Sábado, 03.09.11

Um dia, a beleza

 

Cidade séria

 

Paulo José Miranda

 

 

 

 

Demorei muito a chegar à idade que tenho. Demorei 41 anos e mais alguma coisa. Vivo em São Paulo e agrada-me muito viver aqui.

 

São Paulo é um cidade séria. Como quase todas as prostitutas, está disponível o tempo todo e longe de ser perfeita. A qualquer hora lhe peço o jornal, uma revista, um livro, uma cerveja, um sandwich, uma costela de boi ou que me aconchegue de amor, e nunca vi sombra de má vontade na mão que me estende.

 

E isto tudo num raio de cinquenta metros da porta de onde moro. Não vivo em Manhattan, nem em Beyoglu, não, vivo junto à Paulista. A morte acontece muito por aqui, é verdade, mas a morte acontece muito a quem anda na vida. São Paulo é profunda como os mistérios de Nietzsche. São Paulo está quase sempre a começar de novo. Arrasa tudo e dá de novo. São Paulo não preserva deuses antigos, constrói novos edifícios.

 

Tem muita poluição, dizem, e que isso prejudica a saúde como uma bomba ou uma guerra civil. A poluição mata em massa. Pode ser, não digo que não seja assim. Mas, ainda que possa não ter razão nenhuma, prefiro sentir no ar um inimigo do que não saber onde ir. Prefiro lutar contra o ar, lembrando o Dom Quixote delirando por terras de Castilha, do que morrer dia a dia de tédio, de cada vez que sair de mim e for até à rua. Em São Paulo, uma avenida vai até nunca mais.

 

Nunca vamos a nunca mais, isso também é verdade, mas a possibilidade de poder ir, ali, concreta diante dos olhos e dos passos, é uma sensação de futuro, uma sensação muito melhor do que passear no ar puro de uma montanha. A grandiosidade de um autor que, para além da excelência da sua escrita também escreveu muito, como Heidegger, por exemplo, não reside numa pretensa necessidade ou obrigatoriedade de nos fazer ler tudo, mas no facto concreto de sabermos que há muito mais do mesmo para ler. Este “muito mais” conforta-nos, ainda que não passemos da próxima esquina.

 

Mas confrontamo-nos constantemente com a miséria, dizem-me, só para me contrariar.

 

Melhor assim, respondo, lembra-nos duas coisas que não devemos esquecer ao longo da vida: humildade e convicção. Humildade para reconhecer naquele que está caído na rua o seu próprio corpo, o seu próprio rosto coberto; e convicção em não deixar que isso atrapalhe o que temos de fazer. São Paulo é profunda, filosófica, cresce alargando a noção de humanidade.

 

Em que cidade, logo pela manhã, me confrontaria eu com as perguntas que deve ter corroído Karl Marx, quando da sua tese de doutoramento acerca dos jardins de Epicuro, até aos Pirinéus da sua preocupação: será possível conciliar o prazer com a ética? Será possível ser justo e esteta? Será possível ter necessidades básicas e praticar a justiça? Será possível o deslumbramento e a igualdade?

 

Todo o mundo sabe que, em São Paulo, a realidade tem um caso com a verdade. E em mais nenhuma outra cidade do mundo isto acontece. Em mais nenhum outro lugar a realidade seduziu a verdade. Os paulistas, quando desencantados com a sua cidade, tão nietzschiana, sempre em construção, dizem: quando estiver pronta, São Paulo será bonita. E ter a beleza no futuro, caminhar na direcção de ser bela não é já uma das ideias contemporâneas mais belas da humanidade? São Paulo é séria como só uma puta séria consegue sê-lo, e eu demorei 41 anos para aqui chegar. Mas em que cidade faria mais sentido esta expressão da língua portuguesa: “mais vale tarde do que nunca”? Em São Paulo, tem sempre um lugar pra se chegar.

 

Paulo José Miranda

publicado por ardotempo às 23:04 | Comentar | Adicionar
Domingo, 14.08.11

As promessas para a Copa

Em Porto Alegre, três anos para fazer tudo...

 

Veja o vídeo Legado da Copa  

 

 

   

 

 

 

 

Muita coisa está prometida, assista o vídeo que mostra como tudo estará em 2014- dois estádios novos, um aeroporto ampliado e reformado, novas estradas duplicadas, novas avenidas, novos viadutos, corredores expressos para ônibus articulados de três corpos, uma nova ponte sobre o Rio Guaíba, um complexo turístico no cais do porto, novas moradias sociais erradicando favelas miseráveis, a limpeza ecológica de um grande rio, um novo mundo, uma nova estrutura viária e urbana - um conjunto de façanhas  a ser realizado em apenas três anos... Isso na cidade que em um ano não se conseguiu juntar e disponibilizar cerca de 3.390 euros para pagar uma taxa legal de transmissão de doação, ao próprio Governo (Tesouro Nacional) em tributação da Receita Federal, para receber sem custos 15 obras do maior artista brasileiro de todos os tempos para o seu melhor Museu público, o MARGS Museu de Arte do Rio Grande do Sul (generosamente doadas pelo artista em testamento), obras de arte magníficas num  valor estimado em cerca  de 435.000 euros.

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Quinta-feira, 19.05.11

A cidade tombada

Jaguarão: Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

 

Alan Dutra de Melo

 

Reveste-se de grande comemoração o anúncio realizado no último dia 03 de maio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, sobre o tombamento do conjunto histórico e paisagístico do centro urbano da cidade de Jaguarão. É o maior tombamento em número de exemplares protegidos do Estado do Rio Grande do Sul, e este momento é a consagração de um trabalho iniciado na década de 1980, com pessoas da cidade que participaram do Projeto Jaguar em conjunto com professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, dentre tantos é necessário destacar a contribuição da Professora Ana Lucia de Oliveira com as conclusões editadas no Programa de Revitalização Integrada de Jaguarão – PRIJ.

 

 

 Convém lembrar também dos primeiros bens tombados na cidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual – IPHAE no começo da década de 1990, quando da proteção do Teatro Esperança, Mercado Público, Antigo Fórum e Ruínas da Enfermaria Militar. Mais recentemente o Plano Diretor Participativo da cidade incorporou ao plano uma legislação bastante responsiva com seu patrimônio tanto no eixo da proteção como no estimulo para a preservação através de incentivos fiscais, fruto também dos acúmulos do PRIJ e da compreensão coletiva do sentido da proteção patrimonial para o futuro da cidade.

 

Em Jaguarão contra o patrimônio só ouço falar da falta que fazem poucos exemplares perdidos no centro da cidade utilizados em maior parte para instalação de agências bancárias, assim a população é contra o desaparecimento de seus bens culturais.

 

Mais recentemente o aporte do IPHAN e do Poder Público Municipal tem projetado o patrimônio cultural como fator de desenvolvimento econômico e social, isto começando pela restauração da primeira etapa do Teatro Esperança, e ainda a contratação de projetos de restauros para o Mercado Público e Ruínas da Enfermaria Militar onde será erguido o Centro de Interpretação do Pampa, foram investimentos em obras realizados pelo Governo Federal e em projetos os realizados pela Municipalidade, com aportes próprios e parcerias com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e também da Universidade Federal do Pampa. Aliás, a cidade ocupa a primeira presidência da Associação das Cidades Históricas do RS.

 

 

 

Tal como em Ouro Preto, que de capital do Estado abandonada em Minas Gerais, e após a sua patrimonialização mudou a sua condição com o passar das décadas de investimentos até tornar-se referência cultural, e este hoje é um caminho que se aponta muito claramente para Jaguarão, pois a amálgama entre o turismo de compras existente na cidade vizinha de Río Branco no Uruguai, combinada com atrativos singulares no Brasil como o acervo do Museu Carlos Barbosa, aliados aos projetos contemporâneos projetos pelo Arquiteto Marcelo Ferraz, tanto no Centro de Interpretação como no Mercado e ainda com o aporte gerado pela Unipampa projetam a cidade para o desafio apontado na aula Magna do Curso de Turismo UFPel realizado no último dia 04 de maio no Teatro Guarany, proferida pelo Dr. Mario Beni quando sentenciou: “A Costa Doce tem muitos atrativos e um deles é o patrimônio cultural, mas a questão do patrimônio é que ele tem de ser resignificado”.

 

É neste caminho que Jaguarão avança resignificando seus bens e suas práticas e apostando muito especialmente no poder indutor do patrimônio para o turismo e a cultura, sobretudo quando se aposta e investe todo o seu potencial em novos usos.

 

Alan Dutra de Melo

Mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural UNIPAMPA/Jaguarão - RS Brasil

 

Publicado no blog do Jornalista Vaz

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Domingo, 27.03.11

A quase usina nuclear do Caribe

 

Adiós para siempre, Juraguá!

 

Yoani Sánchez

 

 

 


 

 

En nuestra pequeña salita, nos contó aquella madrugada sobre el tiempo que había pasado en la URSS.

 

Llevaba apenas unas horas en la Habana, después que un avión de Aeroflot lo había regresado de su larga estancia por la tierra de Gorbachov. Venía con su título universitario de letras góticas, graduado de una ingeniería que mi mente infantil no podía entender. Fue la primera vez que escuché hablar de la central nuclear de Juraguá, que se construía en Cienfuegos desde 1983.

