Domingo, 14.11.10

O gênero confrontado com o fogão profissional

Trecho de O JANTAR - de Naira Scavone

 

 

 

 

 

 

No senso comum, cozinha, comida e alimentação automaticamente associam-se ao gênero feminino e aos papéis sociais normatizados, como mãe, esposa, empregada, etc. Porém, quando falamos em gastronomia ou pensamos em restaurantes famosos ou jantares especiais e requintados, a associação que se faz é com a figura clássica do chef de cozinha, com sua doma (jaleco bordado, muitas vezes, cheio de prêmios) e chapéu alto.


O homem vem dominando a gastronomia profissional ou a “gastronomia especial” ao longo de toda a nossa história. Quando falamos numa cozinha aparentemente mais qualificada ou encarada como profissão, imediatamente ela é associada aos homens. Assim, essa hegemonia construiu um senso comum acerca do gênero no exercício da profissão que, consequentemente, também tem exercido poder na definição do bom gosto e na construção da alta gastronomia. Só para exemplificar, uma forma peculiar de demonstração de poder masculino na área consistiu em batizar as receitas ou pratos com nome de homens nobres ou homens da classe alta. Eventualmente, esse ato acabava por dar autoria da receita à pessoa, como o caso do molho maionese, atribuído ao duque de Richelieu, em 1756, ou o molho béchamel, invenção de um dos cozinheiros de Luís XIV que  homenageou o financista Luis Béchamel, marquês de Noitel.


Além disso, a palavra “chefe”, definida originalmente no dicionário como um substantivo masculino, vem desacompanhada de uma palavra no feminino (ou da designação do artigo) para a mesma função, talvez porque por muito tempo não fosse necessária, já que mulheres não eram admitidas nesse contexto. Não é preciso muito esforço para constatar a hegemonia masculina na profissão.


Historicamente e na contemporaneidade, a maioria – para não dizer 90% – dos chefs de cozinha e escritores de alta gastronomia é constituída por homens. Assim como a História Geral foi, com certeza, uma história contada e construída por homens, a história da alta gastronomia também. Além da hegemonia masculina na profissão, sua relação com o gênero feminino teve, na sua origem e por muito tempo, uma conotação inferior. Vale lembrar que, por exemplo, quando as mulheres começaram a exercer a profissão de cozinheiras, recebendo pagamento por essa atividade, só eram empregadas por aqueles que não eram ricos o bastante para pagar um cozinheiro homem (na época, elas eram chamadas cordons-bleues); contudo, essa expressão tornou-se posteriormente sinônimo de comida excelente.


A grande maioria de escritores e chefs reconhece que a alta culinária francesa atingiu seu apogeu na segunda metade do século passado, que também foi o século da cuisine bourgeoise. Ariovaldo Franco (2004) diz que, por muito tempo, a cozinha burguesa foi objeto de desdém de alguns chefs. Contudo, cozi-nheiras talentosas e exigentes foram responsáveis pela construção e pela consolidação de uma “cozinha de base menos aparatosa e mais realista” (FRANCO, 2004). Esse comentário –“mais realista”– supõe mais econômica, o que novamente separa os tipos de cozinha: a glamourosa e a realista (a do chef de cozinha e a da cozinheira burguesa).


Se observarmos a história, perceberemos que sempre foi importante para os membros da nobreza e do novo mundo das finanças possuírem um cozinheiro. Isso era determinante na escala da distinção, representava poder, isto é, significava a possibilidade de oferecer aos convidados pratos que eles nunca tivessem provado, executados por um profissional com status.


Dessa forma, construía-se a ideia de que a cozinheira mulher possuía conhecimentos práticos e de tradição familiar e que os cozinheiros, os chefs, tinham, além da capacidade de invenção e reflexão sobre gastronomia, conhecimentos diferentes e superiores aos das cozinheiras, o que, consequentemente, lhes conferia maior status profissional.


Posteriormente, os cozinheiros homens não só detinham e transmitiam a profissão, como também acabariam se tornando os primeiros proprietários de restaurantes, emergindo aí uma nova classe social, a dos chefs e proprietários de restaurantes, com poder econômico e, essencialmente, com capital cultural de estimado valor. Esse fenômeno é observado principalmente após a Revolução Francesa, pois vários restaurantes contratam os chefs antes empregados pela monarquia, assim como alguns desses chefs abrem seus próprios estabelecimentos. A partir desse momento, o chef de restaurante oficialmente desempenhará o papel de criação gastronômica, e esta permanecerá predominantemente centrada em Paris.


© Naira Scavone - Trecho de O Jantar - Edições ARdoTEmpo, 2010

Sobremesa, criação da chef Ruth (Escola de gastronomia EGAS, Porto Alegre RS Brasil)

Imagem: Fotografia de Mauro Holanda

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Sexta-feira, 27.08.10

Novos livros em setembro: O Jantar e Efeito Borboleta

Dois excelentes livros

 

 

O Jantar

de Naira Scavone

Apresentação de Patricia Gomensoro

Prefácio de Guacira Lopes Louro

Ensaio Comportamental sobre Alta Gastronomia Brasileira

Capa de Mauro Holanda

 

 

 

 

 

 

Efeito Borboleta

e outras histórias

de José Mário Silva

Apresentação de Mariana Ianelli

Livro de contos

Capa de Mario Castello

 


 

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Sábado, 13.02.10

Para literatura de verdade, publicada em 2009

Inscrições Abertas

 

Estão abertas as inscrições para a oitava edição do Prémio Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, que contempla romance, conto, poesia, crónica, dramaturgia e autobiografia, escritos em língua portuguesa e publicados no Brasil em 2009. Os autores ou editores já podem inscrever os seus livros no site www.premioportugaltelecom.com.br até dia 7 de Março de 2010. Os livros com primeira edição fora do Brasil devem ter sido editados no país de origem entre o dia 1 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2009.

 

 

O Prémio Portugal Telecom 2010 conta com uma curadoria formada por Benjamin Abdala Jr., Leyla Perrone-Moisés e Manuel da Costa Pinto, com coordenação da consultora literária da Portugal Telecom, Selma Caetano.
 
Publicado por Isabel Coutinho, no blog Ciberescritas

 

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Quarta-feira, 27.01.10

LEr-Parar-lER-paRar-leR-lEr-pARaR-paRaR

Libros que no acabé de leer

 
Santiago Gamboa
 
Existen diferentes y muy variadas razones para no acabar un libro. Desde la muy salvaje de perderlo o que nos sea sustraído durante su lectura, como me pasó con Viaje al fin de la noche, de Céline, en una pensión de Lisboa, hasta el que dejamos de lado voluntariamente, con pleno conocimiento de causa. La razón más extraña que conozco le pasó a un viejo colega: tuvo que dejar inacabada Plataforma, de Houellebecq, porque se le quemó, ¿y cómo se puede quemar un libro? Pues sí, dormía en un balcón, el libro cayó al primer piso sobre una estufa y se convirtió en ceniza.
 
 
También puede uno dejar un libro por considerar que ya se acabó, aun cuando falten por leer cien páginas, como me pasa con frecuencia, la última vez con América, de James Ellroy. Estos libros, por lo general llenos de retruécanos, lo muestran todo en la primera mitad y el resto ya es sólo seguir y seguir, entre episodios similares y frases ingeniosas, pero sin un motivo preciso. Los hay también de extrema densidad que se resisten a ser leídos de un tirón, y entonces uno los deja por un tiempo y vuelve y avanza otro poco, y los deja de nuevo; esto me pasa con novelas como La decisión de Sofía, de William Styron, que voy leyendo hace como diez años y nunca termino, o con El Maestro y Margarita, de Mijaíl Bulgákov, que leo en dosis pequeñas, y sobre todo con las obras de Osvaldo Lamborghini, que son tan salvajes, duras y atroces que sólo puedo avanzar una página o página y media al mes, máximo. ¿Para qué sentir urgencia de acabarlas en los libros si, al fin y al cabo, en la vida las historias no tienen principio ni fin?, como recuerda Graham Greene al principio de El fin del romance.
 
Tampoco es necesario acabar de leer ciertos libros. Uno lee un poco y ya se da cuenta de qué es lo que hay dentro. Como en la cocina: con un plato de sopa basta, no es necesario tomarse la olla entera para disfrutarla a fondo. Esto me pasa con las extraordinarias narraciones de Philipe Sollers, uno de mis autores favoritos del que jamás he terminado un libro. Más que una historia, lo que hay es precisamente un sabor, una temperatura especial o un estado de ánimo, y uno recurre a él para eso, para tomarse un plato. Da lo mismo leer ciento veinte o doscientas páginas, el sabor es el mismo. Igual me ocurre con Thomas Bernhard. Su dureza con la vida, su malestar al borde del cabreo con todo lo humano, contienen ese sabor áspero que por un tiempo nos hace ver el mundo con frialdad, como si se tratara de un gigantesco hormiguero. Son novelas sin historia. No es una prosa que corre en sentido horizontal y por ello no es necesario leerlas hasta el final para estar en ellas.
 
