Contadores de histórias, ao lado da programação de 13 cursos.  
 
ARdoTempo: Qual a interferência da prevista crise econômico-financeira sobre a Jornada de 2009? Muitos eventos culturais já estão sofrendo, a própria Feira do Livro de Porto Alegre resultou muito menor neste ano de 2008 e com limitações estruturais bem evidentes... O que acontecerá com a Jornada - será menor, menos ambiciosa que o fato extraordinário de 2007?
 
Tânia Rösing: Para questões de cultura, nunca houve tempo de fartura. Há que se lutar muito, a cada edição das Jornadas Literárias, uma vez que não existe disposição em diferentes instâncias de prever a designação de verbas vultosas para ações educacionais sintonizadas com ações culturais no Brasil.
 
Desde 1981, lutamos para conseguir os apoios financeiros necessários. Se fôssemos levar em conta essa batalha, esses desgaste físico e psicológico para convencer instituições governamentais, apoiadores financeiros, já teríamos desistido. Como o mais importante é o objetivo que perseguimos – formar leitores – o que já nos rendeu o título de Capital Nacional da Literatura e a constatação por intermédio de pesquisa feita pelo IBOPE de que, no momento, Passo Fundo é a cidade brasileira onde mais se lê no país:  6,5 livros por pessoa-ano, continuamos a executar nossas idéias do tamanho que elas são e com a complexidade que elas implicam.
 
É importante salientar que a Feira do Livro de Porto Alegre não resultou menor em função de crise financeira mundial. Outros motivos que não nos interessam explicitar, causaram o transtorno responsável pela decisão de fazê-la menor em 2008.
 
Há que se aprovar o projeto na Lei Rouanet – Mecenato e na LIC Estadual para desencadear o processo de captação de recursos.
 
ARdoTEmpo: Temos algum nome já confirmado entre os grandes escritores que poderiam estar conosco, em Passo Fundo?
 
Tânia Rösing: A homenagem da 13ª Jornada Nacional de Literatura e da 5ª Jornadinha Nacional de Literatura será feita ao escritor Pedro Bandeira.
 
Entre os demais grandes escritores já convidados, confirmou presença António Lobo Antunes, uma das maiores expressões literárias de língua portuguesa na atualidade. Os demais nomes serão divulgados, no momento oportuno, por intermédio de nosso site. 
 
 
ARdoTEmpo: Poderemos contar novamente com o brilho e o entusiasmo dos "três tenores" - os brilhantes Ignácio de Loyola Brandão, Alcione Araújo e Júlio Dinis na coordenação dos debates no Circo da Cultura - o grande palco da Literatura no País? E o Luís Augusto Fischer, que tão bem coordenou o Encontro de Escritores Gaúchos, repetirá o seu projeto?
 
Tânia Rösing: As ações das Jornadas, no âmbito da movimentação cultural em que se constituem, têm a mesma importância e os coordenadores dos debates, dos seminários e encontros de escritores nacionais e estaduais, dos palcos de debates, das conferências, dos cursos, todos fazem parte da programação complexa que elas representam. 
 
Contaremos sim, com a participação já tradicional de Alcione Araújo, Ignácio de Loyola Brandão, de Júlio Dinis; convidamos Luís Augusto Fischer para continuar coordenando o Encontro Estadual de Escritores; Miguel Rettenmaier coordenará o Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural juntamente com Fabiane Verardi Burlamaque; Eliana Teixeira e Paulo Becker coordenarão a Jornadinha; Celso Sisto e Eladio Weschenfelder, o Seminário Internacional de Contadores de histórias, a Pré-Jornada e a Pré-Jornadinha serão desenvolvidas por Solange Lopes Brezolin, Eliana Teixeira, Liana Lângaro Branco e as demais atividades, cada uma terá o seu coordenador cuja responsabilidade exigem talento, liderança, comprometimento. Sempre tivemos o apoio ímpar de profissionais sintonizados com os grandes objetivos que sustentam nosso movimento.
 
ARdoTEmpo: A Jornada Literária de Passo Fundo, é, sem dúvida, o fato literário superlativo nacional no ano em que ocorre, isso se consagra a cada grande evento realizado - como você vê o futuro da Jornada e qual a sua importância para a Universidade de Passo Fundo, para comunidade da região onde acontece e para o universo literário do País? 
 

Tânia Rösing: As Jornadas Literárias de Passo Fundo são um caminho importante no processo de formação de leitores literários e, ao mesmo tempo, de leitores que possam entender e apreciar as linguagens de distintas manifestações culturais. Não são um evento, mas o ápice bienal de uma movimentação cultural permanente, com muitos desdobramentos.

 

Sendo seu único objetivo formar leitores, cada vez mais reunimos pessoas que desejam contribuir com a sua continuidade, com a sua ampliação, com a consolidação cada vez maior de toda essa movimentação, considerando a importância que assumiu não apenas no Rio Grande do Sul, mas no Brasil, com reconhecimento internacional. Enquanto houver disposição de trabalho, vontade política desse grupo interinstitucional que integra a comissão organizadora, bem como o apoio de escritores, de editores, de livreiros, a presença das Leis de Incentivo à Cultura e apoio de empresas estatais e de empresas privadas, continuaremos a nossa luta, que não é pequena mas que vale a pena, pois busca a transformação das pessoas, a ampliação do número de leitores críticos e emancipados. 