 

La voz del recién llegado describía al enorme reactor VVER 440 enclavado en el centro de Cuba como si fuera un dragón vivo que lanzaría sus bocanadas de aliento sobre nosotros. Allí irían a trabajar, como científicos del átomo, cientos de jóvenes formados en centros de estudio a más de 9 mil kilómetros de distancia de sus hogares. Millones y millones de rublos llegados desde el Kremlin ayudaban a levantar la que sería la obra cumbre de nuestro “socialismo tropical”, el pilar fundamental de nuestra autonomía energética.

 

Después supe que aquel joven entusiasta nunca llegó a ejercer como ingeniero nuclear. La Unión Soviética se desmembró justo cuando la primera de las dos unidades que se planeaban construir estaba terminada en un 97 % de su estructura. La hierba cubrió una buena parte del lugar y a la intemperie quedaron trozos del núcleo, los generadores de vapor, las bombas de enfriamiento y hasta las válvulas de aislamiento. Juraguá se convirtió en una ruina nueva, en un monumento a los delirios de grandeza que nos había legado el imperialismo soviético. Con las sienes encanecidas y mientras corta metales en su nueva profesión de tornero, el otrora experto me dice ahora: “Fue una suerte que no se echara a andar”.

 

Según calculó junto a otros colegas, las posibilidades de un accidente nuclear en Juraguá eran de un 15 % más que en cualquier otra planta nuclear del mundo. “Hubiéramos terminado con la Isla partida a la mitad” me dice sin dramatismo. Yo delineo en mi mente un trozo de nación por aquí y otro por allá, mientras un hoyo humeante se empecina en cambiarnos la geografía nacional.

 

Ahora que la planta de Fukushima lanza sus residuos y con ellos expande también el miedo, no puedo dejar de alegrarme de que en Cienfuegos ese reactor no haya despertado, que bajo ese sarcófago de concreto la reacción nuclear no haya comenzado a efectuarse. Presiento que de haber sucedido, todos nuestros problemas actuales nos parecerían pequeños, menudas insignificancias ante el avance pavoroso de la radioactividad.

 

Yoani Sánchez - Publicado no blog Generación Y

 

http://www.desdecuba.com/generaciony/

 

(N.E.: Se a segurança dos japoneses fracassou tragicamente em Fukushima e alertou ao limite do pânico as autoridades alemãs e os habitantes da Alemanha (!), sobre o futuro de suas próprias instalações de usinas nucleares na Europa, o que podemos esperar sobre as condições de segurança nas já idosas usinas de Angra dos Reis? Terão procedimentos melhores do que no Japão e na Alemanha? E que futuro podemos esperar das lúgubres, sinistras e pouco controladas nucleares instaladas na Rússia, depois da falência e desmanche da antiga União Soviética, que foi justamente a causa do destino à sucata e à oxidação da central do Caribe?)

 

 


publicado por ardotempo às 20:39 | Comentar | Adicionar
Domingo, 13.03.11

Todos os carros deveriam ser elétricos

O futuro é elétrico

 

Sem poluição, sem ruídos, sem queimar insensatamente o finito petróleo, que é importante para a petroquímica e para a sobrevivência da Humanidade.

 

Sem agredir o ambiente, sem pressionar a atmosfera com bilhões de toneladas gás carbônico, o que acarreta as mudanças climáticas "inexplicáveis", os furacões, os terremotos, os tsunamis. Falta apenas a vontade política, condicionada pelos interesses das grandes empresas petrolíferas e os sistemas econômicos atrelados a matriz energética petróleo. Porquê se está gastando loucamente as reservas de petróleo? Trens, metrôs, táxis, camionetes de serviço, caminhões e carros de passeio já deveriam ser todos elétricos. A miniatuarização e a expansão da potência das baterias já tem tecnologia conquistada pela evolução dos telefones celulares.

 

Quando um grande país estabelecer exigência única de carros elétricos em todo o seu território, a matriz energética mudará e ocorrerá o que aconteceu com as máquinas de escrever com relação aos computadores pessoais - em um mês o paradigma mudou, as pessoas compreenderam a mudança e ninguém mais comprou ou voltou a utilizar máquinas de escrever, que estavam presentes em todos os escritórios e casas das cidades (você se lembra de como se utilizava a fita de corretivo das máquinas elétricas? E quando acabava a fita e a gente tinha que utilizar o pincel com o fluído branco corretivo?)

 

Existem muitos interesses poderosos segurando a loucura de queimar petróleo, mas o futuro é elétrico.

 

 

 

 

 

Automóvel elétrico Tata (indiano) apresentado em Londres.

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Quarta-feira, 02.03.11

Diferenças republicanas

Sexta-feira em Paris e em Porto Alegre

 

Paris – Um estilista de moda, estrela e milionário, embriagado, num bar no Marais, discute com um casal de judeus. Diz palavras graves e estúpidas, ofende o casal, agride-os com palavras elogiando Adolf Hitler. É gravado numa câmera de celular. Em seguida é denunciado numa delegacia do bairro. Apesar de ser uma celebridade mundial é detido e passa na noite na cadeia. Foi indiciado e possivelmente passará seis meses na prisão. Foi imediatamente demitido do cargo singular que ocupava na célebre Maison Dior, onde era o designer-mestre que assinava as grandes coleções de moda. Passaram-se quatro dias do fato ocorrido em Paris.

 

Porto Alegre – Um alto funcionário do Banco Central, uma espécie de banqueiro com o dinheiro público, atropela brutalmente quase uma centena de ciclistas, pelas costas, simplesmente porque ficou irritado em esperar alguns minutos para cruzar uma avenida da cidade. Faz uma tentativa de assassinar coletivamente dezenas de pessoas indefesas e foge sem socorrer ninguém. Esmaga e inutliza vinte bicicletas. Fere com fraturas, contusões e prováveis sequelas futuras quase duas dezenas de pessoas. Gera uma demanda e superlotação de ambulâncias e de leitos no Hospital de Pronto Socorro, ocupando equipamentos públicos e ocasionando graves prejuízos com o dinheiro público, dissipando frivolamente valores essenciais para a saúde coletiva.

 

Procura confundir e dificultar as investigações, ocultando as placas do automóvel e agindo de maneira subrepticia para mascarar as provas na arma utilizada, o seu carro. Esconde-se por três dias e aparece com um história inventada, sem credibilidade alguma. Toda a cena sangrenta e dolosa do atropelamento é gravada numa câmera de celular. Nada acontece. O criminoso aparece, dá entrevistas e some alegremente, protegido pelos seus advogados, sob o olhar leniente da Polícia, que nada faz. O prefeito da cidade sequer aparece para dar uma palavra aos cidadãos aturdidos pela violência urbana e para assegurar um mínimo de segurança para os que utilizam um veículo que tem sido uma solução viária em importantes cidades do mundo (inclusive em Paris). A direção do Banco Central fica em silêncio. Publicamente omissa. A pantomina continua e o ator-criminoso continua seu solo em liberdade, frente à platéia de tolos. Será que mais uma vez em Porto Alegre a história vai se repetir, na qual os heróis negativos, os que matam, os loucos destemperados são tolerados, admirados e recebem discretos  e eficientes apoios silenciosos, o tempo passa, tudo fica igual e termina em pizza? Passaram-se quatro dias do fato ocorrido em Porto Alegre.

 

 

 

 

 

Publicado no jornal Zero Hora: Motorista que atropelou grupo de ciclistas 
é preso em hospital de Porto Alegre
 A Polícia Civil prendeu, às 6h30min desta manhã, quarta-feira, 02 de março,
o funcionário do  Banco Central Ricardo Neis, 47 anos, 
autor do atropelamento, com um automóvel Golf blindado, de um grupo 
de cerca de uma centena de ciclistas na última sexta-feira 
no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. 
Neis foi localizado em um hospital psiquiátrico
 da zona sul da capital, RS, no qual se internara por iniciativa própria.
No local, a polícia aguarda a chegada do médico e do advogado do atropelador 
para encaminhá-lo à Delegacia de Delitos de Trânsito da Capital. 
A saída do hospital dependerá de alta médica. 
Segundo o delegado Rodrigo Garcia, quando o mandado de prisão foi lido, 
Neis parecia desorientado (possivelmente em razão dos medicamentos 
tranquilizantes tomados). Surpreso, ele teria perguntado à polícia 
qual o motivo para a sua prisão
Na terça-feira, a Justiça acatou o pedido da Polícia Civil e decretou a prisão preventiva 
do funcionário do Banco Central.
publicado por ardotempo às 02:24 | Comentar | Ler Comentários (2) | Adicionar
Segunda-feira, 28.02.11

O ataque contra os ciclistas de Porto Alegre

 
O Serial Killer de Porto Alegre
 
O terrível serial killer de Porto Alegre, o atropelador em massa de ciclistas, o valente do volante do automóvel Golf negro de rodas velozes, chama-se Ricardo José Neis. O “maverick” livre, macho, veloz e imperativo que ninguém bloqueia. O malvado que odeia bicicletas. O baby boomer hedonista que não suporta esperar, com seu potente veículo, atrás de algumas frágeis e lentas bicicletas.
 