 
Releo y noto que no me he referido a los libros malos. En mi experiencia de lector hay dos tipos de libros malos: los que son, por decirlo así, intrínsecamente malos e insuficientes, y los que lo son de un modo correcto, con una estructura bien apuntalada. Hay libros malos que están muy bien escritos y éstos a la larga son los peores, pues suelen tener muchos lectores que creen que la lectura fácil es la verdadera literatura. Los editores los llaman "literatura comercial de calidad". Estos libros, más que no acabarlos, lo que se debe hacer es jamás empezarlos.
 
Santiago Gamboa - Publicado em Babelia - El Pais /
Indicado pelo blog Bibliotecário de Babel
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Terça-feira, 26.01.10

SAM-Livros / Livraria virtual por internet

Livraria virtual - envio com fretegrátis para todo o Brasil *

(Correio Registrado)

 

SAM-Livros

 

 

 

 

Os limites do impossível - Contos gardelianos  - Valor:R$ 30,00
© Aldyr Garcia Schlee
 
Livro de contos - 204 páginas - 2009
Capas: imagens fotográficas de Mário Castello
ISBN nº 978-85-62984-00-6

Edições ARdoTEmpo

 

* (válido somente em território nacional - Brasil)

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Quinta-feira, 31.12.09

Saída de cena no Da Literatura

Uma pena

 

Uma pena a saída de João Paulo Sousa do blog Da Literatura. Importante encontrar ali rotineiramente o seu pensamento agudo e sábio sobre o universo da literatura. Escreveu ali criticamente sobre vários autores brasileiros, auxiliou na sua difusão entre tantos e indicou-nos, didático, outros magníficos talentos da lingua portuguesa. Nessas descobertas, aprendemos a selecionar os melhores para ler e agradecemos a João Paulo pelo esforço dedicado e pela honestidade intelectual.Terá seus motivos, que serão respeitáveis, mas o mais desconfortável deles é a sua afirmativa do cansaço, porque significa que não o encontraremos noutro blog. O que será uma lástima porque perderemos o contato com sua letra e seu pensamento. Ao autor de O Mundo Sólido, excelente romance de linguagem e forma singular, a nossa saudação e o desejo de um ótimo 2010 com novas realizações, novos textos e o lançamento de um novo livro. 

 

Da Literatura é um excelente blog e conseguiu sê-lo pelas presenças diárias de Eduardo Pitta e até o dia de hoje, João Paulo Sousa. Uma pena sua ausência para 2010.

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Terça-feira, 15.12.09

Uma biblioteca para Timor Leste

Mensagem de Luiz Ruffato:

 

Meus amigos, minhas amigas,
 
 
Em 2005, ao voltar de uma viagem à Galiza, escrevi para muitos de vocês conclamando a enviarem livros para formarmos uma biblioteca de literatura contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Santiago de Compostela, onde há uma cadeira de Literatura Brasileira. Pois bem, o resultado é que cada vez mais alunos têm se interessado em estudar o nosso trabalho e este ano houve mesmo o primeiro colóquio, patrocinado pelo governo autônomo da Galiza, sobre o aprofundamento futuro das relações Galiza-Brasil.
 
Agora, novamente conclamo-os a enviarem livros para o Timor Leste, de onde acabo de chegar, um país pobre e saído de uma guerra terrível. Lá existe uma cadeira de Literatura Brasileira, na Universidade Nacional do Timor Leste, dado por uma professora portuguesa e bancada pelo governo português... Aliás, o Brasil nem sabia (não sabe) da existência dessa cadeira... A idéia é formarmos uma pequena biblioteca de literatura brasileira e atingirmos os alunos, ávidos por conhecer o Brasil...
 
Assim, se acharem que é de seu interesse, enviem livros, seus ou clássicos, ou o que quiserem, para
 
 
ELISIA MARGARIDA DOS SANTOS FERREIRA RIBEIRO
Leitora do Instituto Camões
Centro de Língua Portuguesa em Díli
Embaixada de Portugal em Díli
Edifício ACAIT
Avenida Presidente Nicolau Lobato
Díli
TIMOR LESTE
EAST TIMOR
 
 
Abraço grande do
 
Luiz Ruffato

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Quarta-feira, 09.12.09

O Clube dos Recusados

Ay, mi estimado señor
 
Enrique Vila-Matas
 
¿Es usted escritor o ha intentado serlo? Tanto si lo es como si ha querido serlo, usted ha tenido que conocer en algún momento de su vida el rechazo. Es posible que alguien desde alguna editorial le haya escrito alguna vez una carta donde muy educadamente le han dicho: “Estimado señor, nos ha causado una agradable impresión su manuscrito, pero...
 
El rechazo es una amarga realidad de la profesión de escritor. A mí, en cierta ocasión, me devolvieron uno de mis primeros manuscritos con las mejores metáforas de mi novela tachadas con un rotulador y devueltas meticulosamente cambiadas, convertidas en las metáforas que proponía el anónimo responsable del informe de lectura. Un rechazo así no se olvida. Cada día hay cientos de personas deprimidas porque les han devuelto un manuscrito. Y eso que hay mil tácticas para intentar remontar el efecto rechazo. Una de ellas consiste en repasar las más famosas injusticias en esta materia. El famoso rechazo de André Gide al manuscrito de En busca del tiempo perdido de Marcel Proust, por ejemplo. O bien recordando que Dublineses de Joyce fue rechazado por veintidós editoriales. O pensando en la breve carta de rechazo que recibió Oscar Wilde por El abanico de Lady Windermere: “Mi estimado señor, he leído su manuscrito. Ay, mi estimado señor”.
 
El rechazo editorial ha creado la carta estándar de negativa, todo un género nuevo. No todas esas cartas estándar que circulan por ahí son educadas. Tengo noticia de algunas cartas de rechazo absolutamente maliciosas. Cuenta el joven escritor canadiense Kevin Chong (experto él mismo en recibir cartas de rechazo) que a veces puede lograrse una negativa malvada sin una sola palabra, y cita el caso de una amiga suya que envió un poema a la revista The New Yorker y éste le fue devuelto roto en pedazos, hecho trizas. En un reciente viaje al país de sus antepasados, el propio Chong encontró a un amigo desolado por la carta de rechazo que le habían enviado de una revista china de economía: “Hemos leído con indescriptible entusiasmo su manuscrito. Si lo publicamos, será imposible para nosotros publicar cualquier trabajo de menor nivel. Y como es impensable que en los próximos mil años veamos algo que supere al suyo, nos vemos obligados, para nuestra desgracia, a devolverle su divina composición, y a rogarle mil veces que pase por alto nuestra miopía y timidez”.
 
Muchos escritores rechazados creen que los que publican libros viven felices lejos del rechazo. Y, sin embargo, no es así, pues no hay un solo escritor reconocido que no sea cosido a rechazos a lo largo de su carrera. Son rechazos distintos a los de la carta educada o malvada, pero son también rechazos duros. Y es que por lo general un escritor serio no se cierra nunca puertas, aspira a gustar a todo el mundo, al mundo entero. Por lo tanto, cualquiera de sus éxitos parciales lo vive como algo muy relativo. Pero, en cambio, cualquier mínimo rechazo a su obra lo ve como una gran afrenta, un rechazo a la totalidad. Sólo así se explica entonces la desesperación y el llanto desconsolado, por ejemplo, de Pier Paolo Pasolini por una crítica negativa en la hoja parroquial de un pueblo italiano de mala muerte. Y es que una crítica en contra (aunque el crítico sea un famoso idiota), ese premio insignificante pero que sin embargo no le han dado, ese suplemento cultural en el que no le nombran y encima dedican tres páginas a un mamarracho, todo eso para el escritor reconocido son rechazos que le impiden vivir en paz. 
 
Así que el rechazo persigue a escritores publicados y a escritores inéditos. Se sabe o debería saberse que unos y otros conviven en la eternidad en una especie de Club de los Rechazados en cuya secreta sede social se oyen por las noches voces espectrales que arrastran cadenas y dicen: “Ay, mi estimado señor.” Ahí, por ejemplo, puede verse en las noches de luna llena a Gide y Proust, todavía discutiendo sobre la valía real de un manuscrito rechazado. 
 
Enrique Vila-Matas
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Domingo, 29.11.09

Só para lembrar, o Brasil fica na América Latina

El triunfo de la diversidad
 
Alberto Manguel
 
Las definiciones literarias se hacen siempre a posteriori. Para poder definir, con una lista de libros, un continente entero, es necesario primero presuponer una definición de ese continente. Algunos ejemplos: para quien América Latina es un mundo conquistado, sometido y explotado, el Popol Vuh de los mayas, la Brevísima historia de la destrucción de las Indias de Fray Bartolomé de Las Casas y la vasta literatura indigenista de José María Arguedas, Ciro Alegría y sus discípulos serán publicaciones esenciales.
 
