Arrogância de Museu

Conselho do MAM mantém rejeição a obras doadas por Ianelli

 

Claudio Leal

 

O conselho consultivo do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, numa reunião realizada esta semana, decidiu manter a rejeição a 14 obras doadas em testamento pelo pintor e escultor Arcangelo Ianelli. Entretanto, o curador Felipe Chaimovich e os conselheiros  Annateresa Fabris, Luisa Duarte e Lauro Cavalcanti, resolveram reabrir o diálogo com a família do artista, para incorporar as duas únicas obras consideradas não-redundantes no acervo. O museu reconheceu um equívoco sobre o imposto de transmissão, um dos argumentos para a recusa.

 

Segundo Chaimovich, além de ver redundância nos quadros e esculturas, não haveria recursos para bancar a incorporação. Contestado pelo advogado da família Ianelli, que lembrou a não-incidência do imposto sobre os museus estaduais, o MAM admitiu o erro, após uma consulta ao setor jurídico.

 

Na sexta-feira (20), Terra Magazine revelou que, em novembro de 2010, o MAM recusou as obras de Ianelli, um dos maiores e mais valorizados pintores brasileiros contemporâneos.

 

Ele deixou, em testamento, cerca de 170 obras representativas de sua trajetória para o acervo de 16 museus nacionais e estrangeiros. Após a divulgação da recusa, os filhos do pintor, Katia e Rubens Ianelli, receberam dezenas de mensagens de solidariedade de artistas plásticos e professores universitários. A família não voltou a ser contatada por Chaimovich.

 

Oficialmente considerada uma "política curatorial", a rejeição acendeu uma polêmica. O poeta e crítico de arte Ferreira Gullar se revelou "perplexidade". A presidente do MAM, Milu Villela, permanece em silêncio sobre o episódio.

 

Segundo a assessoria do MAM, quem se pronuncia sobre a política de acervo é o conselho consultivo e a curadoria.

 

Numa carta à família, em 24 de novembro de 2010, o curador não havia detalhado os argumentos. "O Conselho Consultivo de Artes do Museu de Arte Moderna, em sua última reunião, posicionou-se contrariamente à entrada dessas obras no acervo do museu. Assim sendo, entendemos por bem recusar as mesmas", informou. O MAM foi o único museu brasileiro e internacional a recusar as obras deixadas em testamento.

 

Claudio Leal

 

 

 

 

(NE ardotempo - Teimosia e arrogância -

 

 

Não há o que dizer frente a este absurdo no qual todos no MAM, diretoria, conselheiros e curador são culpados e cúmplices. Creio que a proposta de aceitação de duas obras e rejeição de outras catorze obras é envenenada, pois supõe a aceitação resignada da ideia ABSURDA e RIDÍCULA da "redundância".

 

 Que absurdo é esse de "redundância" com relação a artistas sérios, originais e paradigmáticos? Que fazem "plágio" de si mesmos? Que "repetem" ideias pictóricas?

 

Isso se aplica ("redundância?!?) a Mark Rotko, a Calder, a Max Bill, a Frank Stella, a Ianelli, a Volpi, a MORANDI, a Charoux, a Tomie, a Emanoel Araújo, a Miró, a Nikki de St. Phalle, a Mira Schendel, a Vieira da Silva, a Torres-Garcia, a Frida Khalo, a Roy Lichenstein, a Hockney, a Tapiés, a Francis Bacon?

 

O acadêmico arrogante, mal intencionado, leniente, preguiçoso, irresponsável e estúpido que engendrou essa tese espantosa deveria ser sumariamente demitido!)

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publicado por ardotempo às 12:28 | Comentar | Adicionar