Ele é alto funcionário do Banco Central do Brasil, está blindado com seus advogados e alega legítima autodefesa pois sentiu-se ameaçado ao ver tantas bicicletas à sua frente, todos de costas para ele, seguindo na mesma direção em que ele trafegava num automóvel reluzente, desafiadoramente com muito menos velocidade do que ele era capaz de imprimir ao seu novo e potente carro. Insuportável situação aquela que o impedia de ir em alta velocidade, como sempre estivera disposto a fazer, nas suas ruas, nas suas estradas. O seu ir e vir é mais importante, naturalmente, do que o ir e vir de milhares de outras pessoas na mesma cidade. 
 
Se fossem tanques de guerra, ônibus, carros, cavalos ou até mesmo sólidas motos, ele aguardaria um pouco ou até desviaria pela rua lateral. Mas bicicletas e meros ciclistas... NÃO, aquilo era definitivamente insuportável. O serial killer odeia ciclistas, como odeia os pedestres e não estancaria frente a capivaras silvestres ou galinhas...
 
O alto funcionário do Banco Central não hesitou e acelerou gloriosamente, coração e instinto destemidos, como num vídeogame e os atropelou a todos, pelas costas, jovens, adolescentes, mulheres, crianças, cães. Nada seria obstáculo à sua confirmada valentia no trânsito. Um sucesso nas telas.
 
Sente-se ainda chocado pela visão apocalíptica e assustadora de tantos ciclistas obliterando o seu caminho e o seu natural ritmo imperativo; a ele, o piloto audaz do Golf negro, a quem ninguém ousaria desafiar.
 
Portanto, naquele seu gesto higiênico e industrial, ele expressara a sua mais profunda repulsa a todos e em especial à lentidão anacrônica das malditas bicicletas que ele tanto odiava.
 
Ele, o “maverick”, o funcionário do monumento ao dinheiro, passou por cima de todos, esmagando prazerosamente as bicicletas, convencido que está inocente desde o primeiro instante e com as razões de sua própria escolha, um mártir dos tempos de dinâmica velocidade e uma espécie de Muamar Kadhafi do trânsito de Porto Alegre, a quem todos devem aprender a respeitar e temer.
 
 
publicado por ardotempo às 16:22 | Comentar | Adicionar
Domingo, 27.02.11

Bicicletas assassinadas

 
Atropelamento múltiplo de ciclistas em Porto Alegre
 
Na noite de sexta-feira dia 25 de fevereiro, no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre, um automóvel Golf preto, novo, atropelou e derrubou cerca de 200 ciclistas do grupo Massa Crítica, ferindo com gravidade 15 ciclistas, removidos com urgência ao Hospital de Pronto Socorro, destruindo totalmente 20 bicicletas e danificando dezenas de outras. Na sequência, em alta velocidade, fugiu do local do crime, abandonando dezenas de feridos graves no asfalto da avenida. A Polícia de Porto Alegre mostrou-se incapaz de identificar e prender o agressor, apesar de ter localizado o carro danificado na madrugada de sábado no bairro Partenon, abandonado e com a placas de licença removidas.  A Polícia já sabe que o carro pertence a um morador do Centro de Porto Alegre, que tem a idade de 47 anos, porém não consegue informar sua identificação, localizá-lo fisicamente e tampouco esclarecer o motivo que o levou a "a participar do acidente".
 
Aparentemente o proprietário, talvez o motorista, chama-se Ricardo José Neif, 47 anos, e seria morador no centro de Porto Alegre.
 
 
Carta aberta de repúdio ao Delegado Gilberto Almeida Montenegro e à Polícia Civil do RS
 
Em primeiro lugar, Sr. Delegado de Polícia Gilberto Montenegro, nós os ciclistas não cometemos erro nenhum, estávamos utilizando as vias públicas de Porto Alegre com meios de transporte autorizados e legais, o que inclusive deveriam ser incentivados para que não ocorram congestionamentos e poluição ambiental.
 
O “erro” que o Sr, afirma, muito menos foi um ”erro grave”, pois legalmente não se necessita pedir autorização para nenhuma entidade para pedalar bicicletas em conjunto, repito, em vias públicas de Porto Alegre ou em qualquer cidade brasileira. Além disso, a EPTC sabia dos eventos da Massa Crítica.
 
Outro equivoco do Sr. – ninguém impediu o direito de ir e vir de ninguém – estávamos andando nas vias como meios de transporte legítimos, bicicletas, conhece o Sr. uma bicicleta, sabe o que é? Um veiculo aceito e autorizado ao trânsito urbano pelo Código Nacional de Trânsito?
 
Não era uma manifestação e sim um deslocamento para uma festividade, com muitas pessoas utilizando o mesmo meio de transporte. Eram 200 carros, Sr. Delegado? Não, eram singelas bicicletas, pois se todos fossemos de carro ficariamos congestionados na via pública. Isso sim seria um transtorno para muitos.
 
Os automóveis frequentemente são os que obstruem a minha passagem de bicicleta pelas vias, pois normalmente ando mais rápido que um carro para ir da perimetral até a Olavo Bilac, pela José do Patrocínio.
 
Sr. Delegado, responda-me uma coisa somente: porque nos dias de futebol várias ruas são legalmente fechadas e o fluxo de carros é totalmente impedido para que torcedores, apenas torcedores pedestres, passem? Estas manifestações são consideradas mais “legítimas” pela polícia? Elas podem impedir o direito de ir e vir de todos os outros que nada têm a ver com futebol, e que às vezes muitas vezes, por questões urgentes, até de saúde e de risco de vida, necessitariam passar por aquelas vias bloqueadas?
 
Com mais 100 ciclistas derrubados, 20 bicicletas, eu disse 20 bicicletas totalmente destruídas, além das dezenas de feridos graves e um carro bastante avariado, como o Sr acha que “ainda não é possível afirmar que o motorista teve alguma intenção de matar”?  As testemunhas, e são várias, e o Sr. já deve tê-las ouvido como delegado de polícia que é, disseram que o carro acelerou deliberadamente, com intensidade e não parou mesmo com pessoas sobre o capô e bicicletas amontoadas embaixo do carro. E o Sr. afirma publicamente que não foi com intenção de matar? Em nome do que e de quem o Sr. defende esse agressor que não conhecemos?
 
Por favor, só posso interpretar esta declaração como tendenciosa, defendendo, protegendo e ocultando o criminoso. Ainda por cima está esperando ouvir o motorista para que ele confirme ou não que teve a intenção de matar ou ferir alguém? Ora, me desculpe, isso não é polícia investigativa, Sr. Delegado Gilberto Almeida Montenegro. Por acaso, vocês já conhecem o motorista? Ele é policial? É alguém de nome importante na cidade ou filho desse alguém considerado importante? A polícia está ganhando tempo e acobertando alguma coisa? Esperando o tempo passar para evitar o flagrante ou extinguir os resíduos do álcool ou das drogas?
 
Se o proprietário do carro não deu queixa nenhuma, não informou roubo do veículo, não foi para sua casa, não atende ao telefone e abandonou o carro num bairro popular, distante da sua residência no centro ou em algum bairro sofisticado da cidade, logo depois da tentativa de assassinato coletivo, retirando ardilosamente as placas do carro, o que significa isso? Quem poderia estar dirigindo o carro, anonimamente?
 
A perícia tirou ao menos, impressões digitais no carro, no volante, no espaço do carro em que estavam as placas que foram removidas? Ou nem isso fizeram?
 
Com tudo isso que eu argumentei, qualquer pessoa de mínima inteligência ligaria todos fatos, informando imediatamente a população quem é o culpado, quem dirigia o carro naquele momento de intensa agressão. Espero que a Polícia Civil tenha o mínimo respeito à população, que merece ser informada.
 
Sr. Delegado Gilberto Montenegro, espero que o Sr. também peça desculpas publicamente por suas declarações infelizes, pois o Sr. criminalizou um movimento de ciclistas em paz, lutando apenas por dignidade e respeito no trânsito, ao tentar justificar e amenizar o procedimento do agressivo atropelador.
 
Continuaremos com muito mais bicicletas nas ruas, pois é nosso direito, é o nosso meio de transporte, sem poluição, sem alarido, sem agressão ao meio ambiente e aos outros cidadãos.
 
Mais amor, menos motor!
 
Guilherme Schröder
publicado por ardotempo às 13:29 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Segunda-feira, 21.02.11

Baleias

Suicídio coletivo de baleias

 

 

 

"Algo está errado com a água, algo está errado na atmosfera, algo está errado no ar"

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publicado por ardotempo às 12:09 | Comentar | Adicionar
Sábado, 17.07.10

Carne vermelha, muita carne: esses animais não têm alma?

Cultura da carne

 

Leonardo Brant

 

Não pertenço a nenhuma tribo ou religião. Comecei a eliminar a carne do meu cardápio por questões de bem-estar pessoal. Simplesmente me sentia melhor sem carne. Mais leve, com maior vitalidade, sem o peso da digestão.

 

Isso não faz de mim um ativista, mas não me impede de refletir sobre os efeitos pessoais e sociais de uma vida sem (ou com menos) carne.