Para quienes vean en esa América un crisol en el que la cultura de lengua castellana forjó su segundo renacimiento, libros imprescindibles serán la renovadora Gramática de Andrés Bello, la lírica de Rubén Darío, el barroco cubano de Lezama Lima y de Severo Sarduy, y la novela cuyo autor es el lector: Rayuela, de Julio Cortázar. Para los extranjeros que, como Virginia Woolf, imaginen esas "tierras lejanas" como "una selva mágica llena de mariposas azules", las obras que confirmarán esa visión serán las novelas del mal llamado "realismo mágico" y la ficción metafísica del Río de la Plata. Finalmente, para quienes América Latina es emblema de una mesiánica revolución social, la biblioteca definitiva deberá contener los escritos de Simón Bolívar, del Che Guevara, de Rigoberta Menchú, y el Nunca más, la compilación de testimonios contra la dictadura militar argentina, que se publicó bajo la valiente dirección de Ernesto Sábato. Ninguna de estas obras aparece en la selección final (salvo, como era previsible, Cien años de soledad, obra, por cierto, definitiva en más de un sentido).
 
Es obvio que nadie, razonablemente, puede objetar la presencia de Gabriel García Márquez, Juan Rulfo, Eduardo Galeano, Octavio Paz y Mario Vargas Llosa en este quinteto triunfador. Pero es obvio también que a este Parnaso, declarado summa cum laude para América Latina, le faltan temas esenciales: la poesía, el ensayo político y filosófico, el teatro, el diario de viaje, el texto humorístico, las dictaduras noveladas, el relato policial contemporáneo, el nuevo periodismo y, misteriosamente, las voces de mujeres.
 
Definir América Latina sin Pablo Neruda y sin César Vallejo, sin Ariel de José Enrique Rodó u Otras inquisiciones de Jorge Luis Borges, sin las obras de Florencio Sánchez y Griselda Gambaro, sin los Viajes de Cristóbal Colón y Una excursión a los indios ranqueles de Lucio V. Mansilla, sin las desopilantes personajes de Manuel Puig, y Concolorcorvo, y Quino, sin Yo el Supremo de Augusto Roa Bastos y La muerte de Artemio Cruz de Carlos Fuentes, sin Rosaura a las diez de Marco Denevi y las sangrientas sagas de Paco Ignacio Taibo II, sin las crónicas de Tomás Eloy Martínez, Martín Caparrós y William Ospina, y, sobre todo, sin los escritos de Sor Juana Inés de la Cruz, Gabriela Mistral (¡hélas!, como dijo André Gide de Victor Hugo), las hermanas Victoria y Silvina Ocampo, la o el anónimo redactor de las "memorias" de Evita Perón, sin Elena Garro, Rosario Castellanos, Juana de Ibarbourou e Ida Vitale (con moderación), y Alejandra Pizarnik, me parece una empresa, si no injusta, al menos incompleta.
 
Pero quizá ésa sea su virtud. Los cinco libros elegidos para resumir el vasto continente, en lugar de condensarlo, lo extienden, obligándonos a recordar otras lecturas. Nos ofrecen, por decirlo así, una definición in ausentia de la inconmensurable biblioteca latinoamericana. -
 
Alberto Manguel - Publicado em El País
 
PS: Falar de literatura latino-americana, ser apenas monoglota e deixar de citar Machado de Assis, Guimarães Rosa, Aldyr Garcia Schlee, Erico Verissimo, Jorge Amado, Clarice Lispector, Mariana Ianelli, João Ubaldo Ribeiro, Cristovão Tezza, Adélia Prado, Luiz Ruffato e Ignácio de Loyola Brandão é algo que se possa justificar? (ARdoTEmpo)
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Domingo, 01.11.09

Espreitando à frente

Editora dinamiza na web
 
Publicado por VerdesTrigos 
 
 
 
O endereço é o mesmo, mas o conteúdo, quanta diferença! A famosa frase publicitária criada para divulgar um produto para os cabelos também pode ser aplicada ao novo portal da Cosac Naify, inaugurado nesta semana. Isso porque o conteúdo segue sendo disponibilizado no endereço www.cosacnaify.com.br , mas com seu conteúdo totalmente reformulado. Entre as novidades, a editora passou a disponibilizar livros para download.
 
O primeiro livro escolhido é Flores, do mexicano Mario Bellatin, que consentiu que a obra recém-lançada ficasse a disposição de todos. A editora também aposta na maior interatividade oferecendo canais de diálogo com o seu público. Twitter (@cosacnaify), com mais de 2600 seguidores espontâneos, Facebook, com mais de 800 membros e Orkut. No site reformulado, destaca-se ainda a estreia do Blog da Cosac Naify, com um capítulo inédito do livro Guerra e paz, de Tolstói, traduzido por Rubens Figueiredo, disponível para os leitores com um ano de antecedência ao seu lançamento, previsto para novembro de 2010. O blog continuará adiantando trechos de livros selecionados pelos editores, curiosidades sobre a escolha das capas e mais informações quentes sobre os próximos lançamentos da editora.
 
Além disso, a Loja Virtual ganha nova seção voltada para bibliófilos onde são disponibilizados em primeira mão, somente para aquisição online, livros com diferenciais gráficos que se tornaram raridade no mercado.
 
Publicado no Blog Verde Trigos
 

http://www.verdestrigos.org/wordpress/ 

publicado por ardotempo às 13:45 | Comentar | Adicionar
Sábado, 17.10.09

Bibliotecário de Babel

 

 

José Mário Silva é excelente escritor e poeta. Além disso, é respeitado crítico literário do Expresso de Lisboa, colaborador permanente da revista Ler e editor do blog Bibliotecário de Babel, blog que vale pelo menos uma visita diária. Autor do livro de contos Efeito Borboleta e outras histórias; e do livro de poesias Luz Indecisa, ambos editados e disponíveis apenas em Portugal, por enquanto.

 

Veja o blog Bibliotecário de Babel

publicado por ardotempo às 21:54 | Comentar | Adicionar
Quinta-feira, 01.10.09

O Hipnotizador de Taquara

Lançamento de livro de Sergius Gonzaga - Dia 01º de outubro - 18h30 

 

 

 

 

O Hipnotizador de Taquara

Sergius Gonzaga

Contos / Crônicas

Editora Leitura XXI

Livraria Nobel - Shopping Total

Porto Alegre RS Brasil

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Quinta-feira, 27.08.09

Saramago sobe ao ringue

 
Saramago carga contra Dios y salva a Caín
 
José Saramago vuelve a ocuparse de la religión en Caín, su nueva novela, que la editorial Alfaguara publicará previsiblemente a mediados de octubre, en la que redime a su protagonista del asesinato de Abel y señala a Dios "como el autor intelectual al despreciar el sacrificio que Caín le había ofrecido".
 
Caín viajará a la Feria del Libro de Frankfurt el próximo octubre y a finales de ese mes estará en las librerías de Portugal, América Latina y España, donde ver la luz también en catalán. Será en Lisboa, en su presentación mundial, donde el Nobel hable por primera vez de su nuevo libro, pero desde su casa de Lanzarote, donde pasa el verano y ya prepara las maletas para volver a Lisboa, ha explicado a través del correo electrónico que lo que ha querido decir con Caín es que "Dios no es de fiar. ¿Qué diablos de Dios es éste que, para enaltecer a Abel, desprecia a Caín?".
 
Casi 20 años después de su discutido libro El evangelio según Jesucristo, que fue vetado por el Gobierno portugués para competir por el Premio Europeo de Literatura, el Nobel luso hace un irreverente, irónico y mordaz recorrido por diversos pasajes de la Biblia pero no teme que vuelvan a crucificarle. "Algunos tal vez lo harán - explica Saramago -, pero el espectáculo será menos interesante. El Dios de los cristianos no es ese Jehová. Es más, los católicos no leen el Antiguo Testamento. Si los judíos reaccionan no me sorprenderé. Ya estoy habituado. Pero me resulta difícil comprender cómo el pueblo judío ha hecho del Antiguo Testamento su libro sagrado. Eso es un chorro de absurdos que un hombre solo sería incapaz de inventar. Fueron necesarias generaciones y generaciones para producir ese engendro".
 
José Saramago no considera este libro su particular y definitivo ajuste de cuentas con Dios -"las cuentas con Dios no son definitivas", dice -, pero sí con los hombres que lo inventaron.
 
"Dios, el demonio, el bien, el mal, todo eso está en nuestra cabeza, no en el cielo o en el infierno, que también inventamos. No nos damos cuenta de que, habiendo inventado a Dios, inmediatamente nos esclavizamos a él", explica el autor. Niega que la cercanía de la muerte, hace ahora un año debido a su enfermedad, le hiciera pensar más en Dios. "Tengo asumido que Dios no existe, por tanto no tuve que llamarlo en la gravísima situación en que me encontraba. Y si lo llamara, si de pronto él apareciera, ¿qué tendría que decirle o pedirle, que me prolongase la vida?".
 
Y continúa Saramago: "Moriremos cuando tengamos que morir. A mí me salvaron los médicos, me salvó Pilar (su esposa y traductora), me salvó el excelente corazón que tengo, a pesar de la edad. Lo demás es literatura, y de la peor".
 
Hace un año, el escritor sorprendió a sus lectores por la ironía y el humor que destilan las páginas de El viaje del elefante (Alfaguara) y que ahora vuelve a con Caín. Para él es un misterio. Y reflexiona: "No fue deliberado ni premeditado, la ironía y el humor aparecen en las primeras líneas de ambos libros. Podía haberlo contrariado e imprimirle un tono solemne a la narrativa, pero lo que está me vino ofrecido en una bandeja de plata, sería una estupidez rechazarlo".
 