 

Entrevista concedida por Tânia Rösing ao Blog ARdoTEmpo - dezembro de 2008

publicado por ardotempo às 12:04 | Comentar | Ler Comentários (3) | Adicionar
Domingo, 23.11.08

Testemunho de Lúcia Bettencourt

Sobre as Jornadas Literárias de Passo Fundo

 

 

Thanks Giving

 

Os americanos têm uma festa que admiro – o dia de ação de graças. Um dia quando todos param para agradecer as dádivas que receberam durante o ano. Todos nós, se procurarmos um pouco, temos algo a agradecer a Deus, ou seja lá o nome que preferirmos – Acaso, Jeová, Buda, Alá ou Tupã.

 

Mercedes Sosa, por exemplo, agradece, na bela canção, à Vida, que tanto lhe deu. Eu agradeço, a quem de direito, por algumas das coisas que recebi (Também reclamo das que me foram tiradas, mas isso é assunto para outra conversa.) Um dos agradecimentos mais sinceros que faço é por ter tido a oportunidade de ir à Jornada de Passo Fundo.

 

Somente quem ama a Literatura pode avaliar a emoção que senti quando, naquela noite fria, gelada mesmo, e prateada por uma lua enorme, cheguei ao local em que ela se realizava e descortinei a proporção do projeto. As tendas montadas, enormes, conservavam um pouco de suas cores graças à iluminação. Milhares de pessoas circulavam pelos espaços, centenas de pessoas trabalhavam, todos com um ar de expectativa, de festa, de alegria desmedida.

 

Mesmo antes de entrar na tenda principal, eu podia sentir a vibração, a agitação de pessoas que se haviam deslocado de todos os cantos do país e do mundo, enfrentado nevoeiros e atrasos, para se reunir ali naquele recanto do Rio Grande do Sul, dentro do belo campus da Universidade de Passo Fundo.

 

Cheguei lá após uma viagem de avião, outra de ônibus, e outra de van. Pois, se soubesse o que me aguardava, teria feito como os peregrinos de Compostela, e caminhado até lá, entre cânticos, clamando pelas estradas para que me seguissem e descobrissem as maravilhas da Literatura.

 

Passei todos os dias da Jornada num encantamento e numa alegria de devota que chega ao perfeito local de romaria. Era ali a minha pátria espiritual, o local onde encontrava pessoas com os mesmos interesses, com o mesmo brilho no olhar e, embora com livros diferentes nas mãos, o mesmo desejo de compartilhar e descobrir. Se, na primeira noite, tive a impressão de sonho, os dias que se seguiram confirmaram uma realidade cheia de seiva e vigor. As tendas coloridas, o incessante vai-e-vem de pessoas, as múltiplas atividades, mas sempre a mesma paixão, que impedia que, tangidas pelo frio, a platéia se dispersasse.

 

É preciso ir a Passo Fundo, pois as palavras faltam para descrever as Jornadas. Mas, depois que vamos até lá, descobrimos que nunca mais podemos sair de lá. Algo de nós fica para sempre perdido por lá, e talvez seja nosso coração.

 

Texto de Lúcia Bettencourt - Escritora

 

Veja o blog da escritora: Nadanonada

Foto de Leonid Streliaev

publicado por ardotempo às 23:27 | Comentar | Ler Comentários (2) | Adicionar
Quarta-feira, 06.08.08

Utopia Realizada

 Jornada de Passo Fundo, RS - Brasil

 

A Jornada tem uma extraordinária ambivalência: ela é um megaevento que reúne milhares de interessados em literatura (professores, alunos, leitores leigos, escritores, editores, jornalistas) em poucos dias efusivos, mas é também um processo, que se estende pelas escolas e bibliotecas de uma larga região (uns 200 kms de raio em torno de Passo Fundo, RS) na forma de incentivo à leitura, debates, formação continuada, teatralização, etc, durante o ano todo. Não é uma espécie de utopia realizada, neste nosso país de poucos leitores? É sim.”

 

Luís Augusto Fischer

 

publicado por ardotempo às 14:10 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Sexta-feira, 07.03.08

Chico Buarque aprende a falar húngaro

“Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira.”

É a primeira frase do livro BUDAPESTE. Chico Buarque estuda conversação em húngaro para suas falas no papel que vai desempenhar no filme BUDAPESTE, baseado no seu livro e que está sendo rodado na Europa.
Chico tem se dedicado cada vez mais à literatura, a escrever os seus romances, como ele mesmo revelou em Passo Fundo, ao receber o Grande Prêmio da XI Jornada Literária de Passo Fundo, em 2005, por este mesmo romance.
Leia, é um excelente livro.



BUDAPESTE
Chico Buarque
Romance, 2003 / 174 páginas
Editora: Companhia das Letras
ISBN 85-359-0417-4
publicado por ardotempo às 16:59 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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