 

Apesar de ter passado um período mais radical, vivendo sem álcool, café, glúten e lácteos, a dieta mais adequada para mim é a do equilíbrio e do bom senso. Quando exagero, faço jejum, volto a essa dieta higienista e retomo o bom funcionamento do organismo. Assim como a cultura do automóvel, a cultura da carne é algo central em nosso sistema socioeconômico, símbolo de um processo civilizatório baseado na propriedade e na crença da superioridade humana sobre todas as outras formas de vida. E da nossa supremacia cultural sobre nós mesmos, justificando guerras, violências, descasos, abandonos.

 

Isso faz com a população de gado no Brasil, por exemplo, seja maior que a de humanos, e sirva única e exclusivamente para provê-lo de couro, derivados de leite, carne, além de outros alimentos e produtos, das vísceras ao mocotó. O mesmo se aplica aos frangos, patos, porcos, carneiros e ovelhas, que devem sua existência tão somente como fonte de alimento ao ser humano.

 

Cada vez mais o processamento da carne se dá modo industrializado, o que resulta em desequilíbrio ecológico, a ponto de se configurar como uma das principais causas do buraco na camada de ozônio e do aquecimento global. Mais água, mais pasto, mais produção de ração, mais desmatamento, mais gases metano.

 

Assim como a indústria do automóvel, a da carne tem uma relação de causa e efeito com o invetitável abismo entre pobres e ricos no mundo: se todos comerem carne e utilizarem automóvel diariamente, o planeta explode.

 

Recentemente o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne. Isso diz muito sobre o modelo de desenvolvimento que estamos construindo. E a nossa atitude diante disso diz mais ainda sobre o lugar que ocupamos no planeta.

 

Sustentabilidade não é algo para delegarmos às empresas e cobrarmos dos governos. É, antes de qualquer coisa, uma questão de cultura e cidadania. Como consumir, como votar e participar da construção das políticas públicas é a questão vital para a vida em sociedade e para a construção da democracia.

 

Leonardo Brant - Publicado em Cultura e Mercado

 

 

 

 

Experimente ler: A VIDA DOS ANIMAIS , de J. M. Coetzee - Companhia das Letras

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publicado por ardotempo às 03:18 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 14.06.10

Vazio infinito

Cada vez mais sós

 

Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.

 

 

 

 

José Saramago

 

(Publicado no blog Outros Cadernos de Saramago)

 

publicado por ardotempo às 01:33 | Comentar | Adicionar
Terça-feira, 08.06.10

A excelência usa cortiça

 

Franceses fazem campanha em defesa das rolhas de cortiça

 

Nos últimos 15 anos o uso de rolhas de cortiça em vinhos caiu consideravelmente. De sua posição dominante no mercado com 95% ela caiu para 70%, sendo agora substituída por tampas de plástico e de alumínio.

 

Reagindo a uma tendência do mercado, a Apcor - a maior produtora de cortiça do mundo - iniciou uma campanha internacional de 20 milhões de euros.

 

Uma das principais mensagens da campanha será a de que técnicas têm sido desenvolvidas para diminuir cada vez mais as chances de um vinho se tornar "arrolhado". Isso acontece quando a cortiça, por ter características maleáveis, contém imperfeições que podem alterar o aroma e até mesmo o gosto da bebida.

 

A Federação Francesa de Cortiça também tem feito a sua parte para que a tradição de séculos não seja abandonada. O órgão fez inúmeras pesquisas sobre a preferência do consumidor e chegou à conclusões animadoras. De acordo com os estudos, nove em cada dez franceses preferem a rolha de cortiça em seus vinhos e oito em cada dez associam a cortiça a bebidas de qualidade. 

 

A questão ambiental também é um importante fator a favor da rolha de cortiça. As pesquisas da federação mostraram que o material produz dez vezes menos emissões de carbono do que as tampas de plástico e 26 vezes menos do que tampa de rosca.

 

Em 2009, 11.300 milhões de rolhas foram vendidas no mundo, uma queda de 3,5 por cento em relação ao ano anterior. 

 

 

 


 

 

Publicado no Universo Online / UOL

publicado por ardotempo às 02:16 | Comentar | Adicionar
Domingo, 02.05.10

Créditos de Carbono. Alguém acredita?

Cultura e sustentabilidade


Sustentabilidade. O grande tema do novo milênio surge como um alerta promovido por ativistas e organismos internacionais para a escassez dos recursos naturais disponíveis no planeta diante da fúria do capitalismo global. Este, por sua vez, como se não fosse o grande responsável pela catástrofe anunciada, tomou a dianteira desse processo e ressignificou, talvez de maneira irreversível, o próprio conceito de sustentabilidade.


A demanda por desenvolvimento (agora sustentável) abriu novas frentes de exploração e especulação mercadológica, com base em créditos de carbono, carteiras de investimento “éticos” e uma série incontável de produtos, já anunciam um processo de “commoditização” da sustentabilidade.


Mas quando falamos de responsabilidade ambiental ou social, referimo-nos, em última análise, a uma necessidade de mudança de comportamento e atitude em relação a nós mesmos e ao planeta em que vivemos. Uma questão cultural, portanto.

 


Por outro lado, a questão cultural é inexplicavelmente deixada de lado. Não faz parte do vocabulário e das discussões estratégicas no campo da sustentabilidade.


Por que o mesmo tipo de convergência das agendas sociais não se efetivou do lado da cultura? Por que o apelo do marketing e do entretenimento sobrepõe-se às questões de relevância para o desenvolvimento cultural? Como buscar uma afinidade temática entre as questões ambientais e as responsabilidades social e cultural?


Leonardo Brant - Do livro O Poder da Cultura / Publicado no blog Cultura e Mercado

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Domingo, 25.04.10

Toneladas de dióxido de carbono na atmosfera

Cultura do automóvel

 

Leonardo Brant

 

Desisti do carro há quase 3 anos. A decisão veio acompanhada do desligamento do serviço de telefonia celular, da TV por assinatura e de uma reforma alimentar que eliminou produtos industrializados, carne, café e bebida alcoólica dos meus hábitos. Um processo de desintoxicação, que visava, acima de tudo, expurgar os males da civilização. Queria me proteger da sociedade de consumo – e do espetáculo. 

 

Sob forte inspiração de Gandhi e influência direta de Lia Diskin, da Palas Athena, posso resumir minha busca numa palavra: práxis. O mal estar da pós-modernidade havia se materializado em mim de forma irreversível e concreta por meio da incoerência absurda entre o que penso e o que faço.

 

Weber já apontava para essa interdependência entre o nosso comportamento como gerador daquilo que nos aprisiona. “Somos assombrados pelos monstros que criamos”, reforça Edgar Morin referindo-se ao imaginário social construído pelas religiões e, sobretudo, pela mídia. Sair dessa lógica, no entanto, é bem mais difícil e complexo do que simplesmente abrir mão dos fetiches, dos instrumentos de representação – e de coerção – já arraigados nos modos de vida dessa sociedade.

 

 

Há duas semanas fui convidado a abrir um seminário sobre educação para o trânsito e mobilidade urbana, na Unicamp. Ali, tentei fazer uma conexão direta entre a cultura do automóvel e a indústria cultural. Parti da minha experiência pessoal, das mudanças provocadas no meu dia-a-dia, mas sobretudo pelo imbricamento entre o tecnologismo capitalista, aqui representado pelo automóvel, como seu símbolo supremo, e a cultura de consumo, exarcebada pela “sociedade do espetáculo”.

 

Parti de um diálogo entre a ideia de cultura, sua origem etimológica, explorada em meu novo livro, O Poder da Cultura, e a contraposição entre cultura matrística e cultura patriarcal proposta por Humerto Maturana, em Amar e Brincar, editado, não por acaso, pela Palas Athena. E a cultura do automóvel como uma espécie de síntese imagética dessa cultura patriarcal, baseada na competição, no status, na busca do poder, da distinção, da privatização do espaço público, e o consequente modelo de desenvolvimento decorrente dessa cultura.

 

Mesmo sendo o meio menos eficaz de locomoção no espaço urbano, o automóvel representa um dos maiores itens no orçamento familiar do brasileiro médio e um dos maiores custos para a sociedade, pois exige grandes investimentos de infraestrutura. Isso sem contar a conta ambiental e no sistema de saúde, já que o acidente de automóvel é uma das maiores causas de morte no mundo.

 

Mesmo assim constitui a base do nosso projeto desenvolvimentista, símbolo do governo JK, de Itamar e até mesmo de Lula, que utilizou o incentivo ao consumo de automóveis como um dos principais agentes provocadores da resistência do país à crise financeira. Ao mesmo tempo que estimulava o endividamento da família brasileira, aumentava os impostos da atividade cultural, que segundo pesquisas do próprio governo, gera mais empregos que a indústria automobilística.

 

Mas há também uma interdependência entre indústria cultura e do automóvel. Adorno nos deixou a seguinte provocação em seu clássico texto sobre “A Indústria Cultural” (1947):

 

A racionalidade técnica hoje é a racionalidade da própria dominação. Ela é o caráter compulsivo da sociedade alienada em si mesma. Os automóveis, as bombas e o cinema mantêm coeso o todo e chega o momento em que seu elemento nivelador mostra sua força na própria injustiça a qual servia. Por enquanto, a técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do sistema social.