El escritor empezó a pensar en Caín hace muchos años, pero se puso a escribirlo en diciembre de 2008 y lo terminó en menos de cuatro meses. "Estaba en una especie de trance. Nunca me había sucedido, por lo menos con esta intensidad, con esta fuerza", rememora. Saramago, que una vez escribió que "somos cuentos de cuentos contando cuentos, nada" y así sigue viéndose, escribe más y más rápido que nunca (tres libros en un año), quizás como la mejor manera de seguir vivo. "Es verdad. Tal vez la analogía perfecta sea la de la vela que lanza una llama más alta en el momento en que va a apagarse. De todos modos, no se preocupen, no pienso apagarme tan pronto", sentencia.

 

En su blog (blog.josesaramago.org ) aparece hoy el anuncio de la nueva novela, una suerte de tráiler del libro y una carta de la presidenta de la Fundación Saramago, Pilar del Río, en la que anuncia a los lectores del Nobel que este Caín no les dejará indiferentes. 

 

 

Publicado em El País

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Segunda-feira, 24.08.09

As bibliotecas têm fantasmas

Bibliomanias
 
José Mário Silva
 
As pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas obcecadas por livros. A bibliofilia não é apenas uma doença crónica; é também contagiosa. Ao lermos sobre as grandes bibliotecas pessoais – com dezenas ou centenas de milhares de volumes – aspiramos a uma igual desmesura, subitamente embaraçados com a pequenez, a desordem e as lacunas da dúzia e meia de estantes lá de casa. Melhor dito: as pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas ainda mais obcecadas por livros do que elas. E foi por isso que devorei de uma assentada o ensaio breve de Jacques Bonnet intitulado Des bibliothèques pleines de fantômes (Denoël, 2008, 138 páginas).
 
Editor, tradutor e autor de livros sobre pintura, Bonnet é um bibliómano que nos escancara a sua bibliomania, não escondendo um certo exibicionismo e uma certa ostentação (nalguns casos até uma certa vaidade), próprios de qualquer bibliómano que se preze. Por muito que mencione as bibliotecas dos outros, ele regressa sempre à sua, minuciosamente descrita em dezenas de páginas que chegam assemelhar-se a um catálogo bibliográfico. Através dos seus livros, é a sua vida, é a sua biografia que se desenha. Nada de muito espantoso, diga-se. Faz parte da natureza das bibliotecas tornarem-se um espelho do seu proprietário. E quem as saiba «descodificar com subtileza» encontrará nelas, mais ou menos escondida, "a natureza profunda do seu bibliotecário".
 
Ao recordar a forma como chegou a certos livros, Bonnet revela, de facto, alguns aspectos da sua personalidade, como a perseverança e a extrema atenção aos detalhes. Por exemplo, a abrir o ensaio, aborda o célebre episódio em que Fernando Pessoa se candidatou ao lugar de conservador-bibliotecário do museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais, corria o ano de 1932. Como se sabe, o poeta dos heterónimos acabaria por ser recusado, em favor de um "pintor obscuro". Ao citar a carta de candidatura de Pessoa, com a sua "retórica insólita", Bonnet explica que a encontrou reproduzida na Fotobiografia de Maria José de Lencastre (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por si comprada em 1983, por 500 escudos, numa livraria de Coimbra, cidade em que se lembra de ter visto uma mulher a andar na rua com uma máquina de costura equilibrada sobre a cabeça.
 
Na linha do que sugeriram Borges e Bachelard, para Bonnet a biblioteca é o que mais se aproxima da ideia de paraíso terrestre. Ela é um "concentrado de tempo e de espaço", protege da "hostilidade exterior", como se fosse um útero, e confere "um sentimento de poder absoluto". Rodeado pelos seus livros, o bibliómano nunca se sente desamparado. Sabe que tem, sempre ao seu alcance, os instrumentos necessários para interpretar a realidade. E não lhe falem da Internet e suas infinitas reservas de informação. Por muito que se encontre por lá tudo o que se queira saber, quase instantaneamente, ela é "desprovida de fantasmas", diz Bonnet, falta-lhe a dimensão "divina".
 
A maior parte do ensaio centra-se nas alegrias e tormentos de quem possui uma biblioteca "monstruosa", com dezenas de milhares de livros. E não faltam histórias incríveis. Como a de Antoine-Marie-Henri Boulard (1754-1825), que encheu nove prédios, adquiridos expressamente para receberem os seus 600 mil livros – após a sua morte, ao venderem a colecção, os filhos inundaram o mercado, baixando durante muitos anos os preços nos alfarrabistas. Ou a de Charles-Valentin Alkan, pianista virtuoso que morreu esmagado por uma estante, em 1888, o que o habilita ao estatuto de "santo mártir" dos bibliófilos. Ou a daquele condenado à guilhotina que continuou a ler enquanto o conduziam ao cadafalso e, chegada a hora, marcou a página onde estava, antes de entregar o pescoço à lâmina.
 
Além de analisar as complexas questões logísticas e imobiliárias associadas às bibliotecas proliferantes, Bonnet dedica muito espaço ao bicudo problema da classificação e arrumação, multiplicando hipóteses, sistemas e estratégias. Eu, à minha reduzida escala, também conheço o dilema. Não sei, por exemplo, onde colocar, agora que acabei de o ler, este livrinho a abarrotar de livros (e de fantasmas) lá dentro.
 
 

 

José Mário Silva - Publicado no blog Bibliotecário de Babel 

Imagem: Natureza morta com crânio - Paul Cézanne, Pintura - óleo sobre tela, circa 1900

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Sábado, 01.08.09

De volta ao paraíso

Mariana Ianelli

 

De volta ao paraiso
 
 
…Basta um livro, apenas um, para desencadear a interminável trama de encontros que ao longo do tempo vai desenhando a frondosa genealogia desta nossa outra família, que, se de nosso não tem o mesmo sobrenome, tem todos os nomes possíveis, todas as variantes de um mais profundo parentesco de espírito.
 
Bem pode ser esta a nossa mítica árvore da imortalidade, bem guardada por uma espada de fogo. E basta um fruto, apenas um, para cairmos na perdição do encantamento. Não por acaso Borges imaginava que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca, nem por acaso Saramago reúne seus autores diletos no que ele chama de sua “família de espírito”. É assim que nos rebatizamos, que elegemos parentes de coração, com quem nos reunimos por vontade própria, num silencioso (e nem sempre pacífico) convívio. E cada autor que amamos chama para a roda os seus amigos. Rilke chama Marina Tsvetáieva, Marina chama Anna Akhmátova, Anna nos leva a Ossip Mandelstam. E ainda há vínculos menos evidentes, subjacentes aos enredos da palavra, que, se nos vale descobrir, mais ainda vale imaginar, por exemplo, a gênese do Ensaio sobre a cegueira de Saramago latente no Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma, de Antonio Vieira. Um livro dentro de outro, um mundo se desdobrando em outro.
 
Entramos na mágica Jesusalém de Mia Couto e ali encontramos Hilda Hilst, Adélia Prado, Alejandra Pizarnik, Sophia de Mello Andresen. Entramos no lirismo de Hilda e somos transportados à poesia de Catulo. Assim vamos e voltamos no tempo, varamos os séculos, ignoramos as empedernidas fronteiras do espaço e traçamos nós mesmos a extensão da nossa terra natal, conforme o nosso mapa de afinidades e a bússola das nossas intuições. E tão generosa pode ser a paixão da leitura que por ela também experimentamos a delícia dos amores casuais.
 
Um livro que nos chega sem saber de onde, quem sabe do topo de uma pilha sem sentido, num balcão da livraria, como me aconteceu uma vez encontrar, em edição portuguesa, Uma mulher e Um lugar ao sol, de Annie Ernaux, cuja leitura, antes de me dirigir aonde quer que fosse, plantou-me na própria vida, num momento de luto. E, no meio dessa cartografia fantástica, vamos também de um livro a outras artes, como me aconteceu com a memorável descoberta de O direito de sonhar, de Bachelard, que me fez viajar pelas oníricas telas de Marc Chagall inspiradas na Bíblia. Eis que, lançando pontes, campeando distâncias, cruzando caminhos, aí chegamos ao livro dos livros, ao jardim primeiro, ao fruto dos frutos…
 
© Mariana Ianelli

Publicado no blog Tabacaria - Seção Ler faz crescer 

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Segunda-feira, 06.07.09

O blog da Palavraria

 

A Palavraria Livros & Cafés é a simpática livraria do Bom Fim, em Porto Alegre RS, na Vasco da Gama ao lado da locadora.

 

Palco de lançamentos memoráveis de livros, de oficinas literárias de grandes autores e professores de literatura, de palestras de autoras e autores, com leituras, saraus e conversas.

 

No sábado que vem, dia 11 de julho, apresenta Aldyr Garcia Schlee com Nós y Nosostros.

 

Agora a Palavraria tem um Blog que os seus livreiros chamam de sítio.