 

A competição, o individualismo, a busca de status, a opção pelos grandes amontoados urbanos e a consequente exclusão das vias de acesso àqueles que não possuem automóveis, são urgências do homem civilizado contemporâneo. A busca incessante por informação, o acúmulo do know-how, a via expressa. O carro potente, veloz, automático, seguro, confortável, tornou-se uma espécie armadura que protege o “homem de bem” das inseguranças do século XXI.

 

A via asfaltada, a velocidade, a pressa, são necessidades contemporâneas fabricadas por nosso modelo civilizacional. O automóvel torna-se o fetiche supremo, uma espécie de falos coletivo que move, como nenhum outro objeto, em direção ao abismo dos sentidos.

 

Vivemos num vácuo de significados. O ato do consumo nos conforta, nos dá a segurança e a autoconfiança para continuarmos em frente, fazendo aquilo tudo que já não acreditamos, mas já não temos força ou uma nova utopia que nos redirecione.

 

O único antídoto que eu conheço para esse vazio é preenchê-lo com arte e cultura. Da boa e também da ruim. Daquilo que eu gosto e do que eu duvido. Um pouco também daquilo que só os loucos, os sonhadores e atrevidos têm condição de nos mostrar.

 

Enquanto for presa fácil dos meios de comunicação, com sua publicidade e o seu marketing, e da cultura oficial, com demagogia e populismo crescentes, o cidadão, de bem ou do mal, só verá esse vazio aumentar. E gerar os desequilíbrios e distúrbios imaginários que vivemos atualmente.

 

Seis meses depois religuei o celular; hoje utilizo o automóvel da minha companheira em situações específicas, uma ou duas vezes por semana; bebo moderadamente e estou em busca de uma clínica de reabilitação para viciados em cultura e café. Se alguém aí souber, por favor me avisa!

 

Leonardo Brant

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Sexta-feira, 12.02.10

Previsão do tempo

Fotografia

 

 

 

Gilberto Perin - Ambiente - Fotografia (Paris França), 2009

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Domingo, 31.01.10

A chuva de São Paulo

A cor do céu

 

 

 

 

Felipe Araújo - São Paulo - Fotografia (São Paulo SP Brasil), 2010

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Segunda-feira, 25.01.10

"Não me coma"

Parar de comer carne pode salvar o planeta?

 

James Kanter 

 

 

 

 

Os representantes que chegavam aos portões da conferência sobre o clima em Copenhague, no mês passado, eram recebidos por mulheres vestidas como animais peludos segurando placas mostrando imagens de carneiros, vacas e porcos e alertando: "Não me coma".

 

As mulheres eram representantes de Ching Hai, a líder de um grupo que defende a adoção de preceitos budistas, incluindo seguir uma dieta vegetariana. Enquanto faziam fila por horas sob condições congelantes, muitos dos delegados pareciam gratos pelos lanches bem embalados - sanduíches sem carne - que as mulheres distribuíam de graça.

 

Os seguidores de Ching Hai dizem que uma das metas principais dela é combater desastres ambientais, e seus representantes em Copenhague pareciam ávidos em divulgar a mensagem de que o metano, expelido em grandes quantidades por vacas e outros rebanhos criados pelas indústrias de carne e laticínios, está entre os mais potentes gases do efeito estufa. Mas as virtudes do vegetarianismo como parte do combate à mudança climática estão longe de ser uma questão apenas para aqueles com inclinação espiritual.

 

Muito antes do encontro de cúpula em Copenhague, o aumento da demanda por carne e laticínios, particularmente entre a crescente classe média de países como China e Índia, com economias em rápido desenvolvimento, fez com que os elos entre a mudança climática e a política alimentícia se transformassem em um elemento importante no debate em torno do que fazer a respeito do aumento dos níveis dos gases do efeito estufa. O assunto pareceu ganhar força nas semanas que antecederam a conferência em Copenhague, com figuras proeminentes dos mundos da ciência e do entretenimento entrando na briga.

 

Falando no Parlamento Europeu no início de dezembro, o Beatle Paul McCartney disse que há uma necessidade urgente de fazer algo a respeito da produção de carne, não apenas por causa de seus efeitos sobre o clima, mas também por causa de questões relacionadas, como desmatamento e segurança das reservas de água

 

McCartney, que há muito defende o vegetarianismo, pediu aos legisladores europeus que apoiem políticas que encorajem os cidadãos a evitarem de comer carne pelo menos um dia por semana, algo que poderia virar tão comum como reciclagem ou carros que rodam com tecnologia híbrida. Funcionários públicos na cidade belga de Ghent e crianças em idade escolar de Baltimore já realizam o dia sem comer carne uma vez por semana, ele afirmou.

 

McCartney estava acompanhado no Parlamento por Rajendra Pachauri, o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2007, que é a principal entidade da ONU que estuda o clima.

 

A conscientização pública dos problemas associados à carne é baixa, e as autoridades poderiam considerar impor uma sobretaxa sobre a carne bovina para desencorajar o consumo, disse Pachauri em comentários divulgados pela agência de notícias France-Presse.

 

Os produtores de carne imediatamente rotularam os comentários como um ataque à indústria e críticas vieram até de lugares tão distantes quanto a Nova Zelândia. "Cortar a carne por um dia pode parecer uma solução simples, mas há pouca evidência mostrando qualquer benefício", disse Rod Slater, o presidente-executivo da Beef and Lamb New Zealand, para a associação de imprensa do país."Sugerir que a carne não é verde é uma difamação emotiva contra uma indústria que continua investindo em pesquisa, lutando por maiores melhorias", acrescentou Slater, que disse que as pessoas que vivem na Nova Zelândia obtêm suas necessidades nutricionais diárias e grande parte de suas proteínas, zinco e vitamina B12, da carne bovina e de carneiro.

 

De fato, como várias outras áreas de pesquisa na ciência climática, a intensidade dos gases do efeito estufa na produção de carne é contestada. Quando um estudo na edição de novembro-dezembro da revista "World Watch" alegou que mais da metade dos gases produzidos pelo homem e que aquecem o planeta eram causados pela indústria da carne, um grupo de pesquisa do setor rebateu que um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) já tinha mostrado que o número relevante era mais próximo de 18%.

 

O estudo publicado na "World Watch" fracassou em "realçar os contrafatuais - como, por exemplo, seria um mundo sem rebanhos domesticados", escreveu Carlos Sere, diretor-geral do Instituto de Pesquisa Internacional de Rebanhos, em Nairóbi, na "Green Inc." em novembro. "Os herbíveros selvagens e cupins não poderiam tomar muitos desses ambientes, produzindo no final tantos gases do efeito estufa quanto os ruminantes domesticados?", perguntou Sere. "Nós, francamente, não sabemos ainda." Certamente a questão pode ter muito mais nuances do que alguns comentaristas sugerem.

 

Por exemplo: gado alimentado no pasto pode ter uma pegada de carbono muito menor do que aquele alimentado com ração e em confinamento, porque os animais em pastos exigem menos insumos baseados em matérias-primas fósseis como fertilizantes e porque eles ajudam o solo a retirar carbono. Esforços renovados estão em andamento para se chegar ao fundo do assunto.

 

No início deste mês, a Organização Mundial para a Saúde Animal disse que estudaria o efeito da produção de carne sobre a mudança climática, diante dos pedidos de seus países membros. "É uma questão que precisa ser estudada com bastante isenção", disse Bernard Vallat, o diretor-geral da organização, em uma coletiva de imprensa segundo a agência de notícias Reuters. "Nós queremos dar uma contribuição modesta e independente", ele declarou.

 

Vallet explicou que uma das questões mais espinhosas é como envolver a agropecuária nos esforços para reduzir os gases, mantendo ao mesmo tempo a segurança alimentar.

 

Sere, do instituto de pesquisa dos rebanhos, reconheceu a necessidade do desenvolvimento de uma forma de produção de rebanhos entre a pecuária industrial e familiar, que eliminaria a pobreza sem esgotar os recursos naturais ou prejudicar o clima. Ele disse que os ambientalistas devem ter em mente que "a maior preocupação de muitos especialistas em relação aos rebanhos nos países em desenvolvimento não é seu impacto sobre a mudança climática, mas, sim, o impacto da mudança climática sobre a produção dos rebanhos".

 

Os "ambientes tropicais mais quentes e mais extremos que estão sendo previstos não ameaçam apenas até um bilhão de meios de vida baseados na pecuária, mas também o suprimento de leite, carne e ovos para as comunidades famintas que mais necessitam desses alimentos", ele concluiu.

 

Publicado no UOL 

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Segunda-feira, 18.01.10

Haitis, tsunamis, furacões Katrina e Catarina

Queimada na floresta, soja transgênica no campo infinito, pré-sal, petróleo do Iraque, bio-combustível, energia do vento, transposição de rios, port-au-prince, muro na favela, enchentes, nevasca, muro na fronteira... E há quem pense em futibol.

 

A jornada no espaço e no tempo

 
No Reino Unido, sobrou pouca terra para cultivo e para nos alimentar, mas nós e os refugiados poderemos, de qualquer forma, não ser capazes de o fazer, porque a maioria absoluta de nós é urbana, e praticamente ignora a vida além da cidade, não entendendo que todas as nossas vidas dependem dele.
 
As visões tão íntegras e bem-intencionadas da União Europeia para "salvar o planeta" e promover o desenvolvimento sustentável com o uso apenas de energia "natural" poderiam ter funcionado em 1800, quando havia apenas um bilhão de seres humanos no mundo, mas agora não podemos nos dar a esse luxo. De fato, à sua própria maneira, a ideologia verde que agora parece inspirar o norte da Europa e os Estados Unidos poderá, afinal, ser tão prejudicial ao meio ambiente real quanto o foram as ideologias humanistas anteriores. Se o governo do Reino Unido persistir em forçar os esquemas dispendiosos e nada práticos da energia renovável, em breve descobriremos que quase tudo o que resta da nossa região rural será usado para a produção de biocombustível, geradores de biogás e parques eólicos de escala industrial - tudo isto no exato momento em que precisaremos de todo o campo existente para o cultivo de alimentos.
 
 
Não se sinta culpado por optar por essa bobagem: um exame mais profundo revela que ela é um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes. Não acredite por um momento sequer na conversa de vendedor de que isso salvará o planeta. A conversa mole dos vendedores tem a ver com o mundo que eles conhecem, o mundo urbano. A Terra real não precisa ser salva. Pôde, ainda pode e sempre será capaz de se salvar, e agora está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais. O que as pessoas querem dizer com o apelo é "salvar o planeta como o conhecemos", e isso agora é impossível.
 
James Lovelock  (A vingança de Gaia)

 

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Segunda-feira, 11.01.10

Dívidas, hiper-consumo, ruptura ambiental

De olhos bem abertos
 
Manuel Maria Carrilho
 
 
"Deus ri-se das criaturas que se queixam dos efeitos, mas que continuam a alimentar as suas causas" - Bossuet
 
Vivemos hoje, individual e colectivamente, lúcida ou inconscientemente, as consequências das nossas opções.
 
Quando estas consequências são boas, todos reivindicam um papel, quantas vezes a despropósito. Quando elas são más, não aparece ninguém a assumir responsabilidades. Pelo contrário, todos as enjeitam, escondendo-se atrás do inesperado, como se de repente uma ordem sobrenatural - a crise, claro! - se abatesse sobre a humanidade.
 
Assim entendida, a crise corre o risco de conduzir a uma inquietante irresponsabilidade, passando-se ao lado do essencial, que é - quer se trate do autismo financeiro ou do desastre ecológico, do impasse económico ou do susto social - o do realista confronto connosco próprios.
 
Confronto incómodo porque, por um lado, revela toda a fragilidade do racionalismo calculista que tem dominado o mundo nas últimas décadas. E, por outro lado, porque destaca a força dos elementos irracionais - a que os gregos chamavam pathos - no comportamento humano, seja pelo lado dos que iludem (traders, publicitários, políticos, agências de rating, etc), seja pelo lado de todos os que são iludidos, numa espiral de cumplicidade que marcou o singular crescimento destes últimos vinte anos.
 
A crise é, contudo, a hora do inevitável confronto com algumas evidências, que têm sido evitadas pela cegueira que sempre tende a acompanhar a perseguição dos nossos desejos. O homem, dizia Adam Smith, gosta de colher o que nunca semeou, vivendo o impossível como se de algo natural se tratasse. E o impossível foi, na circunstância, um crédito sem consequências, como se as dívidas contraídas se esfumassem no imperativo da despesa ou na magia do consumo.
 
Foi esta a ilusão que a crise veio por brutalmente em causa. Tanto como evidenciar os indubitáveis excessos da finança, ela veio questionar este modo de viver, que se impôs com a precarização generalizada de populações enfraquecidas pelo aumento do custo de vida, mas constantemente seduzidas e electrizadas pelo hiper-consumo. Situação a que só conseguiram fazer face, dada a estagnação salarial, recorrendo cada vez mais ao crédito.
 
O calcanhar de Aquiles está, pois, aqui: o crescimento assentou, nas últimas décadas, e de uma forma cada vez mais intensa, no crédito. Esgotado este recurso, dados os já estratosféricos níveis da dívida (primeiro da privada, e agora também da pública), haverá algo que ponha de novo este modelo em funcionamento? Esta é a questão nuclear, que continua sem resposta.
 
E, entretanto, a tenaz aperta-se. Como ainda por estes dias explicavam J. P. Fitoussi no Le Monde e P.Krugman no The New York Times, ou se continua a beneficiar o infractor que joga com cinismo no "too big to fail", correndo-se o risco de se caminhar para uma nova bolha. Ou se aposta na normalização da situação, e as hipóteses de recessão e de uma explosão do desemprego são imensas
 
Não admira, pois, que se fale tanto em mudar de paradigma. Mas para se mudar de facto de paradigma, é fundamental que, de olhos bem abertos, se compreenda a verdadeira novidade desta crise, tanto quanto à sua natureza como quanto às suas consequências. Este passo, contudo - como bem se viu no mês passado em Copenhaga - dificilmente será dado pelos mesmos actores que conduziram à situação actual. Esperá-lo é como acreditar que um dinossáurio se torne num mamífero…
 
É preciso outro espírito, que combine realismo e utopia e perceba que hoje tudo está de facto ligado. São necessárias outras visões, outras instituições e outros gestos, que não sejam de pura retórica, como acontece com as vagas promessas de um crescimento "mais verde", "mais sustentável" ou "mais tecnológico".
 
Como diz Mia Couto, este "desenvolvimentês" tornou-se na linguagem do engano mais comum, porque fala do que na verdade é incapaz de pensar. E, assim, mantém os que a ouvem reféns de tudo aquilo que conduziu à crise quando, justamente, do que se precisa agora é de mudança de expectativas e de comportamentos, de linguagem e de valores.
 
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Sábado, 09.01.10

Agonia e prazer

 Schopenhauer:

 

"Seria melhor que não existisse nada. Como há mais sofrimento que prazer sobre a terra, toda satisfação é apenas transitória, criando novos desejos e novas aflições, e a agonia do animal devorado é maior que o prazer do devorador."

 

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Sexta-feira, 08.01.10

"Ver a Terra do alto, antes que desapareça"

James Lovelock: Biocombustíveis são embuste criado por interesses
 
 
Energia eólica, biocombustíveis e outras tecnologias "verdes" parecem ser alguns dos melhores investimentos para minimizar as alterações climáticas e ajudar a deter o aquecimento global, certo? Não para um dos ambientalistas mais respeitados do mundo, James Lovelock.
 
Conhecido internacionalmente por ser o autor da chamada hipótese Gaia --que, resumidamente, considera o planeta Terra como sendo um superorganismo--, Lovelock afirma em seu livro "Gaia: Alerta Final" que algumas destas tecnologias não passam de "um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes".
 
De acordo com ele, existem muitas coisas que podemos fazer para amenizar os problemas causados pelas mudanças no clima --no entanto, ele acredita ser muito pouco provável que realmente as levemos a cabo. "Não perceberemos, enquanto desfrutamos de nossas vidas cotidianas, que o custo de nossa negligência poderá em breve causar a maior tragédia já vista na história da humanidade", escreve logo no começo do primeiro capítulo da obra, "A Jornada no Espaço e no Tempo".
 
Desde que ele elaborou a hipótese Gaia e a publicou em "Gaia: Um Novo Olhar Sobre a Vida na Terra", nos anos 70, foram poucos os indícios de que a humanidade conseguirá reverter um cenário que se torna cada vez mais assustador. Talvez seja por isso que, aos 90 anos, ele pretende ser um dos primeiros civis a viajar ao espaço pela companhia Virgin Galatic, para "ver a Terra do alto antes que ela desapareça".

Publicado na Folha de São Paulo / UOL
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Quarta-feira, 09.12.09

As jóias de Mana Bernardes

Jóias Cotidianas

 

 

 

 


Mana Bernardes - Jóias de design, confeccionadas com materiais reciclados, 2009

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Domingo, 27.09.09

Marionetes

O pré-sal e a pressa eleitoral
 
Ferreira Gullar
 
Eu, como os demais brasileiros, alegrei-me com a descoberta dos campos de petróleo e gás no pré-sal, que poderão triplicar as atuais reservas do país. Maravilha!
 
O azar, porém, é que isso veio ocorrer logo no governo Lula, que, imediatamente, tratou de tirar vantagem política da descoberta. De saída, atribuiu-a a si, uma vez que, conforme dá a entender, foi ele quem criou a Petrobras e descobriu o Brasil. Dizem que quem o descobriu foi Pedro Álvares Cabral, mas isso é mais uma invencionice dos brancos de olhos azuis.
 
Por ter criado a Petrobras e descoberto os campos do pré-sal, Lula quer usá-los como trunfos na campanha pela eleição de Dilma e, sem perder tempo, logo tomou providências, ou seja, enviou ao Congresso projetos de lei para fazer crer que a exploração do pré-sal começa amanhã. Embora esses projetos tenham sido discutidos durante mais de um ano no âmbito do Executivo, impôs ao Congresso apreciá-los em urgência urgentíssima, o que implica terem a Câmara e o Senado apenas 45 dias, cada um, para discuti-los e votá-los. Mas por que essa pressa toda se se trata de um assunto de enorme complexidade e se o início da exploração daquelas reservas não se dará, segundo os entendidos, antes de 20 anos? A resposta é simples: as eleições para a Presidência da República serão em 2010 e Lula quer se valer de mais essa carta para tentar ganhar o jogo.
 