 

 

O sítio (ou o blog) da Palavraria está disponível no endereço
 
 
Já existe o convite  de Luiz Heron, Carlos e Carla, a todos os interessados em literatura, poesia, autores, textos e livros em geral para que façam uma visita e realizem um passeio pelos artigos postados  e pelos links. O trabalho recém começou e ele prometem estar atentos à sugestões e realizar todo o esforço possível para apresentar um sítio (ou blog)  dinâmico e satisfatório. Aguardam-se os comentários e as sugestões.
 
Palavraria - Livraria-Café
Rua Vasco da Gama, 165 - Bom Fim
90420-111 - Porto Alegre 
Telefone 051 32684260
 
palavraria@palavraria.com.br

 

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Domingo, 28.06.09

Nós y nosotros

Uma conversa com o escritor Aldyr Garcia Schlee

 

No dia 11 de julho acontecerá na Livraria Palavraria, no bairro Bom Fim em Porto Alegre RS, uma conversa direta do grande escritor Aldyr G. Schlee com o seu público. Será no sábado, a partir das 18h30, no acolhedor espaço da livraria-café.

 

Schlee falará sobre literatura - a sua escrita - especialmente sobre os seus dois novos livros, ainda inéditos e ansiosamente aguardados pelo seu imenso público leitor e admirador: o romance DON FRUTOS e NOS LIMITES DO IMPOSSÍVEL - Contos Gardelianos. 

 

Conversará também sobre a literatura de outros grandes autores e sobre sua experiência de tradutor, do português ao espanhol e vice-versa. Os autores sobre quem falará serão Mario Benedetti e Simões Lopes Neto.

 

Uma extraordinária possibilidade de reencontrar o grande escritor e desfrutar dessa oportunidade única de ouvi-lo, dar-lhe um abraço e obter um autógrafo do escritor, recluso voluntário em sua biblioteca no Capão do Leão, concentrado ao universo da literatura.

 

 

Nós y nosotros

Aldyr Garcia Schlee

Dia 11 de julho (sábado) 18h30

 

 

Palavraria - Livraria-Café
Rua Vasco da Gama, 165 - Bom Fim
90420-111 - Porto Alegre 
Telefone 051 32684260
palavraria@palavraria.com.br

 

publicado por ardotempo às 23:09 | Comentar | Adicionar

O futuro é um desejo

Um leitor de e-books, please
 
 
Para quem faz da leitura intensiva a sua actividade principal, há nos dias que correm uma tentação tecnológica quase óbvia: o leitor de e-books. Eu até nem sou muito de gadgets.
 
Nunca me deslumbrei com os telemóveis topo de gama, tipo BlackBerry à la Barack Obama ou iPhone com trezentas aplicações diferentes (dos programas que permitem controlar o orçamento mensal, cheios de gráficos e dicas, ao miraculoso Brushes, que nos torna Picassos instantâneos e «deu» a Jorge Colombo a sua primeira capa da New Yorker).
 
Nunca pedi ao Pai Natal o último portátil da Apple nem um GPS para me orientar nas ruas de Lisboa ou nas rotundas da província. Contento-me com o que é básico, com o que é elementar, com o que é mais simples. Tanto assim que comprei um smartphone há cerca de um mês – com ecrã táctil, mais as milhentas funções que os smartphones hoje nos oferecem (mesmo os baratuchos) – e ainda mal o utilizei. A verdade, confesso, é que não tive tempo de ler o manual de instruções. E porquê? Porque a minha profissão é ler intensivamente, sim, mas livros, não manuais de aparelhos electrónicos.
 
E isto leva-me de volta à questão dos e-books. Com a quantidade de livros que as editoras me fazem chegar todos os dias, a minha casa assemelha-se cada vez mais a um labirinto de papel. Estantes ajoujadas, pilhas periclitantes no corredor, caos bibliográfico. Por muito que goste de me sentir uma ilha rodeada de livros por todos os lados, há um limite físico para esta invasão imparável (sobretudo quando não posso dispor, como alguns felizardos, de um apartamento à parte para a biblioteca pessoal). Um dia, deixará de haver espaço. Mesmo. E antes que esse dia chegue, tenho que tomar medidas. Uma é ser mais selectivo quanto ao que entra.
 
Outra é expulsar o que nem sequer devia ter entrado. E a terceira, a mais simples, é justamente comprar um leitor de e-books. Para fazer download das obras que me interessam mas não faço questão de ter nas prateleiras, claro. Mas sobretudo para evitar um crime ecológico: a impressão, em resmas de folhas A4, dos ficheiros pdf com que as editoras revelam aos críticos literários os romances que só vão para a gráfica umas semanas depois.
 
Mais do que uma tentação, o leitor de e-books transformou-se para mim numa necessidade. Espero aliás levar um, carregadinho, já nas próximas férias (com a vantagem adicional de diminuir substancialmente o peso das bagagens).
 
Texto publicado no blog Bibliotecário de Babel, de José Mário Silva / "A minha tentação", do Semanário Económico - Lisboa Portugal 
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Retratos Notáveis - 35

O bibliófilo

 

 

 

Fotografia: Retrato de José Mindlin (São Paulo SP Brasil) - 2008

Fotógrafo: Mário Castello  

publicado por ardotempo às 15:32 | Comentar | Adicionar
Sexta-feira, 26.06.09

Brasiliana, de José Mindlin

Brasiliana Digital: uma biblioteca para todos


Foi lançado oficialmente no dia 16 de junho de 2009, o Projeto Brasiliana Digital com cerca de 40.000 documentos digitalizados, com acesso livre em internet, tendo como ponto de partida uma coleção reunida pelo bibliófilo José Mindlin, durante 80 anos, e finalmente doada à Universidade de São Paulo, em 2006.

Esta biblioteca digital traz uma extraordinária coleção de livros, manuscritos e outros materiais sobre a história e a cultura do Brasil. Os livros publicados pela Brasiliana Digital são todos de domínio público e poderão ser usados para nortear pesquisas científicas, na educação formal e informal e no desejo de conhecimento e de formação
dos cidadãos.

Os documentos estão organizados por tipo - livros, periódicos, manuscritos, mapas, imagens e obras de referência (dicionários e catálogos) e a busca pode ser feita por autor, título ou data de publicação. Dicas para melhorar a busca e a visualização podem ser consultadas no Manual de Uso da Biblioteca Brasiliana Digital.

Vale a pena conhcer minuciosamente a Brasiliana Digital e saber mais sobre o projeto completo da Brasiliana USP que inclui a construção de um edifício novo, de arquitetura contemporânea e absolutamente dedicado à biblioteca, com 20.000 metros quadrados de área, no campus da Cidade Universitária da USP, em São Paulo SP.

Endereço da Biblioteca Brasiliana USP:
Praça da Reitoria, s/n 
Cidade Universitária
05508-030 São Paulo SP

Informações disponíveis sobre a Brasiliana USP em http://www.brasiliana.usp.br

 

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Sexta-feira, 12.06.09

Livros para ver, não para ler

Artista norte-americano faz 'autópsia' em livros
 
 
 
 
Um artista norte-americano vem aplicando uma técnica que visa dar nova vida e forma a velhos livros, dicionários e enciclopédias amontoados em prateleiras empoeiradas. Brian Dettmer, de 35 anos, realiza o que chama de "autópsia dos livros", em que "disseca", por meio de recortes, páginas de dicionários, livros de engenharia e artes, revistas em quadrinhos e atlas.O resultado são obras de arte em três dimensões, que revelam interpretações novas ou alternativas de seu interior. "Livros velhos, discos, fitas, mapas e outros tipos de mídia caíram hoje em uma esfera onde estão vários outros tipos de arte. Seu papel diminuiu e hoje existem mais como símbolos de ideias do que como mensageiros de conteúdo", diz Dettmer. O artista diz nunca inserir ou alterar o conteúdo das publicações. Além dos recortes, a arte de Dettmer ainda consiste em unir e dobrar vários livros juntos antes de colá-los e recortá-los.
 
 
 

Publicado no blog BBC Brasil 

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Sexta-feira, 15.05.09

A festa literária de Paraty

Com literatura, arte e ciência, 7ª Flip terá 34 autores entre os dias 1 e 5 de julho
 
A sétima edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece na cidade histórica do Rio de Janeiro entre os dias 1 e 5 de julho, abordará pela primeira vez temas como ciência e artes com a participação do biólogo inglês Richard Dawkins e da artista francesa Sophie Calle, além de receber novamente autores como Chico Buarque e Cristóvão Tezza.
 
Com a participação de 34 escritores convidados, a 7ª Flip procura encontrar um equilíbrio entre autores de ficção e não-ficção, e deverá apresentar um panorama que se aproveita de alguns eventos específicos que marcam 2009.
 
Além da participação de Richard Dawkins, seguidor de Charles Darwin, no ano em que o livro "A Origem das Espécies" completa 150 anos, a Flip terá a participação dos escritores chineses Ma Jian e Xinran (autora de "As Boas Mulheres da China"), quando são completados 20 anos do Massacre da praça da Paz Celestial. 
 