Ele já se apropriou da descoberta das jazidas do pré-sal, conseguida graças à larga experiência da Petrobras - que existe há mais de meio século - e à colaboração das empresas privadas a ela associadas. Sem perda de tempo, também já repartiu a riqueza futura com todos os Estados da União, em mais uma cartada eleitoral. Isso está num dos projetos enviados ao Congresso, suscitando uma guerra entre os Estados onde se localizam as jazidas e os demais. Feito isso, tirou o corpo fora e os deixou brigando. Como sempre, ele não tem nada a ver com o problema.
 
O governador de Pernambuco, que nunca pensou em dividir os lucros da indústria da cana com o meu pobre Maranhão ou com o Piauí, já pôs as presas à mostra: "Quem disse que o povo do Rio de Janeiro é melhor que o pernambucano?!". E tudo por causa de uma grana que só vai existir de fato daqui a duas décadas; se existir, pelo menos na proporção que se alardeia.
 
Se digo isso é porque tenho ouvido e lido ponderações acerca do pré-sal que deveriam ser levadas em conta por Lula e sua turma. Uma delas suscita a seguinte questão: terá o petróleo a mesma importância daqui a 20 anos? Em vez de meter os pés pelas mãos atabalhoadamente para impor ao país decisões precipitadas, não seria mais sensato aprofundar as discussões dos problemas implicados na exploração do pré-sal?
Nem pensar! A isso o nosso midiático presidente responderá que se trata de uma manobra de seus adversários para derrotá-lo em 2010. Sucede que nem todo mundo que discorda de seu açodamento pertence à oposição. Há, no país, técnicos competentes, estudiosos das questões nacionais, que deveriam ser ouvidos pelo governo.
 
Uma das ponderações que fazem aqueles especialistas decorre do atualíssimo problema do aquecimento global e do uso de energias alternativas não poluentes. Não foi o presidente Lula mesmo quem, faz pouco, andava pelo mundo alardeando as virtudes do nosso etanol? Não era ele quem o indicava como o substituto do petróleo, altamente poluente? Quer dizer que, da noite para o dia, o Brasil deixou de ser a pátria do etanol para se tornar a pátria do CO2?
 
Lula afirmou que a descoberta do pré-sal é um cheque em branco e um novo grito de independência para o Brasil, sem levar em conta que, no mundo inteiro, avança a criação de novas fontes de energia limpa, como a solar e a eólica, sem falar em motores elétricos, já utilizados em automóveis. Em Nova York, trafegam carros movidos, alternadamente, a gasolina e eletricidade, possibilitando grande redução do combustível poluente.
 
Outra notícia significativa é a utilização de usinas movidas a luz solar, como a que se constrói no deserto de Gobi, na China, com capacidade para atender a 3 milhões de pessoas. A energia eólica é utilizada em larga escala por países europeus. O Brasil tem todas as condições para valer-se desses recursos naturais, limpos.
 
Daí a pergunta: não seria mais sensato investir também nesses outros tipos de energia do futuro em vez de jogar tudo no petróleo, cujo futuro é duvidoso?
 

Claro. Mas para fazê-lo precisamos ter à frente do governo um estadista, alguém que pense mais no país do que em si mesmo. 

 

© Ferreira Gullar

publicado por ardotempo às 20:59 | Comentar | Adicionar
Quinta-feira, 06.08.09

No Estado de São Paulo não se fuma mais...

É proibido fumar. Agora só em casa e escondido.
 
A partir da 0h desta sexta-feira (7) começa a valer em todo o Estado de São Paulo a lei 13.541/09, que proíbe fumo em locais fechados de uso coletivo, públicos ou privados, sancionada pelo governador José Serra (PSDB). 
 
Nenhum tipo de fumódromo está permitido. A lei somente permite o fumo ao ar livre e dentro de casa.
 
O fumo está proibido em locais fechados ou até parcialmente fechados, em que haja divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios ou com parede em um só dos lados.
 
Entre os citados na lei estão os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, museus, bibliotecas e cinemas.
 
Publicado no UOL
 
PS.: Nos estádios de futebol, nas arquibancadas abertas e ao vento, ainda pode...(AT)
publicado por ardotempo às 14:06 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Sábado, 18.07.09

Água engarrafada: isso é bom ou ruim?

Cidade australiana proíbe venda de agua engarrafada
 
Com uma votação quase unânime em uma reunião da comunidade, os moradores da pequena cidade turística australiana Bundanoon iniciaram um debate mundial sobre os efeitos sociais e ambientais da água engarrafada que colocou a indústria de bebidas na defensiva.
 
 
 
Autoridades estaduais e municipais nos EUA vêm diminuindo o uso de água engarrafada em escritórios públicos nos últimos anos, alegando diversas preocupações, dentre elas a energia usada para produzir e transportar as garrafas e o aumento da desconfiança do público na água encanada. Até onde sabem os ativistas, Bundanoon é a primeira cidade no mundo a proibir a venda de água engarrafada.
 
Localizada nas terras altas no sudeste de Sydney, Bundanoon é uma cidade pacata de jardins arrumados e chalés graciosos cercados por casas de campo de cidadãos urbanos ricos. É o típico lugar onde desconhecidos conversam nos bancos do parque ao longo da pitoresca rua principal e as pessoas do lugar deixam flores no memorial de guerra local.
 
De acordo com Huw Kingston, proprietário do Ye Olde Bicycle Shoppe e líder da campanha, a proibição não começou como cruzada ambiental. Começou quando a empresa engarrafadora pediu permissão para extrair milhões de litros de água do aquífero local.
 
A princípio, os moradores não gostaram da ideia de caminhões de água atravessando suas ruas tranquilas. Mas, com o crescimento da oposição, muitos moradores começaram a questionar o próprio conceito de transportar água por caminhão por cerca de 160 km ao norte, para uma engarrafadora em Sydney, para depois ser transportada para outras partes - possivelmente até de volta a Bundanoon - para ser vendida.
 
"Tomamos consciência, enquanto comunidade, do que é essa indústria", disse Kingston. "Então nasceu a questão: se não queremos uma fábrica de extração em nossa cidade, talvez não devêssemos mesmo vender o produto final".
 
Uma dezena de ativistas se reuniu e convocou uma reunião da comunidade. Dos 356 moradores que apareceram para votar com um aceno de mão, apenas um fez objeções.
 
A proibição é inteiramente voluntária. Com o apoio do público, os seis principais comerciantes de alimentos da cidade concordaram em tirar a água engarrafada de suas prateleiras a partir de setembro. Eles planejam recuperar suas perdas vendendo garrafas reutilizáveis e baratas que poderão ser enchidas em fontes e bebedouros que serão distribuídos pela cidade.
 
Alguns dos 2.500 moradores da cidade dizem que apoiam o projeto porque se preocupam com os efeitos dos agentes químicos das garrafas plásticas; alguns veem como demonstração positiva contra a engarrafadora.
 
Uns não acreditam que a prefeitura conseguirá manter as novas fontes, enquanto outros se preocupam com as implicações para a saúde de deixar apenas alternativas açucaradas nas prateleiras das lojas.
 
"Não vejo porque se deve teimar apenas com a água", disse Trevor Fenton, morador aposentado de Bundanoon. "O que eu gostaria era de vê-los se livrarem de todos os refrigerantes, mas eles nunca fariam isso."
 
Os ambientalistas vêm ganhando força na luta contra a água engarrafada. Além das novas restrições de governos estaduais e municipais nos EUA, muitos restaurantes importantes também começaram a substituir água mineral importada por água da bica. Recentemente, um comitê do Congresso norte-americano debateu se não deve aumentar a regulação sobre a indústria da água engarrafada, após revisar dois novos estudos que questionavam se a água engarrafada era mais saudável do que a da bica.
 
A repercussão do assunto irritou a indústria, que envolve quase US$ 60 bilhões (em torno de R$ 120 bilhões) por ano no mundo e cerca de US$ 400 milhões (R$ 800 milhões) por ano na Austrália. Grupos da indústria dizem que é injusto discriminar a água engarrafada quando muitos outros produtos -como fraldas descartáveis e produtos importados, queijo e vinho - têm igual ou maior impacto no meio ambiente.
 
"Precisamos manter o produto em perspectiva", disse Parker. "Há dezenas de milhares de produtos no setor de bens de consumo e há um vasto número com uma pegada de carbono maior do que a água engarrafada."
 
A questão é sensível. No dia da votação em Bundanoon, o governo de New South Wales anunciou que ia parar de comprar água engarrafada, levando o ministro do meio ambiente a instar outros Estados a fazerem o mesmo. As medidas geraram uma enxurrada de editorais nos jornais e em programas de rádio no final de semana em toda a Austrália.
 
Publicado no UOL - Universo On Line
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publicado por ardotempo às 17:38 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Terça-feira, 16.06.09

Campanha de beatle - Vamos aderir?

Segunda-feira sem carne
 
O beatle Paul McCartney está liderando uma campanha para convencer a população a não comer carne uma vez por semana, com o objetivo de ajudar no combate ao aquecimento global. Músicos, atores, cozinheiros famosos e celebridades - assim como as duas filhas de McCartney, Stella e Mary - também participam do movimento, batizado de Meat Free Monday ("Segunda-Feira Sem Carne", em tradução literal).
 