Dentre as participações brasileiras, destaque para a volta de Chico Buarque, do recém publicado "Leite Derramado", que participa de discussão com Milton Hatoum, autor de "Dois Irmãos" e "Cinzas do Norte". Cristovão Tezza, autor de "O Filho Eterno" também volta à Flip para participar de discussão com o escritor mexicano Mario Bellatin.
 
A música também é abordada com a participação do crítico norte-americano de música Alex Ross, autor do livro "O Resto é Ruído".
 
Na mesa dedicada ao jornalismo, o destaque da festa é a presença do escritor norte-americano Gay Talese, um dos principais nomes do jornalismo literário mundial, em mesa que terá a participação de Mario Sergio Conti (do livro "Notícias do Planalto").
 
"Tentávamos Gay Talese há muitos anos, assim como António Lobo Antunes, que dificilmente sai de Portugal. Estamos muito felizes que finalmente tenhamos conseguido trazê-los", contou Flavio Moura, diretor de programação da Flip, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira. Segundo ele, além de presenças individuais importantes, outro atrativo do evento é a oportunidade de encontros interessantes como a mesa dedicada à artista francesa Sophie Calle e ao escritor Grégoire Bouillier.
 
Programação
 
Quarta-feira, dia 1 de julho
 
19h - Conferência de abertura com Davi Arrigucci Jr.
21h30 - Show de abertura (atração ainda não confirmada)
 
Quinta-feira, dia 2 de julho
 
10h - Mesa 1- Novos traços
Rafael Coutinho, fábio Moon Gabriel Ba e Rafael Grampá
 
11h45 - Mesa 2 - Separações
Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira
 
15h - Mesa 3 - Verdades inventadas
Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues
 
17h - Mesa 4 - China no divã
Ma jian e Xinran
 
19h - Mesa 5 - Deus, um delírio
Richard Dawkins

Sexta-feira, dia 3 de julho
 
10h - Mesa 6 - Evocação de um poeta
Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas
 
11h45 - Mesa 7 - A névoa da guerra
Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho
 
15h - Mesa 8 - Sentidos da transgressão
Edna O´Brien e Catherine Millet
 
17h - Mesa 9 - O eu profundo e outros eus
Mario Ballatin e Cristóvão Tezza
 
19h - Mesa 10 - Sequências brasileiras
Chico Buarque e Milton Hatoum
 
Sábado, dia 4de julho
 
10h - Mesa 11 - O dissonante século 20
Alex Ross
 
11h45 - Mesa 12 - Entre quatro paredes
Sophie Calle e Grégoire Bouillier
 
15h - Mesa 13 - Segredos de família
Anne Rnright e Tobias Wolff
 
17h - Mesa 14- Fama e anonimato
Gay Talese e Mario Sergio Conti
 
19h - Mesa 15 - Escrever é preciso
António Lobo Antunes
 
Domingo, dia 5 de julho
 
11h45 - Mesa 16 - O futuro da América
Simon Schama e Lilia Moritz Schwarcz
 
15h - Mesa 17 - Antologia pessoal
Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura
 
17h - Mesa 18 - Livro de cabeceira
Convidados da Flip lêem trechos de seus livros preferidos
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Sexta-feira, 03.04.09

Portugal Telecom

Prêmio Portugal Telecom - Lista de livros inscritos
 
Depois de receber a inscrição de 501 títulos de 210 editoras, o Prêmio Portugal Telecom 2009 iniciou a primeira fase de julgamento das obras. Nesta fase, 410 jurados - professores de literatura portuguesa, brasileira e africana, jornalistas, críticos e escritores - deverão indicar dentre os inscritos, os cinco melhores livros de 2008. “Os jurados escolhidos pelo grupo de curadores do Prêmio são pessoas de total intimidade com a produção literária anual em língua portuguesa e, portanto, capazes de indicar os melhores de 2008“, comenta Selma Caetano, curadora-coordenadora.
 
Publicado em Verdes Trigos
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Sábado, 21.03.09

Uma casa de outra época

Herança em livros
 
Andrei Netto
 
Ela tem 28 anos, é miúda de corpo e carrega no nome - Sylvia Beach Whitman - e nos ombros a herança do que muitos consideram o santuário da literatura de língua inglesa na França: a livraria Shakespeare and Company. Aberta em Paris em 1919 pela americana Sylvia Beach e fechada em 1941, o título Shakespeare & Co. voltou à fachada de uma loja, em 1962, depois que, em testamento, sua fundadora legou ao amigo George Whitman, pai da outra Sylvia - que assim a batizou em homenagem à livreira, usando inclusive o sobrenome famoso -, a grife de seu negócio pequeno, mas revolucionário: foi com o selo da Shakespeare & Co. que chegou aos leitores a primeira edição de Ulysses (1922), de James Joyce. Pudera: Joyce se tornara amigo de Sylvia Beach e não teve dúvida em levar-lhe os originais de seu romance avassalador depois que Virginia Woolf se recusara a publicá-lo na sua Hogarth Press (há quem diga que ficou desconcertada com o que leu).
 
Pelos corredores do estabelecimento passavam, com frequência, autores como Ernest Hemingway, T. S. Eliot e André Gide. A jovem Simone de Beauvoir era habitué e o músico George Gershwin também andou por lá. Em seu endereço atual - 37, rue de la Bucherie (originalmente ficava na Dupuytren e em 1921 se mudou para a Odéon) -, onde se ergue uma construção que abrigou, no século 16, um monastério, George Whitman, hoje com 95 anos, hospedou escritores, estudantes e aficionados por literatura em geral (deixando sempre disponíveis seis camas estreitas). Em seu modo de entender, para além de uma livraria, de uma editora, de um lugar, enfim, dedicado às letras, a Shakespeare & Co. deveria ser um espaço dedicado ao cultivo da convivência, do encontro entre pessoas. 
 
 
É essa cultura que torna a Shakespeare & Co. ainda hoje - contra todas as celebrações das megastores - uma referência literária na cidade, seja para quem é do ramo, seja para clientes eventuais. Entre as prateleiras da loja continuam a circular jovens escritores (ou candidatos a) - que, como sempre, conseguem passar um período hospedados no estabelecimento. 
 
O acervo, de 40 mil títulos, que ocupam os dois primeiros andares da Shakespeare & Co., é, de fato, extraordinário. Não bastasse a variedade e a qualidade dos livros, ainda se pode topar, a qualquer instante, com obras raras como a primeira edição de Lady Chatterley's Lover (1928), de D. H. Lawrence - evidentemente, invendável -, mas pode-se namorá-la à vontade. I
 
Nada disso, contudo, asseguraria à Shakespeare & Co. o posto que ocupa se, por trás da excelência de seu acervo e do glamour que envolve o estabelecimento não houvesse as figuras lendárias que a conduziram até recentemente - e Sylvia Beach Whitman tem a grave incumbência de substituir. É verdade que em dias e horários aleatórios, quando se sente mais forte, George Whitman desce as escadas - ele vive recolhido e quase inalcançável no terceiro andar da loja- e se mistura aos clientes, no que se transforma imediatamente num acontecimento. Reza a lenda que, vez ou outra, ainda se pode encontrar no meio de algum exemplar da livraria notas de 100 ou 500 francos com as quais Whitman costumava marcar a página em que parara sua leitura. Encontrá-las não é sorte grande nem traz, claro, nenhuma fortuna, já que o franco hoje só circula no imaginário dos mais saudosos. Achar uma dessas cédulas não atesta apenas a inclemência do tempo, que corrói até moedas fortes, mas também a longevidade de Shakespeare & Co. - para não falar do desapego material de seu proprietário.
 
A história do norte-americano Whitman, nascido em Salem, Massachusetts, em 1913, é contada com recortes de verdade comprovada e lendas que se perpetuam. Sua vida só mudou de rumo aos 33 anos, quando estava em Paris para trabalhar com órfãos de guerra e acabou se matriculando na Sorbonne para estudar civilização francesa. Nunca mais foi voltou para os Estados Unidos. Sobrinho-neto do poeta americano Walt Whitman, ele abriu em 1946 sua primeira livraria, a Le Mistral, que acabaria herdando o nome da Shakespeare & Co. A peregrinação diária de escritores, pretensos escritores, poetas beats e leitores à loja de George Whitman, que os acolhia com generosidade - em troca da hospitalidade, só exigia duas horas de trabalho no caixa e a leitura de um livro por dia, política que segue em vigor - chamou a atenção de Sylvia Beach. Em pouco tempo, ela já visitava Whitman com regularidade. O resto já se sabe. 
 
À primeira vista, as duas Sylvias parecem muito diferentes. Antes de mais nada, a filha de Whitman demonstra indisfarçáveis preocupações com a beleza. Ao deparar com o repórter do Estado, ela pede dois minutos "para resolver uns problemas". Volta penteada e com os lábios vermelhos. "Ainda não penso em lançar novos autores. Neste momento, estou mais preocupada em reparar e preservar a loja, modernizá-la no que é possível - gestão de estoque, página de internet, festival literário", conta. "Aí, pouco a pouco, me sentirei mais confortável para editar" , diz a jovem, formada em história e teatro em Londres, sua cidade natal.
 
Não por acaso, em uma das paredes do estabelecimento se lê: "Be not inhospitable to strangers/ Lest they be angels in disguise" (em tradução livre: Seja hospitaleiro com os estranhos. Podem ser anjos disfarçados). Sylvia Beach Whitman, que não mora no ex-mosteiro, guarda, neste sentido, um saudável conservadorismo: "Sou sensível em minha preocupação de não alterar o equilíbrio e o estilo desta loja", diz a britânica. "Para mim, é a casa de alguém que vive em outra época."
 
Andrei Netto - Publicado em O Estado de São Paulo - Indicação do blog Verdes Trigos 
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Sábado, 14.03.09

Livro Os Televisionários

Contribuição Cultural
 
Os Televisionários é um grande projeto cultural, profundamente cultural. Cobrirá uma lacuna existente na percepção histórica, na identificação comportamental e na influência da televisão durante 50 anos sobre os vetores culturais e formacionais dos grupamentos sociais presentes no Rio Grande do Sul.
 
É um  livro de arte, de texto documental, de imagética e de testemunhos sobre  a criação e desenvolvimento da TV no Rio Grande do Sul, sob a análise e letra de um de seus principais pioneiros. Walmor Bergesch possui o conhecimento efetivo de toda a epopéia, além de extensa documentação fotográfica do largo espectro de 50 anos do processo de consolidação do meio televisivo.
 
 
 
 
 
Os Televisionários é o grande livro da saga da criação e do desenvolvimento da TV no Sul do Brasil, contada em saboroso testemunho de quem a viu nascer  e crescer; e com os depoimentos de muitos que a fizeram. 
 
O autor Walmor Bergesch participou ativamente de todo o período - desde o primeiro momento, alcançando os principais postos executivos das redes locais e nacionais, sendo o testemunho mais qualificado para transmitir o  conhecimento acerca dos fatos mais significativos, desde o início da TV no Sul, a introdução das redes, os processos de veiculação em cores, a criação das TVs comunitárias, o momento da adoção dos processos de veiculação por cabo, o sistema digital e de internet.
 
 
 
 
O livro  Os Televisionários  /  A História da Televisão no Rio Grande do Sul - é detentor de profundo saber histórico (pela qualificação de sua autoria), de caráter documental e didático, no período de 50 anos que se comemora em 2009, sobre o projeto da TV no Sul do Brasil (e no Brasil em seu conjunto) sendo um marco do fenômeno das transformações culturais decorrentes desse fato de relevância.
 
Traz uma profunda contribuição criativa e cultural com os contos inéditos de grandes escritores gaúchos nas aberturas dos capítulos do livro de Bergesch, representando a identificação  com os telespectadores, ao longo do tempo e de episódios marcantes. Neste livro estarão presentes nomes como:
 
Charles Kiefer - Luis Fernando Verissimo - Moacyr Scliar - Aldyr Garcia Schlee - Cláudia Tajes - Jorge FurtadoLuís Augusto Fischer - Fabrício Carpinejar - Monique Revillion - Lauro Schirmer - Roger Lerina
 
O livro apresenta também uma fortuna imagética de cerca de 500 fotografias e imagens de vídeo, escolhidas pelo autor; através de pesquisa especializada, orientada pelo autor, junto ao Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Porto Alegre RS) e nos  arquivos das TVs e de imprensa. 
 

Uma contribuição cultural ao universo da  televisão brasileira. 

 

 

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Segunda-feira, 09.02.09

Os Limites do Impossível - Um livro notável

Contos Gardelianos - A fabulosa e triste história do nascimento de Carlos Gardel em Tacuarembó, Uruguai

 

Um livro singular e magnífico. Resultado de profunda pesquisa, documentação em viagens e criatividade literária.

 

Li o livro Os limites do impossível e em seguida reli-o todo com muita atenção.
Fiquei assombrado com a qualidade da letra e com o andaime do livro.
Sou um leitor compulsivo e um leitor de contos. Li todo Machado de Assis, muitos livros de contos, Simões Lopes, os franceses, Garcia Marquez, Italo Calvino, Bioy Casares, Hemingway, todos os livros e os contos de Jorge Luis Borges, muitas vezes.
 
Considero que este livro é do mesmo nível ou, quem sabe, superior a Doze Contos Peregrinos, de Garcia Marquez e a Amores Difíceis, de Italo Calvino. Dois livros que li várias vezes e dos quais gosto muitissimo - de ambos. E ouso afirmar que é superior por uma razão bem pontual...porque tem uma estrutura e uma ambição que o diferencia dos outros. É um livro de contos - de fato ali estão em seu sumário enfileirados doze contos - mas é algo mais também.
 
É texto de fatura exemplar, comparável ao melhor Borges. O que é sempre motivo de júbilo a todos nós, leitores do que consideramos literatura boa e leitores de Borges.
 
Porque afirmo isso? E sem fazer quaisquer comparações por que gosto muito de todos os citei e eles fazem parte do meu universo de leituras preferenciais e selecionadas. Será certamente porque não se trata de um certame literário e tampouco um campeonato de vaidades, que nada interessam aqui, o que interessa apenas é o prazer da leitura e a surpresa de encontrar-se frente a algo profundamente singular e perturbador...
 
Porque este livro de Aldyr Garcia Schlee, Os Limites do Impossível - Contos Gardelianos, tem uma estrutura notável e original. Não é um livro de simples contos estanques, que por conceito seriam o suficiente a um bom livro de contos, algumas histórias bem imaginadas e melhor escritas, como se espera de um bom autor - é um livro que se faz bem mais do que isso. É um livro de contos que vai se refazendo num fabuloso romance imaginário, na concepção livre do leitor. É genial porque o leitor vai transformando-o pouco a pouco numa história única, densa e bem justificada. É o leitor que a completa e lhe dá a interpretação, a sua versão de escolhas, a verossimilhança, a convicção que ele imagina invulgar, surpreendente ou impossível (ou possível) mas que se torna, linha a linha, bastante sólida e razoável - e o autor vai narrando os depoimentos das mulheres apenas e ali estão somente as fustigações do coronel, do caudilho, do amante de óperas...
 
E o leitor afirma para si a outra história, a intuída, a do bêbe Carlos, o que não foi Jorge...a história que não está escrita no livro, que ali está presente no formato brumoso de um romance não escrito...
 
António Lobo Antunes disse recentemente que "escrevia com palavras que não estavam escritas mas que ali estavam...". Eu achei bonito, achei poético, mas não entendi... quando li o livro de Aldyr Garcia Schlee, eu finalmente entendi o que ele dissera... e compreendi bem mais, compreendi que estava frente a um livro especial e único, compreendi que jamais lera, de fato algo assim, de estrutura tão laboriosa em degraus, de objetivos de fantasia tão sagaz e potente na sua escadaria literária, tão assombrosa era a idéia da tessitura ordenada pelo leitor para uma história não escrita palavra após palavra, antes sentida por emoções e comoções que o leitor contém, estimuladas pelas sugestões dos depoimentos e pelas arapucas armadas pelo autor no caminho espiritual do leitor, este avisado desde o princípio... 
 
Esperamos tê-lo logo em disponibilidade a todos, impresso em significativas tiragens, em espanhol e em português.
 
Saudações, Aldyr Garcia Schlee, por este belo e surpreendente livro. Que o sucesso e a fortuna premiem este livro e o escritor. 
 
Alfredo Aquino
 

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Quarta-feira, 04.02.09

Invisíveis

Eles existem

 

 

 
Uma viagem sem regresso
 
Raga - Abordagem do continente invisível
Autor: J.M.G. Le Clézio
Título original: Raga - Approche du continent invisible
Tradução: Manuela Torres
Editora: Sextante - Portugal
N.º de páginas: 125
ISBN: 978-989-8093-80-6
Ano de publicação: 2008
 
No discurso de aceitação do Prémio Nobel de Literatura, proferido em Estocolmo a 7 de dezembro de 2008, J.M.G. Le Clézio recorreu, quando quis reflectir sobre o lugar do escritor no mundo actual, a um paradoxo de Stig Dagerman: "Aquele que deseja escrever para os que têm fome, e apenas para estes, logo descobre que só os que enchem a barriga se apercebem da sua existência."
 
Levar a palavra aos excluídos, aos que muitas vezes nem sequer sabem ler, continua a ser uma tarefa particularmente difícil. "Porquê?", perguntou-se o autor franco-maurício diante do rei da Suécia, para logo lembrar: "Os povos sem escrita, como os antropólogos gostam de os nomear, conseguiram inventar uma comunicação total, através de cantos e de mitos. Por que razão isso já não acontece na nossa sociedade industrializada? Será preciso reinventar a cultura? Será preciso regressar a uma comunicação imediata, directa?"
 
Estas são questões que atravessam o conjunto da obra de Le Clézio, desde os primeiros livros – sobre a dificuldade de viver nas grandes cidades – às sucessivas abordagens a povos que escapam aos paradigmas da civilização ocidental: os índios do Panamá, os herdeiros dos maias no México, os nómadas do Norte de África. Ou os ilhéus da Melanésia, a quem Le Clézio dedica este belíssimo Raga, relato publicado agora, numa magnífica tradução, pela Sextante.
 