Para demonstrar seu apoio, chefs de conhecidos restaurantes da capital britânica passarão a oferecer cardápios vegetarianos opcionais às segundas-feiras. E autores de livros de culinária criaram receitas vegetarianas especias para o site da campanha.
 
 
"Temos de nos preocupar com a mudança climática porque, caso contrário, vamos deixar nossos filhos e os filhos deles em uma situação muito complicada", disse Paul McCartney ao jornal britânico The Independent.
 
A família McCartney conta com o apoio não apenas de gente ligada ao mundo do showbusiness, mas também de especialistas dos campos da ciência, dos negócios e do meio ambiente. O cantor britânico Chris Martin, o ator americano Kevin Spacey e o empresário britânico Richard Branson estão entre eles.
 
O site da campanha Meat Free Monday cita dados da entidade de pesquisas climáticas Climate Research Network, segundo os quais a produção de alimentos seria responsável por entre 20% e 30% das emissões dos gases que provocam o aquecimento do planeta. A criação de animais seria responsável por metade dessas emissões. Segundo estatísticas incluídas no site, entre 1961 e 2007, o consumo de carne no mundo quadruplicou e o consumo de frango aumentou dez vezes.
 
Em sua entrevista ao Independent, McCartney - famoso por seu vegetarianismo - admite que, às vezes, em meio a tantos conselhos, pode ser difícil saber como contribuir para um mundo mais limpo, mais sustentável e mais saudável. "Optar por um dia sem carne por semana é uma mudança significativa que todos podem fazer, e que vai até o centro de várias questões políticas, ambientais e éticas, tudo ao mesmo tempo", afirma o beatle.
 
A família McCartney reuniu cerca de 40 celebridades - incluindo a cantora Kelly Osbourne, o cantor Mobi e a viúva de John Lennon, Yoko Ono - para um evento de lançamento da campanha Meat Free Monday na tarde desta segunda-feira, em um hotel no centro de Londres. A ideia de McCartney e seus amigos não é nova. Em maio, a prefeitura da cidade belga de Ghent lançou uma campanha para tentar convencer seus cidadãos a abrir mão do consumo de carne pelo menos um dia por semana.
 
A campanha do beatle e das autoridades belgas é uma reação a um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o documento, a criação de animais gera mais gases responsáveis pelo efeito estufa do que o setor de transportes.
 
Publicado no blog BBC Brasil 
Fotografia de Mauro Holanda
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publicado por ardotempo às 03:22 | Comentar | Adicionar
Domingo, 14.06.09

O mundo é nossa casa

 O milagre da vida (ou O suicídio anunciado)

 

O maravilhoso filme de Yann Arthus-Bertrand sobre a terra e a vida; e sobre a tragédia que se abate (lentamente ?) sobre o meio ambiente e sobre a vida. Será que ainda poderemos mudar esse destino anunciado?

 

 

Veja o filme de Yann Arthus-Bertrand: O mundo é nossa casa

Fotografia de Yann Arthus-Bertrand

publicado por ardotempo às 20:15 | Comentar | Adicionar
Domingo, 07.06.09

Repensar o modelo

Se a crise econômica é uma onda, a crise ecológica é um tsunami” –  Nicolas Hulot
 
As finanças e a tecnologia não bastam para enfrentar a crise. Há que construir um novo modelo econômico“. O apelo vem de Nicolas Hulot, autor da frase do título, que lançou as sementes da revolução verde francesa, a qual Al Gore deseja agora ver nascer como projeto mundial.
 
Nicolas Hulot, um repórter, ecologista e escritor francês de 54 anos, tornou-se muito popular em seu país graças ao sucesso de seu programa televisivo Ushuaia e Okawango, pelo qual busca sensibilizar o público em geral para as questões ecológicas. O programa deu mesmo origem, em 1990, à Fundação Ushuaia, que cinco anos depois assumiria o nome de Fundação Nicolas Hulot - pela Natureza e pelo Homem.
 
No percurso de mais de vinte anos de sensibilização para a causa ecológica, somam-se, ainda, sua candidatura à presidência da república francesa, em 2007, a autoria de 17 livros e a produção de um filme com lançamento previsto para 2009. A popularidade das suas intervenções chega, inclusive, a traduzir-se na lotação esgotada do Zénith, uma das maiores salas de espetáculos da França, e nas 700 mil assinaturas que reuniu com o lançamento do seu Pacte Écologique, que convida os franceses a subscrever um pacto para salvaguardar o futuro do planeta. Uma das assinaturas é a do atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, que, assim, assume um compromisso público com a causa ecológica.
 
Renovar o sistema econômico internacional como resposta aos desafios sociais, econômicos e ambientais é a sugestão de Hulot, face ao tenso cenário atual. Bastante influente na França e a segunda personalidade mais admirada no país, o ecologista tem até mesmo apresentado ao presidente Sarkozy propostas para as reuniões de cúpula do G20. Para isso, conta com o Comitê de Vigia Ecológica da fundação que leva o seu nome, constituído por diversos especialistas, de economistas a biólogos. No eixo da discussão, dois pontos-chave: substituir as taxas sobre o trabalho por taxas sobre o consumo de produtos e de serviços da natureza.
 
Uma solução que poderá gerar mais empregos e aliviar a economia da atual depressão.
 

Sandrine Lage - Publicado no blog Verdes Trigos 
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publicado por ardotempo às 22:31 | Comentar | Adicionar
Quinta-feira, 21.05.09

Joan Manuel Serrat canta

 Pela Vida

 

 

Pela água, pelo ar, pela floresta, pelos animais, pelos oceanos, pela terra, pelos seres humanos, pelas sementes, pela palavra.

 

Veja o vídeo: Joan Manuel Serrat / Pare

Fotografia: Mário Castello

publicado por ardotempo às 03:35 | Comentar | Adicionar
Domingo, 17.05.09

Perguntas ao Presidente que se omite sobre ambiente

Quatro Perguntas sobre Meio Ambiente
 
Carlos Tautz 
 
O Brasil é o quarto maior emissor de gases que aumentam a temperatura do planeta e alteram o clima da Terra, mas o presidente Lula e a Ministra Dilma Roussef, que de fato mandam no governo, desprezam o tema. Lula apenas repete que as alterações no clima foram causadas pelos países ricos e que eles é que devem encontrar uma solução. Dilma é uma prega o crescimento econômico pelo crescimento econômico. E só.
 
Duas regiões no Brasil sofrerão mais com as alterações no clima. No semiárido, uma das regiões mais pobres do País, onde já faltam todas estruturas de atendimento à população, aumentará ainda mais a escassez de água. Os pobres, mais uma vez, serão os mais atingidos. E boa parte da floresta amazônica vai se transformar em savana. Isso alterará o regime de formação das chuvas que saem de lá e vão se precipitar no cone sul da América do Sul, onde irrigam as regiões onde é produzida a maior parte dos alimentos que consumimos no Brasil e que exportamos. Ou seja, diminuirá a produção de comida.
 
1ª pergunta: Por que o governo não desenvolve uma política consistente de enfrentamento das mudanças no clima?
 
O Brasil liderou o debate sobre as responsabilidades comuns porém diferenciadas sobre as emissões históricas. Embora ainda mantenha capacidade de influir nas negociações internacionais, passou a se omitir desde que aumentaram as taxas do crescimento econômico baseado na derrubada e queimada de florestas. Em dezembro, acontece a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima em Copenhagen. Barak Obama, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel e Gordon Brown tentarão protagonizar o evento, que vai definir as ações contra as mudanças climáticas na segunda fase do Protocolo de Quioto, a partir de 2012. Está aberta a janela da oportunidade política para o Brasil assumir a liderança da principal questão do século 21.
 
2ª pergunta: Por que Lula não chefia pessoalmente a representação do Brasil à CoP15 e se projeta como líder mundial?
 
Parte considerável das emissões de gases poluentes se origina da queima de combustíveis fósseis. A Petrobras avalia que o pré-sal pode ter até 50 bilhões de barris, que demandarão 160 bilhões de dólares para serem explorados. Colocada no mercado, parcela considerável desse petróleo será queimada e vai agravar ainda mais a mudança no clima.
 
3ª pergunta: O governo considera não explorar o pré-sal e, em vez disso, investir tudo na viabilidade das energias do vento e do sol, como o fez nos anos 1970 para desenvolver o álcool combustível?
 
Em agosto de 2008, BNDES, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal assinaram protocolo de intenções se comprometendo a adotar critérios sociais e ambientais antes de conceder seus empréstimos. Mas os bancos continuam a financiar atividades que causam a destruição das florestas, desconsiderando até que pesam suspeitas de fraude e incompetência na emissão de licenças ambientais em estados campeões de desmatamento, como Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
 
O BNDES chegou a propor ao Banco Central uma linha de crédito para financiar a modernização do sistema ambiental desses estados, reconhecendo que as licenças em que se baseia para conceder seus vultosos e subsidiados empréstimos são frágeis, para dizer o mínimo.
 
4ª e última pergunta: Por que o próprio governo não para, agora mesmo, de fornecer o dinheiro que desmata e emite os gases que causam as mudanças no clima?
 
Carlos Tautz - Jornalista. Publicado no Blog do Noblat
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publicado por ardotempo às 14:37 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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