Se África é o continente esquecido, começa por dizer Le Clézio, a Oceania é o "continente invisível", porque "os viajantes que pela primeira vez aí se aventuraram não se aperceberam dela, e porque hoje continua a ser um lugar sem reconhecimento internacional, uma passagem, de certa forma uma ausência".
 
Foi neste não-lugar, nesta imensidão oceânica semeada de ilhas, ilhotas e atóis, que se deu "a mais temerária odisseia marítima de todos os tempos". Isto é, o povoamento ancestral dos arquipélagos do Pacífico Sul, para Le Clézio menos fruto do acaso de ventos e correntes (como quis provar Heyerdhal) do que das navegações de quem sentia a urgência de descobrir um mundo novo para habitar.
 
Esse mundo ganha forma em Raga, nome nativo da antiga ilha de Pentecostes, nas Novas Hébridas (Vanuatu desde a independência, em 1980), quase dois mil quilómetros a leste da Austrália. É sobre esta "muralha de lava" que o livro nos faz planar, entrelaçando várias linhas narrativas, como as mulheres melanésias entrelaçam as folhas secas de pandano nas suas esteiras (objectos que hoje são tanto um símbolo de identidade cultural como moeda de troca). Uma das linhas narrativas ficciona a "viagem sem regresso" dos primeiros povoadores, enquanto atravessam o mar de piroga e se orientam pelas estrelas. Outras consistem na descoberta física da ilha (um assombro vegetal), na enumeração dos respectivos mitos (recorrendo a quase duas dezenas de fontes etnográficas) e na evocação dos aspectos mais negros da sua História (sobretudo os raptos dos blackbirders, que enchiam os porões de homens condenados à escravatura nas plantações de algodão de Queensland ou nas minas da Nova Caledónia).
 
Por fim, a fechar este hino à resistência dos povos que não se deixam engolir pela globalização, Le Clézio, fiel a si mesmo, não deixa de fustigar o Ocidente que "ferrou os dentes nos arquipélagos", mais o seu cortejo de colonos, turistas e missionários "vindos para extirpar os demónios e vestir a nudez dos habitantes".

 

Publicado no blog Bibliotecário de Babel 

Pintura de Paul Gauguin - Pobre Pescador - Óleo sobre tela - MASP  (Ilhas Marquesas, Oceania), 1896

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publicado por ardotempo às 10:47 | Comentar | Adicionar
Segunda-feira, 02.02.09

A voz plástica

Publicado no Da Literatura

 

Resenha literária por João Paulo Sousa

 

O primeiro mérito de Carassotaque, novela que Alfredo Aquino publicou no ano transacto, depois de, em 2007, se ter estreado na ficção com o volume de contos A Fenda, é o de construir uma história sólida do ponto de vista da verosimilhança interna, apesar da dimensão aparentemente fantástica da situação que determina a narrativa.

 
Com a acção localizada num país imaginário, cujos habitantes não conseguem ver o rosto uns dos outros (embora essa ausência facial não seja perceptível para os estrangeiros, razão pela qual são designados pela palavra composta que serve de título à obra), a primeira narrativa longa de Alfredo Aquino, editada pela Iluminuras, apresenta-se como uma utopia em construção, como um projecto aberto, em relação ao qual são dadas várias pistas. Antes de mais, o nome do país imaginário, Austral-Fênix, parece especialmente adequado a um espaço onde se pretenda renascer (e este verbo deve ser lido aqui numa dupla perspectiva, de carácter simultaneamente existencial e social).
 
Com efeito, é da tensão relacional entre cada indivíduo e os outros que nos fala o livro, pois a invisibilidade das cabeças tem origem no medo colectivo, induzido, primeiro, por uma ditadura e, depois, por um regime marcado pela corrupção. Cabe ao protagonista desmontar a rede de temor através de fotografias que, pela primeira vez, irão captar a invisibilidade dos rostos dos austral-fenecianos e mostrá-la ao resto do mundo. Assim, a personagem principal chama-se Celan Gacilly, isto é, metade do seu nome vem do poeta de língua alemã que escreveu a célebre Todesfuge e a outra metade coincide com a designação de uma comuna francesa, da Bretanha, conhecida, entre outros motivos, pelo festival anual de fotografia, dedicado à ligação entre os povos e a natureza.
 
O protagonista carrega, portanto, uma transcendência que, de algum modo, perturba a sua assunção como figura individual; embora compreenda a herança ética de que ele, assim, se torna devedor, parece-me excessivo o peso que recai sobre o herói, exigindo-lhe, em demasia, uma atitude exemplar. Como Celan Gacilly cumpre essa solicitação, é a outra personagem, ao seu amigo Antônio Rufino Andorinha, que o leitor ficará a dever a complexidade e o dilema inerentes ao combate contra o medo, rasgando, em alguns momentos, as sequências planas da narrativa.
 
Um exemplo a considerar é a cena em que Antônio se vê atacado por dois cães ferozes; representativa, em parte, da escrita plasticamente expressiva de Alfredo Aquino, esta cena pode ajudar-nos a compreender em que medida, para lá dos mecanismos diegéticos de cariz alegórico, é à nossa condução por esta voz narrativa que se deve o prazer da leitura de Carassotaque:
 
"Os dois pitt bulls arrojaram-se num salto voador como dois torpedos aéreos, um quase ao lado do outro, marrons, as bocas dilacerantes abertas, espargindo as babas, as presas brancas faiscando no menear brutal das mandíbulas em direcção ao rosto e ao pescoço de Antônio, que ainda conseguira, com muita sorte e agilidade, evitar o choque das bestas, e jogar-se para dentro do carro, puxando com violência a porta e conseguindo encerrar-se dentro do veículo. Aterrorizado, travou as portas e ficou caído sobre os bancos, enquanto ouvia um estrondo na porta, os rosnados selvagens e o barulho das garras dos cães, riscando e agredindo a lataria" (pp. 101-102).
 
 

Veja o blog Da Literatura

 

 

ARdoTEmpo: Agradeço o tempo valioso dispendido na leitura, acurada e muito atenta, esplendidamente erudita e livre no vôo da imaginação e do prazer; e na consequente ourivesaria da letra de sua compreensão e na sugestão à leitura de Carassotaque.

Muito obrigado, João Paulo Sousa e Da Literatura. - De Alfredo Aquino

publicado por ardotempo às 02:43 | Comentar | Ler Comentários (1) | Adicionar
Sábado, 31.01.09

Os livros sem leitores

A livraria (o lado não romântico)
 
 
O ritmo é alucinante. O vendedor mostra uma mala cheia deles. Nós fazemos má cara. Ficamos indecisos. Escolhemos apenas alguns.
 
O vendedor faz má cara. Não atinge os objectivos. O editor protesta. O autor não percebe porquê. Nós temos pena. Não podemos ter todos. É fisicamente impossível. Economicamente errado.
 
Chegam caixas e caixas. Abrem-se as caixas. Conferem-se as facturas. Dá-se entrada no sistema informático. Classificam-se na área temática. Colam-se as etiquetas do preço. Carregam-se aos quilos. Colocam-se em cima das mesas. Uns virados para um lado, outros para o outro. Chama-se a isto casá-los.
 
Esperam em cima das mesas. Há quem lhes toque. Os abra. Leia uma passagem. Os deixe. Não podem esperar mais. Em breve vêm outros. Só mais uns dias. Aconselham-se mais uma vez.
 
Ninguém os quer. Volta-se a pegar neles. Nem sequer ganham pó. De novo o sistema informático. Um por um. Processa-se a devolução. Novamente em caixotes. Chama-se o transportador. São levados para um armazém frio, escuro. Cheio de livros, azarados como eles.
 
Jaime Bulhosa
 
Publicado no blog Pó dos Livros

Indicado pelo blog Bibliotecário de Babel

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publicado por ardotempo às 17:35 | Comentar | Adicionar
Domingo, 25.01.09

António Lobo Antunes na Jornada de Passo Fundo

Deu no blog António Lobo Antunes:

António Lobo Antunes estará na Jornada Literária de Passo Fundo

 
O escritor português António Lobo Antunes foi confirmado como uma das principais estrelas da 13.ª Jornada de Literatura, que ocorre na cidade gaúcha de Passo Fundo, entre 24 e 28 de agosto. Vencedor do Prêmio Camões de 2007 e um dos principais autores em língua portuguesa da atualidade, Lobo Antunes terá a companhia do filósofo francês Pierre Lévy. As presenças foram confirmadas pela coordenadora da jornada, Tânia Rösing.
 
Escritor inquieto - para ele, a perfeição está longe de ser alcançada, daí sua escrita estar sob constante evolução, notadamente subversiva e radicalmente original -, Lobo Antunes é formado em medicina, com especialização em psiquiatria, e foi destacado para Angola entre 1970 e 1973, durante a fase final da guerra colonial portuguesa - experiência que utilizou em vários de seus livros.
 
Neto de brasileiros (a família veio do Pará), Lobo Antunes é autor de sucessos como Cus de Judas, Memória de Elefante e Ontem Não te Vi em Babilônia, entre outros, editados no Brasil pela Alfaguara.
 

Publicado no Blog António Lobo Antunes 

publicado por ardotempo às 11:22 | Comentar | Adicionar

Editor: ardotempo / AA

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